Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

TRILHA DO OURO, DO SUOR E DA SUPERAÇÃO


Antes, índios,  escravos, bandeirantes,  colonos, tropeiros e contrabandistas. No passado, muito minério, particularmente o ouro das Minas Gerais. Depois, o café do Vale do Paraíba, mais na região da histórica Bananal, então dominada por barões milionários. Tudo sobre o lombo de mais de três mil mulas por dia.

Agora, nas mesmas pedras pé-de-moleque assentadas por escravos nos séculos  XVII e XVIII, a procissão é de turistas,  trekkers,  trilheiros e outros  aventureiros do mundo todo.

Na realidade, a Trilha do Ouro ( Caminho de Mambucaba, pra diferenciar da vertente com origem em Campos Novos, Cunha) sempre foi uma rota alternativa ao Caminho do Ouro, hoje conhecida como Estrada Real, de Ouro Preto a Paraty. 

No tempo do Império, para fugir dos barreiras alfandegárias e dos altos impostos da Coroa Portuguesa, o jeito foi aproveitar as  antigas trilhas indígenas. Para tornar  a tarefa de mulas, tropeiros e escravos menos penosa, construiu-se o belo e  histórico calçamento.  Tanto hoje quanto ontem, liso como sabão.

Se  chover, a trilha de mais de 50km passa de moderada a difícil num piscar de olhos. Além do piso "quiabal", a lama atolante também complica   a vida dos papa-léguas de plantão.

Graças  a Deus, há 10 dias, não foi o que aconteceu. Nada de chuva. Sim,  eu e o  amigo Flávio lo Giudice escorregamos. Sim, metemos a bunda no chão e  na pedra. Mas fomos poupados e agraciados pela mãe natureza. Afinal,  ela nos mostrou sua exuberante beleza e fez o sol iluminar a Mata Atlântica de cabo a rabo...da portaria do Parque Nacional da Serra da Bocaina/São José do Barreiro  (SP) até  a ponte de Arame, no sertão de Mambucaba/Angra dos Reis (RJ).

Aparentemente,  e considerando-se que me submeti a cirurgia cardíaca há quatro meses,  passamos no teste preparatório para a expedição ao  cume do Monte Roraima, oitava montanha mais alta do Brasil. De 22 a 28 de fevereiro de 2024, serão sete dias de imersão pura, na companhia de guias e índios venezuelanos. 

Isso se não der ruim em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, que insiste em anexar   Essequibo, região  rica em  petróleo e minérios, 70%  do território da Guiana.  Karacas!!! Mais uma aberração do ditador Nicolas  Maduro!  Pensa que babacas e boçais autoritários só comandam o Brasil? Até amiguinhos no topo do  poder o desequilibrado tem por aqui. Um absurdo! Se merecem!

Conduzidos pelo bom profissional e sempre atento guia Roberto Marcolino, foram 68.569 passos em dois dias de muito suor. Queimei 4.327 calorias. Literalmente, "moiei" o pano. E torci na beira do Mambucaba.  No total, desnível negativo (declive) superou a casa dos 2600m. Desnível positivo chegou a 1450m, calculo.  É bom ressaltar que, no caso,  altimetria,  tipo e estado do terreno são mais importantes do que a quilometragem rodada.

Subimos de carro  os 26km de Barreiro à portaria. A partir daí, pernas pra que te quero, das 8h até 15h. Portanto, sete horas pra cumprir cerca de 24/25km até a casa/pousada da dona Palmirinha. Mais subida do que descida. No Alto da Jararaca, altitude supera 1500m. Em Angra, apenas 50m, quase ao nível do mar.

E  no primeiro dia passamos por três lindas cachoeiras fora da trilha. Desvios também têm sobe e desce para se chegar à  belíssima Santo Isidro, à  Cachoeira das Posses e à do Bonito, onde escorreguei e judiei ainda mais do ombro esquerdo, sério  candidato à malfadada capsulite adesiva. Ossos da idade!!!



Cachoeira Santo Isidro

Cachoeira do Veado



Cachoeira das Posses
Flávio na ponte pênsil

Terra arrasada

Cachoeira do Bonito
Cachoeira das Posses



Raddão e Roberto, o guia

Um caipira na ponte pênsil

A brava Cachoeira da Camisa

Olha a tragédia

Raddi, Flavio, dona Palmira e Roberto








SJBarreiro ao fundo

Natureza exuberante

Na entrada do parque


Dona Palmira pilota com maestria  antigo fogão a lenha


Dona Palmira tem um sorriso matreiro,  cativante, que me encantou desde 2018, quando fiz o percurso em três dias, com um grupo da MW Trekking comandado pelo excepcional guia/ mestre botânico Herbert Serafim, que virou meu amigo. O filho da dona Palmira, Naldo, é mais discreto,  introspectivo. Nem por isso deixou de nos brindar com aquela pinguinha amarela.  Huumm! 

Lá não tem energia. Só lampião e a nossa lanterninha de cabeça. Sem geladeira, cerveja não desce nem a pau. Nem precisou.  Cama simples mas limpa e  confortável, chuveiro quente por conta da serpentina via fogão a lenha e comida caipira, com direito  a carne suína conservada na lata, à moda antiga. Salivei! Lembrei da vó Lica e da tia Guinha,  da saudosa fazenda Boa Esperança.

