quinta-feira, 24 de maio de 2018

Ode à grandeza da Serra Fina

A montanha
Ah, a montanha!
Quanta beleza, natureza
Quantos segredos

A montanha
Ah, admirável montanha!
Sobe, desce, sobe, desce...
Sol aparece, sol desaparece

A montanha
Ah, o vento gelado da montanha!
Quando quer ela congela o corpo
Mas  também aquece o coração

A montanha
Ah, que montanha!
Ela abraça, sussurra
Ela beija, dá colo, aconchego

A montanha
Ah, a montanha!
Ela sorri e também chora
Ela é da  Mantiqueira

A montanha
Ah, essa montanha!
Ela é serra, nos domina
É a  indescritível Serra Fina

A montanha
Ah, a surpreendente montanha!
Ela é bela, é fera, é fina
É mulher, é criança,  é menina

A montanha
Ah, dona montanha! Indomável!
Tu recebes e repeles
Igualmente induz e seduz

A montanha
Ah, essa montanha!
Ela é estrada, é trilha
Ela  é nascente, é toca, é lobo

A montanha
Ah, a montanha!
Riacho límpido, água rara
Travessia, magia, hipotermia

A montanha
Ah, esse mar de montanhas!
É garoa, chuva, raio e trovão.
Hora de reflexão!

A minha, a nossa montanha
De cada guia, de cada dia
Farol de luz,   garra e determinação
De respeito, companheirismo e devoção

A montanha
Ah,  "maldita" montanha!
Dá calor e carinho  apenas aos fortes
Faz correr sangue,  suor e lágrimas

A montanha
Ah,  bendita montanha!
É  cotovelo, é quartzito
É passo, é anjo, é precipício

A montanha
Ah, a montanha!
É camelo, é ombro, é corda,
É  bambu, é  livro, é cume

A montanha
Ah, minha cara senhora!
É capim elefante, cortante
É tico-tico, é beija -flor

A montanha
Ah, a montanha!
É conquista, é ouro
É o Capim Amarelo

A montanha
Ah,  que montanha!
É prosa, é verso
É concavo, é convexo

A montanha...
Meu morro dos ventos uivantes
Serra de tantos cantos e encantos!
Maracanã,  Melano, Tartarugão

A montanha
Deusa a povoar meus sonhos
Cachoeira Vermelha, Rio Claro
Vale do Ruah, Rio Verde e Cupim do Boi

A montanha
Ah, a montanha!
É  foto, é moldura, é depressão
É pôr do sol e lua cheia

A montanha
Ah, a montanha!
É Marins, é Itaguaré
É crepúsculo, laranja,  vermelho

A montanha
Ah,  montanha iluminada!
É aurora, é neblina
É Pedra da Mina

A montanha
Ah, a montanha!
Sobe, desce, cai, levanta
Vitórias, derrotas e dores momentâneas

A montanha
Ah, a montanha!
Céu, inferno, sombra,  paraíso
É hora de confessar e  ter juízo

A montanha
Ah, a montanha!
É tristeza, é decepção, é frustração
É alegria,  é  leveza, é esperança,

A montanha
Ah, a montanha!
É impotência, é paciência
É prudência, é resiliência

A montanha
Ah, a montanha!
É força, é resistência
Sabedoria,  conquista, inteligência,

A montanha
Ah, a montanha! Tu és única!
É foco, é atitude, é altitude
É sensibilidade, é parceria

A montanha
Ah, a montanha!
É loucura, é paixão
É clímax, ápice, emoção

Montanhas, pecados, sonhos...
Agulhas Negras, Pedra da Mina...
Aconcágua,   Everest
O topo do meu mundo

A montanha, a vida, os conflitos
Minha  amiga inseparável!
Com humildade e  muito respeito
À tua grandeza,  uma sincera reverência

Sinto que na montanha
Estou nos braços da paz
Se eu não voltar um dia
Simplesmente, sorria!

Nada de lágrimas
Fui  porque Ele quis
Tome um vinho por mim
Fui embora feliz

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A Serra Fina e a dor de uma frustração

Olá pessoal! Olha eu aqui outra vez.  Afinal, quem tá  vivo sempre aparece. Vivíssimo!

Após longo e tenebroso inverno,  volto ao blog pra falar de uma frustração pessoal. Uma dor momentânea que soa como um corte na alma. Mas há de cicatrizar. Vai cicatrizar!  Tenho certeza!

Afinal, é preciso perseverar. Desistir só machuca. Deixar de sonhar é o caminho mais curto para definhar. Para a derrota ser definitiva.

