sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um circo, três tigres e 300 picaretas

Juro que tudo que vi ao vivo quarta-feira no Congresso Nacional  não foi surpresa. E novamente me senti enojado. Outra vez, fiquei indignado.

Inacreditável! Na Câmara dos Deputados, um verdadeiro circo. Com pelo menos 300 picaretas como péssimos atores de uma farsa. Lá não havia palhaços. Palhaços, pelo jeito,  somos nós, brasileiros e cidadãos comuns, que ralamos  meia vida para ganhar o pão nosso de cada dia e depois receber uma aposentadoria de merda.

Em mais um jogo de conchavos e cartas marcadas, como já nos cansamos de ver em outros governos, tanto federais quanto estaduais e municipais, um presidente ilegítimo -- tanto quanto a mentirosa anterior -- se livra de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Quer dizer que a mesma camarilha -- ou seria quadrilha? --  vende a própria alma, rouba, trai, exercita negociatas, acerta propinas milionárias pra em seguida votar e livrar o amiguinho da vez, tendo como premissa descarada interesses pessoais, segmentados e partidários.

Quem disse que o presidente está acima da lei? Não deveria. Mas, independentemente de coloração partidária,  os picaretas definiram que sim; que Temer não deveria ir a julgamento. Por que não? O que ele é mais que eu e você?

Quem não deve não teme. Não foje da raia da Justiça. Quem não deve não distribui cargos pra comprar votos. Quem não deve não negocia nem antecipa emendas parlamentares. Como a incompetente Dilma também o fez pra  tentar se livrar do impeachment.

Bastava provar inocência. Tadinho! Quanta inocência de um expert em dissimulação. Um não sabe de nada; outro não fez nada. Independentemente de a delação premiada ter sido efetivada por outro bandido, que deveria estar preso.

Tanto quanto Lula, Zé Dirceu, Aécio, Renan, Jucá e tantos outros babacas que deitam e rolam como se fossem donos de um Brasil que deveria ser de todos nós.

Porém, mais uma vez prevaleceu o manto podre das relações escusas do poder,  de um Congresso Nacional sem moral. O esgoto fedorento  já não se esconde nos subterrâneos; corre a céu aberto. Nossos políticos não estão nem aí. A não ser para o próprio umbigo.

Mais uma afronta à população brasileira consciente. Uma excrecência  para a qual a maioria dos 513 deputados federais parece não dar a mínima. Pouco interessa nossa opinião. Menos ainda o futuro de nossos filhos e netos.

Ao vivo, sem justificativa convincente, até mesmo a Globo se dignou a apresentar a  prevista palhaçada. Que desperdício! Um desfile de imbecilidades, mostrando um retrato fiel de parlamentares ridículos, despreparados, parciais, interesseiros e coniventes.

Duro é que fiquei sem ver a minha novelinha das seis. Novo Mundo, com a lambanças e as puladas de cerca de Dom Pedro seria bem mais interessante.

Por isso não tive dúvida; passei a revezar o canal Off com SportTV e National Geographic. Mundo Medina,  montanhismo, futebol,  vôlei e outros quetais. No NG, um dos temas  era a subsistência de águias e  tigres.

Pois é, aqui, um circo mambembe, chinfrim e mequetrefe -- com sua licença caro Daniel! -- protagonizado por pelo menos 300 picaretas. E,  pelo menos nisso, Lula, um deles,  estava carregado de razão quando acusou seus pares.

Lá, na África,  o instinto assassino do tigre precisava ser ativado com urgência para evitar que seus dois filhotes morressem de fome. Cervos e búfalos que o digam!

Felizmente, não perdi tanto tempo com imbecis juramentados,  traíras, sem caráter, com sede e fome de poder e cifrões a perder de vista. Em Brasília o instinto é  bem outro. Ali, naquele antro, dentes e garras têm funções nada nobres. Ali, a vítima é o povo brasileiro.

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