Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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quarta-feira, 10 de maio de 2023

A BELA SERRA DO PAPAGAIO


"Guerreiros" na Pedra do Rei Leão


LAR, DOCE LAR, À LUZ DO LUAR...RSRS


MAIS UM DESAFIO SUPERADO. A TRAVESSIA DA SERRA DO PAPAGAIO, MAIS CONHECIDA COMO BAEPENDI X AIURUOCA, NO  LINDO MAR DE MONTANHAS DO SUL DE MINAS.

TÃO PESADA QUANTO BELA. TÃO BELA QUANTO PESADA.  MAS SEMPRE VALE  A PENA. AFINAL, NOSSA ALMA MONTANHISTA JAMAIS SERÁ PEQUENA.

FORAM QUASE 50KM DE UM SOBE-E-DESCE SEM FIM.  TRÊS DIAS  ABERTOS, SEM CHUVA, SEM FRIO CONGELANTE, SEM CALOR ESCALDANTE.  POUCAS NUVENS E TEMPERATURA ENTRE 8° E 24°. GANHO DE ELEVAÇÃO SUPERIOR A 2.4 MIL METROS. HAJA SUBIDA.  HAJA FORÇA. HAJA DETERMINAÇÃO. HAJA, POR QUE NAO, RESILIÊNCIA.


RADDÃO NO MORRO DA CRUZ



ERA  UMA VEZ UMA CASINHA AMARELA (RANCHO SALVADOR), 1° ACAMPAMENTO, BEM PERTO DO PICO  DO CHORÃO




Cachoeira do Juju vista de frente












NO ALTO DA CACHOEIRA DO JUJU








TEM PREÇO?

PERDA DE ELEVAÇÃO  TOTAL  TAMBÉM CHEGOU BEM PERTO DE 2.4 MIL METROS. DESCIDAS ÍNGREMES, TRAIÇOEIRAS, PERIGOSAS. MUITOS PEDRISCOS, VERDADEIRAS ARAPUCAS. UM SENHOR TESTE PARA JOELHOS, TORNOZELOS E COLUNA LOMBAR.

MODÉSTIA À PARTE,  RADDÃO E FLÁVIO, COMPANHEIROS DE VIAGEM, MANDARAM BEM. VENCEMOS MAIS UMA. COM LOUVOR. AFINAL, TUDO ISSO  COM 11/12KG NA MOCHILA CARGUEIRA, NÃO É PRA QUALQUER MOLEQUE METIDO A BESTA, AQUELE CHESTER EMPINADINHO,  MAROMBEIRO DE ACADEMIA.  A MAIORIA NÃO AGUENTA O TRANCO (RSRS). POR SORTE, SOBRA ÁGUA POTÁVEL NA SERRA E REPOSIÇÃO É CONSTANTE.  ISSO SIGNIFICA 2/3KG A MENOS NAS COSTAS. AINDA BEM,  POIS TUDO SE POTENCIALIZA A 2MIL DE ALTITUDE MÉDIA.

O ASTRO   SOL ILUMINA A IMENSIDÃO A PERDER DE VISTA DESDE CEDO.  ATÉ SE POR ÀS ESCONDIDAS, NO VALE OU NA COLINA. NO MORRO DO CHAPÉU, NA CRUZ  -- 2 MIL METROS -- OU NO RANCHO SALVADOR,   À BEIRA DO RIACHO DE ÁGUAS   TÃO LÍMPIDAS QUANTO ACELERADAS E GELADAS. TOMAR BANHO ALI  FOI FODA.



O  INCANSÁVEL NADADOR CORLEONE 


NO RETIRO DOS PEDROS, ACAMPAMENTO DO SEGUNDO DIA, A NOITE VIRA DIA DE TÃO ESTRELADA.  A LUA CRESCENTE VIRA QUASE CHEIA E APARECE DE SURPRESA. UAU!!!  

A BELEZA DA VEGETAÇÃO DE CAMPOS DE ALTITUDE TRANSCENDE.  NÃO FALTAM BAMBUZINHOS E CAPIM ELEFANTE. A  DENSA  E SILENTE FLORESTA NATIVA DÁ SOMBRA E ACALENTA. TAMBÉM ESCONDE RAÍZES E TOUCEIRAS TRAIÇOEIRAS.  AS ARAUCÁRIAS DESPENCAM OS PRIMEIROS PINHÕES DA TEMPORADA. 

NEM MESMO  O RASTRO E O COCÔ  DA ONÇA PARDA/SUÇUARANA  NOS PROVOCAM SOBRESSALTOS. OU SERÁ QUE O VITOR NUNES, NOSSO AMIGO-GUIA, FICOU DE ORELHA EM PÉ?  

A ÁGUA ACALMA. A IMPONÊNCIA DAS  INÚMERAS CACHOEIRAS FAZ RESPIRAR FUNDO;   EXIGE CUIDADOS REDOBRADOS E PROVOCA CERTO RECEIO NA FORÇA  DA CORRENTEZA DO CHARCO,  TRAZ   BRILHO NO OLHAR E SUGERE MAIS FOTOS  NA TRAVESSIA  DA LINDA QUEDA DO  JUJU. PROVOCA ESTUPEFAÇÃO NA ESTONTEANTE CACHOEIRA DOS GARCIA,  JÁ NA TARDINHA DO ÚLTIMO DIA.



PICO DO PAPAGAIO À DISTÂNCIA


FLAVIO NO ALTO DO PAPAGAIO. MATUTU AO FUNDO


PREFIRO  NOMEÁ-LA COMO TRAVESSIA  DA SERRA  DO PAPAGAIO...É MAIS FORTE E MAIS SIMPLES DO QUE  BAEPENDI X AIURUOCA, MUNICÍPIOS  DE INÍCIO E FIM DA AVENTURA. MESMO PORQUE, A CEREJA DO BOLO É O PICO DO  PAPAGAIO -- 2.1 MIL METROS DE ALTITUDE  --, QUE DÁ NOME AO PARQUE  ESTADUAL E NOS ACOLHEU COM CARINHO EXATAMENTE ÀS 11H DA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA.

TANTO PRO FLÁVIO QUANTO PRA ESTE CAIPIRA QUE VOS ESCREVE O SEGUNDO DIA FOI O MAIS PENOSO.  AFINAL, FORAM 10HORAS E 20 MINUTOS PARA VENCER PERTO DE 20KM  E MAIS DE 1.200M DE ELEVAÇÃO ACUMULADA.  SUPERAR O SUBIDÃO DENTRO DA FLORESTA APÓS O TOTEM DA COMUNIDADE SANTO DAIME   -- 2.2 MIL METROS DE ALT1TUDE  -- E CHEGAR AO RETIRO -- 2.1MIL -- FOI BEM DIFICIL. DEPOIS, SÓ MONTAR A BARRACA, BATER UM MACARRÃO COM ATUM, VER A NOITE CAIR E DESMAIAR  DENTRO DO SACO DE DORMIR.