Até mesmo pão caseiro, bolo,  banana e ovo cozido a família bocainense nos ofereceu pra concluir a pernada no dia seguinte. Não sem antes  mais uma pérola da dona Palmira:"Ceis  ficam aí de  conversa. Óia lá o véião indo embora. Já tá subindo a trilha". Pois é...o veterano (68 anos) aqui abriu a passada, mas em seguida  foi alcançado pelo cinquentão ( Flávio tem 54) e pelo "juvenil" (guia tem 43 anos). Adorei o véião...rsrs


 VEADO,  PÉ-DE-MOLEQUE,  TORNADO E CAMISA


 Saímos às 6h.  De cara começamos a descer pelo calçamento secular, obra dos escravos pra facilitar o   duro percurso do planalto para o litoral e vice-versa. A partir daí, uso do stick ( ou cajado) é imprescindível.

Cerca de 10km nos levaram à estonteante Cachoeira do Veado, atingida ao superarmos a pinguela  sobre o rio sustentada por cabo de aço. São duas quedas de cerca de 100m. Dizem que há, ainda, uma terceira queda,  lá em cima, mas não dá pra ver.


Calçamento histórico com pedras pé-de-moleque


Ficamos pequenos diante da raiz exposta

Flávio na pinguela com cabo de aço; acesso à Cachoeira do Veado

Nós no Alto da Jararaca


Uma cobrinha! A grande escapou da foto..rsrs
⁸
Flávio na Cachoeiras das Posses





Após escorregar, ombro lesionado precisou de água gelada 






Matriz de SJBarreiro

Mais pé-de-moleque. Um quiabo



Fotos feitas,  estômago forrado, voltamos cerca de  720m e atravessamos a ponte pênsil ali perto da pousada do Zé do Zico. A partir daí, uma rotina tão bela quanto estafante. Uma descidona e uma subidinha...outra descidona e  mais uma subidinha, sempre na companhia do rio Mambucaba, à nossa direita, e antenados pra pisar certo, entre as pedras, pra não cair.

Vez por outra, ou estrategicamente (rsrs),  uma parada pra amarrar a bota,  tomar água e respirar. Ali não falta água. Não precisa levar mais de um litro, não. Porém, sobram alegria,  disposição, bolhas,  suor e dor. Mas tudo isso não assusta. Faz parte do nosso uniforme. Né, Flavião?

Então, boralá! Num ritmo bem adequado imposto pelo Roberto, não demorou pra chegarmos ao local da Mata Atlântica castigado pelo tornado do dia 18 (?) de outubro.  Temporal derrubou muitas árvores e provocou a interdição da trilha por mais de 10 dias. Tanto que nossa travessia, inicialmente marcada para os dias 25 e 26, foi adiada.

Por cerca de 800m o ambiente era de terra arrasada.  Assustador! Triste! Incrível como a natureza não pode mesmo ser controlada. Quando passamos, agora com sol  quente e céu azul,  eram  troncos de árvores enormes caídos pra todo lado.

Superado o susto, voltamos ao convívio do verde, da sombra e das pedras escorregadias. E, no quinto final da travessia, mais uma beleza: a Cachoeira da Camisa. Trilha curta, mas íngreme, nos levou a uma queda d'água ampla e forte. Afinal, o Mambucaba já não era aquele riacho lá de cima. Valeu a pena superar o cansaço pra ver aquela maravilha. De novo a mãe natureza!

De volta à trilha e à rotina do relevo, não demoramos pra superar os bananais  -- sim, comemos banana do cacho no chão -- e transpor a ponte pênsil do rio Santo Antonio, afluente do agora grande Mambucaba, que, em tupi-guarani, especialmente para índios tamoios e tupinambás, significa abertura/passagem, rumo ao planalto paulista. Mas há controvérsias. Alguns dizem que mambuca era uma abelha-cachorro abundante no local e outros defendem origem numa planta.

Depois de  10 horas e muito sacrifício -- eu sentia dor nos quadris, mas nem me lembrava que passara por cirurgia,  chegamos à  famosa ponte de Arame às 16h.

Banho de "canequinha" no Mambuca (  após mais de 26km, intimidade é uma merda!), roupa encharcada trocada por bermuda e camiseta limpas e secas,  e botas  imundas dando lugar  àquelas havaianas deliciosas, subimos na Spin do seu Aluisio e partimos pra Barreiro.


Na estrada de terra que leva à Rio Santos ainda matamos a saudade da icônica Pedra do Frade, onde subimos há   quatro anos.  Um bate-e-volta em 13 horas. Saindo da rodovia, partimos morro acima. Parada estratégica em Lidice pra degustar  um espeto de frango com uma Heineken dos deuses. PQP!  Delicia!  Perfeita!

Entre Rio Claro e Bananal pegamos um temporal. Muita água e vento localizados derrubaram bambus na pista, mas e o Aluisio mostrou cuidado e categoria ao volante.

Chegamos no Barreiro às 20h30min13seg. Com tempo suficiente pra tomar banho e mais duas Heineken com pizza.

Assim  terminava nossa aventura. Sem dúvida, treino duro dentro do projeto Monte Roraima/2024. Para mim, particularmente, um exercício de superação.

Obrigado, Flávio! Obrigado, Roberto! Obrigado, dona Palmira! Obrigado, Senhor!


  P.S: só pra lembrar, o PNSB foi constituído em 1971, tem 104 mil hectares de área e contempla diretamente  quatro municípios paulistas ( São José do Barreiro, Areias, Cunha e Ubatuba) e dois cariocas ( Angra dos Reis e Paraty).  A pacata e aconchegante São José do Barreiro é considerada " paraíso do trekking no Brasil".





segunda-feira, 27 de novembro de 2023

CIRURGIA CARDÍACA, TREINO E FÉ NO PÉ



 APÓS LONGO E TENEBROSO INVERNO, EIS QUE O CAIPIRA BLOGUEIRO ESTÁ DE VOLTA.

