Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

Quem sou eu

Minha foto
Santo André, São Paulo, Brazil

Seguidores

domingo, 17 de outubro de 2010

Victor e Júlia, novas paixões

Quase oito da manhã. Com cara de sete, lógico, no horário de verão. Ruas desertas e um friozinho agradável. Na caminhada de casa -- junto à matriz -- ao hospital Brasil, um pensamento insiste em martelar.

-- Cara, estou ficando velho. Olha só... 55 anos, quatro filhos. O Fábio Vinícius já tem 32, a Maira, 31, o Felipe Augusto tem 27 e o Fernando, 25, bem próximo de 26. Há também o Victor, meu neto, minha nova paixão, com apenas três anos e meio-- penso.

Pois é... o tempo passa rápido demais. Por isso é preciso viver. E bem. Chego ao hospital e subo direto para o berçário. Minha filha já está no centro cirúrgico.

Me acomodo num sofá da confortável sala de espera. Pelo vidro, observo cerca de 20 berços e uma movimentação intensa, orquestrada. Não, no berçário não existe maestro. Os anjos seguem os sinais de Deus. A regência é divina. Só pode ser! Que maravilha!

Dez berços estão ocupados. Não há instrumentos de corda ou de sopro. Ainda falta um músico, ou uma criança, para completar o time-orquestra.

Perninhas que sobem e descem, abrem e fecham de forma desconessa. Talvez futuros jogadores de futebol. Pés grandes não lhes faltam. Miguel, Nícolas, Júlio César, Artur.

Os bracinhos das ferinhas também não param. Vicentina, Nicole, Carol, Lara, Gabriela, Mariana... Será que alguém vai jogar vôlei? Ou basquete? Nem precisa, basta que sejam saudáveis e pessoas decentes, do bem.

Caras e bocas se multiplicam. Choros deduzidos, bocas abertas de sono, dedos na boca a sugar o leite imaginário, olhos abertos, olhos fechados. O que será que se passa naquelas cabecinhas carecas ou cabeludas, de apenas um ou dois dias?

-- Nossa, acabei de sair. É melhor eu ficar de olho fechado. Vou fingir que não é comigo. Vão pensar que estou dormindo.Lá dentro estava tão quentinho! Ninguém me perturbava. Lá não havia agitação. Acho que aqui fora eu vou passar apertado. Comer, dormir, estudar, trabalhar, namorar, esconder da chuva e dos bandidos. Meu Deus! Chi, acho que quero voltar! Mãe,por favor, me esconde! Eu vou chorar! -- devem pensar nossos anjinhos -- por enquanto, já que crescem.

Afinal, o que sonham as crianças que daqui a 25 anos serão o nosso presente, nossos cidadãos? Será que em 2035 nossos políticos ainda serão tão corruptos, canalhas, sínicos, mentirosos e egoistas? Será que em 2035 tantas crianças ainda morrerão de fome, de frio, de doenças como a AIDS?

De repente, ouço um choro forte. Olho para dentro do berçário mas o gestual e a leitura labial não me permitem concluir. A orquestra não para. Emocionante, mesmo sem som.

-- É lá no centro cirúrgico, senhor! O choro é da sua neta. Júlia, né? -- alerta e pergunta Camila, a "recepcionista".

-- Isso, Júlia Raddi Renaldim, a irmã do Victor.

De pé, com lágrimas nos olhos, vou mais perto do corredor e ouço. Sim, o choro é de mais uma Raddi. Pura intuição. Nada mais!

Em poucos minutos, chega a princesinha, o time do berçário está completo. Pelo choro, está mais pra soprano. Faltavam os gestos da minha Júlia, os sonhos da pequenina Júlia. As caras-e-bocas da minha nova paixão.

Obrigado Maira!Que você e o Danilo sejam para Victor e Júlia muito mais do que eu consegui ser para meus quatro filhos. Sei que fiquei a dever. Uma dívida impagável. Nunca é tarde para pedir perdão e repetir que meu amor por todos será eterno.Passou!

Mil beijos de um vô coruja e babão. E chorão.

-- Vô Raddi...

A vozinha suave, os olhinhos brilhando, a inocência pairando no ar. A cada palavra, a cada choro, a cada bico, a cada gesto. Modéstia à parte, não tem preço.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Timão com cara de timinho

O Corínthians derrotado pelo Vasco foi um arremedo de time de futebol. Um Timão com cara de timinho.