Pela segunda vez, não consegui completar como queria a  difícil travessia da Serra Fina, uma das belezas indescritíveis da incrível Mantiqueira, a montanha que chora.  Em tupi-guarani, gotas d'água.

Depois de fazer em 2015 um bate-e-volta  de  12 horas até o cume da Pedra da Mina,  até então o quarto pico mais alto do Brasil,  senti que deveria me preparar para a desafiadora travessia.

Na primeira semana de outubro de 2017 eu lá estava, ao lado do amigo Zé Luiz e do guia Leo, de Passa Quatro-MG. Tudo pronto. Logística aceitável,  com poucas falhas.

Porém, não passamos do Capim Amarelo. Meu grande amigo sentiu dores insuportáveis nos joelhos, o que o impedia de continuar e ficar na dependência de um resgate via helicóptero.  Nem pensar! Tamujuntu!

Tivemos de nos contentar com um pôr-do-sol incrível no Capim Amarelo, combinado com o nascer de uma lua cheia maravilhosa no vértice da Pedra da Mina, palco também do brotar do sol no dia seguinte, quando descemos com dor no coração.

Teimoso, não me dei por vencido. Subida,  descida; com peso, sem peso; rua, montanha, Pedra Grande, escada da igreja Matriz. Treinei muito. Me preparei muito pra tentar novamente superar o desafio. Singela homenagem aos meus cinco netos, hoje tatuados na minha panturrilha.

Logística detalhada e checada.  Mochila equilibrada. Equipamentos, vestuário, ração de trilha e demais componentes sem erros primários. Até a previsão do tempo jogava a favor, segundo as especialistas Windguru e a Mountain Forecast. Risco mínimo, de 0,4mm de chuva. Quase nada!

Motivado, consciente, feliz e bem preparado física e  psicologicamente, tinha certeza de que  uma segunda desistência estava totalmente fora de cogitação. Então, pé na estrada no domingo (6 de maio) pra encarar a bitela já na segunda.

Novamente ao lado do Leo, da Araucária Expedições, lá estava um italiano caipira, metido a besta,  disposto a abraçar a montanha com carinho. Pronto pra conquistá-la com força, determinação, respeito, sussurros e toques de sedução.

"Pra cima dela", como diz o Leo, pra quem a Serra Fina deveria se chamar Serra dos Bambuzinhos. Verdade! É bambuzinho a dar com pau. Nada fora da cargueira 60l, pra não enroscar.

Nossa travessia, mais tradicional e  inicialmente programada para quatro dias, foi alterada logo na primeira perna. Estávamos ótimos. O Léo com 31 anos e cerca de  25kg nas costas. Eu perto de completar 63 anos e com uns 12kg, já que desta vez não precisei carregar barraca, alimentação e tralhas de cozinha.

Toca do Lobo, Quartzito, Passo dos Anjos, Ombro, Capim Amarelo. Cinco horas e 45 minutos para cumprir 6,5 km e   absurdo ganho de elevação próximo de 1.250m. É subida de fazer inveja e sentir saudade do Quebra-Perna, no Caminho da Fé.

Questionado se queria tocar até o acampamento Maranacã, não tive a menor dúvida. "Vamos sim. Nesse ritmo podemos fechar a travessia em três dias" -- desafiei. "Boralá, Raddi" -- rebateu o guia.

Em uma hora e meia de descida braba temperada com bambuzinho e escorregões,  lá estávamos no Maracanã. Vazio,  frio, sem o calor da torcida, sem Fla-Flu, mas com tempo e vento de sobra pra conversar sobre tudo antes da ceia.

Inclusive sobre a inesquecível semifinal do Brasileiro de 1976, quando, sob chuva,  a torcida corintiana dividiu o Maraca pra ver o Timão eliminar o Fluminense nos pênaltis, após 1 a 1 no tempo regulamentar.

Esse é  o jogo da minha vida. Eu estava lá como um dos  apaixonados 75 mil corintianos e como repórter  do Diário do Grande ABC. Foi difícil escrever sem a companhia do coração.

Após jantar  macarrão com linguiça, nada melhor do que aninhar pra fugir do vento frio. Não dormi muito bem, mas nada que estragasse meu otimismo para a segunda perna, quando combinamos ir até  o bambuzal, na base do Pico dos Três Estados (2.665 m e 10º mais alto do País). Cerca de 7 a 8 horas de sobe e desce sem fim e mais de 700 m de ganho de elevação.

Após um belo e forte café do Léo com torradas e requeijão,  iniciamos a terça-feira com a corda toda. Logo de cara, uma sequência de sobe-e-desce na aproximação ao Morro do Melano, que ostenta praticamente a mesma altitude do Capim Amarelo (2490 m).