MOTIVO PRINCIPAL  DA AUSÊNCIA? SURPREENDENTEMENTE,  PRA QUEM SEMPRE TEVE HISTÓRICO DE ATLETA, UMA CIRURGIA CARDÍACA PRA COLOCAÇÃO DE PONTE MAMÁRIA, DIA 2 DE AGOSTO.

POIS É...QUASE CAÍ DE COSTAS QUANDO A SEQUÊNCIA DE EXAMES DE ROTINA FOI ME CONDUZINDO PRA  A FRIEZA DE UMA MESA ATERRORIZANTE.

TESTE ERGOMÉTRICO, ECOCARDIOGRAMA, HOLTER, ANGIOTOMOGRAFIA E, POR FIM, O CATETERISMO, EXAME OURO PARA  A EQUIPE MÉDICA SE DEFINIR PELA IMPLANTAÇÃO DE STENT OU A CIRURGIA CONVENCIONAL, UM CORTE DE 25/30CM NO TÓRAX.

LAUDO APONTOU 70% DE CALCIFICAÇÃO NO TRONCO DA  IMPORTANTÍSSIMA ARTÉRIA CORONÁRIA ESQUERDA TRIFURCADO. INICIALMENTE, SERIA MESMO A CIRURGIA DE PEITO ABERTO, MAS DEPOIS ME ENCAIXEI NO PERFIL DA MINIMAMENTE INVASIVA, INCISÃO DE APENAS 6CM À ESQUERDA DO TÓRAX.

SE ANTES A PREVISÃO  DE RETORNO ÀS ATIVIDADES NORMAIS ERA DE 90 DIAS, DEPOIS CAIU PRA 30.

GRAÇAS À INTERVENÇÃO BRILHANTE DO DR. RAPHAEL BARRETO, DA PREVENT SENIOR, EM 20 DIAS O RADDÃO JÁ ESTAVA  DIRIGINDO, BRINCANDO COM OS NETOS E ANDANDO 8KM NO IPIRANGUINHA.

TUDO TÃO SURPREENDENTE QUANTO A PRÓPRIA CONSTATAÇÃO DO PROBLEMA. AFINAL, PRA QUEM PRATICA ESPORTES E NÃO TEM COMORBIDADES NEM HISTÓRICO FAMILIAR, SOBROU A ALTERNATIVA DO  MALDIDO ESTRESSE EMOCIONAL COMO CAUSA PRINCIPAL.

POIS É... "AGRADEÇO" A PSEUDO-AMIGOS E OUTROS BABACAS QUE CONSEGUIRAM ME IRRITAR, ME TIRAR DO SÉRIO. AFINAL, ALGUNS QUERIAM PORQUE QUERIAM QUE O CAIPIRA AQUI MONTASSE NA GARUPA DE UM ENCANTADOR DE ASNOS.   DE UM BOÇAL. UM DESRESPEITO INSISTENTE DE PESSOAS EGOCÊNTRICAS E COM VISÃO TACANHA. COMO SE EU FOSSE  MAIS UM IDIOTA JURAMENTADO, SEM OPINIÃO PRÓPRIA. O FANATISMO E O RADICALISMO,  DE DIREITA OU DE ESQUERDA, CEGAM ATÉ MESMO PESSOAS DO BEM.

A SEGUNDA  OPÇÃO  VINGOU, MAS ME ENOJA TANTO QUANTO A PRIMEIRA. NÃO PASSA DE OUTRO FALASTRÃO, UM ENGANA TROUXA A MENOSPREZAR A INTELIGÊNCIA OU A ABUSAR DA IGNORÂNCIA DO CIDADÃO COMUM.  ESPECIALMENTE DO MAIS POBRE. OU  "O CARA" SERIA UM ENCANTADOR DE MINHOCAS?  OU DE JEGUES? 

COM OU SEM ENCANTADORES, SEM SENTIR FALTA  DE QUEM REJEITA OU DESPREZA A POSIÇÃO DO VIZINHO, O QUE IMPORTA É QUE ESTOU VIVO E VENDENDO SAÚDE.

DEPOIS DE 100 DIAS DE TREINOS E  TESTES CLÍNICOS E FÍSICOS, COM UMA PITADA DE FÉ, DETERMINAÇÃO E RESILIÊNCIA, SINTO-ME PRONTO PRA SUBIR O MÍSTICO MONTE RORAIMA, EM FEVEREIRO, SEMPRE AO LADO DO AMIGO FLÁVIO LO GIUDICE.

MAS TREINEI VIU! FORAM CERCA DE 80KM POR SEMANA NO PARQUE CENTRAL E NO IPI. MUITAS VEZES COM 5/6KG NA MOCHILINHA  GRUDADA NAS COSTAS.


   80KM NO "CAMINHO DA FÉ"


NA SERRA DE ANDRADAS, DESTAQUE PARA O PICO DO GAVIÃO. NA FOTO, A CAMINHO DE PINHAL


MAURO E RADDI NO INICIO DA CAMINHADA, AINDA NA PRATA


PENÚLTINO TREINO MAIS PUXADO FOI NO CAMINHO DA FÉ. MAIS PRECISAMENTE ALI NAS REDONDEZAS DAS MONTANHAS DE ÁGUAS DA PRATA, POÇOS DE CALDAS, ANDRADAS E PINHAL. CERCA DE  80KM  DE MUITA SUBIDA E DESCIDA EM TRÊS DIAS TÓRRIDOS. OS 30 KM DA PRATA ATÉ ANDRADAS FORAM PESADOS, MAS SOFRI MAIS NOS 28KM  DE ANDRADAS A ESPIRITO SANTO DO PINHAL.

