Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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sexta-feira, 16 de março de 2012

O Tigre e o gatinho

E não é que o Tigre voltou a ser tigre? Depois de cinco rodadas catastróficas, quando se portou como um gatinho perdido à procura de mãe e de leite, o São Bernardo volta às origens.

Volta a ser o Tigre, a mostrar as garras de um forte, e agora, com 25 pontos ganhos e 55,6% de aproveitamento, já está bem perto da classificação entre os oito clubes que passam à proxima fase do Paulistão da A-2.

Na última rodada, foi a São José do Rio Preto e virou pra cima do pobre América, um dos mais sérios candidatos ao rebaixamento. Fez 4 a 2 e mostrou futebol convincente. Fruto de arrumação tática menos confusa, escolhas individuais mais coerentes e dedicação coletiva satisfatória.

Para chegar e se credenciar de vez para voltar à elite do futebol estadual como um dos quatro melhores, o time de Luciano Dias -- felizmente, desta vez o técnico não inventou de poupar todo mundo! -- precisa ganhar pelo cinco/seis dos 12 pontos que ainda vai disputar.

No caminho do Tigre, São José e União Barbarense fora de casa; Ferroviária e Palmeiras B no Primeiro de Maio, com apoio de mais de cinco mil torcedores. Alguém duvida?

Hoje, o São José está em 12º lugar, a Ferroviária em terceiro, o Barbarense em oitavo e o Palmeiras B em 13º. Repito: nenhum bicho-papão; cinco ou seis pontos são suficientes.

Pelo andar da carruagem e pela evolução de um time (ou animal?) que finalmente parece ter entrado nos trilhos I( ou nas trilhas?), acho que não vai dar zebra.Basta respeitar e jogar bola, sem cair na arapuca da displicência, do já-ganhou.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mais do mesmo. De novo, não!!!

Juro que a última coisa que eu queria estar fazendo agora há pouco era conta sobre conta para saber se o Santo André vai se salvar do penta-rebaixamento. Mas não foi possível evitar o que já virou costume nas últimas temporadas nacionais e estaduais. É mais do mesmo!

Na rodada de ontem da A-2 o ainda chamado Ramalhão voltou a perder -- 3 a 1 para o líder Audax -- e agora o jejum sobe pra 10 rodadas. Foram quatro empates e seis derrotas. Em 30 pontos disputados, ganhou apenas quatro.

Com 15 pontos ganhos, apenas três vitórias e pífio aproveitamento de 33,3%, o time dirigido por Ruy Scarpino está em 16º lugar, a um ponto do primeiro candidato ao descenso.

Restando somente quatro rodadas -- 12 pontos -- a serem disputadas, o Santacruzense está em 17º lugar com 14 pontos ganhos, três vitórias e aproveitamento de 31,1%. Em 18º aparece o tradicional América, com produtividade de 26,7% e apenas 12 pontos ganhos.

Como desgraça pouca é bobagem, o outro time de Rio Preto tem 11 pontos ganhos, três vitórias e 24,4% de aproveitamento. É o lanterna. Antes do Rio Preto aparece o União São João com os mesmos 11 pontos e as mesmas três vitórias.

Mas nem tudo está perdido. Ainda torço e acredito que o Santo André não vai cair. Por quê? Primeiro: o time só depende de si para não entrar no buraco. Segundo: ninguém nega que o problema agora é muito mais emocional do que qualidade técnica e tática, o que ajuda mais não resolve.

Terceiro: dos cinco últimos, o único que faz três jogos em casa -- mesmo sem apoio da pequena torcida -- é o Ramalhão. Quarto, e talvez mais importante: juntos, os próximos adversários -- Ferroviária, São José e União Barbarense em casa; União São João fora -- conquistaram 83 pontos em 15 rodadas.

Já o Santacruzense faz dois jogos em casa -- Penapolense e Monte Azul -- e dois fora -- Noroeste e Audax. Só que, além de esbarrar nas próprias limitações, o time de Santa Cruz do Rio Pardo vai encarar quatro times que ganharam, juntos, 108 pontos.

Portanto, 25 pontos a mais do que quem pega o Ramalhão. Lição pra lá de complicada. Basta o sargento Garcia prender o Zorro depois de passar a cavalo por quatro mata-burros semelhantes aos da Boa Esperança. Isso é bom! Muito bom para o Santo André.