No  Melano o tempo, que já estava  meio fechado, cismou de ficar carrancudo. Antes das 11h a neblina ganhou a companhia da garoa. Depois uma chuvinha fina,  fria e chata. E pela primeira vez o Léo aventou a possibilidade de ter de abortar pelo Paiolinho.

Contrariando qualquer previsão dos serviços meteorológicos, a grande surpresa da mãe natureza: pouco antes do meio-dia a chuva apertou e em seguida deu um  ligeiro refresco. Ao meio-dia em ponto, quando chegamos à nascente do Rio Claro -- base da Pedra da  Mina  --  e pegamos água, a chuva começou a apertar. De novo o Léo  falou em abortar a travessia se o tempo piorasse.

Adiamos a decisão por alguns instantes e resolvemos encarar a subida e atacar o cume. Afinal, a Pedra da Mina (4º ponto mais alto do Brasil com  2.798m) estava bem próxima.

Porém, no meio do ataque, como se não bastassem a chuva, o frio e o vento forte, fomos "premiados" com raios não tão distantes. O suficiente para o guia definir, definitivamente,  por absoluta segurança, que nossa travessia seria abortada na descida da Pedra da Mina.

Imaginem minha cabeça! Virou um trevo. Nada mais fazia sentido. Mesmo pensando em alguma alternativa -- talvez dar um tempo na base  antes de atacá-la  naquele momento -- o respeito à determinação  sensata do guia  era primordial. Mesmo discordando. Mais por frustração. 

Água,  vento, raios e trovões... E nós dois encharcados... subindo, subindo e chegando ao topo. Alvos prediletos de raios, correndo sério risco. Após 4h15min desde do acampamento, lá estávamos. Tentei escrever algo no livro do cume: " Travessia abortada. Chuva com raios. Raddi e netos".

E o caderninho ficou  todo molhado.  Meu  celular deu pau e o pedido de resgate antecipado quase não pode ser efetivado. Tudo molhado. Menos o que estava protegido dentro das cargueiras. Especialmente roupas e saco de dormir.

Em cerca de  15 minutos já estávamos na outra ponta, por onde desceriamos para virar à esquerda rumo à trilha do Paiolinho ( 1.200m de descida difícil) e não à direita, para a base dos Três Estados, o acampamento previsto para ser atingido em cerca de  três/quatro horas.

Triste, desconcentrado, cansado, gelado e com  pressa  para escapar dos raios, agora mais esparsados e distantes, iniciamos o mergulho. E não é que acabei  levando  até um chão que, por sorte, não teve maiores consequências?

Em menos de uma hora já estávamos no conhecido Enganador, falso cume pra quem olha de baixo pra cima. Um precipício pra quem olha de cima pra baixo.   Surpreendentemente,  já sem chuva. E eu sem a capa de chuva da mochila devido  à última forte rajada de vento.

De novo a natureza dando as cartas. À nossa esquerda, na direção do bairro Paiolinho,  já havia azul no céu e o sol aparecia discretamente. À direita, no entanto, no sentido do Três Estados, nuvens escuras anunciavam a continuidade de tempo ruim, segundo o Léo.

Depois de seis horas -- duas delas sob o escurecer  na mata e  com lanterna na testa --, muito cansaço e a mochila agora  bem "mais pesada", meus ombros acusaram "dores" quando chegamos na escolinha do bairro. Era o peso da frustração. A  triste dor dos derrotados.

Em nome da segurança, nossa travessia foi cumprida em 2/3.   E acreditem: sob um lindo  crepúsculo e o céu  salpitado de estrelas. Paciência!  Faz parte.

Assim é a vida. A montanha não quis. De novo!  Mas ela é minha amiga. A Serra Fina não vai fugir. Está lá! Imponente! Bela! Desafiadora! Da próxima vez ela há de me receber de braços abertos. Há de me oferecer colo e me dar aquele abraço gostoso.

Assim é a  Serra da Mantiqueira, a  grande montanha que chora. E  faz gente grande chorar.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O carnaval, a garagem e o secretário

Ninguém me contou. Eu vi. Ao vivo e a cores. A poucos metros de casa. Mais precisamente à direita, onde funciona um salão de cabeleireiras.

Tudo aconteceu  no fim de semana  anterior ao Carnaval. E tudo por causa do grito de carnaval promovido pelo Botequim Carioca, aqui na esquina, com patrocínio da marca Jeep.

