Como era de se esperar, o futebol profissional de Santo André está de volta ao velho ninho. Só que o ninho já não é o mesmo. Os pais são conhecidos, dedicados e capazes.
Como era de se esperar, o todo-poderoso Ronan Maria Pinto entregou a rapadura por absoluta falta de competência gerencial. Lógico que o empresário jamais reconhecerá a derrota. Quando interessa, problemas pessoais servem como escudo para a incompetência.
Como era de se esperar, o Sagedd -- Santo André Gestão Empresarial e Desportiva Desastrosa -- sucumbiu por se submeter sem contestações, covardemente, a um regime ditatorial e por não ter intimidade com as coisas do futebol. Em outras áreas, pouco nobres, por sinal, dizem que o chefe é expert.
Como era de se esperar, sobrou para o Esporte Clube Santo André um singelo, irônico e cinico bilhete: Quem pariu que o embale. Com carinho, do amigo RMP.
Como era de se esperar, o Diario do Grande ABC, ainda presidido por RMP, se limita a informar que Sagedd e Santo André fizeram um acordo de cavalheiros e a criança debilitada foi devolvida ao bom berço que a acolheu em setembro de 1967.
Como era de se esperar, ninguém informa com transparência as condições em que a criança chega após passar pelas UTIs e frequentar os sombrios corredores do Hospital do Rebaixamento. Ou o Sagedd não precisa assumir dívidas e responsabilidades? Será que agora os pais conhecem a realidade deixada por quem sempre a escondeu?
Como era de se esperar, quando emparedadas -- raramente -- as partes falam sem clareza, sem consistência, sem dizer nada. Não revelam como ficam as reais responsabilidades jurídicas, fiscais e trabalhistas do clube após todos os prejuízos morais e financeiros.
O problema é que o Sagedd jamais respondeu juridicamente por qualquer ato. Nada saiu do nome do Santo André. Inclusive os contratos de jogadores. Até mesmo na Federação Paulista de Futebol, onde merecido respeito é direcionado ao presidente Celso Luiz de Almeida, que tem trânsito livre. Isso pode ajudar!
Como era de se esperar, o DGABC, até então espécie de assessoria de imprensa privilegiada de RMP, não fala nada sobre dívidas superiores a R$ 30 milhões. Pra quem não tem nada além do patrimônio... Como ficam acionistas do Sagedd, credores e até mesmo o INSS, com recolhimentos atrasados?
Por sinal, não me esqueci de que sou uma das vítimas. Acredito, como amigo e ex-funcionário, que o presidente cumpra sua palavra. Afinal, o bom empregador tem de honrar suas obrigações trabalhistas plenamente.
Como era de se esperar, repito, nossos órgãos de imprensa também não citam uma herança maldita, um rombo financeiro que pode até resvalar nos cerca de 3.2 mil associados titulares ( com dependentes, mais de 13 mil sócios, em números atualizados) do belo poliesportivo encravado no Parque Jaçatuba.
Administração de finanças -- sempre no limite -- e gerenciamento de recursos humanos já não são lá essas coisas. Volta do futebol profissional pode fazer com que tudo se agrave e orçamento, já com a faca na jugular, feche no vermelho.
Pior é que a herança pode afetar a saúde financeira do clube e a saúde clínica de dirigentes apaixonados. Mais uma vez, Celso e Jairo vão abrir mão da família e de cuidados próprios em prol do Ramalhão. Alguém duvida? Talvez não tivessem escolha!
Não nos esqueçamos de que a cessão da área pública municipal em comodato tem algumas cláusulas importantes, incluindo a manutenção do futebol da cidade. Ter aquele patrimônio não é sinônimo de riqueza.
Ou será, que, simplesmente o coração azul dos dois importantes cardeais falou mais alto?
Como o Ramalhão, com a imagem desgastada e hoje de quatro, apoiado por poucos torcedores dedicados, vai se virar sem caixa, sem patrocinadores e sem as cotas da TV? Talvez a Timemania ou os mensaleiros do governo ... Não duvide; nem seja trouxa!
Como será a relação do ECSA com o Poder Público? Com Aidan Ravin, o prefeito inimigo do esporte, foi um desastre. Por culpa do prefeitão e do todo-poderoso que se apresentou como salvador e se adonou do nosso Ramalhão.
Por comodidade ou omissão, parece que a maioria da imprensa regional dá demonstrações de que não vai questionar com profissionalismo possível relação político-clubista nebulosa envolvendo o PT de Carlos Grana com o clube. Prefeito eleito já esteve no Jaçatuba.
O que será que pensam torcedores, sócios, conselheiros, cotistas, potenciais patrocinadores hoje distantes -- enfim, a sociedade andreense -- sobre o futuro de um clube que já nos deu tanta alegria e hoje está no fundo do poço?
Sem caixa, provavelmente o Ramalhão vai montar time modesto e apostar na poucas revelações aproveitáveis. Mesmo porque, sem investimento à altura, as categorias de base ( Sub-13, Sub-15, Sub-17) estão escanteadas.
Quando não, entregues de mão beijada a ONGs que, em nome do social quase sempre empresarial, recebem verba do Ministério do Esporte usando e abusando do nome do Santo André. Abra o olho, presidente! É melhor passear pelos nossos campos distritais e checar os documentos.
O presidente Celso Luiz de Almeida e o vice Jairo Livólis se dedicam ao Ramalhão há mais de 30 anos. Já estiveram no comando do clube, e do futebol, por 15 anos, de 1992 a 2007. É bom lembrar que sou contra o continuismo prolongado.
Agora, além do importante clube social, voltam a comandar o futebol em momento que não permite erros nem amadorismo. O quê não se faz para não ver morrer um amor antigo? Me desculpem, mas, sem respaldo, soa como loucura. É uma aposta nas trevas. Precisa ter peito para assumir tamanha bucha de canhão!
A criança cresceu e passou a significar um balaio de problemas, da base ao profissional, agora nas mãos de quem sempre se dedicou mas não pode fazer milagres se não contar com o apoio de torcedores, de empresários e até mesmo do Poder Público. Sem paternalismo!