CACHOEIRA DO ESCORREGA/TOBOGÃ

CACHOEIRA DO CHARCO, ONDE ATRAVESSAMOS O RIO


PRA MIM, O TERCEIRO DIA FOI O MENOS DIFÍCIL. DOS PEDROS ATÉ O  ACONCHEGANTE HOSTEL CASAL GARCIA FORAM CERCA DE 16KM, PASSANDO  PELA PEDRA QUADRADA, SANTUÁRIO/TAMANDUÁ E PICO DO PAPAGAIO.  SUPERAMOS ACLIVES  TOTALIZADOS DE MAIS OU MENOS 400M EM 6 HORAS E 45 MINUTOS. PENA NÃO TERMOS SUBIDO  ATÉ  O PICO DO BANDEIRA CEDINHO PRA VER O NASCER DO SOL. DARIA TEMPO.

JÁ PARA O PARCEIRO FLÁVIO, COM PREPARO  FÍSICO INVEJÁVEL, SANGUE NOS OLHOS E FACA NOS DENTES, O CASTIGO FOI MENOR NO PRIMEIRO DIA,  APESAR DE SUBIRMOS MAIS DE 800M. FOI PANK VIU! GEMI NO MORRÃO DA  FAMOSA  SERRA DA CARETA! FORAM  5H20MIN PRA CUMPRIR 12KM  DO BAIRRO DA VARGEM DO LAJE (BAEPENDI), ONDE A TR4 NOS DEIXOU, ATÉ O RANCHO DO SALVADOR.


OLHA ISSO!


COMO INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR, A LOGÍSTICA DA AVENTURA NÃO É FACIL NÃO. FORAM 410KM  DE ASFALTO DE SANTO ANDRE ATÉ AIURUOCA, PASSANDO POR ENGENHEIRO PASSOS PRA PEGAR O VITOR, E MAIS UNS 14KM DE ESTRADA DE TERRA  HORRÍVEL  -- PRA VARIAR, PODER PÚBLICO RECEBE IMPOSTOS MAS É OMISSO  --  ATÉ O MUITO BOM HOSTEL E RESTAURANTE  CASAL  GARCIA, ONDE NOS HOSPEDAMOS NA SEGUNDA- FEIRA À NOITE. NO DIA SEGUINTE, EM 2H10MIN, O JUNINHO, PROPRIETÁRIO DO  HOSTEL, NOS LEVOU DE PAJERO   -- ESSA TOPA TUDO -- ATÉ A VARGEM. CERCA DE 50KM DE ESTRADA DE TERRA  DE RAZOÁVEL PRA RUIM E 30KM DE ASFALTO, PASSANDO DENTRO DE BAEPENDI.


JUNINHO E VITOR NO PICO DAS PRATELEIRAS (PN ITATIAIA)


TRAVESSIA  DE SERRAS É COISA DE LOUCO? PARA NÓS, NÃO! VALEU A PENA O SACRIFÍCIO?    SIM! SEMPRE VALE A PENA QUANDO A ALMA NÃO É PEQUENA.

PRÓXIMA LOUCURA? QUEM  SABE SETE DIAS NO ICÔNICO E  ENIGMÁTICO MONTE RORAIMA AINDA EM 2023? NÃO CUSTA NADA SONHAR.

TUDO COMEÇOU AQUI NA VARGEM 



LÁ NO ALTO,  CÉU AZUL E A ETERNA PROTEÇÃO DIVINA


A CEREJA DO BOLO; PICO DO PAPAGAIO AO FUNDO, ENTRE NUVENS.




E TERMINOU AQUI, NA LINDA CACHOEIRA DOS GARCIA




sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

PELÉ, UM DRIBLE IMPOSSÍVEL, UM GOL IMPOSSÍVEL.....



   


Precisa de legenda?


Quando o gênio das pernas tortas morreu, dia 20 de janeiro de 83, com apenas 49 anos,  a  minha manchete da página de Esportes do DGABC foi:  GARRINCHA,  UM DRIBLE IMPOSSÍVEL.

Agora, com a morte de Pelé, o título do blogdoraddi não poderia ser outro. Porém, ampliado. Afinal, se os dribles  desconcertantes e os cruzamentos certeiros eram a marca registrada do ponta Mané, a alegria do povo, o que dizer das  inúmeras virtudes futebolísticas do Rei? 

Resposta tão ampla quanto os latifúndios criados por ambos, transformando vielas em avenidas, rios em oceanos. Seriam os dribles verticais sempre  voltados pra o gol?  Ou os gols (1283) propriamente ditos? Uma enciclopédia Barsa só com fotos de  gols bonitos.

Ou seria o chute mortal, forte ou colocado? Reto ou de efeito,  em curva? Pé direito ou esquerdo? De falta ou de pênalti? Dúvidas cruéis.

Talvez a cabeçada indefensável. Os mais velhos, como eu, hão de se lembrar da impulsão descomunal de Pelé no primeiro gol do Brasil contra a Itália na final da Copa de 70 (4×1).

Também se lembrarão do cruzamento de Jairzinho para o negão subir e cabecear pro chão. Mas lá estava o lendário goleiro Gordon Banks, da Inglaterra, pra fazer uma das mais belas defesas de todas as copas do Mundo.

Ah, só pra lembrar: pra mim, a melhor Seleção Brasileira de todos os tempos foi a de 70. Como não seria, com Pelé, Rivellino, Tostão, Gérson e Jairzinho lado a lado? Com gols, assistências, liderança e jogadas inesquecíveis, o Rei    fez sua  melhor Copa.  Ainda menino, brilhou em 58, na Suécia. Em 62, no Chile, se machucou logo no início e o protagonista do bi foi  um fênomeno chamado Garrincha. Em 66,  um fiasco generalizado, com o Brasil eliminado na primeira fase. Por isso  sua majestade voltou em 70, no México.


 PELESISTA, SIM SENHOR!


Outras confissões  particulares: o melhor time brasileiro que eu vi desfilar foi o Santos daquele lindo manto branco,  imaculado,  que povoava meus sonhos e delírios infantis.

Sim, como aqui  já escrevi, eu era santista (ou pelesista?). Como não seria?  Um timaço. Uma máquina  de fazer gols (Zito,  Mengálvio, Dorval,  Coutinho, Pelé e Pepe, o canhão da Vila). Um trator que atropelava potências  mundiais  como Real Madri, Milan, Benfica...

Ops!!! Voltemos ao extra-terrestre, eterno hor concour. No Pacaembu, no Maracanã ou em qualquer estádio do mundo.  Seria a inteligência? A criatividade? A visão privilegiada? O reflexo meteórico? A velocidade? O arranque? A força física excepcional? A malandragem até pra cavar um pênalti?  A liderança  sem muitas palavras? O companheirismo? Talvez a  humildade e a simplicidade também tenham ajudado tanto no sucesso infinito.

O crioulo ( assim o chamavam os amigos mais próximos e isso jamais gerou mi-mi-mi como hoje em dia) nunca foi santo. Era caçado no Paulistão, na Libertadores e na Copa do Mundo (62 e 66), mas não tinha medo de cara feia.

Em 70 Pelé levou pisão de um uruguaio naquela semifinal (3x1) histórica por conta do drible fantástico sobre Mazurkiewicz que só não culminou em gol por obra do destino. Ou porque  papai do céu se distraiu  por um segundo e o pincel caiu. Só pode ser!  Nosso eterno camisa 10 descontou o pisão maldoso  em outro adversário. Cotovelada descarada foi digna de expulsão, mas, acredite,  o juizão deu falta a favor do Brasil.

Sem omitir  ainda que Ele,   como dizia o narrador  Walter Abraão, da  TV Tupi,  quebrou a perna de um lateral-esquerdo alemão  num amistoso em 65. Também praticamente inutilizou para o futebol  o zagueiro Procópio, do Cruzeiro. Bateu,  levou! Sem pipocar. Nos olhos, o tempero da maldade.