Entre privilégios e contratempos, o evento forçou a interdição de pelo menos duas faixas de rolamento, na rua Santo André e na Coronel Ortiz. Mesmo porque, além da festança,  obviamente regada a muita cerveja, era preciso  dar  publicidade em lugar de destaque aos dois veículos Jeep.

Até aí, nada demais. Pelo menos aparentemente.  Afinal, sabe-se lá o que se esconde por detrás de um grito. O grito "qualificado" de alguns manda chuvinhas de plantão. Pretensos ou potenciais amigos do rei.

O problema é que havia  bastante gente e, como consequência, igual número de veículos. E um deles estava estacionado diante da garagem da dona Dulce, que costuma  trabalhar também aos finais de semana.

E não é que ela chegou pra entrar exatamente quando uma bela nave prata-perolizada ali estava estacionada! O que fazer? A quem reclamar?

Sem alternativas, a vizinha foi obrigada a estacionar seu Ka diante do Sindicato dos Rodoviários e mais tarde um pouco mais longe, antes de eu sugerir que parasse momentaneamente diante da minha  garagem.

Nesse ínterim, nada de o "nobre" e educado proprietário da nave aparecer. Quem seria? Onde estaria? Talvez   fosse familiar de algum doente do Hospital Municipal. Ou algum folião desastrado, distraído ou simplesmente mal-educado?

Após tentar, sem sucesso, contato com o pessoal do Trânsito, dona Dulce resolveu afixar um recado bem sugestivo no vidro da nave, questionando a atitude do figurão.

(Com direito a uma pergunta que não quer calar: será que se os servidores aparecessem teriam coragem de efetivar o auto de infração e   multar  alguém possivelmente tão próximo do poder? Será que a  penalização prevista  em lei seria mantida ou prevaleceria o peso da "otoridade"?)

Bom... vida que segue. A estas alturas, eu, corintiano,  já estava  dentro de casa vendo o jogo do Palmeiras. Enfim,  por cautela, não deveria  meter a colher  e  nem me indispor em nome de outrem. 

Quietinha,  lá estava a  belíssima nave prata-perolizada, placas EFY-3766/Santo André.  Enquanto a vizinha se resignava e o Verdão ganhava.

Findo o grito dos manda chuvinhas da província, eis que chega o dono do possante. Lê o recado, sobe as escadas e pede desculpas às vítimas de atitude nada educada. O que não o isenta de (ir)responsabilidade.  Apenas atenua.

Afinal, ficaria muito chato se um homem público,  o secretário de Inovação e Administração da Prefeitura de Santo André, não se dignasse nem ao menos a se desculpar.

Filho do meu amigo Eufly Gomes, já falecido e ex-proprietário do Colégio Pentágono,  bem que o autor do mau exemplo poderia ter  evitado tal papelão e seguido a cartilha do pai.

Lamento tal atitude. Ao senhor Fernando Buíssa Barros Gomes faltou o que tanto o saudoso pai  pregou aos seus milhares de  alunos: educação.
  

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A virada do Ramalhão na voz do grande Fiori

-- Neneca vai defender o gol de entrada do Estádio Bruno José Daniel. Cássio fica na cidadela dos fundos, ao lado do Clube Atlético Aramaçan. Agora você fica com a mais perfeita transmissão do rádio esportivo brasileiro, na voz vibrante do premiado Fiori Gigliotti.

-- Obrigado ao nosso competente repórter Roberto Silva.  Atenção! Apiiiita o árbitro! Abrem-se as cortinas e comeeeça o espetáculo! Júnior Dutra toca para  Jadson. Jadson recua a bola para Gabriel. Gabriel abre na direita para Fágner...

-- Bola subindo, bola descendo, cabeeeça na bola Balbuena, o moooço que veio de Ciudad del Leste. O xerife da zaga corintiana.

-- O teeempo paaassa: 15 minutos de jogo. Hora de ouvir a voz de quem conhece tudo de bola, Mauro Pinheiro.

-- Fiori, por enquanto um jogo bem igual. Mesmo ainda sem vitória no campeonato, o chamado Ramalhão adianta a marcação e dificulta a saída de bola do bom e organizado esquadrão de Fábio Carille. Abusando de chutões e bolas longas, o Coríntians esquece o toque de bola e  facilita a vida dos zagueiros adversários.

-- Este foi Mauro Pinheiro. O céu está carrancuuudo torcida brasileira! E lá vem o Coríntians pela direita com Romero. Ele teeenta passar mas não passa! Perde a bola para o lateral Paulinho e permite o contra-ataque.

-- O teeempo paaassa!  O Coríntians contra-ataca rapidamente pela esquerda. Júnior Dutra passa o pé sobre a bola, dribla Domingos, mas o cruzamento é interceptado por Soelinton.