SAI DA PRATA ÀS 7H E DE CARA FIZ AMIZADE COM O MAURO, CICLISTA DE CURITIBA.  BOA GENTE! PAPO VAI, PAPO VEM, O BIKER CURITIBANO PREFERIU CAMINHAR AO MEU LADO ATÉ MESMO QUANDO O TERRENO PLAINO OU EM DECLIVE FAVORECIA  O PEDAL.

COM MUITO ACLIVE, DESCANSAMOS NA PONTE DE PEDRA E SÓ NOS SEPARAMOS APÓS O PICO DO GAVIÃO, QUANDO NOSSA ÁGUA JÁ ESTAVA NO TALO E A LÍNGUA NOS PÉS.  MAURO COLOCOU A BIKE NA ECOSPORT DE UM AMIGO E SE MANDOU DE CARONA. A PARTIR DALI O RELEVO AMENIZA PARA EM SEGUIDA VIRAR UMA LADEIRA ABAIXO SEM FIM, ATÉ ANDRADAS.

FOI  AÍ QUE ENCONTREI O RONI, CAMINHONEIRO DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA,  SEDENTARIO CONFESSO E DEBUTANTE NO CAMINHO DA FÉ. FOMOS MAIS DEVAGAR E AINDA PARAMOS PRA PEGAR JABUTICABA E  NA ENTRADA DA CIDADE, NO BAR E CAFÉ OÁSIS, ONDE FOMOS MUITO BEM TRATADOS PELA PROPRIETÁRIA, A TÂNIA.

LÁ, VOLTAMOS A NOS JUNTAR AO ADEILTON, CICLISTA QUE POUCO ANTES  ENCONTRARA MEU  INSEPARÁVEL BONÉ TIPO LEGIONÁRIOS. PERDI O DANADO QUANDO PAREI PRA TOMAR ÁGUA.  O ADEILTON ACHOU E DEVOLVEU. COISAS DO CAMINHO DA FÉ!

CONVERSA FLUIU ACOMPANHADA DE COXINHA DE COSTELA,  HEINEKEN E ÁGUA DE COCO. POR ISSO SÓ CHEGAMOS NO PALACE HOTEL ÀS 16H. MAS VALEU A PENA. JANTEI COM O MAURO E NO DIA SEGUINTE TOMEI CAFÉ DA MANHÃ COM RONI E ADEILTON. AGRADEÇO AOS TRÊS PELA COMPANHIA E PELAS NOVAS AMIZADES.


CALOR INFERNAL ATÉ PINHAL




FORÇA E FÉ NO PÉ ATÉ PINHAL, A MAIS DE 40°


NO DIA ANTERIOR O CALORÃO FOI AMENIZADO POR NUVENS E PELO  SOMBREADO  AMIGO DE MUITAS ÁRVORES. PORÉM, ATÉ PINHAL A COISA FICOU PRETA. MINHA NOSSA!  QUE ROUBADA!

SAÍ ÀS 7H DA MANHÃ PRA CUMPRIR 26KM DE ESTRADA E MAIS 2KM  DENTRO DA CIDADE, ATÉ CHEGAR À RODOVIÁRIA. MEU DEUS!  NÃO CHEGAVA NUNCA.

ÁGUA ERA SUFICIENTE, MAS COM O SOLÃO NAS COSTAS O LÍQUIDO PRECIOSO ESQUENTOU TANTO  QUE NÃO DAVA PRA TOMAR. SÓ MOLHAR A CABEÇA E O PESCOÇO QUANDO PARAVA PRA  DESCANSAR NAS RARAS SOMBRAS E DEGUSTAR MAÇÃ, CASTANHAS, BANANINHA, MEL E BARRINHA DE CEREAIS. AH, A GELÉIA DE MOCOTÓ  DERRETEU! LÓGICO! MAIS 40° NO ASFALTO.

SEMPRE COM O PICO DO GAVIÃO À DIREITA E FICANDO PRA TRÁS,  EM PLENO FERIADO DA REPÚBLICA, SÓ CONSEGUI ÁGUA GELADA (2L) NUMA EMPRESA, QUANDO FALTAVAM 6KM. GRAÇAS A DEUS!


CHEGANDO EM ANDRADAS. JABUTICABA!!! IRRESISTIVEL!


ANTES DE CHEGAR À RODOVIÁRIA, EXATAMENTE ÀS 13H, E EMBARCAR PRA SÃO PAULO, PAREI NUM QUIOSQUE E TOMEI  UM LITRO DE SUCO DE LARANJA. DELÍCIA! PERFEITO!

ÀS 10H DA NOITE EU JÁ ESTAVA EM CASA. QUEBRADO,  MAS FELIZ POR TER CUMPRIDO A CONTENTO A PRIMEIRA PARTE DE UM TREINO PUXADO. AFINAL, O PROJETO RORAIMA VAI VIRAR REALIDADE EM BREVE.

ROUPA SUJA NO TANQUE, MOCHILA NO CANTO, BANHO TOMADO, BORA FAZER A PATAGONIA DESLIZAR GOELA ABAIXO. AFINAL, NINGUÉM É DE FERRO. 