Caramba,  ainda não consegui explicar o título lá acima. São tantas as qualidades que outros craques ficariam anos luz atrás da estrela mais reluzente. 

Com todo respeito aos  tops que vi jogar ao vivo ou pela TV, mas não tem pra ninguém. Maradona, Puskás,  Di Stéfano,  Eusébio,  Rivellino, Messi, Ronaldo, Mbappé, Zidane, Platini, Falcão, Reinaldo   Ronaldinho, Romário, Neymar, Tostão,   Dirceu Lopes, Ademir da Guia,    Zico,  Cristiano Ronaldo, Cruyff, Bekenbauer, Pedro Rocha...

Desconfio que Deus juntou um pouco de cada um deles e fez essa obra prima. Todos têm  muitas virtudes, mas nenhum deles chega aos pés de Pelé. Talvez  no máximo  a 60% de quem foi perfeito em campo e nem tanto fora dele. Seria pedir demais. A fera ganhou tudo!


PELÉ, O PRIMEIRO GOL; EU, O ÚLTIMO (RSRS)


Com apenas 15 anos de idade, o menino Pelé substituiu o ídolo Dell Vecchio e fez o sexto gol do Santos na goleada de 7 a 1 sobre o  Corintians de Santo André, aqui pertinho de casa. Amistoso aconteceu a 7 de setembro do longinquo 1956.

Pois é... não é que temos algo em comum? A 20 de outubro de  1987, na decisão do campeonato interno do Corintinha,  também no gol dos fundos, uma "obra de arte" do artilheiro da competição. Sem correr, sem driblar, talvez  até meio sem querer, perto da meia lua da área, o centroavante  trombador ( sempre fui zagueiro-central) soltou um canudo de pé direito, quase no ângulo esquerdo. Goleirão, gordo, fora de forma, nem se mexeu. Vitória de 1  a 0 nos deu o título.

Até aí, nada demais. Só festa, cerveja e conversa fiada.  Detalhe  é que no dia seguinte, infelizmente, as máquinas destruíram o campão do histórico  gol de Pelé, hoje espaço destinado a  vários gramados de futebol soçaite. Aluguel  serve apenas para  saldar dívidas e dar sobrevida a quem respira por aparelhos há muito tempo.

Portanto,  nas mesmas traves em que aos 15 anos Pelé apareceu para o mundo da bola esse caipira de 32, à época,  teve a honra do último gol.  (rsrs)






Por falar nisso, ainda na década de 80,  mais precisamente em 82,   participei, no Rio  de Janeiro,      da entrevista coletiva que lançava Pelé como garoto propaganda do Unibanco em  ano de Copa. "É hora de todo brasileiro vestir a mesma camisa".

Meu primeiro vôo de avião (Varig ou Vasp?). Meu primeiro hotel de luxo ( Copacabana,  Nacional ou Meridien?).   Não me lembro. Meu primeiro medo de enchente na cidade grande.  Choveu a cântaros! Meu primeiro jantar  granfino( Iate ou Marina da Glória?) sem ao menos saber escolher a ordem e usar talheres de prata. Quanto ao vinho, caro, óbvio,    nada a reclamar. Eu não entendia nada mesmo.  Só tomava Belotto  ou Sangue de Boi com meu saudoso pai.

Pra ligar o fato do dia com o Grande ABC,  minha pergunta, possivelmente  emocionado,  não poderia ser outra:" Olá, Pelé, boa noite. Por favor,   você pode nos contar como foi seu primeiro gol com  a camisa do Santos, no amistoso contra o Coríntians de Santo André?". 

Educada e humildemente, olhando pra mim, o Rei sorriu e respondeu sem pressa: " Eu tinha apenas 15 anos. Estava na reserva. Entrei no segundo tempo, no lugar do Dell Vecchio, e logo em seguida fiz o sexto gol..." -- detalhou por uns  cinco minutos diante de mais de 50 jornalistas dos cinco continentes.




Ganhei o dia! Diante de tanta gente e tanta pompa, uma única pergunta. Pro menino assustado  de Rio Pardo, um gol de placa. Inesquecível! Um gol de  Pelé!


RIVELLINO, ADEMIR DA GUIA...


Ao vivo,   vi o mágico contra o  Corintians  dos meus ídolos Rivellino e Zé Maria, contra Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia,  o Sao Paulo de Gerson e Pedro Rocha,  a Portuguesa de Ivair,   o  Grêmio de Ancheta e Alcindo, o  Flamengo de Dida, o Botafogo de Didi e Garrincha... 

Com a amarelinha da  Seleção Brasileira, in loco, no Morumbi, vi Pelé  apenas contra a Áustria.

Pela TV, um sem-número de vezes. Muitas delas, na década de 60,    no vizinho sapateiro ( seu Waldemar), já  que lá em casa a telinha demorou pra chegar. Sentada no chão,  a molecada delirava com as diabruras de Garrincha e os gols de Pelé. Alemanha e a então União Soviética eram nossas vítimas prediletas. Na camisa dos russos as letras garrafais CCCP. Para nós Cuidado Com o Crioulo Pelé.

Boa parte por causa de Pelé, quero sempre ganhar, mas  sei perder. Aprendi a escrever, a jogar, a lutar,  a viver e a agradecer tendo o esporte como cartilha. E, sem saber, um rei, igualmente formado em Educação Física,  como professor. Daí para o jornalismo esportivo foi um pulinho. Fruto de  muita leitura. Estadão no seu Osvaldo, professor de Português, Gazeta Esportiva na barbearia do Roberto e Revista do Esporte e Placar em casa.

Feliz de quem viu Pelé jogar. Pena que meus herdeiros não tiveram tal privilégio. Se bem que cheguei  a "cantar" um jogo fictício em que meu filho Felipe "assistia" no  encantado Pacaembu à genialidade de um semideus. "Eu vi Pelé jogar (Pipe)" --  foi o título da página de Esportes do DGABC. Ou foi  do Confidencial?  (rsrs)

Feliz de quem viu Pelé transformar o futebol em arte.  Feliz de quem ficou embasbacado, paralisado, com suas obras esculturais. Feliz de quem viu a magia de  Pelé parar uma guerra. Feliz de quem viu um camisa 10, nota 10.

Gratidão eterna! Deus salve o Rei! Pelé é imortal! Quem nos deixou foi o Edson.


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

ÉDER JOFRE, O ÚLTIMO NOCAUTE

 

Ao lado de Mohamad Ali, no cinturão do hall da fama

Mais um ídolo se foi.  Éder Jofre, a lenda. O Galo de Ouro, um dos 10 maiores pugilistas  mundiais de todos os tempos, e dono de jabs perfeitos e diretos, uppers e cruzados demolidores,   foi nocauteado pela pneumonia, por complicações renais e pela demência pugilística,   a maldita encefalopatia traumática crônica. 


Não contive as lágrimas. Éder foi o Pelé do boxe. Aos 86 anos, foi-se mais um ícone do esporte,  contemporâneo  também dos dribles  desconcertantes de Garrincha, dos saltos voadores    do triplista Ademar Ferreira da Silva e dos backhands inesquecíveis da  tenista Maria Ester Bueno.