Aparentemente, a tarefa do América parece menos difícil do que a do Santacruzense. Seus adversários somaram apenas 75 pontos, mas o frágil Diabo faz só um jogo no inferno, melhor, em casa (São José) e três fora (Velo, Rio Claro e Monte Azul). Alguém aposta? É mais fácil a fantasiosa CPI da Câmara andreense confirmar as falcatruas do Semasa.

Por outro lado, a lição do União São João soa como Teorema de Pitágoras pra quem só tira 10 em Educação Física e nove em Ciências. Quatro adversários somaram 80 pontos. Time de Araras faz duas partidas em casa (Rio Preto e Santo André, em jogos de seis pontos) e duas fora (Atlético Sorocaba e Noroeste).

Pra terminar, a situação do último colocado, o Rio Preto, parece até menos complicada. Como se bastasse fazer o Ronaldinho Gaúcho voltar a jogar e o Barcelona perder três vezes seguidas Coruripe. Adversários ( União São João e São Carlos fora, Rio Claro e Velo em casa) conquistaram apenas 63 pontos, o que pode facilitar.

Situação dos quatro últimos é mesmo dramática. Por isso creio que o Santo André vai se safar de mais um tombo -- seria o último. Que se mate em campo e tenha controle emocional para ganhar pelo menos sete/oito pontos. Que não deixe de acreditar até o último momento.

Duro é que os últimos filmes podem se repetir. Mais do mesmo, de novo, não!

DE PRIMEIRA

*** Juro que não entendi os dizeres da faixa colocada ali entre o Carrefour da avenida do Estado e o viaduto Adib Chammas. Santo André x Ferroviária, sábado, 15h, no Brunão, com portões fechado. Sim, eu disse portões fechado, sem o sssss. Mas o problema não é esse. Será que os dirigentes estão esperando público do lado de fora? Ou será que vai rolar em telão? Façam-me um favor...

O gaúcho, o louco e a ousadia

Andei lendo e ouvindo, ontem à noite e hoje cedo, que o Corinthians não venceu o Cruz Azul por absoluta falta de ousadia. Houve até quem -- pasmem! -- insinuasse que o time de Tite se acovardou. Só não ganhou porque ficou com medo de perder.

Peraí! Não foi bem assim! Jogar pela Libertadores, em 2.4 mil metros de altitude, com torcida contra e diante de adversário respeitável não é moleza não! Dificilmente alguém sai do México com vitória.

Quer saber? Acho que foi uma das melhores performances do Corinthians em 2012. O jogo, por si só, foi bom. Movimentado do começo ao fim. Tanto mexicanos quanto brasileiros poderiam sair com a vitória.

Falar em falta de ousadia ou imaginar covardia parece coisa de quem não viu o jogo ou não entende de bola. Ou seria algum anticorintiano travestido de jornalista e incapaz de exercer a imparcialidade, a mãe do bom profissional?

O Corinthians cansou, não teve posse de bola, recuou e foi acuado nos 15 minutos finais, sim senhor. Mas só no final. Foi superior ao Cruz Azul em pelo menos 2/3 do jogo.

Pra começar, o time de Tite subiu a marcação, botou pressão e não deu espaços para o adversário nem ao menos sair jogando. Anulou o poder de criação do Cruz Azul e, bem postado no sistema defensivo, deu raríssimos espaços a infiltrações e conclusões perigosas.

Como se não bastasse, criou pelo menos quatro belas oportunidades, especialmente com Paulinho e Liedson. No final, quando os mexicanos foram pro tudo ou nada -- e não poderia ser diferente pra quem joga em casa -- e chegaram de vez, mais por meio de chuveirinhos, Chicão apareceu para salvar. No contragolpe, Paulinho perdeu a bola do jogo.

Aí os "especialistas" de meia-tigela avocam a falta de ousadia como causa da igualdade. Como se o empate não significasse bom resultado. Além de cansar no final, o que é normal, o que aconteceu foi simplesmente deficiência nas finalizações, mal que aflige do time de Tite há bom tempo.

