domingo, 29 de janeiro de 2017
França atropela Noruega e é hexacampeã mundial
Diante de 15 mil pessoas, lotando a Arena Paris, a fortíssima equipe francesa fez 33 a 26, após primeiro tempo de apenas um gol de diferença -- 18 a 17.
Antes os franceses já haviam ficado com a medalha de ouro nos mundiais de 1995, 2001, 2009, 2011 e 2015. Hegemonia atual só foi quebrada em 2013 pela Espanha.
Na decisão do terceiro lugar, em virada sensacional, a Eslovênia fez 31 a 30 ( 13x18) na Croácia após estar em desvantagem de oito gols e ficou com a medalha de bronze.
O Brasil mostrou virtudes e evolução, mas caiu nas oitavas de final ao perder da boa seleção espanhola por um gol.
A grande final de hoje foi intensa, franca e ofensiva do primeiro ao último minuto. Na primeira etapa prevaleceu o equilibrio no placar, com nítida supremacia dos ataques.
A jovem seleção do Norte europeu não se intimidou com o favoritismo dos anfitriões e últimos campeões. Extremamente rápida e consistente na transição defesa-ataque, a Noruega só perdeu o comando do placar no último minuto.
Ofensivamente, os franceses até que mantiveram performances anteriores, mas a defesa não conseguiu bloquear e conter a velocidade norueguesa. Tanto que tomou 17 gols.
Segundo tempo, no entanto, foi totalmente diferente. E o que se viu foi um atropelamento; um show de tática e técnica da França do início ao fim.
Com melhor postura defensiva e dinamismo e agressividade no ataque, a seleção dos estupendos goleiros Gerard e Omeyer não teve dificuldades para sustentar vantagens sempre entre três e cinco gols.
Tanto que a esforçada Noruega fez apenas nove gols. Sofreu 15 e não teve o mesmo poder de reação mostrado na semifinal diante da Croácia, quando brilhou e ganhou na prorrogação.
A zebra deu as caras no primeiro tempo, mas sumiu do mapa quando, com méritos, os franceses mostraram por que são os melhores do mundo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
A "cartolice" de Pery
Entre poucas coerências e algumas pérolas a cartilha vetava o uso de unhas e batons em cores mais vivas, maquiagem carregada, roupas amassadas, perfumes com fragrâncias marcantes, meias claras com roupas escuras ( meia seria extensão da calça e do sapato, ridículo).
Manual atentatório à modernidade e ao bom-senso também exigia que se fizesse barba diariamente e, pasmem, cumprimento com mãos firmes, com três sacudidas e evitando tapa nas costas.
Imaginem se tal determinação chegasse ao banheiro masculino. "Fica determinado que, após urinar, o servidor deve, com mãos firmes, balançar o bitelo três vezes e acomodá-lo à esquerda. Se errar o vaso o servidor será advertido verbalmente; se não chacoalhar fica suspenso por três dias". Tá de brincadeira nobre vereador!
Havia, ainda -- ou há? --, recomendação para que os servidores não trabalhassem de bermudas, chinelos e camisas de clubes de futebol, com o que concordo. Quanto a roupas mais ousadas, não vejo problema algum.
Também entendo que muitos servidores são mesmo mal-educados, têm comportamentos inadequados e não respeitam o cidadão como deveriam. Devem, sim, ser orientados e, em caso de abuso, punidos.
No entanto, o senhor Pery Cartola extrapolou, passou de todos os limites em alguns itens extravagantes. Autoritarismo barato foi parar até no Fantástico e no Jornal Nacional, da Rede Globo. Uma vergonha!
O político e a cidade foram motivos de piadas de Norte a Sul do Brasil. E olha que São Bernardo não é comandada por antigos coronéis, como ainda acontece pelos grotões do País, naquelas cidadezinhas ausentes até do mapa.
Fico até em dúvida de como definir a atitude infantil de alguém que deveria zelar principalmente por coisas muito mais importantes mas perdeu tempo com uma cartilha recheada de incoerências, veleidades. Tudo em nome de um "atendimento de excelência".