Um direto de esquerda demolidor

-- Bom dia, dona Marta. Tudo bem? A senhora sabe que não gosto muito de estudar, de ler essas coisas difíceis -- Machado de Assis, José  de Alencar, Jorge Amado, Euclides da Cunha e cia. Meu negócio é jogar bola descalço e bater figurinha  com a molecada da avenida. Inclusive com o Badyzinho,  seu filho. Boa gente, mas  um perna-de-pau de mão cheia  (Rsrs).  Então...mas eu queria ler o livro Galo de Ouro,    sobre a vida do Éder Jofre. Tem aqui na biblioteca da escola?


-- Menino, menino...aqui  no Euclides ( Gymnasio Estadual) tem de tudo. Até nosso campeão. Espera aí. Está ali no alto. Como sou baixinha, preciso da escada...Pronto,  divirta-se. Sem fazer orelha no livro, hein! Sente-se ali perto da janela. Tem mais claridade e o  apoio de madeira para o livro ficar inclinado na mesa ainda não  quebrou. Ainda...porque vocês adolescentes são levados demais, viu? Ah,  sem conversar alto! Sou meio surda, mas os outros ouvem até demais.

Salvo qualquer engano da minha parte, estávamos em 1969. Eu tinha 14 anos e cursava a 4a série ginasial na saudosa São José do Rio Pardo. Foi minha primeira leitura por iniciativa própria. E olha no que deu; virei jornalista e adoro ler de tudo. 


Devorei o livro romantizado sobre uma máquina de  aplicar um arsenal de  golpes.  Os jabs rápidos pareciam diretos. Os ganchos  de esquerda eram fatais.  Direita, esquerda, direita...e o machado batia pra valer. Um pequeno gigante, forte como um touro. Um lenhador de 60kg exímio também na arte de bailar. O ringue virava palco... bater, sair,  se esquivar, voltar, encaixar as mãos pesadas no baço,  no fígado ou na ponta do queixo e nocautear. 


A  essência da nobre arte. Um boxe que,  de tão técnico e bonito, parecia fazer passar despercebida uma violência escamoteada, mas duramente perpetrada a cada golpe, a cada gota de sangue. Especialmente na cabeça. Por isso fez tantas vítimas.


Nem levei o livro de Henrique Mateucci  editado em 1962 pra casa. Pra quê? Ia atrapalhar meu futebol, meus peões, minhas pipas,  bolinhas de vidro e até meu estilingue. Não ia dar certo. Até porque, minha mãe, dona Jandyra, costureira de mão cheia, não ia acreditar. A agulha ia espetar seus dedos calejados, vez por outra sem a proteção  providencial do dedal.


Assim,  se intensificou minha idolatria pelo gênio Eder Jofre, filho de uma família de pugilistas mas que queria mesmo era ser desenhista ou jogador de futebol. Eu,  já um corintiano  meio enrustido -- ou seria um santista fanático  apenas por Pelé? -- endeusando um são-paulino de quatro costados. Não sei!  Dúvidas de adolescente. Portanto,  perdoáveis.


Pois é...hoje o caipira-raiz quase setentão está aqui, com  lágrimas nos olhos, tentando entender por que nossos  ídolos não são eternos. Ademar,  Maria  Esther, Garrincha, Ayrton Senna,  Éder  e um dia Pelé,   Rivellino,  Wlamir Marques, Oscar...


Vítima  de golpes  sequenciais no crânio -- mais uma,  como o insuperável Mohamad Ali e o nosso folclórico campeão Maguila -- Eder Jofre estava internado com pneumonia, mas já carregava a demência progressiva há alguns anos.


MEDELL, SANCHES, HARADA,  LEGRÁ  E ATÉ NELSON GONÇALVES

Não é à toa que o nosso " imortal" Galinho de Ouro tricampeão mundial está no Hall da Fama  do Boxe e é considerado um dos 10 maiores da história. O cartel de Eder Jofre é fantástico. Em 12 anos de carreira, com um hiato de três anos após nova derrota no Japão, em 81 lutas,   o  nosso punho de aço teve 50 vitórias por nocaute.  Os mexicanos Joe Medell e Eloy Sanches sentiram sua força e terminaram na lona, assim como o irlandês John  Cadwell, em 1962,  na unificação dos títulos europeu e mundial  pelo Conselho Mundial de Boxe. 


 Foram  25  vitórias por pontos,  quatro empates e apenas duas derrotas. Acreditem, só duas,  ambas do outro lado do mundo, quando colocou o cinturão em jogo  diante do japonês Masahico Fighting Harada. Lembro-me da primeira, em Nagoia,   dia 18 de maio de 1965.


Em 15 rounds,  o nosso Eder bateu muito e apanhou pouco, mas, em decisão dividida  os jurados  deram vitória ao nipônico. Eder morreu  contestando o resultado. 

Naquela manhã, o Brasil parou para ouvir a voz emocionante do rádio. Parou, reclamou e chorou. Eu também. A 20 dias de completar 10 anos, este, então menino, de calças curtas, ouviu tudo pelo radinho de pilha  -- se não me engano   rádio Bandeirantes     na voz de Flavio Araújo -- sentado num banquinho de palha, ao lado seu Valdemar Sernaglia, o vizinho sapateiro, palmeirense doente, juiz de futebol e ocasionalmente técnico do meu Benjamin FC nos finais de semana -- quando não saía corrido dos campos de várzea e chegava de carona com o "Corintinha", fusca preto e branco da Polícia  (rsrs).


Outra lembrança do vizinho sapateiro: foi ele quem fez, à mão,  minha primeira chuteira. Couro puro. Inclusive os seis cravos; quatro na frente e dois no calcanhar. Foi quando este velho zagueiro aprendeu a bater, a chegar junto nos atacantes.


 Chuteirinha estreou num treino dominical com Roque Gervásio, na Associação Atlética Riopardense. Saí da reserva e entrei no meio-campo.  E não é que fiz um gol de fora da área? Um frangasso do  Nino  no gol das piscinas. Deficiente físico, ele deu dois pulinhos antes de saltar  atrasado. Dá pra esquecer?

 

Voltemos à narração. A cada direto de Eder, o locutor ia à loucura e previa mais um nocaute.  Mas Harada abusava dos clinches, se agarrava para parar a luta. Nós  vibrávamos,  gritávamos. Por parte dele, sairam muitos palavrões quando se anunciou a vitória de Harada.  Foi quando atravessei a rua e entrei em casa chorando. Uma manhã triste pra mim e para o povo brasileiro. Só não foi pior porque os marimbondos não desceram quando bati a enorme e velha porta da rua.

 

A revanche veio um ano depois, em Toquio,  e Harada voltou a vencer por pontos,  agora em decisão unânime  jamais confrontada. Acostumado a vencer, Éder resolveu descansar por três anos, quando fez até lutas-exibições em circos.  Numa dessas apresentações, em 1967,  no Ibirapuera,   enfrentou o inesquecível cantor Nelson Gonçalves -- ..."naquela mesa tá faltando ele, e a saudade dele tá doendo em mim"  -- seu amigo, que chegou a ser  boxeador,  mas desistiu por causa das drogas.


Em vez de  soltar aquele vozeirão, Nersão cansou de apanhar. Porém, a luta terminou sem vencedor declarado, com o cantor, abraçado ao amigo,  declamando parte da música Castigo,   do compositor Lupicinio Rodrigues: " Homem que é homem faz qual o cedro, que perfuma o machado que o derrubou". 