Desde que, como acontece de forma abusiva em São Bernardo -- e o amigo Daniel Lima está coberto de razão -- , o PT, provável parceiro a respaldar, não se arvore de salvador e posteriormente dono do Ramalhão.
Desde que o PT não partidarize as relações protecionistas e se julgue no direito de trocar o azul do Ramalhão pelo vermelho do partido. Ajudar pode. Melhor, deve. Com limites. Se não for possível, que ao menos não atrapalhe. Como Aidan Ravin e cia.
Em resumo, os abnegados Celso e Jairo pegam uma verdadeira batata quente. O passado é erros e acertos, de lutas e glórias, vitórias e derrotas inesquecíveis. O futuro é incerto e temerário. Precisa ter peito! Boa sorte, senhores! Não lhes falta currículo.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Campeão não ganhou o mundo no 4-2-3-1
Garanti, na véspera, que o campeão mundial interclubes adotaria o esquema 4-2-3-1. Entenda-se: com diferenças de posicionamento e características individuais, Corinthians e Chelsea jogariam predominantemente com quatro zagueiros, dois volantes, três meias e um atacante de referência.
Mas não foi bem assim. De fato, Tite escalou o campeão no 4-2-3-1, mas a prática ficou próxima de um 4-2-2-2, com pequenas variações. Os laterais seguiram a banda e marcaram com a eficiência que se espera de um time determinado e taticamente disciplinado. Triangularam com Danilo, Jorge Henrique e Paulinho. Pouco se aventuraram ao ataque.
Ralf cumpriu sua função de proteção, mas não foi tão eficiente porque errou passes e em alguns momentos se viu sobrecarregado pela ofensividade e pelo bom toque de bola do adversário. Raramente passou do meio-campo. Não precisava e não devia, viu, Neto!
Onde já se viu, o ex-craque do Corinthians, hoje comentarista da Band, usar o microfone para dizer que Ralf estava jogando mal e que deveria evitar os lançamentos de Lampard para Fernando Torres, Moses e Hazard?
Besteira pura! Imaginem o volante campeão saindo da frente da zaga para ir buscar Lampard lá na intermediária do Chelsea. Dominado pela emoção, Neto -- um dos jogadores mais importantes da história do Corinthians -- deve ter visto outro jogo. Tarefa caberia a um dos atacantes ou um dos meias operários. Se preciso, até mesmo Paulinho. Enfim, quem estivesse mais próximo. Jamais Ralf.
Sem a bola, o aplicado Paulinho recuava para ajudar Ralf, enquanto que Danilo e Jorge Henrique fechavam os espaços por onde poderiam subir os laterais. Principalmente Ashley Cole pela esquerda. Por isso, taticamente, Jorge Henrique foi quase perfeito.
Além de bloquear o ala inglês, Jorge Henrique assessorou Alessandro e reduziu os espaços do rápido belga Hazard. Mais uma vez, Tite foi coerente e acertou em cheio ao sacar Douglas em benefício da equipe.
Já Emerson foi mais um segundo atacante do que um terceiro marcador, naquela cantada linha de três falsos meias. Não foi excepcional, mas até ajudou a cercar e chamou a marcação ao flutuar do centro para as beiradas do campo. Também foi fominha em três ocasiões, mas não deixou o herói peruano, Guerrero, tão isolado.
Portanto, Tite acabou dando um baile tático ao passear pelo 4-2-3-1, o 4-2-2-2, o 4-1-3-2 (com Paulinho completando uma linha de três à frente de Ralf) e até o 4-4-2, com duas linhas de quatro e dois atacantes (um de velocidade e outro de referência, esperando a chegada dos companheiros).
Sem desmerecer a conquista corintiana e a inteligência diferenciada de Tite, hoje o melhor técnico do Brasil, Rafa Benitez foi determinante no resultado. Escalou errado e mexeu tarde. Bastava manter o 4-2-3-1 bem compacto ou mesmo colocar Lampard mais recuado no lugar de Moses, liberando um dos meias.
Mas não! Em plena final, inventou um 4-2-2-2 ( com variação para 4-2-1-3) frouxo no preenchimento dos espaços e na marcação. O espanhol sacou Mikel, um volante que sabe marcar e sair pro jogo, e escalou Ramires como primeiro homem de contenção, ao lado do experiente mas recém-lesionado Lampard. Por isso sem tanta mobilidade e preparo físico contra um Corinthians que sobra na transpiração, na pressão constante.
O espanhol Juan Mata ficou incumbido da armação e da chegada ao ataque ao lado de Hazard, pela esquerda, e pelo meio. Só que o belga é rápido e perigoso com a bola nos pés, mas não marca ninguém. Por isso a variante com três atacantes propiciava campo para o Timão jogar.
Ao contrário do que eu esperava, Moses foi muito mais um segundo atacante, para jogar no mano a mano ou às costas de Fábio Santos, do que um meia mais defensivo do que Oscar. Foi ofensivo e exigiu uma grande defesa de Cássio. Só! Com Oscar o time inglês ganharia mais criatividade e jogadas de aproximação.
Desde que o Chelsea estivesse preparado taticamente para ocupar os espaços entre os três setores, com a aproximação e compactação de zagueiros, volantes e meias. Como seus zagueiros são lentos e durões -- especialmente Ivanovic e Cahill -- Rafa Benitez não ousou correr riscos de tomar contra-ataques fatais.
Melhor para um Corinthians com volume e intensidade de jogo, comprometido, determinado e inteligente do começo ao fim. Mesmo quando não tinha domínio e dependia dos milagres de São Cássio. Um santo com cara de louco, diga-se. E que ainda está longe de São Marcos.
Coletiva e taticamente, o Corinthians foi bem melhor. E provou que força defensiva não é sinônimo de retranca. Por isso ganhou o futebol coletivo, organizado. Individualmente, destaques para Cássio, Guerrero, Danilo ( jogou muito!) e Jorge Henrique.
Segundo melhor jogador do Brasil -- só perde de Neymar -- Paulinho foi importante para o esquema de Tite, o cara. Mesmo sem o brilhantismo de costume, Paulinho apareceu bem no ataque e participou inclusive do gol de Guerrero. Assim como Jorge Henrique e Danilo.