Escolham, entre 60 opções sinônimas, em grupos de seis, a melhor definição para o capricho de Cartola:
1) absurdo, risível, ilógico, improcedente, incoerente, inconsequente;
2) bizarro, insensatez, kafkiano, onírio, sem razão, paradoxal:
3) antirrético, contraditório, grotesco, surreal, estapafúrdio, despropósito;
4) descabelado, desarrazoado, disparatado, parvoinho, sandio, tolo;
5) doidice, irreflexão, loucura, asneira, ação descabida, bernardice;
6) borracheira, cabeçada, cacaborrada, desconchavo, despautério, destampice;
7) destempero, destroxo, diguice, dislate, disparate, patetice:
8) paradoxo, pedantice, tolice, maluquice, patacoada, torresmada:
9) heresia, alogia, borregada, quimera, incongruência, descoco:
10) destampatório, inimaginável, desatino, veleidade, sandice e "cartolice".
Inventei o último adjetivo. Combina com cartola, aquele dirigente que abusa de torresmadas.
DE PRIMEIRA
*** Praça Iwao Ito, na confluência das ruas Humberto de Campos e Juquiá, ali na vila Eldízia (vila Linda) é mais um exemplo do descaso do Poder Público de Santo André. Sobra mato e falta iluminação no parquinho preferido do meu neto Davi. Culpa maior é da administração anterior, mas a atual precisa agilizar os mutirões de limpeza para a periferia.
*** Mais um recado aos secretários de Paulinho Serra: final da rua Visconde de Mauá, na vila Assunção, é estreito e não comporta mão dupla. Muito menos passagem de ônibus em velocidade incompatível. Sugiro avaliação rigorosa do Departamento de Trânsito.
*** Mais uma: novo secretário de Esportes, o médico Marcelo Chehade fala em parceria com o instituto de Ana Mozer e a Bridgestone para incrementar o segmento. Antes era com Giba, ambos do vôlei. É bom prestar atenção nos detalhes e na contrapartida financeira.
***Também é bom lembrar que a administração petista deu calote e deixou dívidas com muitos atletas e técnicos andreenses, especialmente da natação. Pior é ninguém do Poder dá sequer satisfação. Piscinas do Dell'Antonia estão sem aquecimento e em situação precária. Enquanto isso os caras discutem e providenciam a iluminação do vizinho Estádio Bruno Daniel... Acordem!!! Ambos são importantes.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
O médico, o coveiro e o esporte
Essa a essência da justificativa protocolar do prefeito eleito Paulinho Serra para escolher o médico ginecologista e obstetra Marcelo Chehade como novo secretário de Esportes de Santo André.
Esportes agora sem o Lazer, que, estranhamente, vai se juntar à Cultura. Tão estranho quanto seria se o Esporte fosse depender das rédeas e do orçamento da Educação, como se ventilou.
Convenhamos, currículo o digníssimo doutor é bem pobre na área esportiva. Se bem que para assumir o cargo hoje ocupado por Marta Sobral ninguém precisa de histórico brilhante. Basta fazer o jogo político que interessa ao poder maior.
Ressalva importante sobre a grande pivô da Seleção Brasileira: a atleta olímpica e campeã mundial foi medíocre como gestora. Portanto, parece humanamente impossível o vereador eleito para o terceiro mandato ser ainda pior.
No fundo, no fundo, o motivo da preferência é bem outro. Ninguém é trouxa o tempo todo. Mais uma vez o Esporte é utilizado como simples moeda de troca política.
Afinal, Marcelo Chehade, presidente do PSDB andreense, também foi o mentor do retorno do prefeito eleito ao partido que fez do jovem Paulinho a bola da vez. Porque a única. Pura exclusão!
Por absoluta falta de melhor opção Serra cumpriu as próprias diretrizes. Escolheu um político para o cargo e uma esportista para adjunta. Aparentemente, só pra inglês ver. Adjunto (a) não apita nada. Figura decorativa. Sei do que falo.
Dirigente vitalício e ícone do Santo André, Celso Luiz de Almeida declinou do convite para voltar ao comando de um Esporte cada vez mais sem norte. Fez o que pode em dois mandatos petistas. Mas não faz milagre.