Por mais que os maus resultados sejam creditados às sucessivas baixas por cartões, convocações, sobrepeso ou lesões musculares, é impossível não criticar.

Agora fica fácil jogar a culpa no preparador físico, no ex-técnico, no presidente, no roupeiro ou mesmo no assessor de Imprensa.

A verdade é que o Corínthians não tem jogado nada. Diante de um Vasco limitado, mas extremamente aplicado na marcação e rápido no contra-ataque, o Timão foi uma vergonha.

A começar pelo sistema defensivo, que de solidez não teve nada. Quatro zagueiros em linha, com velocidade paquidérmica, desatentos e sem sentido de cobertura. Zagueiros experientes, de seleção ou cotados pra ela, com erros infantis.

Limitados defensivamente e mal posicionados, os volantes Jucilei e Paulinho não encontravam a bola e corriam feito barata tonta, sempre pro lado errado. Quando ousavam atacar, deixavam a zaga ainda mais exposta. O combativo Ralf faz muita falta.

Um dos pretensos meias,Danilo alugou uma área pela esquerda e ali ficou, simulando aplicação. Pouco desarmou e nada armou. Elias, então, devia estar pensando na seleção brasileira. É bom jogador, mas não rendeu. Tem a desculpa de ter jogado dois dias antes contra a Ucrânia.

Já o ataque do timinho tinha Yarlei e Souza. O primeiro é esforçado mas perde gols incríveis. O segundo é uma piada de mau gosto. Com 55 anos de idade, eu ainda marcaria o cara sem dar vexame.

Isto posto, o quê esperar do ainda terceiro colocado do Brasileiro? Ninguém desaprende do dia pra noite, mas parece que o time virou o fio. Física, tática e tecnicamente, o Corínthians dos últimos jogos não é nem sombra do grupo que até outro dia liderava o campeonato.

Já escrevi que preferia a ousadia do Curíntia de Adilson Batista ao previsível mas vencedor Corínthians de Mano Menezes. Mas assim não dá. Deixaram o Cruzeiro chegar, o Santos está no páreo e a única opção é reagir começando por vitória diante do Guarani.

O Timão que tenho visto não é o Curíntia dos sobressaltos nem o Corínthians do calculismo. Tem mostrado futebol de um timinho prestes a se afundar de vez, perdendo até mesmo a vaga à Libertadores.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O Azulão e a troca de pena

Ainda ontem, escrevi que o Santo André dá uma no cravo, outra na ferradura. Oscila muito e não mostra consistência. E não é que o São Caetano segue o mesmo caminho?

Não dá pra entender. Quanto o time de Toninho Cecílio ameaça deslanchar, escorrega feio e fica de quatro em vez de ficar entre os quatro.

O Azulão é verdadeiramente um azulão. Mas parece um azulão em plena troca de pena. Cantar? Nem pensar! Mal pia. Passarinheiro que se preze não aposta uma ficha sequer num azulão sem brilho e sem atitude. Um azulão que afina.

Diante do Bahia, ontem, em pleno Anacleto Campanella, o São Caetano não foi inferior apenas nas arquibancadas.

Em campo, o bom Bahia do riopardense Márcio Araújo foi superior e poderia ter matado o jogo no primeiro tempo.

Forte candidato a uma das quatro vagas à Série A de 2011, o tricolor baiano fez um gol e perdeu pelo menos outros dois, em oportunidades contundentes neutralizadas pelo bom goleiro Luiz.

Sem criatividade -- o armador Everton Ribeiro faz muita falta --, sem a liderança de Marcelo Batatais e sem proteção aos zagueiros internos e aos laterais, o São Caetano mais parecia um time que fugia do rebaixamento. Bem distante do que se espera de um pleiteante ao acesso.

No segundo tempo o São Caetano melhorou um pouco. Acelerou o ritmo ofensivo e valorizou razoavelmente a posse de bola, mas ainda deu espaços aos rápidos contragolpes do Bahia.

O Azulão empatou e poderia até ter vencido, se Eduardo não desperdiçasse um pênalti nos minutos finais. Não seria justo. O Bahia jogou mais.

Jogando assim, o nosso Azulão vai prolongar a troca de pena. Encorujado, triste, vai deixar de cantar. Pode até subir para o puleiro superior, mas está cada vez mais difícil.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A seleção de Mano

Apesar da sequência de três vitórias nos primeiros amistosos pós-Copa do Mundo, a nova Seleção Brasileira ainda não empolga.