Ainda em forma, o bailarino voltou aos ringues em 69,   para depois disputar o título,  agora dos penas, em 1973. Em Brasília, um combate eletrizante e equilibrado com o campeão  José Legrá,  cubano naturalizado espanhol. 

Assisti pela tv Tupi à  nova conquista  do Galinho. Narração de Walter Abraão. Tudo em preto e branco. De novo campeão ( ganhou por pontos) Eder Jofre, dono de um humor fino, cortante,   piadista nato, só encerrou carreira em 76.


"O negrão era bom mesmo. O maior peso pena que enfrentei.  Me bateu. Acertou minha cabeça. Segurei nas cordas pra não cair. Não caí. Foi o chão que subiu" -- brinca Éder rindo  muito da situação.


Só não riu tanto como político. Famoso,  após encerrar a carreira,   foi eleito vereador por quatro mandatos em São Paulo. Sem tanto sucesso. Meio esquerdista   ali  ele não cantou de galo, não! Mesmo porque, no galinheiro da Câmara jamais faltarão raposas.


Perder por nocaute? Nem pensar. Mas faltou pouco contra Joe Medell. " Talvez minha luta mais difícil. Foi antes de ganhar o cinturão contra o Eloy Sanches.  Eu estava perdendo, com o nariz sangrando muito, e falei pro meu pai, meu treinador  que  não aguentaria voltar pro último round. Ele me disse que o Mendell estava morto. Aí voltei e o nocauteei com uma bela sequência de diretos de esquerda e direita. Graças ao meu pai". (rsrs)


Nunca um juiz abriu contagem para Eder Jofre. Nunca  o grande Eder beijou a lona. No ringue de boxe,  nunca perdeu por nocaute.  Mas neste domingo de eleições Eder Jofre   sofreu seu primeiro e único nocaute.  Sem a chance de  ao menos um uppercut de esquerda certeiro como contragolpe no queixo do destino. Uma esquiva impossível. Um bailado sem música. Um adeus sem volta. Um último nocaute.

Protagonista de uma linda história, o desenhista piadista  virou livro. Virou filme -- 10 Segundos para Vencer! Virou lenda! Valeu, eterno campeão!  Obrigado.










terça-feira, 27 de setembro de 2022

HUAYNA POTOSI/ACOTANGO: O LIMITE E A CONQUISTA

O amigo Flávio Lo Giudice no cume do Acotango, 6052M



 AVENTURA  DE 10 DIAS PELAS MONTANHAS  DE GRANDE ALTITUDE DA BOLIVIA FOI TÃO INTENSA, INESQUECÍVEL E GRATIFICANTE QUE NEM SEI POR ONDE COMEÇAR. ENTÃO, MELHOR COMEÇAR PELO COMEÇO. PELA CONQUISTA DO  ACOTANGO. OU SERIA MELHOR PELO FIM?   PELO LIMITE IMPOSTO PELA DUREZA DO BRUTO, O NEVADO HUAYNA POTOSI. NA CEREJA DO BOLO,   UM AMBIENTE TÃO ILUMINADO E  BELO QUANTO  DESAFIADOR,  GÉLIDO E HOSTIL. 

QUER SABER? NADA DISSO. COMECEMOS PELA "TURBULÊNCIA" DA VIAGEM PELA BOA, QUE, DE BOA, NÃO TEM NADA .










PÔR DO SOL NO PARINACOTA, AO LADO DE SUA IRMÃ GÊMEA




NA VOLTA DO HUAYNA POTOSI, UM DESCANSO PROVIDENCIAL







TERMAS, COM RIO E PISCINA NATURAL. ÁGUA QUENTINHA


FALTA POUCO!!! RSRS... MAS PRA MIM NÃO DEU




CAMINHEI MAIS UNS 20M E FIQUEI SENTADO NO GELO, BEM ONDE FLAVIO FIXA OS STICKS.



BRAVO!!! A CONQUISTA  DO ACOTANGO, COM O PARINACOTA AO FUNDO



SÓ FALTAVAM DUAS "CORCOVAS", UMA ETERNIDADE









JOSÉ, NOSSO GUIA DA  AGÊNCIA BOLIVIAN MOUNTANEERING


AO NASCER DO SOL, RUMO AO CUME DO ACOTANGO



ISTO POSTO, VAMOS AO QUE INTERESSA. SEM MUITAS DELONGAS. VIAJAMOS PARA LA PAZ NO DIA 13  DE SETEMBRO E RETORNAMOS NO DIA 22. EMBARQUE PELA BOA -  BOLIVIAN DE AVIACION - EM GUARULHOS ATRASOU UMA HORA, O QUE NOS CUSTOU MAIS CINCO HORAS  INTERMINÁVEIS PERDIDAS EM SANTA CRUZ DE LA SIERRA, CONEXÃO PRA LA PAZ. MORAL DA HISTÓRIA: EU E O AMIGO FLAVIO  LO GIUDICE SÓ CHEGAMOS À POSADA DE LA ARBOELA ( DA VOVÓ)  POR VOLTA DA MEIA-NOITE.  A BOA NÃO FOI UMA BOA. LAMENTAVEL!

NO DIA SEGUINTE, QUARTA-FEIRA, ÀS 10H, PARTIMOS PARA O PRIMEIRO DESAFIO DE ACLIMATAÇÃO, SABIDAMENTE JÁ COMPROMETIDA PELA LIMITAÇÃO TEMPORAL. DE VAN -LIQUIDIFICADOR, POR DUAS HORAS,   COM DIREITO A MUITA SUJEIRA POR DESCARTE DE LIXO, FOMOS ATÉ A BASE DO CHACALTAYA, ANTIGA ESTAÇÃO DE ESQUI,  CUJO CUME ESTÁ A 5435M DE ALTITUDE.

ASCENSÃO  CANSATIVA DE  APENAS 120M DE GANHO DE ELEVAÇÃO E  NADA SUPERIOR A 400M DE EXTENSÃO. MAS FALTOU OXIGÊNIO E A SATURAÇÃO FICOU INFERIOR A 90%.  NÃO ACUSEI NADA MAIS.  O FLAVIO NÃO SE SENTIU TÃO BEM, MAS CONCLUIMOS QUE FOI MAIS PELO SACOLEJAR DA VAN DO QUE PELA ALTITUDE. AFINAL, UM DIA ANTES SAIMOS DE 760M EM SANTO ANDRÉ, PARA 4025M NO AEROPORTO DE LA PAZ E 3600 NA PRÓPRIA CIDADE,  LÁ EMBAIXO, NO BURACO. POR SINAL, BEM FEIA, VIU?    SÓ MORRO. SEM HIGIENE, SEM COR, SEM REBOCO E SEM PINTURA. CAMELÔS AOS BORBOTÕES, PRA TODO LADO. RUAS ESTREITAS  E UM TRÂNSITO CAÓTICO, COM PREDOMINÂNCIA MASSACRANTE DE VANS. EM COMPENSAÇÃO, EMOLDURADA PELA BELEZA, ENTRE OUTROS NEVADOS ANDINOS, DO HUAYNA POTOSI E DO  GRANDE ILLIMANI, ÍCONES DA CORDILHEIRA REAL.


 SAJAMA,  ACOTANGO, PARINACOTA...