Outro cotado, o empresário Fernando Gomes, ex-vereador e vice-presidente do PSDB municipal, ficou com a Secretaria de Inovação e Administração. Sem o mínimo perfil para o Esporte.
Nome também citado -- ou plantado pra ver se colava? -- antes mesmo do segundo turno foi o de Bahia, ligado ao futebol amador do segundo subdistrito e vereador em fim de mandato. Seria um absurdo!
De qualquer forma, Chehade foi uma escolha exclusivamente política. Simples assim! Só pra variar. Sem essa de achar que ser da cidade e conselheiro de clube é sinônimo de credencial esportiva.
Isso não quer dizer que o doutor não pode ser útil. Deve ter moral com o chefe e jogo de cintura suficiente para lidar com o poder. Além disso, pode agilizar parcerias na área da saúde.
Laís Elena Aranha, ícone do basquete feminino nacional como jogadora e técnica, foi premiada como adjunta. Se vai dar certo são outros quinhentos. Tenho enorme respeito pela história da Laís, mas não sei se vai falar grosso e se o seu olhar vai ter a amplitude que o Esporte merece.
Sabe como é... se a visão for tacanha, focada apenas no sucesso do basquete feminino de tanta tradição, a vaca vai pro brejo. Se a brasa for puxada só pra própria sardinha, danou-se. O Esporte vai continuar no fundo do poço.
E sem orçamento minimamente digno, aceitável, médico e esportista terão enormes dificuldades para cumprir metade do plano de governo divulgado pelo ex-goleador no Primeiro de Maio. Plano bem parecido com os vistos nos últimos 16 anos. Papel aceita tudo! É só checar!
Torço, sinceramente, para que ambos tenham sucesso. Porém, não acredito. Não basta o prefeito prometer. To pagando pra ver. A Prefeitura deve pra meio mundo. Competência, boa vontade e parcerias talvez não sejam suficientes.
Assim como outros equipamentos esportivos, as piscinas do Complexo Dell' Antonia estão desativadas e muitos atletas e técnicos de várias modalidades -- natação, handebol, xadrez.. -- ainda estão sem salário. Uma vergonha!
Orçamento do Esporte nas últimas gestões foi uma merreca. Dinheiro de pinga! Que novidade né? Mas a obrigação é do senhor Grana. O atual prefeito não honrou a palavra e, de forma irresponsável, vai deixar o abacaxi para o Paulinho.
Como, repito, a Prefeitura está atolada em dívidas, o Esporte vai depender de migalhas e abnegados. Esqueçam grandes obras de infraestrutura e conquistas no alto rendimento.
Se o setor, que um dia foi motivo de orgulho da população, anda em estado terminal há muito tempo, não será surpresa se empacotar de vez. Sem medalhas, sem eventos, sem escolinhas, sem professores, sem técnicos e talvez sem teto.
Pelo andar da carruagem, a tarefa está prestes a fugir das mãos de esportistas, médicos, parteiras, professores, políticos e outros quetais. Em breve estará nas mãos de um coveiro.
O desrespeitado esporte de Santo André não vai sentir um pingo de saudade de Aidan Ravin e Carlos Grana. A bola está com Paulinho Serra. E jogo não se ganha só no gogó.