TESTE  PRATA. CORAÇÃO MAIS FORTE DO QUE NUNCA! SABE POR QUE? ANTES DE TUDO ISSO EU FUI EM ITAQUERA VER CORINTIANS 1 X 1 SANTOS, QUANDO O DARONCO INVENTOU  UM PÊNALTI NO FINAL DO JOGO. MEU TIME, SIM, UM FIASCO, É TESTE PRA CARDÍACO!

TIMÃO, VERDADEIRO TESTE PRA CARDÍACO



 OBRIGADO SENHOR! 




quarta-feira, 10 de maio de 2023

A BELA SERRA DO PAPAGAIO


"Guerreiros" na Pedra do Rei Leão


LAR, DOCE LAR, À LUZ DO LUAR...RSRS


MAIS UM DESAFIO SUPERADO. A TRAVESSIA DA SERRA DO PAPAGAIO, MAIS CONHECIDA COMO BAEPENDI X AIURUOCA, NO  LINDO MAR DE MONTANHAS DO SUL DE MINAS.

TÃO PESADA QUANTO BELA. TÃO BELA QUANTO PESADA.  MAS SEMPRE VALE  A PENA. AFINAL, NOSSA ALMA MONTANHISTA JAMAIS SERÁ PEQUENA.

FORAM QUASE 50KM DE UM SOBE-E-DESCE SEM FIM.  TRÊS DIAS  ABERTOS, SEM CHUVA, SEM FRIO CONGELANTE, SEM CALOR ESCALDANTE.  POUCAS NUVENS E TEMPERATURA ENTRE 8° E 24°. GANHO DE ELEVAÇÃO SUPERIOR A 2.4 MIL METROS. HAJA SUBIDA.  HAJA FORÇA. HAJA DETERMINAÇÃO. HAJA, POR QUE NAO, RESILIÊNCIA.


RADDÃO NO MORRO DA CRUZ



ERA  UMA VEZ UMA CASINHA AMARELA (RANCHO SALVADOR), 1° ACAMPAMENTO, BEM PERTO DO PICO  DO CHORÃO




Cachoeira do Juju vista de frente












NO ALTO DA CACHOEIRA DO JUJU








TEM PREÇO?

PERDA DE ELEVAÇÃO  TOTAL  TAMBÉM CHEGOU BEM PERTO DE 2.4 MIL METROS. DESCIDAS ÍNGREMES, TRAIÇOEIRAS, PERIGOSAS. MUITOS PEDRISCOS, VERDADEIRAS ARAPUCAS. UM SENHOR TESTE PARA JOELHOS, TORNOZELOS E COLUNA LOMBAR.

MODÉSTIA À PARTE,  RADDÃO E FLÁVIO, COMPANHEIROS DE VIAGEM, MANDARAM BEM. VENCEMOS MAIS UMA. COM LOUVOR. AFINAL, TUDO ISSO  COM 11/12KG NA MOCHILA CARGUEIRA, NÃO É PRA QUALQUER MOLEQUE METIDO A BESTA, AQUELE CHESTER EMPINADINHO,  MAROMBEIRO DE ACADEMIA.  A MAIORIA NÃO AGUENTA O TRANCO (RSRS). POR SORTE, SOBRA ÁGUA POTÁVEL NA SERRA E REPOSIÇÃO É CONSTANTE.  ISSO SIGNIFICA 2/3KG A MENOS NAS COSTAS. AINDA BEM,  POIS TUDO SE POTENCIALIZA A 2MIL DE ALTITUDE MÉDIA.

O ASTRO   SOL ILUMINA A IMENSIDÃO A PERDER DE VISTA DESDE CEDO.  ATÉ SE POR ÀS ESCONDIDAS, NO VALE OU NA COLINA. NO MORRO DO CHAPÉU, NA CRUZ  -- 2 MIL METROS -- OU NO RANCHO SALVADOR,   À BEIRA DO RIACHO DE ÁGUAS   TÃO LÍMPIDAS QUANTO ACELERADAS E GELADAS. TOMAR BANHO ALI  FOI FODA.



O  INCANSÁVEL NADADOR CORLEONE 


NO RETIRO DOS PEDROS, ACAMPAMENTO DO SEGUNDO DIA, A NOITE VIRA DIA DE TÃO ESTRELADA.  A LUA CRESCENTE VIRA QUASE CHEIA E APARECE DE SURPRESA. UAU!!!  

A BELEZA DA VEGETAÇÃO DE CAMPOS DE ALTITUDE TRANSCENDE.  NÃO FALTAM BAMBUZINHOS E CAPIM ELEFANTE. A  DENSA  E SILENTE FLORESTA NATIVA DÁ SOMBRA E ACALENTA. TAMBÉM ESCONDE RAÍZES E TOUCEIRAS TRAIÇOEIRAS.  AS ARAUCÁRIAS DESPENCAM OS PRIMEIROS PINHÕES DA TEMPORADA. 

NEM MESMO  O RASTRO E O COCÔ  DA ONÇA PARDA/SUÇUARANA  NOS PROVOCAM SOBRESSALTOS. OU SERÁ QUE O VITOR NUNES, NOSSO AMIGO-GUIA, FICOU DE ORELHA EM PÉ?  