Será que querem que o Timão seja o Barcelona de Guardiola, que, além de marcar sob pressão, é uma máquina de jogar futebol e faz da criatividade e da ousadia ofensiva a atitude mais comum no campo da bola? Convenhamos, os amigos de Messi estão em outro patamar, individual e coletivo.

Ou será que queriam um Corinthians a la Atlético de Bilbao. Ao time espanhol não faltam combatividade, arrumação tática, velocidade, verticalidade, criatividade (olha o Tite aí!) e ousadia. Doce e louca ousadia!

Se concluísse com melhor aproveitamento e não fosse tão instável, o time do argentino Marcelo Bielsa, El Loco, seria imbatível. Não estaria classificado na Liga Europa mas em sétimo no Campeonato Espanhol.

As duas vitórias diante de um Manchester forte mas preguiçoso foram verdadeiras aulas de Bielsa diante do sir Alex Fergusson. Taticamente, uma lição de encher os olhos. Gostei muito do Atlético nos dois jogos, especialmente no primeiro, em Manchester.

O gaúcho Tite não é um exemplar de ofensividade. Também não é louco como o argentino. Mas não pode ser execrado exatamente quando seu time mostra futebol de gente grande e conquista importante resultado.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A academia, o idoso e o velho jardim

Momentaneamente liberado apenas para esforço físico moderado, não tenho corrido pelos parques da vida. Mesmo assim, passei agora há pouco pelo velho mas bem conservado Jardim Tamoyo, ali no Ipiranguinha.

Como sou geminiano e curioso por natureza, a movimentação de seis/sete pessoas ali perto do acesso principal prendeu minha atenção. Uma delas era o conhecido Mineirinho, funcionário público encarregado e figurinha carimbada tanto ali quanto no Parque Central.

Não conheço os outros, mais com jeito de chefes e burocratas. Será que alguém era formado em Educação Física? Mas o que importa é a essência. Não conclui nada, mas prestei atenção e deduzi. O assunto da rodinha em área tão específica só poderia ser mais uma das anunciadas academias a céu aberto.

Dezenove minutos e 45 segundos depois, voltei do contador, o Chenta, e não resisti. Ao observar de longe o Mineirinho ali com uma enxada, agora auxiliando quatro serviçais que colocavam grama diferente junto ao piso não menos diferente, abordei uma funcionária da portaria e ela confirmou -- oficiosamente --, minha desconfiança.

-- Olá, moça! Tudo bem?

-- Oi! Pois não!

-- Por favor, você sabe me dizer se ali onde está o pessoal vai ser a nova academia?

-- Vai sim! Vão instalar os aparelhos nos próximos dias para inaugurar domingo.

-- Ah, que legal! E aquele espaço lá em baixo, perto do lago e da fonte, não estava reservado para exercícios? Ou são coisas diferentes?

-- Era lá sim, senhor! Mas acho que mudaram aqui pra cima.

-- OK! Obrigado! Boa tarde!

Faltou dizer que tem tudo a ver com a minha idade (5.6 alto). Achei melhor calar a boca e me fixar no próximo passo, já mais próximo da parte baixa.

Lá, pude observar que o local preparado para receber a Praça do Exercício do Idoso estava lá, limpo e intacto. As surradas placas do Governo Estadual e da Prefeitura de Santo André também.

E daí? E daí que as informações dos parceiros (?), afixadas no final de março de 2011são claras. Uma delas: "Obra do Governo do Estado de São Paulo. Praça do Exercício do Idoso. Valor: R$ 187,7 mil. Prazo de entrega: 180 dias".

Na outra: "Consladel Construtora Ltda/Prefeitura de Santo André". Escrevi sobre isso no dia 5 de abril. De 2011, lógico! Pra quem não se lembra, a Consladel é a mesma dos tempos do PT no poder municipal.

Aquela empresa denunciada pelo Fantástico como máfia dos radares, das multas, das licitações de cartas marcadas e dos contratos fraudulentos Brasil afora. Sim, aquela! Pura coincidência, né?

Pois é... Valor exorbitante, parceria nebulosa, construtora de idoneidade questionável e atraso de seis meses -- seis meses! -- na entrega.

Se é que, além do local -- o que não é novidade, porque já aconteceu no Parque Central -- também não se trata de outro programa, já que a musculação não ficará restrita aos aposentados, todos inteligentes e merecedores. Ou seriam duas? Estranho, né? Ou burrice?