O Esporte não reivindica prioridade; só clama para ser tratado com dignidade.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Um deserto, uma obra de arte
São Paulo, Santiago, Chile
Um avião, um aeroporto
Calama. Clima muito seco
Pick ups vermelhas
Mais uma hora de asfalto
Nada visto do alto
Energia eólica captada
Pedras sobre pedras
Um retão sem fim
Um mundo sem capim
Um morro sem jasmim
Um deserto só para mim
Eis que surge San Pedro
Um verde, enfim
Um pequeno oásis
Um belo jardim
Cidade pequena
Rio solitário
Terra batida, campo minado
Adobe no quintal
Uma casa impecável
Gente como a gente
Um francês nota 10
Uma doce atacamenha
Um queijo, um vinho
Um pão quente, um regalo
Croissant de dar água na boca
Uma saudade cortante
Uma deusa, uma foto
Uma lágrima, uma lembrança
Filhos, netos, sorrisos
Paixões infinitas
Sol é abundante
Chuva é raridade
Estrelas incontáveis
Lua cheia na janela
Beleza encantadora
Arrebata; tira o fôlego
Céu azul é redundância
Esculturas em abundância
Vale de la Luna
Uma obra de arte
Vale de la Muerte
Paisagem de marte
Vento cortante
Por do sol paralisante
Superlua empolgante
Vulcão de todos nós
Licancabur é infinito
É do povo de cima
Lascar é o pai de todos
Língua (cortada) de fogo
Altitude assusta
Mas não faz refugar
Vamos respeitar
E escalar sem medo
Antes, vamos aplaudir
Lagunas, gelo e dunas
Vulcões, cerros e salares
Gêiseres, termas e cavernas
Um quadro perfeito
Pintores sem pincéis
Formas e contrastes sem anéis
Olhar divino, sobrenatural
Sim, tem o dedo de Deus
Obra do sol e do vento
Sim, aquilo já foi mar
Impossível não chorar
Cores e magia
Contos e encantos
Em cada ponto
Em cada canto
Cume e cratera
Desafio e conquista
Horizonte a perder de vista
Abraços. Promessa cumprida
De repente, parei
Orei, agradeci e pensei
Tudo que vi antes...
Rabisco, mero rascunho
Ali, na aridez do Atacama,
Nos relevos lunares
Quintal de lhamas e flamingos
Natureza passada a limpo
Colírio para olhos
Beijo no coração
Afago na alma
Mundo inesquecível
Deserto! Oásis!
Pintura! Miragem!
Paraíso! Gratidão!!!
Obrigado senhor
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Vulcão Lascar, expedição 230-A
Com direito a deserto esculpido por deuses, montanhas altíssimas, vulcão ativo, lagunas "flutuantes", asfalto, ripio, vicunhas, lhamas, lobos, flamingos,geysers, águas termais, nevados, vinícolas, neve, caverna, estrelas, gelo, muito calor, muito frio, muito vento e muito vinho -- bom e barato..
Falar do céu sempre azul e da beleza inigualável do por do sol no deserto do Atacama é redundância. E a superlua cheia brotando ao lado do Vulcão Licancabur? Inesquecível!
Pra fechar com chave e susto de ouro, no domingo, dia 20, 18h, um terremoto de 6.4º na escala Richter, na Argentina. Portanto, aventura e emoção pra dar e vender.
Um dos pontos altos da viagem foi a ascensão do temido Vulcão Lascar, a 150km da pequena San Pedro de Atacama, nosso quartel-general e de onde sua fumarola pode ser vista, especialmente pela manhã.
Mais belo, mais próximo, onipresente, inativo, inofensivo e imponente, o Licancabur (5.950m), "vulcão do povo de cima" exige pelo menos dois dias de atividades intensas. Quem sabe na próxima!
Última erupção mais representativa do Lascar -- língua e fogo ou cortada no dialeto quéchua -- aconteceu em abril de 2006 e sua fumaça chegou ao Brasil. São 5.592m de altitude até o cume. A cratera fumegante, um pouco abaixo, tem 750m de diâmetro e 300m de profundidade.
Depois de quase cinco dias de adaptação ao clima e à altitude, com inúmeros passeios, cansativos mas fabulosos, chegamos ao ponto culminante na sexta-feira, dia 18 de novembro último.
Tudo pronto! Véspera sem exageros alimentares nem alcoólicos. Só chá de coca. Também sem excessos. Não precisa tanto. Cria dependência desnecessária para a maioria.
Roupas adequadas em três camadas sobrepostas, meias especiais, luvas, gorro, bota de trilha, bandana, óculos escuros, soro fisiológico, colírio, protetor solar e sticks pra auxiliar na dura caminhada com aclive bem acentuado. Tubinho de oxigênio ficou na mochila. Sem uso.
Com cara e coragem, companheirismo, bom preparo físico e psicológico, também levamos bastante água, castanhas, chocolates, gel e barrinha de cereais. Tudo sem muito peso na mochila. Consumimos pouco.