--O teeempo paaassa! Agora são 17 minutos e o Timão acelera pela direita. Fágner domina. Ele gooosta da bola! Fágner cruza, Romero desvia de cabeça, a bola bate em Domingos; defeeende Neneca!. O  moço de Rondonópolis opera um verdadeiro milaaagre - certo Olho Vivo?

-- Sim, Fiori, um milagre. A zaga falhou e por pouco o gol não saiu. Se saísse, nada mais coerente para um time que passou a tomar conta do jogo.  Mauro?

-- Concordo plenamente Roberto! O Santo André já não marca tão bem a saída de bola e o  Coríntians, mesmo sem ser brilhante,  passou a dominar o meio-campo. O gol está maduro!

-- Lá vai Coríntians de novo! Balão subindo e descendo, pára no peito de Rodriguinho, o moço  de Natal domina com classe e toca para Jadson; Jadson para Gabriel; Gabriel para Pedro Henrique;  daí para Jadson; Jadson  enfia boa bola na esquerda pra Romero. Romero cruza, atenção, Júnior Dutra desvia e a booola beeeija o  pé do poste direito de Neneca! Por pouco o Coríntians não abre o placar.

-- Lá vem o Santo André! De Flávio para Dudu Vieira,  de Dudu para Joãozinho, que teeenta passar por Fágner, mas não passa! A bola fica  facilmente com a defesa corintiana.

-- Atenção! Perigo! Bateu Rodriguinho, de primeira. A bola passa  perigosamente reeente ao poste esquerdo de Neneca!  Festa da grande  torcida da arquibancada oeste. Mas apenas impressão de gol. Certo Mauro?

-- Sim, caro Fiori!  A bola passou muito perto. Fruto da superioridade do Coríntians, agora um time mais solto,  com toque de bola envolvente no setor intermediário. Ao  aplicado Santo André resta se garantir sem tomar o gol.

-- Atenção Mauro, pode ser agora! Cleyson desce em velocidade pela esquerda, passa por Jonathan Bocão, cruza pra trás, quase na marca penal; Rodriguinho chuta, é fooogo, é gooooooooooooooooool!  Uma beleeeza de goool!Agora não adiaaanta chorar, Neneca! Trinta e oito minutos, um para o Coriíntians, zero para o Santo André.

-- Finaaalzinho da primeira etapa! Júnior Dutra cruza, Fágner chega  pela direita, bate firme, Neneeeca! Sensacional!

                       A BEEELA VIRADA!

-- Fiori, o Coríntians volta igual para o segundo tempo, mas o Santo André faz uma mudança radical.  vem mais ofensivo. Sai o lateral-direito Jonathan Bocão, Dudu Vieira vai  para a lateral, Flávio fica como volante solitário, Joãozinho  vai para a direita e Hugo Cabral entra na esquerda pra partir pra cima de Fágner.  Assunto para o nosso comentarista.

-- Isso mesmo Roberto! O jogo vai mudar. O Santo André vai se expor para atacar e correr riscos de sofrer gols. Por isso o jogo vai melhorar. Vamos aguardar para ver como o Coríntians vai reagir!

-- Obrigado Mauro! Comeeeça o segundo tempo! Bola com Lincom...

-- Balão subindo e descendo; cabeeeça na bola  Domingos, o moooço  de Nazaré das Farinhas! Um baiano, gigaaante por natureza! O Santo André ataca pela esquerda. Joãozinho carrega em diagonal, toca para Tinga. Tinga ajeita na entrada da área, pé direito na bola. É fooogo. É gooooooooooooool!  Uma pintuuura! Uma beleeeza de gol torcida brasileira! Um tiro cooomprido do moooço de Bom Jardim,   no canto direito alto, sem chances para Cássio. Coríntians 1, Santo André 1. Oito minutos. Agooora não adiaaanta chorar Cássio. Bem que  você alertava, hein Mauro...

-- Pois é Fiori. O Santo André voltou  ligado, aceso, e o Corintians não se deu conta de que o jogo mudou. O menino Hugo Cabral tá fazendo uma fumaça danada pela esquerda.

-- O teeempo paaassa! Treze minutos da etapa complementar;  e só dá Santo André. Que ataaaca de novo com Hugo Cabral.  Hugo Cabral pára na frente de Fágner, tenta passar. Já passou! Vai cruzar, chega Balbuena e desmaaancha a obra-prima que se desenhava no tapete verde de Santo André.