A ÁGUA ACALMA. A IMPONÊNCIA DAS  INÚMERAS CACHOEIRAS FAZ RESPIRAR FUNDO;   EXIGE CUIDADOS REDOBRADOS E PROVOCA CERTO RECEIO NA FORÇA  DA CORRENTEZA DO CHARCO,  TRAZ   BRILHO NO OLHAR E SUGERE MAIS FOTOS  NA TRAVESSIA  DA LINDA QUEDA DO  JUJU. PROVOCA ESTUPEFAÇÃO NA ESTONTEANTE CACHOEIRA DOS GARCIA,  JÁ NA TARDINHA DO ÚLTIMO DIA.



PICO DO PAPAGAIO À DISTÂNCIA


FLAVIO NO ALTO DO PAPAGAIO. MATUTU AO FUNDO


PREFIRO  NOMEÁ-LA COMO TRAVESSIA  DA SERRA  DO PAPAGAIO...É MAIS FORTE E MAIS SIMPLES DO QUE  BAEPENDI X AIURUOCA, MUNICÍPIOS  DE INÍCIO E FIM DA AVENTURA. MESMO PORQUE, A CEREJA DO BOLO É O PICO DO  PAPAGAIO -- 2.1 MIL METROS DE ALTITUDE  --, QUE DÁ NOME AO PARQUE  ESTADUAL E NOS ACOLHEU COM CARINHO EXATAMENTE ÀS 11H DA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA.

TANTO PRO FLÁVIO QUANTO PRA ESTE CAIPIRA QUE VOS ESCREVE O SEGUNDO DIA FOI O MAIS PENOSO.  AFINAL, FORAM 10HORAS E 20 MINUTOS PARA VENCER PERTO DE 20KM  E MAIS DE 1.200M DE ELEVAÇÃO ACUMULADA.  SUPERAR O SUBIDÃO DENTRO DA FLORESTA APÓS O TOTEM DA COMUNIDADE SANTO DAIME   -- 2.2 MIL METROS DE ALT1TUDE  -- E CHEGAR AO RETIRO -- 2.1MIL -- FOI BEM DIFICIL. DEPOIS, SÓ MONTAR A BARRACA, BATER UM MACARRÃO COM ATUM, VER A NOITE CAIR E DESMAIAR  DENTRO DO SACO DE DORMIR.


CACHOEIRA DO ESCORREGA/TOBOGÃ

CACHOEIRA DO CHARCO, ONDE ATRAVESSAMOS O RIO


PRA MIM, O TERCEIRO DIA FOI O MENOS DIFÍCIL. DOS PEDROS ATÉ O  ACONCHEGANTE HOSTEL CASAL GARCIA FORAM CERCA DE 16KM, PASSANDO  PELA PEDRA QUADRADA, SANTUÁRIO/TAMANDUÁ E PICO DO PAPAGAIO.  SUPERAMOS ACLIVES  TOTALIZADOS DE MAIS OU MENOS 400M EM 6 HORAS E 45 MINUTOS. PENA NÃO TERMOS SUBIDO  ATÉ  O PICO DO BANDEIRA CEDINHO PRA VER O NASCER DO SOL. DARIA TEMPO.

JÁ PARA O PARCEIRO FLÁVIO, COM PREPARO  FÍSICO INVEJÁVEL, SANGUE NOS OLHOS E FACA NOS DENTES, O CASTIGO FOI MENOR NO PRIMEIRO DIA,  APESAR DE SUBIRMOS MAIS DE 800M. FOI PANK VIU! GEMI NO MORRÃO DA  FAMOSA  SERRA DA CARETA! FORAM  5H20MIN PRA CUMPRIR 12KM  DO BAIRRO DA VARGEM DO LAJE (BAEPENDI), ONDE A TR4 NOS DEIXOU, ATÉ O RANCHO DO SALVADOR.


OLHA ISSO!


COMO INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR, A LOGÍSTICA DA AVENTURA NÃO É FACIL NÃO. FORAM 410KM  DE ASFALTO DE SANTO ANDRE ATÉ AIURUOCA, PASSANDO POR ENGENHEIRO PASSOS PRA PEGAR O VITOR, E MAIS UNS 14KM DE ESTRADA DE TERRA  HORRÍVEL  -- PRA VARIAR, PODER PÚBLICO RECEBE IMPOSTOS MAS É OMISSO  --  ATÉ O MUITO BOM HOSTEL E RESTAURANTE  CASAL  GARCIA, ONDE NOS HOSPEDAMOS NA SEGUNDA- FEIRA À NOITE. NO DIA SEGUINTE, EM 2H10MIN, O JUNINHO, PROPRIETÁRIO DO  HOSTEL, NOS LEVOU DE PAJERO   -- ESSA TOPA TUDO -- ATÉ A VARGEM. CERCA DE 50KM DE ESTRADA DE TERRA  DE RAZOÁVEL PRA RUIM E 30KM DE ASFALTO, PASSANDO DENTRO DE BAEPENDI.


JUNINHO E VITOR NO PICO DAS PRATELEIRAS (PN ITATIAIA)


TRAVESSIA  DE SERRAS É COISA DE LOUCO? PARA NÓS, NÃO! VALEU A PENA O SACRIFÍCIO?    SIM! SEMPRE VALE A PENA QUANDO A ALMA NÃO É PEQUENA.

PRÓXIMA LOUCURA? QUEM  SABE SETE DIAS NO ICÔNICO E  ENIGMÁTICO MONTE RORAIMA AINDA EM 2023? NÃO CUSTA NADA SONHAR.