Saímos às 7h da manhã do Holiday House Atacama Soleil. Locação da casa do francês nota 10 Phillipe e da doce atacamenha Viviana foi um achado, impecável, inesquecível. Nosso muitíssimo obrigado a ambos.
Com apoio da tecnologia -- GPS, Google Maps, Wikiloc -- nossa Hilux 4x4 vermelha, alugada no aeroporto de Calama, encarou um verdadeiro rali.
Asfalto, terra e depois muito ripio; solavancos intermináveis em costelas até a bela Laguna Lejia, onde entramos à esquerda e atravessamos um trecho de deserto repleto de marcas de pneu.
Mas o mapa de estradas e trilhas foi preciso. Por isso, embora reconheçamos importância e profissionalismo, dispensamos guia e agências, com custos nem sempre ao alcance de todos.
Paramos no sopé do doce monstro, parceiro do Vulcão Águas Calientes (também chamado Simbad), que fica ao lado, é um pouco mais alto ( 5.924m) e gera confusões. Especialmente naquelas lindas fotos de divulgação tiradas ao lado da laguna.
Demos sorte. Céu claro, limpo, frio suportável, pouco vento e trilha bem marcada, em zig-zag. Sinceramente, não havia como errar. Guia não é imprescindível, se estivermos preparados e se o tempo ajudar.
Começamos a maratona às 9h. Inclinação assustadora. Terreno difícil. Arenoso e com pedriscos deslizantes. Passos não rendem. Os pés afundam. Por isso a importância dos bastões de caminhada.
Primeiros 30 minutos são cruciais. Não adianta forçar. Extremamente cansativos. Cheguei a pensar que estava indo para o inferno, não para a cratera. Como dizem que o inferno é pra baixo, continuei subindo. Coração de atleta (veterano) saltitante.
Segredo é subir ao passo, como ensinou nosso guia Amoroso, na travessia Salkantay/ Machu Picchu, Peru. Quase 5 mil metros, ar rarefeito. O bicho pegou! Optei por ditar o ritmo em 80 passos. Subi pra 100, voltei para 80, 60, 50 e cheguei nos 30 no final do primeiro terço do desafio.
Depois, mais adaptado, focado e sempre bem hidratado, optei pelo número mágico: 80 mini passos, descanso estratégico "para ver a linda paisagem", sem sentar, e um pouco de água a cada 15/20 minutos. Foi uma boa. Sobrevivi com certo louvor, sem dores nem temores.
Superados os malditos falsos cumes, segundo e terceiro terços foram engolidos sem tantos transtornos. Confiança, otimismo, nada de incômodos musculares insuperáveis e sem transtornos com a altitude, cada vez mais significativa.
Chegamos à cratera, e não ao inferno, em 2horas e 45min. Cheiro de enxofre não chegou a incomodar tanto. Uma visão extraordinária. Um paraíso repartido com outros dois grupos, com dois guias e mais seis corajosos .
Extenuadas mas recompensadas, Marilene e Angela ficaram na boca da cratera conversando com uma brasileira. Eu e o Milton conversamos, calculamos e encaramos o cume confiantes.
O guia do casal brasileiro falou em mais 50 minutos pra subir e uns 20 pra descer. Subimos em 33min e descemos em 10min. Sem medo, com sticks e pernas mais abertas. E sem freio. Caí de bunda numa pedra mas o Milton nem viu. Por isso não riu.
Mochilas leves nas costas, aceleramos um pouco na descida da cratera, mas não conseguimos alcançar as esposas, que "fugiram" enquanto estávamos no cume, onde gritei, agradeci a Deus e orei junto ao pequeno cruzeiro e uma mini-estação meteorológica -- pelo menos deduzi por causa dos fios.
Contando com a via de emergência -- aquela para caminhões em declives acentuados --, por nós apelidada de "caixa de brita", soltamos os freios. Por sorte, deu tudo certo. Os joelhos operados reclamaram um pouco, mas suportaram com louvor. Sem falar que já tive duas tromboses.
Um tombinho aqui outro ali é inevitável. Faz parte. Mesmo porque, cortamos caminho, agora optando pela trilha em linha reta. Porém, é preciso não querer descansar sentando. E também não se levantar rapidamente quando beijar o chão. Aí a pressão cai e a tontura é inevitável.