NA QUINTA FEIRA  -- AO SOM DE UMA  ÓTIMA PLAYLIST  DO FLAVIO QUE INCLUIA  ZECA PAGODINHO, MARTINHO DA VILA,  ELIS REGINA,  ROBERTO CARLOS, LEONARDO, BETH CARVALHO, MARISA MONTE, CHITÃOZINHO E XORORÓ, ALMIR SATER, SERGIO REIS E CIA  -- VIAJAMOS POR 4 HORAS, CERCA DE 300KM ATÉ O PUEBLO DE SAJAMA, POVOADO AOS PÉS DO   LINDO NEVADO SAJAMA, O MAIOR DA BOLIVIA COM 6545M, JÁ DENTRO DO PARQUE NACIONAL SAJAMA.  VIAGEM COM MUITA MÚSICA E IGUAL NUMERO DE REBANHOS DE OVELHAS,  LHAMAS E ALPACAS. PORÉM, QUASE NADA DE ÁRVORES E ÁGUA NOS RIOS. SÓ VEGETAÇÃO RASTEIRA. DESÉRTICO.  CHOCANTE!

JÁ NO  DIA SEGUINTE, ACORDAMOS POR VOLTA DAS 2H30MIN DA MADRUGADA. FEITO O DESJEJUM,   SEMPRE ENCABEÇADO  PELO FAMOSO CHÁ DE COCA E POR MUITA,  MUITA ÁGUA,   MAIS CERCA DE DUAS HORAS DE 4X4 ATÉ A BASE DO ACOTANGO, PERTINHO DO PARINACOTA (6342M)  JÁ NA FRONTEIRA COM O CHILE.

COM O TERMÔMETRO MARCANDO -6°, NOSSA PRIMEIRA AVENTURA COMEÇOU DE FATO POR VOLTA DAS 5H E TERMINOU ÀS 13H30MIN.  NO INÍCIO, NA COTA DE 5400M,  JÁ SUBINDO, DEU PRA PERCEBER QUE CONQUISTAR O 6MIL "MAIS FÁCIL"   ( KKKKKKK) DA BOLIVIA SERIA  UMA PEDREIRA.

AO PASSO, DEVAGAR, DEVAGARINHO, LÁ VAMOS NÓS. POR ENQUANTO, TERRA, AREIA, PEDRISCOS E PEDRAS LADEADOS POR NEVE E GELO. APÓS TRÊS HORAS DE CAMINHADA, DEI OS PRIMEIROS SINAIS DE CANSAÇO.  FELIZMENTE  NADA DE DORES LOMBARES, NO OMBRO LESIONADO OU NA PANTURRILHA. TAMPOUCO MAL DE ALTITUDE. FALTOU MESMO FOI CAIXA PULMONAR. TREINAMENTO  AERÓBICO INSUFICIENTE,  NÉ PROFESSOR RADDI?  

AMEACEI PARAR  NO FINALZINHO DO PRIMEIRO    SUBIDÃO MAIS PESADO, MAS  O GUIA JOSÉ CARREGOU MINHA MOCHILA E O FLAVIO SE ENCARREGOU DOS MEUS CRAMPONS.  LIVRE DE UNS 4KG, CHEGUEI AO DESCANSO PROGRAMADO,  COMI, ME HIDRATEI BEM  E GANHEI MOTIVAÇÃO  EXTRA PRA CONTINUAR.


A CONQUISTA E O  MEU LIMITE


POUCO DEPOIS,   JA NA PRIMEIRA CRISTA GELADA,   CHEGOU A HORA DE COLOCAR OS CRAMPONS  -- SEM EXPERIÊNCIA SUFICIENTE  E FADADOS A QUEDAS FATAIS -- E ENFRENTAR A NEVE E OS PENITENTES, ESPÉCIES DE ESTALAGMITES. IMAGINE CAMINHAR QUEBRANDO OU SE DESVIANDO DE "CONES" DE GELO. PQP! COISA DE MALUCOS.

APÓS SUPERAR PELO MENOS  TRÊS CRISTAS  MUITO EXPOSTAS, ONDE CAIR SERIA FATAL, CHEGAMOS A 5950M.  NUM PEQUENO PLATÔ. FOI AÍ QUE, CANSADO E COM  INDISFARSÁVEL MEDO  DO PERIGO, OLHEI PRA CIMA, PRA TRÁS E DECIDI:  POR SEGURANÇA NA VOLTA, PRA MIM DEU.

MEU AMIGO FLÁVIO CONTINOU  POR MAIS  UNS 90 MINUTOS E FEZ O CUME  ( 6052M) AO LADO  DO GUIA.   VIBROU COM A BELA CONQUISTA E SE EMOCIONOU  BASTANTE -- FOI NA RAÇA --,  ENQUANTO O RADDÃO FICOU POR UM TEMPO SENTADO, QUIETINHO, CONGELANDO, MEIO PROTEGIDO DO VENTO, NUMA ESPECIE DE POLTRONA DE GELO À FRENTE DE PENITENTES E RIBANCEIRAS NO ENTORNO.

COCHILANDO  DE SONO E COM MEDO DE MORRER CONGELADO --   ME LEMBREI DO LIVRO  " DEIXADO PARA MORRER", SOBRE A MAIOR TRAGÉDIA DO EVEREST --,  PENSEI, REFLETI  BEM E NÃO TIVE DÚVIDAS; PEGUEI OS STICKS E COMECEI A VOLTAR. ERREI AO DESOBEDECER O GUIA, MAS ERA PRECISO DECIDIR.

CORRI MAIS RISCOS NAS CRISTAS, MAS DEU TUDO CERTO.   AO REENCONTRÁ-LOS   FALEI COISAS DESCONEXAS, SEGUNDO O FLAVIO. PEDI DESCULPAS AO GUIA E PARABENIZEI MEU AMIGO. TIRAMOS OS CRAMPONS E DESCEMOS PELO TERRENO ARENOSO COMO SE FOSSE ESQUI.  UM MARTIRIO PRA SUBIR; BRINCADEIRA DE CRIANÇA PRA DESCER ATE O CARRO.

CONFESSO CERTA FRUSTRAÇÃO POR NÃO  TER FEITO O CUME AO LADO DO FLAVIO, MAS FOI APENAS UM MACHUCADINHO. NEM SANGROU. ADMINISTREI BEM.   AFINAL,  A VIDA  SÓ TEM GRAÇA PORQUE É FEITA DE VITÓRIAS E DERROTAS. FOI MAIS SENSATO PARAR ANTES DE POTENCIALIZAR RISCOS CALCULADOS, MAS DESNECESSÁRIOS. QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL. PENSEI NA VIDA E NO  ALTO RISCO DE MORTE. ACERTEI NA ESCOLHA. TALVEZ ALGUNS NÃO ENTENDAM -- POXA, FALTAVA TÃO POUCO --, MAS, APESAR DE ADORAR A NATUREZA,   MINHAS PAIXÕES ESTÃO AQUI.


MONTECIELO, SAJAMA, TERMAS E CERVEJA


NO DIA SEGUINTE, FOLGA DA CIA. FIZEMOS APENAS ACLIMATAÇÃO NO MONTECIELO, 4550M, COM GANHO DE ELEVAÇÃO DE 300M. DEPOIS,  FOMOS DE CARRO ATÉ AS TERMAS, RIO  E PISCINA NATURAL COM ÁGUA QUENTINHA E CERVEJA GELADA. UAU!!! DELICIA!