De bom nisso tudo é que a população, que apenas aparentemente não tem nada a ver com valores e responsáveis, vai ganhar mais um espaço para se exercitar. Não importa se Praça do Exercício do Idoso, Academia ao Ar Livre ou Academia Cidade Feliz, como na Praça Kennedy, ali na vila Bastos. Parece tudo muito semelhante!

O ideal seria com orientação de um educador físico, um professor de verdade, mas seria pedir demais. Ficaria mais caracterizada a importância preventiva da Educação Física como instrumento da saúde.

Tomara que pelo menos a Prefeitura, por meio de servidores comuns e dos guardas municipais ali tão próximos, oriente e fiscalize de fato a utilização dos aparelhos, além de providenciar manutenções preventivas e corretivas periódicas.

Isso tanto no Ipiranguinha quanto na Praça Kennedy, no Centre Ville, na Vila Palmares, na vila Valparaíso, na vila Guiomar, no Parque Central e em todos os outros espaços públicos escolhidos.

São 48 no total, com investimento divulgado de R$ 3 milhões em equipamentos e revitalização de espaços. Coincidentemente, em ano eleitoral. Tudo normal. PT e demais partidos fizeram, fazem ou fariam o mesmo.

Trouxas somos nós, que acreditamos e vamos às urnas sempre na esperança de dias melhores, com políticos decentes e minimanente comprometidos com as causas do cidadão comum.


DE PRIMEIRA

*** Ali mesmo no Tamoyo, outro dia, dois abusos de quem presta serviços ao Poder Público: a viatura da Guarda Municipal atravessada justamente na pista de caminhada e o veículo que entrega refeições novamente a cortar caminho pelo parque. Irresponsabilidade pura!

*** Também outro dia, aqui na esquina de casa, perto da Igreja Matriz, dá pra acreditar que o caminhão coletor de lixo desceu a Coronel Ortiz e, perigosamente, retornou na contramão para ganhar tempo e entrar na rua Santo André? Irresponsabilidade pura-2!

*** Quer dizer que, segundo o DGABC, um dos impedimentos à não-liberação do Estádio Bruno Daniel para ao menos minimizar os sérios problemas do EC Santo André é um TAC? Termo de Ajustamento de Conduta assinado há dois anos não foi cumprido pelo diretor de Esportes da Prefeitura. Como se o prefeitão já não tivesse saias-justas a dar com pau! Irresponsabilidade pura-3!

terça-feira, 13 de março de 2012

Pé na bunda da soberba

Refutada pelo ex-presidente Lula, a esperada renúncia de Ricardo Teixeira tem significado muito mais abrangente do que o ato em si. Nada de grandeza, por sinal.

Mesmo porque, a chegada do já octogenário,pouco confiável e político matreiro José Maria Marin para presidir a milionária Confederação Brasileira de Futebol não muda nada. Mantém cargos, benesses e condutas. Nada mais é do que trocar seis por meia dúzia.

Se Jérôime Valcke, secretário-geral da FIFA, sugeriu um pontapé no traseiro de brasileiros lerdos com os procedimentos pré-Copa do Mundo de 2014, a saída do momento soa como um pé na bunda da soberba internacionalizada na pessoa do intragável RT.

O senhor RT sempre foi sinônimo de prepotência, de cinismo, de egoismo, de evasivas, de desrespeito, de autossuficiência ao extremo. Acusado, entre outras sacanagens, de corrupção, trapaças eleitoreiras e de se locupletar com porcentagens dos milhões de eventos e patrocinadores quase sempre canalizados para os cofres da CBF, RT desmente tudo de pés juntos. Coitado! O milionário se diz injustiçado.

Interessante é que, doente ou não, o cara saiu porque quis. Situação estava insustentável com a FIFA -- outro câncer a ser exterminado -- e com o governo brasileiro, mas ninguém teve coragem de peitar o senhor prepotência e bancar a demissão de persona tão nefasta ao mundo do esporte.

Omisso, o governo não fez nada. Interesseiras, frágeis e apadrinhadas, como sempre, as federações também não moveram uma palha. Os clubes, hoje falidos, muito menos.