Uma hora depois, quando chegamos no carro, as duas já estavam acomodadas. Mesmo porque, eram mais de duas da tarde e o vento cortante agora começava a judiar. Ainda bem que não nos pegou na montanha.
Nariz escorrendo e certa dor de cabeça também compõem o pacote vulcânico por causa da descompressão. Descer muito rápido não é bom negócio. Nem sempre na descida todo santo ajuda.
Cansados, mas extremamente felizes pela conquista, pegamos a estrada de volta. Com a certeza de que o Lascar merece muito respeito mas não é nenhum bicho-de-sete-cabeças.
Um desafio, uma conquista, um abraço. Afinal, somos amigos da montanha.
A vitoriosa expedição 230-A acabava de atingir mais uma meta. Só pra lembrar: somos três aventureiros amadores e sonhadores com 61 anos de idade e um com 47. Na soma, dá 230.
E já estamos pensando na próxima. Assim meus cinco netos poderão ouvir e curtir mais causos e histórias vividas pelo vô babão. Quem sabe as lendas dos quase 7 mil metros do Aconcágua, o topo da América?
Só pra não passar batido: na semana seguinte ao Lascar chegamos bem pertinho de Confluência/ Acampamento Base do Aconcágua na visita ao parque argentino. Ficamos em Penitentes/Puente del Inca, nas barbas do terremoto de San Juan, com epicentro a mais de 100km de profundidade.
Sei que o Aconcágua é muito difícil. Desafio pra pelo menos 15 dias e gente experiente no ramo. Vou amadurecer a ideia. Afinal, nada é impossível enquanto temos a ousadia de sonhar e a coragem de tentar.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Grana dá outro calote no Esporte
Todo mundo sabe que a decepcionante administração Grana deve pra meio mundo. Alguns amigos e dependentes de cargos comissionados insistem em fingir que não, mas todos sabem que o pires está na mão.
Fornecedores, prestadores de serviços, funcionários concursados e tantos outros sentem na pele as consequências de quem se fantasiou de gestor público e se esqueceu de que a Prefeitura não é salão de bailes. Tampouco uma Sapucaí.
Vítimas de calote coletivo estão em todas as partes. E o cara ainda queria se reeleger. Chegou ao segundo turno. Pasmem! Por isso levou uma lavada. Uma derrota tão cantada quanto acachapante.
Não porque o jovem eleito Paulinho Serra seja o suprassumo da competência. Nada disso! Deve até discordar, mas ganhou por WO, por absoluta falta de adversário. O poste também levaria.
Então... durante a última semana a Secretaria de Esportes e Lazer anunciou aos mais de 20 supervisores de modalidades representativas da cidade que não pagará os salários de outubro e novembro.
É de cair o queixo! Fico indignado pelas vítimas. Sinto nojo! Papelão hein prefeito! Que merda! Que vergonha! Desprezo ao Esporte e débitos recorrentes vêm de muito tempo, mas agora é a pá-de-cal. Um tapa na cara do cidadão.
Caro senhor, tome um cálice de humildade --- por favor, não confunda a bebida -- e se coloque no lugar de supervisores, técnicos, fisiologistas, roupeiros, massagistas, médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos e atletas.
Prefeito, gente boa, a responsabilidade é sua. Que tal você olhar pra sua família e perguntar se ela se orgulha de tais atos? Faça isso, e se lembre dos dependentes destas pessoas que acreditaram na sua palavra.
Alguns vivem de empréstimos e favores pois já passam necessidade. Não têm como pagar o aluguel, a conta da água, a conta da luz. Tampouco a assistência médica dos filhos.
Senhor Grana, procure no antigo e bom dicionário, na Wikipédia ou no Google o que quer dizer caráter, vergonha, respeito, honradez. Sua atitude mesquinha não encontrará respaldo em nenhuma delas.
Obrigação é sua como autoridade maior, não do próximo prefeito, que, por sinal, andou prometendo mundos e fundos no plano de governo (utopia pura!) e não vai ter como cumprir. Fala muito! E o peixe morre pela boca.