Coletivamente, o Chelsea não foi organizado e só mostrou que Rafa Benitez precisa aprender mais e teimar menos. Individualmente, gostei da David Luiz, Lampard e Ramires.
Mas não foi bem assim. De fato, Tite escalou o campeão no 4-2-3-1, mas a prática ficou próxima de um 4-2-2-2, com pequenas variações. Os laterais seguiram a banda e marcaram com a eficiência que se espera de um time determinado e taticamente disciplinado. Triangularam com Danilo, Jorge Henrique e Paulinho. Pouco se aventuraram ao ataque.
Ralf cumpriu sua função de proteção, mas não foi tão eficiente porque errou passes e em alguns momentos se viu sobrecarregado pela ofensividade e pelo bom toque de bola do adversário. Raramente passou do meio-campo. Não precisava e não devia, viu, Neto!
Onde já se viu, o ex-craque do Corinthians, hoje comentarista da Band, usar o microfone para dizer que Ralf estava jogando mal e que deveria evitar os lançamentos de Lampard para Fernando Torres, Moses e Hazard?
Besteira pura! Imaginem o volante campeão saindo da frente da zaga para ir buscar Lampard lá na intermediária do Chelsea. Dominado pela emoção, Neto -- um dos jogadores mais importantes da história do Corinthians -- deve ter visto outro jogo. Tarefa caberia a um dos atacantes ou um dos meias operários. Se preciso, até mesmo Paulinho. Enfim, quem estivesse mais próximo. Jamais Ralf.
Sem a bola, o aplicado Paulinho recuava para ajudar Ralf, enquanto que Danilo e Jorge Henrique fechavam os espaços por onde poderiam subir os laterais. Principalmente Ashley Cole pela esquerda. Por isso, taticamente, Jorge Henrique foi quase perfeito.
Além de bloquear o ala inglês, Jorge Henrique assessorou Alessandro e reduziu os espaços do rápido belga Hazard. Mais uma vez, Tite foi coerente e acertou em cheio ao sacar Douglas em benefício da equipe.
Já Emerson foi mais um segundo atacante do que um terceiro marcador, naquela cantada linha de três falsos meias. Não foi excepcional, mas até ajudou a cercar e chamou a marcação ao flutuar do centro para as beiradas do campo. Também foi fominha em três ocasiões, mas não deixou o herói peruano, Guerrero, tão isolado.
Portanto, Tite acabou dando um baile tático ao passear pelo 4-2-3-1, o 4-2-2-2, o 4-1-3-2 (com Paulinho completando uma linha de três à frente de Ralf) e até o 4-4-2, com duas linhas de quatro e dois atacantes (um de velocidade e outro de referência, esperando a chegada dos companheiros).
Sem desmerecer a conquista corintiana e a inteligência diferenciada de Tite, hoje o melhor técnico do Brasil, Rafa Benitez foi determinante no resultado. Escalou errado e mexeu tarde. Bastava manter o 4-2-3-1 bem compacto ou mesmo colocar Lampard mais recuado no lugar de Moses, liberando um dos meias.
Mas não! Em plena final, inventou um 4-2-2-2 ( com variação para 4-2-1-3) frouxo no preenchimento dos espaços e na marcação. O espanhol sacou Mikel, um volante que sabe marcar e sair pro jogo, e escalou Ramires como primeiro homem de contenção, ao lado do experiente mas recém-lesionado Lampard. Por isso sem tanta mobilidade e preparo físico contra um Corinthians que sobra na transpiração, na pressão constante.
O espanhol Juan Mata ficou incumbido da armação e da chegada ao ataque ao lado de Hazard, pela esquerda, e pelo meio. Só que o belga é rápido e perigoso com a bola nos pés, mas não marca ninguém. Por isso a variante com três atacantes propiciava campo para o Timão jogar.
Ao contrário do que eu esperava, Moses foi muito mais um segundo atacante, para jogar no mano a mano ou às costas de Fábio Santos, do que um meia mais defensivo do que Oscar. Foi ofensivo e exigiu uma grande defesa de Cássio. Só! Com Oscar o time inglês ganharia mais criatividade e jogadas de aproximação.
Desde que o Chelsea estivesse preparado taticamente para ocupar os espaços entre os três setores, com a aproximação e compactação de zagueiros, volantes e meias. Como seus zagueiros são lentos e durões -- especialmente Ivanovic e Cahill -- Rafa Benitez não ousou correr riscos de tomar contra-ataques fatais.
Melhor para um Corinthians com volume e intensidade de jogo, comprometido, determinado e inteligente do começo ao fim. Mesmo quando não tinha domínio e dependia dos milagres de São Cássio. Um santo com cara de louco, diga-se. E que ainda está longe de São Marcos.
Coletiva e taticamente, o Corinthians foi bem melhor. E provou que força defensiva não é sinônimo de retranca. Por isso ganhou o futebol coletivo, organizado. Individualmente, destaques para Cássio, Guerrero, Danilo ( jogou muito!) e Jorge Henrique.
Segundo melhor jogador do Brasil -- só perde de Neymar -- Paulinho foi importante para o esquema de Tite, o cara. Mesmo sem o brilhantismo de costume, Paulinho apareceu bem no ataque e participou inclusive do gol de Guerrero. Assim como Jorge Henrique e Danilo.
Coletivamente, o Chelsea não foi organizado e só mostrou que Rafa Benitez precisa aprender mais e teimar menos. Individualmente, gostei da David Luiz, Lampard e Ramires.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Um Guerrero, uma conquista e um Pai feliz
Momentos de tristeza e, principalmente, de muita felicidade, são feitos para se compartilhar. Pra chorar ou sorrir junto. De preferência com a família e com os amigos mais próximos, aqueles com jeito de irmãos.
Hoje cedo, logo após o Corinthians conquistar o Mundial Interclubes e pintar o globo de preto e branco, abracei a Angela sem conter as lágrimas. "É campeão!!!. É nóis!!!"
Em seguida, meio que sem pensar, fui até a sala de estar, olhei para o telefone e aí... aí, sim, chorei de verdade. De saudade. Uma saudade cortante.