 PROGRAMAÇÃO PARA DOMINGO ERA TENTAR FAZER O PARINACOTA. MAS PREFERIMOS CANCELAR E NOS ACLIMATAR MELHOR PARA O HUAYNA POTOSI, SEGUINDO SUGESTÃO DO MAXIMO KAUSCH, UM DOS ICONES DO MONTANHISMO MUNDIAL,  E A QUEM AGRADEÇO PELOS ALERTAS E CONSELHOS.    ELE DISSE QUE SERIA INSANO.  E FOI. MAS TREINAMOS. FOMOS UM POUCO ALEM DO CAMPO BASE DO SAJAMA. GANHO DE ELEVAÇÃO DE 500M. NA VOLTA, DE NOVO NAS TERMAS.  COM DIREITO A BANHO QUENTE. AFINAL, NINGUÉM É DE FERRO!


PRA CIMA DO BRUTO


APÓS QUATRO  DIAS DE SAJAMA, NA POUSADA DO TAMBÉM GUIA MARIO E AO LADO DE JOVENS DA ITALIA, DA FRANÇA E  DA REPUBLICA TCHECA, DE NOVO TROCAMOS A  CORDILHEIRA OCIDENTAL PELA REAL,  NO ENTORNO DE LA PAZ. 

DIA 19,  VOLTAMOS PELOS MESMO 300KM DA ESTRADA BOLIVIA 4, QUE NO SENTIDO CONTRARIO LEVA AO CHILE. COMO A BOLIVIA NÃO TEM ACESSO POR MAR, MAIS DE 80% DAS  IMPORTAÇÕES ENTRAM   VIA CARRETAS.

POR VOLTA DAS 14H, CHEGAMOS À POUSADA DA RUA LINARES, POINT DO ARTESANATO LOCAL. ESPECIE DE CALÇADÃO QUE VENDE DE TUDO,  DESDE CHAVEIRINHOS E COPINHOS ATÉ BLUSAS E CHALES DE ALPACA 100%. ENFIM, BANHO QUENTE MESMO -- NA POUSADA/CASA DE FAMILIA  SIMPLES DE SAJAMA NÃO DAVA CORAGEM NÉ MEU AMIGO?  -- E CAMA  AGORA SEM NECESSIDADE DE CINCO COBERTORES GROSSOS PRA ENFRENTAR O FRIO.

AH, DETALHE ASSUSTADOR: SÓ PRA PUXAR OS COBERTORES PESADOS A PULSAÇÃO AUMENTAVA E A SATURAÇÃO/OXIGENAÇÃO CAIA PRA 84%/88%.  NORMAL NAS GRANDES ALTITUDES. EM CASA DÁ 98%.

DESCANSADOS, SEM PROBLEMAS DE ACLIMATAÇÃO E MOTIVADOS PELAS PERFORMANCES NOS TREINAMENTOS DE SAJAMA, NO DIA SEGUINTE PARTIMOS  LOGO DE MANHÃ PARA O ACAMPAMENTO BASE DO BRUTO. PREVENIDOS PELO MAL-ESTAR QUE NOS ABALOU QUANDO PEGAMOS  QUASE O MESMO CAMINHO PARA CHACALTAYA, TOMAMOS DRAMIN E PLASIL. BINGO! 2 X 0 PRA NOS CONTRA A VAN.





COM O PERDÃO DO TROCADILHO, PAGAMOS PENITÊNCIAS NOS PENITENTES. MINHA NOSSA!  ATENÇÃO NO FĹAVIO!


CHEGAMOS  NO ACAMPAMENTO BASE DO BRUTO -- 4700M --, DESCANSAMOS UMA HORA E JA PARTIMOS   CÉLERES E FIRMES PRO ACAMPAMENTO ALTO. AGORA COM A MOCHILA MAIS PESADA POR CAUSA DOS MITTONS (AQUELAS LUVAS GRANDES E GROSSAS SEM DEDOS) E DOS SACOS DE DORMIR.  FORAM MAIS DE DUAS HORAS PARA SUPERAR 500M DE DESNIVEL, NUM TREPA PEDRAS SEM FIM. FICAMOS NO ACAMPAMENTO ALTO 3, A 5200M DE ALTITUDE, JA QUE O 1 ESTAVA FECHADO E NINGUEM LEVOU CHAVE. QUE "LEGAL"!


O "MOLHA-PEDRA" E O  RECEIO DE O REFÚGIO VOAR  


LÁ NO ALTO, PEDRA, GELO, NEVE, FRIO E VENTO. NO REFUGIO APERTADO, NÃO PARAVA DE CHEGAR GENTE DE TODO CANTO DO MUNDO. ATE A NOITE, ÉRAMOS UNS 15.   APENAS DUAS MULHERES.  DOIS  BRASILEIROS TEIMOSOS E CORAJOSOS  -- AO MENOS POR ENQUANTO, RSRS  --,  QUATRO INGLESES,  CINCO ALEMÃES, UM COLOMBIANO,  DOIS POLICIAIS BOLIVIANOS...HAVIA AINDA UM QUARTINHO PARA OS GUIAS E UMA COZINHA. MAS NOSSA MESA FICAVA NO REFUGIO/DORMITORIO MAIOR.

DETALHE: QUANDO CHEGAMOS FOMOS RECEPCIONADOS PELO PROPRIETÁRIO/GUIA COM UM SORRISÃO E A FRASE: "BRASIL. PALMEIRAS". PQP! O MESMO NOME E PALMEIRENSE COMO MEU NETO, TAMBÉM VICTOR, COM QUEM, CONFORME PROMETIDO,  VOU COLAR E BATER FIGURINHA NA PRÓXIMA SEMANA. GRAÇAS A  DEUS!

VOLTEMOS AO BRUTO. JANTAMOS POR VOLTA DAS 18H. UM CALDO E UM MACARRÃOZINHO BEM CHINFRINS. NÃO DESCEU BEM. TANTO QUE PRECISEI IR AO BANHEIRO, A UNS 20M, FAZER O N2. BEM DESCONFORTÁVEL. ANTES DAS 19H30MIN17SEG, TODOS ANINHADOS NOS SACOS DE DORMIR -10°. UM SILÊNCIO SEPULCRAL.   TENSÃO NO AR. ADRENALINA A MIL. AFINAL, TODOS DEVERIAM ACORDAR À MEIA-NOITE E SE APRONTAR PRA SAIR COM O RESPECTIVO GUIA.

SÓ QUE..DORMIR COMO? TODO MUNDO QUIETO, MAS NINGUÉM DORMINDO. PELO MENOS EU E O FLAVIO. ALEM DA ADRENALINA E DO FRIO, UM VENTO CORTANTE, ENSURDECEDOR.   UM TERROR. A CADA MINUTO, NO MÁXIMO 2, UMA RAJADA ASSUSTADORA FAZIA O REFUGIO BALANÇAR. JURO QUE FIQUEI DE NOVO COM MEDO DE MORRER E REZEI SEM PARAR. PAPAI DO CÉU, #QUIQUIEUTOFAZENOAQUI?". DEITADO NUM COLCHÃO COLADO NUM CANTO,  JUNTO À "PAREDE" DE LATA REVESTIDA DE PANO GROSSO, ESPEREI A HORA CHEGAR. CALMA!  HORA DE SAIR,  NÃO DE PARTIR!  ANTES DISSO,  UM ENTRA-E-SAI DANADO. UM "MOLHA-PEDRA" SEM FIM. PARECIA PROCISSÃO.  POR DUAS VEZES, OUSEI  ENFRENTAR AQUELE VENTO GELADO PRA VER UM CÉU LINDAMENTE ESTRELADO. CONFESSO: NÃO FUI AO BANHEIRO. FIZ O SERVIÇO A TRÊS PASSOS DA PORTA.