-- Lá vem o Coríntians em busca de um futebol que parece ter ficado nos vestiários. O teeempo  paaassa! Dezoito minutos... Atenção cruzamento na cabeeeça na bola Romero, desvia e salva o centroavante Lincom, lá atrás ajudando a defesa andreense.

-- Triiinta e cinco minutos! A grande e fiel torcida corintiana está meio  quieta; será que pressentindo algo de ruim? A bola sobra na direita pra Dudu Vieira, ele ajeita e cruza. É fogo, é fogo, é goooooooool. Lincom, o moooço de Camapuã, cabeceia sem chances para Cássio, o moooço que veio de Veranópolis. Santo André 2, Corintians 1. Tudo normal Mauro?

-- Quanto à posição do centroavante, não! Ele estava com o tronco à frente, impedido, portanto. Mas o lateral não pode cruzar com tamanha facilidade e a zaga não pode ficar plantada. Falhou feio! Quanto ao resultado? Surpreendente mas justo,  pelo que o Santo André mostrou no segundo tempo. Mais compacto, mais rápido, mais organizado, mais veloz e com mais volume de jogo. Ao Coríntians faltaram criatividade e competitividade à altura de time grande.

-- O teeempo paaassa! Crepúuusculo de jogo no Bruno Daniel! Quarenta e nove minutos! Apiiita o árbitro! Tudo está  consumaaado! Fecham-se as cortinas e termiiina o espetáculo! Agora não adiaaanta chorar torcida corintiana! A festa é todinha do mundo azul!

(Este texto é uma singela homenagem a quem  teve o dom e a magia de fazer o menino sonhar) 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Sem futebol convincente e sem IPTU extorsivo

-- E aí, grande irmão, tudo bem? Tá ocupado?

-- Não. Pode falar.

-- Você viu que suspenderam o aumento abusivo do IPTU?

-- Ainda bem. Uma extorsão!

-- Concordo! Mas não liguei pra isso.

-- Se for pra ir andar em Paranapiacaba, eu não vou não. Só depois de me vacinar contra a febre amarela. Lá tem aquele macaquinho, hospedeiro do mosquito maldito.

-- Não, nada disso. Quero falar do Santo André.

-- Então fala...

-- Cal, ainda bem que a gente não foi no Bruno Daniel hein!

-- Por quê?

-- Porque o  nosso Santo André não jogou nada. E ainda nos livramos da chuva.

-- Verdade meu amigo. Vi o jogo pelo SporTV. Que sorte hein!  O empate de 1 a 1 até que ficou de bom tamanho.

-- Brincadeira! Também assisti.  Um joguinho né?

-- Também não gostei não. Muito fraco. Pra falar verdade, uma bosta!

-- Matou a pau. Uma bosta! O primeiro tempo foi ridículo. O Mirassol foi muito mais organizado, mais eficiente na marcação adiantada e na armação. Toca bem a bola. Se tivesse mais sede e poder de fogo ofensivo faria pelo menos dois gols.

-- Vem cá! Como o Santo André marca mal hein!

-- Concordo Cal.  Foi indolente, preguiçoso, benevolente. Deu muito espaço. O futebol atual não permite tamanha benesse ao adversário. O Mirassol passeou como quis na avenida, num sambódromo chamado Brunão.

-- Vem cá! Se jogar só isso vai cair. A defesa é muito ruim e o ataque não rende.

-- Sim. O sistema defensivo como um todo não foi bem. O miolo de zaga é pesado.

-- Nossa!  Você viu no gol do Mirassol? O zagueiro deles subiu com a mesma facilidade do Balbuena contra o São Paulo. O Domingos e aquele outro não saíram do chão. Pareciam nós  dois no Primeiro de Maio. Só que somos sessentões, não profissionais da bola. No tempo de Birigui eu jogava mais que esses caras.

-- Cal, o  nosso ataque também não foi lá essas coisas né?

-- Não vi  quase nada de bom. Por isso ainda não ganhamos de ninguém. Criou pouco pra quem jogava em casa. Só o gol.

-- Diante de 4 mil torcedores o time poderia ter sido ao menos mais intenso, mais vibrante né? Melhorou um pouco no segundo tempo,  quando acelerou e errou menos passes, mas com certeza o Sérgio Soares não ficou feliz não. Seu time fez o gol mas depois voltou a ser dominado.

-- Nem ele, nem eu, nem você e muito menos o torcedor que tomou chuva né?

-- Cal, na próxima a gente vai lá. Quem sabe damos sorte?

-- Sorte só não resolve. Só se o nosso time correr e  jogar bem mais.

-- Pelo andar da carruagem, é melhor você ir ver o seu Palmeiras milionário e eu me contentar com o meu Corínthians campeão.