Só que não adiantava ligar para repartir tamanha felicidade. Afinal, ainda não descobri o número do "céu". Momentaneamente resignado, ligo e festejo com filhos (Maira e Felipe), neto (Victor) e irmãos (Valéria e Moisés).
Ausente há um ano e meio, seu Valério "conversou" comigo quando ganhamos a Libertadores. Então, penso, hoje não seria diferente. Ele gostaria de saber como foi a conquista histórica, festejada até agora. Então, resolvi contar. 0193608...
-- E aí, Pai, tudo bem? Tô com saudade! O senhor faz falta, sabia?
-- Oi, filho. Aqui é muito paradão, meio quieto. Nem sabiá eu escuto cantar. Mas tá tudo bem. De vez em quando, tomo uma cervejinha com seus tios e jogo bocha com o pessoal mais velho. Posso pescar traíra, mas não me deixam caçar com aquela cartucheira de dois canos. Dizem que é pecado matar nhambu. E por aí, tudo em ordem com seus irmãos e com os meus netos?
-- Opa! Tudo certo e todos com saúde. Victor e Júlia são espertíssimos. E aí, assistiu a vitória do nosso Timão?
-- Como? Aqui ninguém tem rádio nem televisão. Sei de alguma coisa só quando alguém sobe e traz notícia ou algum recado. Ou quando você inventa esse "telefone sem fio" com nome de saudade. Quanto foi? Gol de quem? Do Ronaldo?
-- Pai, foi muito legal. Ganhamos do Chelsea, da Inglaterra, por 1 a 0. Gol do Guerrero! O Ronaldo já parou.
-- Quem é esse Guerrero? Aquele que era do Santos e jogava com o Pelé?
-- Não, Pai! O Toninho Guerreiro já morreu. Talvez vocês se encontrem por aí pra tomar uma. Ele também gostava. O Guerrero é um peruano que chegou há pouco tempo. Jogou muito. Assim como o Cássio e o Danilo. O Cássio travou o gol, segundo seu bisneto.
-- Como assim, travou?
-- Pegou até pensamento, Pai. Mas o time todo foi bem como conjunto. Foi intenso, solidário, aplicado, marcou muito e não se acovardou. Foi corajoso, foi pra cima dos caras e ganhou por me-re-ci-mento. E olha que eles são bons e assustaram várias vezes. Pararam num goleiro com cara de maluco.
-- Maluco por que?
-- Jeitão de doido, Pai. Antes maluco do que veado, como diz o antigo ditado, do seu tempo, quando não era encarado como preconceito. E olha que o nosso time foi bem diferente daquele Santos que levou um baile técnico e tático do Barcelona no ano passado.
-- Mas o Barcelona joga bonito e é bem melhor que esse time aí. Parece o Santos do Pelé, o Cruzeiro do Tostão, o Flamengo do Zico...
-- Sim! Mas o Chelsea não é bobo não. Tem um monte de fera por lá. Cech, Lampard, David Luiz. Sabia que esse menino, David Luiz, é aqui de Diadema? Quando moleque, ele era corintiano. E hoje foi um dos melhores em campo. O senhor se lembra de que eu, quando criança, lá em São José, era santista, por causa do Pelé?
-- Lembro sim, mas isso é passado. Eu não podia te forçar a torcer pro meu time, né?
-- Ainda bem que eu cresci e virei corintiano. Por enquanto o Victor é palmeirense, como o pai (Danilo), mas também vai crescer e, quem sabe, entrar para o bando de loucos.
-- Como assim, bando?
-- É, Pai, agora é moda por aqui. Todo corintiano grita Vai Corinthians e se diz integrante de um bando de loucos. Acredita que lá no Japão tinha mais de 30 mil corintianos. Outra invasão! Fizeram como no Maracanã, contra o Fluminense, em 76. Só que desta vez eu não fui.
-- Um Guerrero fez gol pra 30 mil invasores?
-- Sabe que o senhor me deu uma idéia pro título da coluna? Um Guerrero, 30 mil invasores e uma conquista.
-- Você ainda escreve o Confidencial?
-- Não, Pai, o Diario é passado.
De repente, um silêncio enigmático, quebrado pelo som característico de quem, a soluçar, tenta conter o choro. Lágrimas de um campeão. Lágrimas de um Pai feliz. De um Pai que foi embora sem dizer adeus.
Tomara que Ele não se esqueça de dar o grande recado pra minha mãe...
Hoje cedo, logo após o Corinthians conquistar o Mundial Interclubes e pintar o globo de preto e branco, abracei a Angela sem conter as lágrimas. "É campeão!!!. É nóis!!!"
Em seguida, meio que sem pensar, fui até a sala de estar, olhei para o telefone e aí... aí, sim, chorei de verdade. De saudade. Uma saudade cortante.
Só que não adiantava ligar para repartir tamanha felicidade. Afinal, ainda não descobri o número do "céu". Momentaneamente resignado, ligo e festejo com filhos (Maira e Felipe), neto (Victor) e irmãos (Valéria e Moisés).
Ausente há um ano e meio, seu Valério "conversou" comigo quando ganhamos a Libertadores. Então, penso, hoje não seria diferente. Ele gostaria de saber como foi a conquista histórica, festejada até agora. Então, resolvi contar. 0193608...
-- E aí, Pai, tudo bem? Tô com saudade! O senhor faz falta, sabia?
-- Oi, filho. Aqui é muito paradão, meio quieto. Nem sabiá eu escuto cantar. Mas tá tudo bem. De vez em quando, tomo uma cervejinha com seus tios e jogo bocha com o pessoal mais velho. Posso pescar traíra, mas não me deixam caçar com aquela cartucheira de dois canos. Dizem que é pecado matar nhambu. E por aí, tudo em ordem com seus irmãos e com os meus netos?
-- Opa! Tudo certo e todos com saúde. Victor e Júlia são espertíssimos. E aí, assistiu a vitória do nosso Timão?
-- Como? Aqui ninguém tem rádio nem televisão. Sei de alguma coisa só quando alguém sobe e traz notícia ou algum recado. Ou quando você inventa esse "telefone sem fio" com nome de saudade. Quanto foi? Gol de quem? Do Ronaldo?