CHEGOU A HORA. A CUÍCA VAI RONCAR 

ACORDO À MEIA-NOITE COM O JOSE ENTRANDO NO REFUGIO E CHAMANDO. JUSTO QUANDO CONSEGUI PEGAR NO SONO. ABRO OS OLHOS ASSUSTADO E SAIO DO SACO COM O ZIPER TRAVADO. É GENTE PRA TODO LADO, A MAIORIA DE UNIFORME VERMELHO, ESBARRANDO UM NO OUTRO.  MAS NADA A VER COM O INFERNO. OU SERIA? RSRS. TIVE DIFICULDADE PRA CALÇAR AS DUAS MEIAS E  A BOTA DUPLA.  INACREDITÁVEL!  ATÉ PERDI O FÔLEGO. DEPOIS, TRÊS CALÇAS E  AS QUATRO CAMADAS SUPERIORES, COM DIREITO A DUAS LUVAS, CADEIRINHA,   GORRO, LANTERNA E ATÉ O CAPACETE.   

TUDO PRONTO.  COM DIREITO A STICKS E PIOLET.  UMA DA MADRUGA. PARTIU HUAYNA POTOSI! TODOS ENCORDADOS,  A CAMINHO DO PARAÍSO (?). APOS UNS 300M, HORA DE COLOCAR OS CRAMPONS ( ARMAÇÃO DE FERRO ENCAIXADA SOB A BOTA PARA FACILITAR E DAR SEGURANÇA NA CAMINHADA NO GELO/NEVE). EM SEGUIDA,  UMA FILA INDIANA A PERDER DE VISTA. UMA BELA IMAGEM, DIGA-SE. COM AS LUZES DE LA PAZ LÁ LONGE, AO FUNDO.

NAQUELA ESCURIDÃO, UM DESAFIO DE GENTE GRANDE.  SOBE, SOBE E SOBE. RETO OU EM ZIGUE-ZAGUE, SEMPRE NO LIMITE. SOBRA HOSTILIDADE. TERRENO EM NEVE E GELO, COM VENTOS UIVANTES,  ÀS VEZES COM VELOCIDADE SUPERIOR A 50KM/H E SENSAÇÃO DE PELO MENOS 12° NEGATIVOS.  FORÇA DO VENTO  QUASE CHEGOU A DERRUBAR MEU AMIGO-IRMÃO DE MONTANHA.

NO SACRIFICIO, AO PASSO... 1,2...1,2...1,2..RESPIRA, PUXA O AR PELO NARIZ PRA FILTRAR E SOLTA PELA BOCA..1,2...1,2... UMA ROTINA MASSACRANTE. "RADDI, NO SEU RITMO", ALERTA O GUIA. PEÇO PRA DESCANSAR.

DEPOIS DE TRÊS HORAS, JÁ COM DOIS JOVENS ALEMÃES DESISTINDO, O CANSAÇO COMEÇA A PEGAR PESADO. FALTA OXIGÊNIO. TODO CUIDADO É POUCO PRA EVITAR O RISCO  DA HIPÓXIA CEREBRAL.  NO CAMPO ARGENTINO, DEPOIS DE GANHO DE ELEVAÇAO PRÓXIMO DE 400M, NA COTA DE 5600M, CHEGA A HORA DE DECIDIR. 

 EU JA NÃO ESTAVA LÁ ESSAS COISAS. NÃO GARANTO QUE CONSEGUIRIA  CAMINHAR MAIS UMAS CINCO/SEIS HORAS PARA GANHAR MAIS 488M E CHEGAR AO SONHADO CUME. JÁ O FLAVIO ACUSAVA  DEDOS DOS PÉS, NARIZ E CANELA CONGELANDO, ALÉM DE FORMIGAR. NOSSA COORDENAÇÃO E NOSSO PSICOLÓGICO TAMBÉM JÁ NÃO ERAM OS MESMOS. TALVEZ POR FALTA DE OXIGÊNIO NO CÉREBRO. AFINAL, ALTITUDE É SINÔNIMO DE AR RAREFEITO.  RISCO IMINENTE!

FOI AÍ QUE DECIDIMOS, JUNTOS, POR   ABSOLUTA SEGURANÇA, PRESERVAR A VIDA. FOI DURO VOLTAR. MACHUCOU. MAS ADMINISTRAMOS BEM. DESCEMOS POR 1H30MIN  NO ESCURO, AINDA ENCORDADOS, MEIO QUE POR INÉRCIA, ATÉ O ACAMPAMENTO ALTO. PIOR QUE NÃO CHEGAVA NUNCA E AINDA PRECISÁVAMOS TER CUIDADO COM GRETAS TRAIÇOEIRAS.

GRAÇAS A DEUS,  APÓS ALGUNS SUSTOS, DEU TUDO CERTO.  CHEGAMOS  NO REFÚGIO, DORMIMOS UMAS DUAS/TRÊS HORAS, TOMAMOS CHÁ DE COCA COM BOLACHAS E ROCAMBOLE DE DOCE DE LEITE, E PARTIMOS PARA O ACAMPAMENTO-BASE, ONDE A VAN NOS ESPERAVA PARA NOS LEVAR ATÉ A POUSADA "PARAÍSO".   LÁ, BANHO QUENTE, CAMA  BOA, ALMOÇO FARTO E CERVEJA PACEÑA.

NO DIA SEGUINTE, SEM ATROPELOS E  VÔOS  QUASE NORMAIS, EMBARCAMOS ÀS 13H, FIZEMOS CONEXÃO EM COCHABAMBA E DESEMBARCAMOS EM SÃO PAULO ÀS 18H. AINDA ANESTESIADOS,  AÉREOS, COM QUEIMADURAS NOS DEDOS -- MEU INDICADOR ESQUERDO ESTÁ QUEIMADO/CONGELADO ATÉ HOJE  -- , NO NARIZ E NOS LÁBIOS. PORÉM,  EXTREMAMENTE FELIZES PELA EXPERIÊNCIA ÚNICA. 

NÃO FOI PRECISO TRAZER  O CUME  DO  IMPONENTE HUAYNA POTOSI NO BOLSO. APENAS A MONTANHA NA ALMA. NÃO FOI PRECISO TER O BRILHO DOURADO DOS GRANDES CAMPEÕES. APENAS ADMIRAR  BEM  DE PERTO O BRILHO DO SOL A ILUMINAR UM CUME  QUE SEMPRE SERÁ  RESPEITADO.






VALEU, MEU AMIGO E PARCEIRO FLÁVIO. SIM, SOMOS VENCEDORES. APRENDEMOS MUITO. NÃO PRECISAMOS DE MEDALHA NO PEITO.  JÁ TIVEMOS A CORAGEM DE TENTAR. E  A CORAGEM DE VOLTAR. CORAGEM E HUMILDADE  PARA VOLTARMOS VIVOS E FELIZES.  GRATIDÃO ETERNA! 

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