Lógico! Afinal, todos são farinha do mesmo saco. Todos lidam full time com a sedução do poder. Todos têm rabo preso com todos. Dos presidentes de clubes ao presidente da FIFA. Ninguém quer largar o osso.

Só que o momento exige muito mais do que dois pés na bunda de uma soberba específica, com nome e sobrenome. Como Marin vai manter o status quo -- tá na cara --a hora dos presidentes de clubes, inclusive os do Grande ABC, é agora.

Sem covardia, sem medo, sem omissão deslavada. Mesmo devendo favores aos tubarões, é preciso deixar de comer na mão e assumir o prédio da rua da Alfândega. Ou será que vão esperar o governo federal impor alguém do seu esquema, talvez em nome da governabilidade.

É hora de mexer com a alma do futebol brasileiro. Mais que isso! Muito mais do que o fim de um "reinado" de 23 anos, é essencial que até mesmo a sociedade como um todo dê um basta na soberba de ditadores presunçosos, instalados em clubes, federações e confederações de inúmeras modalidades olímpicas.

Ninguém é santinho! Ninguém é tão perfeito,tão competente. Ninguém pode edificar feudos e se eternizar no trono ou fazer sucessores letrados pela mesma cartilha viciada.

Conluios, acertos escusos, falcatruas, brotam como baratas e ratos no esgoto do esporte. É triste afirmar, mas os subterrâneos do esporte são tão imundos e malcheirosos quanto os da política.

Infelizmente, é o retrato fiel da sociedade brasileira. Que pena! Decência, ética, caráter e moralidade parecem mesmo fora de moda. Hurrah!!! (Vida longa para o esporte)

Os sete pecados capitais

No final do século VI, durante o papado de Gregório Magno, a Igreja Católica instituiu os chamados sete pecados capitais.

As atitudes humanas da época contrárias às leis divinas: luxúria, gula, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça. Em 2008 o Vaticano atualizou a lista, mas vamos nos ater à antiga.

Ao ler, na edição dominical do DGABC, extensa matéria sobre o handebol, me chamaram à atenção a manchete e as declarações do diretor de Esportes da Metodista, Alberto Rigolo, e do técnico da Seleção Brasileira Feminina, o dinamarquês Morten Soubak.

"Brasil ameaça domínio europeu no handebol" é a manchete da página. Embora pudesse conter informações e análises também sobre a situação nada confortável do handebol em Santo André e São Caetano, texto de Anderson Fattori é interessante e faz pensar no presente e no futuro.

O título da página -- "Brasil ameaça domínio europeu no handebol" -- me parece um pouco forçado. Nem mesmo a dura crise que abala os alicerces da economia mundial vai ser capaz de tirar a hegemonia dos europeus. Pelo menos nesta década.

Enquanto no Brasil em evolução os estaduais e a Liga têm competitividade restrita a poucos e público quase sempre limitado a familiares, dirigentes e alunos de escolinhas, na Europa é um pega-pra-capar, em alto nível técnico, com ginásios que chegam a receber 20 mil espectadores.

Como diz Morten -- " Vejo próximo o sonho de uma medalha" --, podemos, sim, chegar ao pódio nos Jogos Olímpicos de Londres, em julho, mas a tarefa é tão improvável quanto Manoel de Oliveira, pedir demissão da presidência da Confederação Brasileira. Manoelzinho tem méritos, mas, infelizmente, se eternizou no trono e virou dono do nosso handebol.

Já meu amigo Rigolo, polêmico, temperamental, mas de capacidade técnica e dedicação inquestionáveis, acredita na repatriação das melhores jogadoras brasileiras espalhadas por um Europa abalada, mas lamenta a falta de organização e comprometimento de alguns clubes que disputam a Liga Nacional.

"Queria que todos os times tivessem a força e fossem organizados como nós. Aumentaria o nível técnico das competições e atrairia mais patrocinadores. Nosso trabalho dá resultado porque somos sérios, priorizamos as categorias de base e não fazemos loucura" -- afirma um dos homens mais importantes na ascensão do handebol brasileiro.

E é exatamente nas afirmações de quem respira handebol que entram os sete pecados capitais de clubes falidos e federações e confederação enricados. Como ameaçar o domínio europeu se, salvo exceções como a Metodista e mais meia-dúzia de clubes sérios, somos "pecadores" contumazes?