-- Pai, foi muito legal. Ganhamos do Chelsea, da Inglaterra, por 1 a 0. Gol do Guerrero! O Ronaldo já parou.
-- Quem é esse Guerrero? Aquele que era do Santos e jogava com o Pelé?
-- Não, Pai! O Toninho Guerreiro já morreu. Talvez vocês se encontrem por aí pra tomar uma. Ele também gostava. O Guerrero é um peruano que chegou há pouco tempo. Jogou muito. Assim como o Cássio e o Danilo. O Cássio travou o gol, segundo seu bisneto.
-- Como assim, travou?
-- Pegou até pensamento, Pai. Mas o time todo foi bem como conjunto. Foi intenso, solidário, aplicado, marcou muito e não se acovardou. Foi corajoso, foi pra cima dos caras e ganhou por me-re-ci-mento. E olha que eles são bons e assustaram várias vezes. Pararam num goleiro com cara de maluco.
-- Maluco por que?
-- Jeitão de doido, Pai. Antes maluco do que veado, como diz o antigo ditado, do seu tempo, quando não era encarado como preconceito. E olha que o nosso time foi bem diferente daquele Santos que levou um baile técnico e tático do Barcelona no ano passado.
-- Mas o Barcelona joga bonito e é bem melhor que esse time aí. Parece o Santos do Pelé, o Cruzeiro do Tostão, o Flamengo do Zico...
-- Sim! Mas o Chelsea não é bobo não. Tem um monte de fera por lá. Cech, Lampard, David Luiz. Sabia que esse menino, David Luiz, é aqui de Diadema? Quando moleque, ele era corintiano. E hoje foi um dos melhores em campo. O senhor se lembra de que eu, quando criança, lá em São José, era santista, por causa do Pelé?
-- Lembro sim, mas isso é passado. Eu não podia te forçar a torcer pro meu time, né?
-- Ainda bem que eu cresci e virei corintiano. Por enquanto o Victor é palmeirense, como o pai (Danilo), mas também vai crescer e, quem sabe, entrar para o bando de loucos.
-- Como assim, bando?
-- É, Pai, agora é moda por aqui. Todo corintiano grita Vai Corinthians e se diz integrante de um bando de loucos. Acredita que lá no Japão tinha mais de 30 mil corintianos. Outra invasão! Fizeram como no Maracanã, contra o Fluminense, em 76. Só que desta vez eu não fui.
-- Um Guerrero fez gol pra 30 mil invasores?
-- Sabe que o senhor me deu uma idéia pro título da coluna? Um Guerrero, 30 mil invasores e uma conquista.
-- Você ainda escreve o Confidencial?
-- Não, Pai, o Diario é passado.
De repente, um silêncio enigmático, quebrado pelo som característico de quem, a soluçar, tenta conter o choro. Lágrimas de um campeão. Lágrimas de um Pai feliz. De um Pai que foi embora sem dizer adeus.
Tomara que Ele não se esqueça de dar o grande recado pra minha mãe...
sábado, 15 de dezembro de 2012
Campeão mundial joga no 4-2-3-1
Decisão de amanhã em Yokohama tem pelo menos duas certezas: o bando de loucos vai invadir e torcer como nunca e o esquema tático que vai ganhar o título mundial é o 4-2-3-1.
Resta saber se o dono do mundo da bola será o Corinthians campeão invicto da Libertadores ou o Chelsea campeão europeu.
Distribuição numérica de ambos é semelhante, mas atuação é bem diferenciada. Tite escala quatro zagueiros de ofício, que raramente se aventuram ao ataque: Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos.
O espanhol Rafa Benitez também volta ao normal, com Ivanovic, Cahill, David Luiz e Ashley Cole. Só que aquele menino corintiano de Diadema se projeta com fluidez ( e deixa buraco nas costas) e Cole apóia com desenvoltura. Corinthians pode atacar por ali. Quem sabe surpreender com Paulinho, Emerson...
Timão de tanta gente se apresenta com dois volantes. Ralf é cão de guarda mais centralizado e próximo dos zagueiros internos, mas cobre os dois lados. Paulinho ajuda mais pela direita e na retomada de bola se transforma em meia-atacante. Aí o Corinthians se transforma em 4-1-3-2.
Se Paulinho for bem marcado, o Chelsea fica mais perto do sucesso. O problema do time inglês é que Mikel marca bem, tem bom passe e sabe atacar, mas o segundo volante ainda não está definido.
Ramires é mais rápido na chegada ao ataque e na recomposição defensiva, enquanto que o veterano Lampard é mais experiente e melhor finalizador. Alguém vai ter de cobrir o setor de David Luiz e Ashley Cole.
Ultimamente, o Chelsea ter jogado com três meias de constante aproximação, velocidade, ousadia e excelente toque de bola. Juan Mata pela direita, Oscar centralizado e o belga Hazard pela esquerda. Todos quase sempre encostam no 1, Fernando Torres.
Problema é que, se a defesa não subir e os três não ajudarem na marcação, não compactarem com os volantes, o Corinthians vai ter espaço para trabalhar com Paulinho, Danilo e Jorge Henrique, dando mais opções para Emerson, no facão pela esquerda, e Paolo Guerrero, na referência.
Entrada de Jorge Henrique significa assessoria defensiva para Alessandro conter o lépido Hazard e mais velocidade para chegar no mapa da mina. Sem Douglas, perde-se a opção daquela enfiada de bola fatal. Mas o time ganha intensidade, voluntariedade e disciplina tática. Desde que Jorge Henrique não apronte alguma molecagem. Romarinho é boa opção ofensiva.
Por isso, por respeito, Rafa Benitez está em dúvida se escala Oscar ou o mais defensivo Moses, que entraria pela direita, centralizando Mata. O alemão Marko Marin também pode aparecer como surpresa no lugar do meia brasileiro. Sinal de que Benitez também está preocupado em não dar espaços ao time de Tite.
Se uma final de Mundial se resumisse meramente ao confronto tático, seria mais ou menos assim. Como também existem os componentes físico, técnico e emocional, além do imponderável futebol clube, tudo pode acontecer.