TUDO COMEÇOU AQUI NA VARGEM 



LÁ NO ALTO,  CÉU AZUL E A ETERNA PROTEÇÃO DIVINA


A CEREJA DO BOLO; PICO DO PAPAGAIO AO FUNDO, ENTRE NUVENS.




E TERMINOU AQUI, NA LINDA CACHOEIRA DOS GARCIA




sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

PELÉ, UM DRIBLE IMPOSSÍVEL, UM GOL IMPOSSÍVEL.....



   


Precisa de legenda?


Quando o gênio das pernas tortas morreu, dia 20 de janeiro de 83, com apenas 49 anos,  a  minha manchete da página de Esportes do DGABC foi:  GARRINCHA,  UM DRIBLE IMPOSSÍVEL.

Agora, com a morte de Pelé, o título do blogdoraddi não poderia ser outro. Porém, ampliado. Afinal, se os dribles  desconcertantes e os cruzamentos certeiros eram a marca registrada do ponta Mané, a alegria do povo, o que dizer das  inúmeras virtudes futebolísticas do Rei? 

Resposta tão ampla quanto os latifúndios criados por ambos, transformando vielas em avenidas, rios em oceanos. Seriam os dribles verticais sempre  voltados pra o gol?  Ou os gols (1283) propriamente ditos? Uma enciclopédia Barsa só com fotos de  gols bonitos.

Ou seria o chute mortal, forte ou colocado? Reto ou de efeito,  em curva? Pé direito ou esquerdo? De falta ou de pênalti? Dúvidas cruéis.

Talvez a cabeçada indefensável. Os mais velhos, como eu, hão de se lembrar da impulsão descomunal de Pelé no primeiro gol do Brasil contra a Itália na final da Copa de 70 (4×1).

Também se lembrarão do cruzamento de Jairzinho para o negão subir e cabecear pro chão. Mas lá estava o lendário goleiro Gordon Banks, da Inglaterra, pra fazer uma das mais belas defesas de todas as copas do Mundo.

Ah, só pra lembrar: pra mim, a melhor Seleção Brasileira de todos os tempos foi a de 70. Como não seria, com Pelé, Rivellino, Tostão, Gérson e Jairzinho lado a lado? Com gols, assistências, liderança e jogadas inesquecíveis, o Rei    fez sua  melhor Copa.  Ainda menino, brilhou em 58, na Suécia. Em 62, no Chile, se machucou logo no início e o protagonista do bi foi  um fênomeno chamado Garrincha. Em 66,  um fiasco generalizado, com o Brasil eliminado na primeira fase. Por isso  sua majestade voltou em 70, no México.


 PELESISTA, SIM SENHOR!


Outras confissões  particulares: o melhor time brasileiro que eu vi desfilar foi o Santos daquele lindo manto branco,  imaculado,  que povoava meus sonhos e delírios infantis.

Sim, como aqui  já escrevi, eu era santista (ou pelesista?). Como não seria?  Um timaço. Uma máquina  de fazer gols (Zito,  Mengálvio, Dorval,  Coutinho, Pelé e Pepe, o canhão da Vila). Um trator que atropelava potências  mundiais  como Real Madri, Milan, Benfica...

Ops!!! Voltemos ao extra-terrestre, eterno hor concour. No Pacaembu, no Maracanã ou em qualquer estádio do mundo.  Seria a inteligência? A criatividade? A visão privilegiada? O reflexo meteórico? A velocidade? O arranque? A força física excepcional? A malandragem até pra cavar um pênalti?  A liderança  sem muitas palavras? O companheirismo? Talvez a  humildade e a simplicidade também tenham ajudado tanto no sucesso infinito.

O crioulo ( assim o chamavam os amigos mais próximos e isso jamais gerou mi-mi-mi como hoje em dia) nunca foi santo. Era caçado no Paulistão, na Libertadores e na Copa do Mundo (62 e 66), mas não tinha medo de cara feia.

Em 70 Pelé levou pisão de um uruguaio naquela semifinal (3x1) histórica por conta do drible fantástico sobre Mazurkiewicz que só não culminou em gol por obra do destino. Ou porque  papai do céu se distraiu  por um segundo e o pincel caiu. Só pode ser!  Nosso eterno camisa 10 descontou o pisão maldoso  em outro adversário. Cotovelada descarada foi digna de expulsão, mas, acredite,  o juizão deu falta a favor do Brasil.

Sem omitir  ainda que Ele,   como dizia o narrador  Walter Abraão, da  TV Tupi,  quebrou a perna de um lateral-esquerdo alemão  num amistoso em 65. Também praticamente inutilizou para o futebol  o zagueiro Procópio, do Cruzeiro. Bateu,  levou! Sem pipocar. Nos olhos, o tempero da maldade.


Caramba,  ainda não consegui explicar o título lá acima. São tantas as qualidades que outros craques ficariam anos luz atrás da estrela mais reluzente. 

Com todo respeito aos  tops que vi jogar ao vivo ou pela TV, mas não tem pra ninguém. Maradona, Puskás,  Di Stéfano,  Eusébio,  Rivellino, Messi, Ronaldo, Mbappé, Zidane, Platini, Falcão, Reinaldo   Ronaldinho, Romário, Neymar, Tostão,   Dirceu Lopes, Ademir da Guia,    Zico,  Cristiano Ronaldo, Cruyff, Bekenbauer, Pedro Rocha...

Desconfio que Deus juntou um pouco de cada um deles e fez essa obra prima. Todos têm  muitas virtudes, mas nenhum deles chega aos pés de Pelé. Talvez  no máximo  a 60% de quem foi perfeito em campo e nem tanto fora dele. Seria pedir demais. A fera ganhou tudo!