Seja macho, prefeito! Seja decente! Já que não soube administrar e contou com o ovo no uc da galinha ao se imaginar contemplado com gordas verbas federais, tire do seu salário, venda seu carro, sua casa, e honre sua palavra.
Talvez seus amiguinhos políticos -- aqueles santinhos de pau oco que não sabem de nada e sempre tiveram parcerias transparentes com construtoras e empreiteiras -- tenham alguma sobra para os nossos atletas comprarem o almoço ou o pãozinho de amanhã.
Algum deputado ou senador -- independentemente de partido, já que quase todos são estrume de mesmo gado e/ou mamam na mesma teta -- há de ter uma sobrinha na piscina, no colchão ou em paraísos fiscais. Só que nossos representantes não aceitariam dinheiro sujo.
Seu Natal deve ser legal né prefeito? Será que a mesa dos nossos representantes -- aqueles que só são lembrados quando brilham e trazem medalhas -- será tão farta? Será que o Papai Noel será tão generoso com as crianças quanto você foi com pais de família que suaram, choraram e sangraram pela sua/nossa cidade?
Com certeza, caro senhor, não haverá fartura. Nem presentes. Graças à sua incompetência como gestor, à sua negligência na escolha do seu secretariado, ao seu desrespeito com um Esporte de tantas glórias.
Bons tempos! Pirelli, SESI e cia... Hoje a realidade econômico-financeira do País é outra. Naquela época, além de campeões de tudo, nossos atletas eram reconhecidos e respeitados mundialmente, o mês tinha 30/31 dias e eles pagavam seus credores.
Naquele tempo, cara, os homens honravam a palavra dada.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Desafios e mancadas na Corrida dos Eucaliptos
Realizado dentro de uma bela reserva de eucaliptos, o evento organizado pela ZBR Clama Sport tem tudo para ser brilhante, atraente. Mesmo porque, também movimenta a economia da pequena cidade, que recebe cerca de dois mil visitantes.
Intuito do nosso texto é avaliar com isenção; não é execrar. Para merecer elogios, no entanto, precisa minimizar algumas mancadas.
Beleza dos eucaliptos, da natureza em si, é indiscutível. Embora, durante a corrida, não dê muito pra ficar sentindo aromas perfumados. Todos só querem andar, correr e chegar.
Percursos com ascendentes e descendentes significativas também é bem interessante. Não é pra qualquer iniciante, juvenil. Bem difícil. Prato cheio especialmente pra quem já está saturado de corridas urbanas, em ruas asfaltadas.
Lógico que há flagrantes variações de logística e objetivos quando o assunto é rural. Estrutura é bem diferenciada. Porém, organização aceitável é o mínimo que o corredor pode e deve exigir. Mesmo porque, paga caro.
Não basta, nós, corredores na maioria amadores, fazermos aquela festa, tradicional e contagiante. Alegria, adrenalina nas alturas, otimismo e orgulho por concluir o desafio e receber a bonita medalha; tudo são componentes indissociáveis do atleta.
Por falar em medalha, a gravação nela aponta 7km, 14km e 21km, em vez de 20km, conforme anúncio em site dos promotores. Será que os deslizes começaram com medição conflitante do percurso? Não sei não se aquelas plaquinhas brancas, escritas em vermelho, marcavam 20 ou 21km. A conferir.
Existem outros, mas problemas mais graves na Corrida dos Eucaliptos começam pela falta de opções decentes para estacionamento. Um caos! É carro pra todo lado. No acostamento do asfalto e em qualquer estradinha estreita, de terra.
Nosso veículo, por exemplo, ficou a mais de um quilômetro do local de largada. Isso porque chegamos com mais de uma hora de antecedência hein!
Para chegar à largada você tem a sensação (deduzo) de ser um daqueles bois entrando no antigo corredor dos matadouros. Como em São José do Rio Pardo e São Sebastião da Grama.
Após desistir de utilizar um dos poucos banheiros químicos devido às longas filas, o "herói" dos eucaliptos entra na muvuca. Aos trancos, vai ganhando espaço. "Com licença. Com licença. Obrigado!"