Uma expulsão, uma lesão muscular, um gol-relâmpago, uma falha individual, um erro de arbitragem, a neve, o vento... Tudo isso pode fazer o título mudar de mãos quando uma decisão sugere equilíbrio e definição nos detalhes.
Os 35 milhões de corintianos loucos de verdade, lá representados por 30 mil invasores, só não vão admitir frouxidão, amarelão, medo de perder. Seria uma vergonha, um fiasco. Mesmo que o adversário não seja o grande Barcelona. Vai Curíntia!!! É nóis, mano!!!
Resta saber se o dono do mundo da bola será o Corinthians campeão invicto da Libertadores ou o Chelsea campeão europeu.
Distribuição numérica de ambos é semelhante, mas atuação é bem diferenciada. Tite escala quatro zagueiros de ofício, que raramente se aventuram ao ataque: Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos.
O espanhol Rafa Benitez também volta ao normal, com Ivanovic, Cahill, David Luiz e Ashley Cole. Só que aquele menino corintiano de Diadema se projeta com fluidez ( e deixa buraco nas costas) e Cole apóia com desenvoltura. Corinthians pode atacar por ali. Quem sabe surpreender com Paulinho, Emerson...
Timão de tanta gente se apresenta com dois volantes. Ralf é cão de guarda mais centralizado e próximo dos zagueiros internos, mas cobre os dois lados. Paulinho ajuda mais pela direita e na retomada de bola se transforma em meia-atacante. Aí o Corinthians se transforma em 4-1-3-2.
Se Paulinho for bem marcado, o Chelsea fica mais perto do sucesso. O problema do time inglês é que Mikel marca bem, tem bom passe e sabe atacar, mas o segundo volante ainda não está definido.
Ramires é mais rápido na chegada ao ataque e na recomposição defensiva, enquanto que o veterano Lampard é mais experiente e melhor finalizador. Alguém vai ter de cobrir o setor de David Luiz e Ashley Cole.
Ultimamente, o Chelsea ter jogado com três meias de constante aproximação, velocidade, ousadia e excelente toque de bola. Juan Mata pela direita, Oscar centralizado e o belga Hazard pela esquerda. Todos quase sempre encostam no 1, Fernando Torres.
Problema é que, se a defesa não subir e os três não ajudarem na marcação, não compactarem com os volantes, o Corinthians vai ter espaço para trabalhar com Paulinho, Danilo e Jorge Henrique, dando mais opções para Emerson, no facão pela esquerda, e Paolo Guerrero, na referência.
Entrada de Jorge Henrique significa assessoria defensiva para Alessandro conter o lépido Hazard e mais velocidade para chegar no mapa da mina. Sem Douglas, perde-se a opção daquela enfiada de bola fatal. Mas o time ganha intensidade, voluntariedade e disciplina tática. Desde que Jorge Henrique não apronte alguma molecagem. Romarinho é boa opção ofensiva.
Por isso, por respeito, Rafa Benitez está em dúvida se escala Oscar ou o mais defensivo Moses, que entraria pela direita, centralizando Mata. O alemão Marko Marin também pode aparecer como surpresa no lugar do meia brasileiro. Sinal de que Benitez também está preocupado em não dar espaços ao time de Tite.
Se uma final de Mundial se resumisse meramente ao confronto tático, seria mais ou menos assim. Como também existem os componentes físico, técnico e emocional, além do imponderável futebol clube, tudo pode acontecer.
Uma expulsão, uma lesão muscular, um gol-relâmpago, uma falha individual, um erro de arbitragem, a neve, o vento... Tudo isso pode fazer o título mudar de mãos quando uma decisão sugere equilíbrio e definição nos detalhes.
Os 35 milhões de corintianos loucos de verdade, lá representados por 30 mil invasores, só não vão admitir frouxidão, amarelão, medo de perder. Seria uma vergonha, um fiasco. Mesmo que o adversário não seja o grande Barcelona. Vai Curíntia!!! É nóis, mano!!!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O passeio do Chelsea
Ao contrário do que muita gente esperava, o Monterrey não ofereceu a mínima resistência diante do milionário Chelsea. Foi um passeio!
Vitória de 3 a 1 poderia ter sido mais elástica e coloca o time inglês na decisão do Mundial Interclubes diante do Corinthians.
Até aí, nenhuma novidade. Deu o que quase todo mundo previa. Superioridade dos times comandados por Tite e Rafa Benitez é indiscutível. Apesar do sufoco que o Corinthians levou contra o Al Ahly.
Contra adversário bem inferior, Rafa Benitez escalou o Chelsea no mesmo 4-2-3-1, mas teve a ousadia de agrupar e adiantar os três setores, dificultando a saída de bola mexicana.
Moral da história: Chelsea foi bem mais ofensivo porque os meias Juan Mata, Oscar e Hazard se aproximavam de Fernando Torres. E ainda se deu ao luxo de sempre liberar um dos laterais e um dos volantes.
Sempre atacou com muita gente. Nada a ver com aquele Chelsea retrancado que superou o Barcelona e o Bayern de Munique, ganhando a Liga dos Campeões da Europa.
Improvisado no meio-campo ao lado de Mikel, o zagueiro brasileiro David Luiz (corintiano desde criança, em Diadema) foi um dos destaques do jogo.
Outra boa surpresa de Benitez foi o retorno de Ivanovic para o miolo de zaga, com a entrada de Azpilinqueta na lateral-direita.
Frouxo na marcação do sistema defensivo, espaçado e dispersivo na armação do meio-campo e sem poder ofensivo, o Monterrey foi presa fácil. Além de jogar melhor, o Chelsea não encontrou obstáculos.
Contra o Corinthians, é bem provável que o time inglês não seja o mesmo. Pra começo de conversa, vai respeitar mais. É possível que David Luiz retorne ao miolo de zaga e Ivanovic à lateral. Mikel deve ser mantido, mas talvez tenha Ramires ou o experiente Lampard como companhia.
Também não será surpresa se o posicionamento global for mais defensivo, com volantes e meias mais recuados, isolando Fernando Torres. Rafa Benitez ainda pode trocar o criativo Oscar pelo mais combativo e operário Moses, que ficaria mais pela direita, com Juan Mata centralizado.