-- Tá bom!

-- Tchau! Dê um abraço no Bruno.

-- Tchau. Ah, agora tô vendo a entrevista do nosso prefeito na GloboNews. Pelo menos  o Paulinho Serra teve humildade e revogou o abuso do IPTU.

--  Não fez nada mais do que a obrigação.  Teve humildade(?) e inteligência. Estava sendo prepotente,  metido e burro.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O prefeito neófito, a casa antiga e o IPTU abusivo

Infelizmente, preciso vender minha humilde residência.

Fica na Rua Santo André, pertinho da Brasileira, do Botequim Carioca, do Sindicato dos Rodoviários, da Igreja Matriz, de bancos, parques e supermercados.

Casa geminada,  antiga, da década de 1950. Comprida, sem tanta privacidade. São 148 metros quadrados de terreno e igual área construída.

Três quartos, sala, cozinha, três banheiros minúsculos, garagem pra dois carros pequenos, corredor, laje, lavanderia, dispensa-escritório e um barracão-salão.

Ah, meu barracão! Difícil não se apegar. Meus netos vão sentir muito. Lá eles pintam e bordam. Também lá, faço meus exercícios físicos e mentais;  recebo meus amigos de verdade.

Muita conversa, muita risada, muita saudade, muita cumplicidade entre uma pinguinha, um bom vinho ou uma cervejinha. E aquela caipirinha de jabuticaba, lichia, uvaia...

Como disse, casa bem antiga; não posso omitir do futuro comprador. O telhado sessentão  não se garante. Se chover forte a calha não dá conta. Goteiras também aparecem aqui e ali quando o aguaceiro vem pesado.

O forro, ah, o forro, feito com carinho por um carpinteiro de mão cheia, meu falecido tio/sogro, seu Waldomiro. Tem cupim a dar com pau e furos de dar inveja a qualquer peneira ou goleiro frangueiro.

Caro comprador,  preciso ser honesto, não posso deixar  de citar as infiltrações nas paredes e no piso. Tô com medo de qualquer hora o forro cair ou o piso afundar.

Já a parte elétrica é mais nova, foi revisada há pouco tempo. Acho que em 1977, há 40 anos. O chuveiro  dos fundos queima toda hora.

Por falar em chuveiro, os canos de ferro dominam o cenário, com ferrugens e constantes entupimentos ou limitações de vazão em momentos impróprios. Além de estourarem as paredes dos banheiros.

Resumo da ópera -- ou da obra: minha casa está uma draga. Nem compensa reformar. Por isso está à venda há dois anos, justamente ao mesmo tempo em que o mercado imobiliário da província também naufragou. Mas foi enquadrada como palácio da modernidade.

Avaliada  em 2015 por quatro imobiliárias pela média de mercado, nada mais justo, então,  do que fixar o preço em cerca R$ 440 mil. Pra vender por R$ 400 mil.

Mas eis que chega o carnê do IPTU! Conforme avaliação da Prefeitura, o valor venal do meu "palacete", com tantos problemas estruturais,  chega a exorbitantes R$ 646 mil, sendo R$ 191 do prédio. Valorização estupenda de 170% se considerarmos o carnê do exercício de 2016.

Cá entre nós, pra ser justo, o valor venal estava mesmo defasado. Mas não era o caso de ir com tanta sede ao pote. Bastava ser menos guloso e mais sensato. Simples assim!

Quanto à correção abusiva do imposto predial, se não houvesse o tal limitador da facada, o aumento relativo ao meu imóvel chegaria a escorchantes 304% em dois anos.

Isto posto,  decidi que  não posso vender meu cafofo pra qualquer um. Que tal, então, ir direto a um comprador em potencial? Alguém que queira montar uma clínica? Talvez escritórios de arquitetura/advocacia ou um belo bar?

Caramba! Por que não o meu candidato (?) nas eleições passadas? O próprio prefeito,  boa gente, boa família,  mas a se portar como um neófito,  iniciante, sem coerência e comedimento na gestão da coisa pública. No caso, a famigerada revisão da  Planta Genérica, com IPTU de boi gordo em tempos de vacas magras.

Sim, quero vender meu "palacete" para um calouro incapaz de mensurar o tamanho de seus atos. Tudo em detrimento do cidadão comum; da população. Com o perdão da redundância, mais um político que agora usa escudos com conversa fiada e joga a culpa da insolvência financeira do município  só nas administrações anteriores.

Meia verdade! Não nos esqueçamos de que  o atual prefeito sabia de tudo. Participava de quase tudo -- possivelmente até de acertos partidários antes das eleições --,  pois foi vereador e secretário do  desastroso governo petista. 