Pecados capitais do handebol moderno e do esporte em geral:

1)profissionalismo capenga
2)falta de planejamento e organização
3)seriedade e comprometimento questionáveis
4)investimento estrutural insuficiente
5)valorização de talentos limitada a poucos
6)não prioridade à base, aliada à ação social
7)descaso governamental

Tomara que os propalados R$ 12 milhões investidos no Centro de Excelência em construção no antigo clube da Volks signifiquem um divisor de águas entre o amadorismo e o profissionalismo.

Se vingar mesmo, parceria entre Ministério do Esporte, Confederação Brasileira de Handebol e Prefeitura de São Bernardo tem tudo para fortalecer de vez nossas seleções, da base à elite.

Aí sim nossos pecados serão menos mortais e nossos sonhos mais plausíveis.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Com os pés no purgatório

Se na Segunda Divisão o Santo André está a um passo do inferno e o São Bernardo num paraíso mas sem cinto de segurança, o quê dizer do São Caetano na elite do futebol paulista?

Com os mesmos 15 pontos do Ramalhão na A-2, mas em 12º lugar -- e não em 15º --, o chamado Azulão dificilmente será punido com o fogo do inferno, de onde livra seis pontos. O Botafogo é o 17º, primeiro dos sacrificados, com nove pontos ganhos.

Porém, com apenas 38,5% de aproveitamento, o São Caetano está a sete pontos do paraíso celeste, também conhecido como G-8 do bem. Oitavo colocado com 22 pontos ganhos, o Bragantino tem 56,4% de produtividade.

Grupo ainda pensa, obviamente, na classificação à próxima fase, mas insiste em fincar os pés no purgatório. Haja penitência! O jejum já é de seis jogos. Nem mesmo o pastor Márcio Araújo consegue dar jeito.

O time não embala, não desentala. Quando parece que encontrou o prumo, lá vem a surpresa. Surpresa? Pra muitos, mas pra mim, não! Lamento!

Embora torça muito pelo Márcio, entendo que o rio-pardense precisava evitar o pior e teve boa intenção, mas voltou a ser infeliz, a pecar na hora de mexer no time. Como punição pela opção defensiva, pela escolha errada no final, o justo empate de 2 a 2 no último minuto.

Não que a leitura do treinador estivesse totalmente errada. O meio-campo abriu o bico e, diante da ameaça constante do Mirassol, Márcio Araújo fez a besteira de não fechar onde deveria.

Ao tirar o meia Ailton para pôr Gabriel como quinto zagueiro, o técnico permitiu que o adversário fosse ainda mais pra cima, adiantando meio-campistas e laterais. Principalmente William Simões, que desfilou pela marginal esquerda sem marcação eficiente.

Antes dos 30 minutos do segundo tempo, o Azulão não encantou, mas também não decepcionou. Criou, penetrou e finalizou menos do que devia, mas correu bastante e fez dois gols com o sempre dinâmico e cortante Marcelo Costa.

Além (ou apesar) disso, soube defender de forma razoável e foi aplicado taticamente. No momento de marcar e atacar, não teve a preguiça de outros tempos. Especialmente quando Ailton se mexeu um pouco mais pela esquerda e ousou enfiar duas bolas perfeitas, o 4-2-2-2 de Márcio Araújo deu resultado.

Fechado com três volantes e um meia -- Xuxa fez os dois gols, em pênaltis discutíveis --, o Mirassol teve espaços de intermediária a intermediária, mas encontrou dificuldades para penetrar e chegar com real perigo no primeiro tempo.

Na segunda etapa, com um meia no lugar de um volante, empatou logo no início para em seguida ficar novamente em desvantagem e se ver obrigado a partir para o ataque.

Como o São Caetano mostrou cansaço, recuou em demasia, perdeu o poder de marcação e não conseguiu matar o jogo no contragolpe, o Mirassol passou a jogar como se estivesse em casa.

Não respeitou um time que se acovardou e se complicou. No jogo e no campeonato. Antes do empate, o goleiro Luiz e o zagueiro Jorge Luiz já haviam salvado gols iminentes.

O pecado do bem intencionado pastor faz com que o São Caetano finque os pés e encrave no purgatório. O paraíso ainda é possível, mas está cada vez mais distante. Com ou sem orações a todos os deuses.