Tudo isso são suposições. É bom lembrar que o Corinthians também deve apresentar novidade. Talvez um atacante de velocidade como Romarinho no lugar do instável Douglas ). Romarinho não arma, mas marca mais e ataca com eficiência. Como Tite garante que seu time não jogará recuado...
Certeza de um jogo pegado, da disciplina tática sem covardia diante de individualidades que podem fazer a diferença na decisão. Pelo que apresentaram na estréia, o campeão da Libertadores tem 47% de possibilidades de ficar o título. Campeão europeu fica, portanto, com 53%.
Na teoria, ligeiro favoritismo! Na prática, só se saberá no domingo de manhã.
Vitória de 3 a 1 poderia ter sido mais elástica e coloca o time inglês na decisão do Mundial Interclubes diante do Corinthians.
Até aí, nenhuma novidade. Deu o que quase todo mundo previa. Superioridade dos times comandados por Tite e Rafa Benitez é indiscutível. Apesar do sufoco que o Corinthians levou contra o Al Ahly.
Contra adversário bem inferior, Rafa Benitez escalou o Chelsea no mesmo 4-2-3-1, mas teve a ousadia de agrupar e adiantar os três setores, dificultando a saída de bola mexicana.
Moral da história: Chelsea foi bem mais ofensivo porque os meias Juan Mata, Oscar e Hazard se aproximavam de Fernando Torres. E ainda se deu ao luxo de sempre liberar um dos laterais e um dos volantes.
Sempre atacou com muita gente. Nada a ver com aquele Chelsea retrancado que superou o Barcelona e o Bayern de Munique, ganhando a Liga dos Campeões da Europa.
Improvisado no meio-campo ao lado de Mikel, o zagueiro brasileiro David Luiz (corintiano desde criança, em Diadema) foi um dos destaques do jogo.
Outra boa surpresa de Benitez foi o retorno de Ivanovic para o miolo de zaga, com a entrada de Azpilinqueta na lateral-direita.
Frouxo na marcação do sistema defensivo, espaçado e dispersivo na armação do meio-campo e sem poder ofensivo, o Monterrey foi presa fácil. Além de jogar melhor, o Chelsea não encontrou obstáculos.
Contra o Corinthians, é bem provável que o time inglês não seja o mesmo. Pra começo de conversa, vai respeitar mais. É possível que David Luiz retorne ao miolo de zaga e Ivanovic à lateral. Mikel deve ser mantido, mas talvez tenha Ramires ou o experiente Lampard como companhia.
Também não será surpresa se o posicionamento global for mais defensivo, com volantes e meias mais recuados, isolando Fernando Torres. Rafa Benitez ainda pode trocar o criativo Oscar pelo mais combativo e operário Moses, que ficaria mais pela direita, com Juan Mata centralizado.
Tudo isso são suposições. É bom lembrar que o Corinthians também deve apresentar novidade. Talvez um atacante de velocidade como Romarinho no lugar do instável Douglas ). Romarinho não arma, mas marca mais e ataca com eficiência. Como Tite garante que seu time não jogará recuado...
Certeza de um jogo pegado, da disciplina tática sem covardia diante de individualidades que podem fazer a diferença na decisão. Pelo que apresentaram na estréia, o campeão da Libertadores tem 47% de possibilidades de ficar o título. Campeão europeu fica, portanto, com 53%.
Na teoria, ligeiro favoritismo! Na prática, só se saberá no domingo de manhã.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Botinudos pipocam e São Paulo é campeão
Pra ser sincero, não torço para o São Paulo. Pelo contrário! Quase sempre, quero mesmo é que os meninos do Morumbi chorem a cada resultado negativo. Coisa de torcedor. Nada mais!
Só que ontem foi diferente. Não que estivesse deliberadamente disposto a ver o time do bom treinador Ney Franco massacrar o Tigre argentino.
No início, diante de um festival de pancadaria aplaudido por um árbitro incompetente, frouxo, comecei a perceber que a decisão da Sul-Americana não acabaria bem.
Antes mesmo dos belos e merecidos gols de Lucas e Osvaldo, me flagrei torcendo contra os argentinos. Nada de futebol! Só correria e pancadaria! Como se fossem mais machos que os são-paulinos.
Na saída para o intervalo o pau quebrou no campo e já no túnel de acesso aos vestiários. Os jogadores do São Paulo foram provocados ostensivamente por botinudos que, na bola, são nitidamente inferiores.
Com Dias e Paulo Miranda expulsos por um juizão feito de palhaço e culpado por não coibir a violência argentina, eu torcia para que no segundo tempo o Tigre levasse de seis. Só pra aprender!
Porém, não fui atendido. Depois de mais de 30 minutos de intervalo, veio a notícia triste para o futebol: de forma amadora e irresponsável, os "valentes argentinos", sob alegação de lesões provocadas após atrito com seguranças do Tricolor -- o que precisa ser apurado sem patriotismo -- , pipocaram e não voltaram para encerrar a decisão.
O São Paulo comemorou uma conquista merecida. O desrespeito argentino não impediu a vibração de mais de 60 mil torcedores presentes ao Morumbi na despedida do craque Lucas.
Só que ontem foi diferente. Não que estivesse deliberadamente disposto a ver o time do bom treinador Ney Franco massacrar o Tigre argentino.
No início, diante de um festival de pancadaria aplaudido por um árbitro incompetente, frouxo, comecei a perceber que a decisão da Sul-Americana não acabaria bem.
Antes mesmo dos belos e merecidos gols de Lucas e Osvaldo, me flagrei torcendo contra os argentinos. Nada de futebol! Só correria e pancadaria! Como se fossem mais machos que os são-paulinos.
Na saída para o intervalo o pau quebrou no campo e já no túnel de acesso aos vestiários. Os jogadores do São Paulo foram provocados ostensivamente por botinudos que, na bola, são nitidamente inferiores.
Com Dias e Paulo Miranda expulsos por um juizão feito de palhaço e culpado por não coibir a violência argentina, eu torcia para que no segundo tempo o Tigre levasse de seis. Só pra aprender!