Que pena, Paulinho! Gol contra! Atitude prepotente e sem limites. Característica de juvenil! Você prometeu muito mas parece não saber lidar com o poder que lhe caiu no colo por absoluta falta de concorrência. E que se mantém nele por absoluta conivência de outros poderes.

Compre meu "palacete" ou ofereça para secretários ou vereadores cordeirinhos que endossaram tamanha afronta e agora estão num mato sem cachorro! Só R$ 400 pilas! Oportunidade imperdível!  R$ 246 mil de lucro. Pechincha! Galinha morta!

Ah, pode deixar que eu pago o IPTU! Em parcela única. Uma merreca!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um circo, três tigres e 300 picaretas

Juro que tudo que vi ao vivo quarta-feira no Congresso Nacional  não foi surpresa. E novamente me senti enojado. Outra vez, fiquei indignado.
Inacreditável! Na Câmara dos Deputados, um verdadeiro circo. Com pelo menos 300 picaretas como péssimos atores de uma farsa. Lá não havia palhaços. Palhaços, pelo jeito,  somos nós, brasileiros e cidadãos comuns, que ralamos  meia vida para ganhar o pão nosso de cada dia e depois receber uma aposentadoria de merda.
Em mais um jogo de conchavos e cartas marcadas, como já nos cansamos de ver em outros governos, tanto federais quanto estaduais e municipais, um presidente ilegítimo -- tanto quanto a mentirosa anterior -- se livra de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
Quer dizer que a mesma camarilha -- ou seria quadrilha? --  vende a própria alma, rouba, trai, exercita negociatas, acerta propinas milionárias pra em seguida votar e livrar o amiguinho da vez, tendo como premissa descarada interesses pessoais, segmentados e partidários.
Quem disse que o presidente está acima da lei? Não deveria. Mas, independentemente de coloração partidária,  os picaretas definiram que sim; que Temer não deveria ir a julgamento. Por que não? O que ele é mais que eu e você?
Quem não deve não teme. Não foje da raia da Justiça. Quem não deve não distribui cargos pra comprar votos. Quem não deve não negocia nem antecipa emendas parlamentares. Como a incompetente Dilma também o fez pra  tentar se livrar do impeachment.
Bastava provar inocência. Tadinho! Quanta inocência de um expert em dissimulação. Um não sabe de nada; outro não fez nada. Independentemente de a delação premiada ter sido efetivada por outro bandido, que deveria estar preso.
Tanto quanto Lula, Zé Dirceu, Aécio, Renan, Jucá e tantos outros babacas que deitam e rolam como se fossem donos de um Brasil que deveria ser de todos nós.
Porém, mais uma vez prevaleceu o manto podre das relações escusas do poder,  de um Congresso Nacional sem moral. O esgoto fedorento  já não se esconde nos subterrâneos; corre a céu aberto. Nossos políticos não estão nem aí. A não ser para o próprio umbigo.
Mais uma afronta à população brasileira consciente. Uma excrecência  para a qual a maioria dos 513 deputados federais parece não dar a mínima. Pouco interessa nossa opinião. Menos ainda o futuro de nossos filhos e netos.
Ao vivo, sem justificativa convincente, até mesmo a Globo se dignou a apresentar a  prevista palhaçada. Que desperdício! Um desfile de imbecilidades, mostrando um retrato fiel de parlamentares ridículos, despreparados, parciais, interesseiros e coniventes.
Duro é que fiquei sem ver a minha novelinha das seis. Novo Mundo, com a lambanças e as puladas de cerca de Dom Pedro seria bem mais interessante.
Por isso não tive dúvida; passei a revezar o canal Off com SportTV e National Geographic. Mundo Medina,  montanhismo, futebol,  vôlei e outros quetais. No NG, um dos temas  era a subsistência de águias e  tigres.
Pois é, aqui, um circo mambembe, chinfrim e mequetrefe -- com sua licença caro Daniel! -- protagonizado por pelo menos 300 picaretas. E,  pelo menos nisso, Lula, um deles,  estava carregado de razão quando acusou seus pares.
Lá, na África,  o instinto assassino do tigre precisava ser ativado com urgência para evitar que seus dois filhotes morressem de fome. Cervos e búfalos que o digam!
Felizmente, não perdi tanto tempo com imbecis juramentados,  traíras, sem caráter, com sede e fome de poder e cifrões a perder de vista. Em Brasília o instinto é  bem outro. Ali, naquele antro, dentes e garras têm funções nada nobres. Ali, a vítima é o povo brasileiro.