PELÉ, O PRIMEIRO GOL; EU, O ÚLTIMO (RSRS)


Com apenas 15 anos de idade, o menino Pelé substituiu o ídolo Dell Vecchio e fez o sexto gol do Santos na goleada de 7 a 1 sobre o  Corintians de Santo André, aqui pertinho de casa. Amistoso aconteceu a 7 de setembro do longinquo 1956.

Pois é... não é que temos algo em comum? A 20 de outubro de  1987, na decisão do campeonato interno do Corintinha,  também no gol dos fundos, uma "obra de arte" do artilheiro da competição. Sem correr, sem driblar, talvez  até meio sem querer, perto da meia lua da área, o centroavante  trombador ( sempre fui zagueiro-central) soltou um canudo de pé direito, quase no ângulo esquerdo. Goleirão, gordo, fora de forma, nem se mexeu. Vitória de 1  a 0 nos deu o título.

Até aí, nada demais. Só festa, cerveja e conversa fiada.  Detalhe  é que no dia seguinte, infelizmente, as máquinas destruíram o campão do histórico  gol de Pelé, hoje espaço destinado a  vários gramados de futebol soçaite. Aluguel  serve apenas para  saldar dívidas e dar sobrevida a quem respira por aparelhos há muito tempo.

Portanto,  nas mesmas traves em que aos 15 anos Pelé apareceu para o mundo da bola esse caipira de 32, à época,  teve a honra do último gol.  (rsrs)






Por falar nisso, ainda na década de 80,  mais precisamente em 82,   participei, no Rio  de Janeiro,      da entrevista coletiva que lançava Pelé como garoto propaganda do Unibanco em  ano de Copa. "É hora de todo brasileiro vestir a mesma camisa".

Meu primeiro vôo de avião (Varig ou Vasp?). Meu primeiro hotel de luxo ( Copacabana,  Nacional ou Meridien?).   Não me lembro. Meu primeiro medo de enchente na cidade grande.  Choveu a cântaros! Meu primeiro jantar  granfino( Iate ou Marina da Glória?) sem ao menos saber escolher a ordem e usar talheres de prata. Quanto ao vinho, caro, óbvio,    nada a reclamar. Eu não entendia nada mesmo.  Só tomava Belotto  ou Sangue de Boi com meu saudoso pai.

Pra ligar o fato do dia com o Grande ABC,  minha pergunta, possivelmente  emocionado,  não poderia ser outra:" Olá, Pelé, boa noite. Por favor,   você pode nos contar como foi seu primeiro gol com  a camisa do Santos, no amistoso contra o Coríntians de Santo André?". 

Educada e humildemente, olhando pra mim, o Rei sorriu e respondeu sem pressa: " Eu tinha apenas 15 anos. Estava na reserva. Entrei no segundo tempo, no lugar do Dell Vecchio, e logo em seguida fiz o sexto gol..." -- detalhou por uns  cinco minutos diante de mais de 50 jornalistas dos cinco continentes.




Ganhei o dia! Diante de tanta gente e tanta pompa, uma única pergunta. Pro menino assustado  de Rio Pardo, um gol de placa. Inesquecível! Um gol de  Pelé!


RIVELLINO, ADEMIR DA GUIA...


Ao vivo,   vi o mágico contra o  Corintians  dos meus ídolos Rivellino e Zé Maria, contra Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia,  o Sao Paulo de Gerson e Pedro Rocha,  a Portuguesa de Ivair,   o  Grêmio de Ancheta e Alcindo, o  Flamengo de Dida, o Botafogo de Didi e Garrincha... 

Com a amarelinha da  Seleção Brasileira, in loco, no Morumbi, vi Pelé  apenas contra a Áustria.

Pela TV, um sem-número de vezes. Muitas delas, na década de 60,    no vizinho sapateiro ( seu Waldemar), já  que lá em casa a telinha demorou pra chegar. Sentada no chão,  a molecada delirava com as diabruras de Garrincha e os gols de Pelé. Alemanha e a então União Soviética eram nossas vítimas prediletas. Na camisa dos russos as letras garrafais CCCP. Para nós Cuidado Com o Crioulo Pelé.

Boa parte por causa de Pelé, quero sempre ganhar, mas  sei perder. Aprendi a escrever, a jogar, a lutar,  a viver e a agradecer tendo o esporte como cartilha. E, sem saber, um rei, igualmente formado em Educação Física,  como professor. Daí para o jornalismo esportivo foi um pulinho. Fruto de  muita leitura. Estadão no seu Osvaldo, professor de Português, Gazeta Esportiva na barbearia do Roberto e Revista do Esporte e Placar em casa.

Feliz de quem viu Pelé jogar. Pena que meus herdeiros não tiveram tal privilégio. Se bem que cheguei  a "cantar" um jogo fictício em que meu filho Felipe "assistia" no  encantado Pacaembu à genialidade de um semideus. "Eu vi Pelé jogar (Pipe)" --  foi o título da página de Esportes do DGABC. Ou foi  do Confidencial?  (rsrs)

Feliz de quem viu Pelé transformar o futebol em arte.  Feliz de quem ficou embasbacado, paralisado, com suas obras esculturais. Feliz de quem viu a magia de  Pelé parar uma guerra. Feliz de quem viu um camisa 10, nota 10.

Gratidão eterna! Deus salve o Rei! Pelé é imortal! Quem nos deixou foi o Edson.