Porém, não fui atendido. Depois de mais de 30 minutos de intervalo, veio a notícia triste para o futebol: de forma amadora e irresponsável, os "valentes argentinos", sob alegação de lesões provocadas após atrito com seguranças do Tricolor -- o que precisa ser apurado sem patriotismo -- , pipocaram e não voltaram para encerrar a decisão.
O São Paulo comemorou uma conquista merecida. O desrespeito argentino não impediu a vibração de mais de 60 mil torcedores presentes ao Morumbi na despedida do craque Lucas.
A gigante Metodista sobra e é hepta nacional
O sonho do hepta virou realidade! O forte handebol feminino da Metodista/São Bernardo manteve a hegemonia na Liga Nacional.
Agora há pouco, em Concórdia, a Metodista precisava do empate para ganhar o sétimo título consecutivo. Mas sobrou em quadra no segundo tempo e venceu o time catarinense por 22 a 20.
Mais uma vez com boas atuações da ponta-direita Agda, da cengtral Amanda e da goleira Jéssica, Concórdia ganhou o primeiro tempo por 11 a 8.
Principalmente porque executou a transição com qualidade e velocidade. Apesar do equilíbrio, os contra-ataques da UNC/Concórdia foram mortais. Mais uma vez, a goleira Ariadne apareceu bem, mas não faz milagre full time.
Além disso, a defesa 6/0 do adversário dificultou a conclusão eficiente das ações ofensivas da Metodista. Intensidade, volume e arremessos de fora das meninas de Eduardo Carlone morriam nas defesas de Jéssica.
O time de Alexandre Schneider tentou iniciar o segundo tempo com o mesmo posicionamento defensivo e igual aproveitamento nos contragolpes sustentados. Só não esperava que a Metodista se agigantasse e subisse tanto de produção.
Para buscar ao menos o empate, a Metodista arriscou mais, errou menos e defendeu muito mais forte ( 5/1), com uma aplicação invejável. Tanto que diminuiu a diferença para um gol em apenas três minutos. E aos 10 já estava na frente, com 14 a 13, e o título na mão.
Amanda, que antes tinha liberdade para arremessar de fora, foi marcada mais de perto, individualmente, e Concórdia sentiu. Tanto quanto acusou a marcação ostensiva da Metodista -- Taíra entrou muito bem no ataque -- e passou a errar passes e precipitar arremessos.
Aos 12 minutos já estava 17 a 13 para a Metodista. Abalada, nervosa e, para piorar, em inferioridade numérica, Concórdia se esforçava mas continuava errando tudo. Ou quase tudo. Especialmente porque esbarrava nas virtudes do time de São Bernardo.
Aos 17 minutos estava 18 a 16 para a Metodista, quando a superioridade numérica -- dois minutos de exclusão para Taíra -- passou a ser de Concórdia, que pouco aproveitou. Já com Taíra de volta, aos 23 minutos estava 19 a 16.
Nos sete minutos finais, a Metodista manteve a agressividade defensiva, quebrou o ritmo da boa equipe catarinense, administrou o resultado e fechou com dois gols de vantagem: 22 a 20.
Destaques individuais para Célia, Taíra, Adriana e Ariadne. No coletivo, nota 10 pela determinação, pela valentia e pela aplicação tática.
Conquista do hepta não só é merecida como vem coroar um trabalho pleno -- da inserção social e da base da pirâmide ao alto rendimento --, alicerçado em competência, profissionalismo e comprometimento de dirigentes, comissão técnica e jogadoras.
Agora há pouco, em Concórdia, a Metodista precisava do empate para ganhar o sétimo título consecutivo. Mas sobrou em quadra no segundo tempo e venceu o time catarinense por 22 a 20.
Mais uma vez com boas atuações da ponta-direita Agda, da cengtral Amanda e da goleira Jéssica, Concórdia ganhou o primeiro tempo por 11 a 8.
Principalmente porque executou a transição com qualidade e velocidade. Apesar do equilíbrio, os contra-ataques da UNC/Concórdia foram mortais. Mais uma vez, a goleira Ariadne apareceu bem, mas não faz milagre full time.
Além disso, a defesa 6/0 do adversário dificultou a conclusão eficiente das ações ofensivas da Metodista. Intensidade, volume e arremessos de fora das meninas de Eduardo Carlone morriam nas defesas de Jéssica.
O time de Alexandre Schneider tentou iniciar o segundo tempo com o mesmo posicionamento defensivo e igual aproveitamento nos contragolpes sustentados. Só não esperava que a Metodista se agigantasse e subisse tanto de produção.
Para buscar ao menos o empate, a Metodista arriscou mais, errou menos e defendeu muito mais forte ( 5/1), com uma aplicação invejável. Tanto que diminuiu a diferença para um gol em apenas três minutos. E aos 10 já estava na frente, com 14 a 13, e o título na mão.
Amanda, que antes tinha liberdade para arremessar de fora, foi marcada mais de perto, individualmente, e Concórdia sentiu. Tanto quanto acusou a marcação ostensiva da Metodista -- Taíra entrou muito bem no ataque -- e passou a errar passes e precipitar arremessos.
Aos 12 minutos já estava 17 a 13 para a Metodista. Abalada, nervosa e, para piorar, em inferioridade numérica, Concórdia se esforçava mas continuava errando tudo. Ou quase tudo. Especialmente porque esbarrava nas virtudes do time de São Bernardo.
Aos 17 minutos estava 18 a 16 para a Metodista, quando a superioridade numérica -- dois minutos de exclusão para Taíra -- passou a ser de Concórdia, que pouco aproveitou. Já com Taíra de volta, aos 23 minutos estava 19 a 16.
Nos sete minutos finais, a Metodista manteve a agressividade defensiva, quebrou o ritmo da boa equipe catarinense, administrou o resultado e fechou com dois gols de vantagem: 22 a 20.
Destaques individuais para Célia, Taíra, Adriana e Ariadne. No coletivo, nota 10 pela determinação, pela valentia e pela aplicação tática.
Conquista do hepta não só é merecida como vem coroar um trabalho pleno -- da inserção social e da base da pirâmide ao alto rendimento --, alicerçado em competência, profissionalismo e comprometimento de dirigentes, comissão técnica e jogadoras.
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