Um caminho bem apertado, com barracas de equipes e organização (?) tomando metade da largura. Muitos atletas, como eu, Zé Luiz e Manoel, caminhavam sobre o barranco e faziam necessidades primárias ali mesmo, entre árvores de pequeno porte. Sei não se aqueles eucaliptos vão vingar!
Em espaço ainda reduzido, largada sugeria estouro de uma boiada, o que é normal em muitas corridas. Sempre existem os apressadinhos. Que nem sempre chegam ao final.
Só que a 50m você já entra à direita e sobe por uma espécie de picada, com terra fofa e tocos de eucaliptos recém-cortados. Com certeza muita gente beijou o chão. Brincadeira de mau gosto, convenhamos!
Outro pecado da organização foi não dar as caras durante os percursos de 7km, 14km ( o nosso) e 20km. Presença apenas nos três postos de hidratação, feita apenas por meio de galões de água, conforme avisado com antecedência. Imagina ficar distribuindo copinho? E o meio ambiente?
Como não havia ninguém monitorando com veículo, nem mesmo moto ou bike, e a ambulância estava estacionada lá antes da largada, o que seria feito se alguém passasse mal ou um levasse um simples tombo e precisasse de socorro com urgência?
Também não existia com clareza qualquer marcação como referência de quilometragem percorrida ou restante. Muitos, como eu, gostam. Apenas pequenas setas a indicar cada rota. Mesmo assim teve gente que se perdeu no percurso dos 20km, foi parar no asfalto e correu dois quilômetros a mais.
Pessoal dos 7km também andou chiando. Ouvi várias meninas e senhoras reclamando que percurso tinha pelo menos dois ou três quilômetros de "bônus". Nove ou 10? Isso é organização?
Mulherada ainda reclamou do preço do kit. "Onde já se viu o kit básico custar em média R$ 100 e não incluir nem uma camisetinha?". Meu kit era completo, com squeeze, adesivo e uma camiseta sem restrições. Paguei R$ 60 porque já sou sessentão. Mas concordo com a moça de Ribeirão Pires.
Também concordo com a opinião de várias pessoas que lamentaram muito a existência de uma árvore de grande porte caída no meio da trilha, no final, coincidente, dos três percursos. Erro primário!
Trilha na mata foi até bem maneira, legal mesmo. Uma surpresa agradável! Mas sem essa de obstáculo natural. Faltou checagem/fiscalização antecipada e retirada da árvore -- não caiu naquele dia não -- ou alteração do percurso.
Pior mesmo é que ali se encontraram os corredores das três opções de percurso. Imagine afunilar e provocar um congestionamento de mais de 100 atletas. Tenho a foto. Festiva, porém chocante.
Ficamos ali parados por mais de 15/20 minutos porque nem todos conseguiam transpor o tronco sem dificuldades. E o tempo correndo. Lamentável senhores organizadores! Poderia ser evitado. Fica a sugestão.
Sinceramente, a alternativa pra quem gosta de correr na natureza é tentadora, tanto que foram cerca de dois mil malucos, a maioria suada mas com sorriso no rosto, mas assim não dá pra voltar não.
Estava até propenso a correr 13km, sem subidas e descidas, na Guaranis Race, lá na aldeia, em Boraceia, em 2017, mas vou relaxar e repensar.
Quer saber? Talvez seja melhor fazer um aquatrekking (?) no riacho límpido, lá no fundo do condomínio Morada da Praia, e depois tomar caipirinha de lichia. Só não sei se na casa do Zé Luiz ou do Manoel.
Em tempo: completamos sim os 14km. Cansados, doloridos e realizados. Nem por isso com o senso crítico abalado. Que a ZBR Clama fique ligada e tenha humildade para reconhecer erros e crescer.
Oficialmente, entre os 24 sessentões que correram os 14km, fiquei em 15º. No geral dos 14km, fui o 290º entre 350. Tempo líquido oficial foi de 2h09min33seg. Meu tempo real, que, por justiça, deveria ser o considerado pela cronometragem, seria pelo 15 minutos a menos.
Mas tudo bem. Afinal, havia uma árvore no meio do caminho. No meio do caminho havia uma árvore. Pois é, Drumond, sua famosa pedra, aquela da poesia, seria café pequeno.