Muitos amiguinhos da Imprensa já rasgam elogios e garantem sucesso em futuro próximo. Calma, pessoal! É cedo demais!

Primeiro que nossos adversários não são lá essas coisas. Segundo que a seleção do momento, mutante, é um laboratório de experiências com os olhos nos Jogos Olímpicos e na Copa do Mundo de 2014.

Contra a Ucrânia, houve quem comparasse o Brasil à Espanha campeã do mundo. Quanta heresia! Quanta pretensão! Posse de bola nem sempre significa eficiência. Toque de bola não é sinônimo de eficácia.

Faltou objetividade. Faltou velocidade. Faltou aplicação. Faltou um jogo mais cortante, mais vibrante. Em alguns lances, sobrou preguiça, empáfia. O toque lento e para trás soou como menosprezo.

Mesmo num simples amistoso, seria legal que a seleção de Mano Menezes se aplicasse um pouco mais.

Individualmente, tenho gostado dos zagueiros internos e dos laterais. No gol, Victor é bom, mas a titularidade de Júlio César, um dos melhores do mundo, é indiscutível. Vai voltar.

Também gostei das convocações de Juliano, Sandro, André Santos, Lucas, Pato, Elias e Jucilei, que, por sinal, rolou ladeira abaixo com a camisa do Corinthians depois que vestiu a amarelinha.

Hernanes, Neymar e Ganso vão voltar, com certeza. E a seleção vai ganhar em inventividade e ousadia. Neymar está de castigo, e dou razão a Mano Menezes. O jovem tem cabeça de adolescente irresponsável e futebol de gente grande.

Ainda é cedo para elogiar. Ainda cedo pra criticar. O novo exige tempo. O novo exige oportunidade. O novo exige paciência. De todos.

Sonhar sem jogar, não dá!

Uma no cravo, outra na ferradura! Assim tem sido o Santo André ao longo de 28 rodadas do Brasileirão da Série B. Sobe, desce e não apresenta consistência.

Tanto que jamais ganhou dois jogos seguidos. Portanto, se repicar o canto até o final do campeonato, o destino não será outro que não o inferno do rebaixamento.

Ganhar, perder, empatar... Ganhar, perder, empatar. E cair! São 10 rodadas. Se fizer apenas quatro pontos de cada nove possíveis... De 30, vai contabilizar mais ou menos 12. E ficar pelo caminho.

Se depender do que anda jogando, não chegará aos 45/46 pontos. Fará entre 42 e 44. Agora a pouco, em São Januário, mais uma vez o Ramalhão não convenceu.

Desta vez, diante do Duque de Caxias, a disposição mostrada no clássico contra o São Caetano não foi suficiente.

O primeiro tempo foi enganoso. A vitória parcial de um Santo André limitado não se sustentou na etapa final. Ruiu quando Somália e cia resolveram correr e jogar.

Deu no que deu. De novo, o Ramalhão perdeu -- 3 a 2. De novo, o Ramalhão não convenceu. De novo, o Ramalhão nos deixou ainda menos esperançosos.

Lógico que a esperança é a última que morre. Mas sonhar sem jogar, sinceramente, não dá.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Clássico sem graça

De clássico, o SanSão de agora a pouco no sempre desértico Bruno Daniel não teve nada. Foi um jogo sem graça, sem emoções e sem ao menos um duelo tático que pudesse chamar à atenção de quem gosta de futebol bem jogado. Chutões e passes errados não faltaram.

A esperançosa vitória de 1 a 0 coloca o Santo André na 17ª colocação, ainda na zona de rebaixamento. No entanto, o importante resultado ainda não serve de alento para quem precisa remar muito para fugir da degola.

No primeiro tempo o Ramalhão começou melhor e fez o gol com Marcelo Godri. Ao menos não lhe faltou disposição. Totalmente perdido, o defensivo e sonolento São Caetano só começou a jogar depois dos 25 minutos. Jogar, mas sem empolgar. O Santo André, apesar da correria desconexa, desapareceu e o preguiçoso Azulão só não empatou porque falhou nas poucas conclusões.

No segundo tempo o jogo ficou ainda pior e só ganhou alguma emoção no finalzinho, quando o time de Toninho Cecílio tentou sufocar o adversário. Limitado e pouco criativo, pouco conseguiu, além de oferecer espaços para contragolpes perigosos.

Se quiser se livrar, o Santo André precisa melhorar muito. Porém, foi importante vencer. Se quiser sonhar com o milagre do G-4, o São Caetano precisa melhorar muito. Pelo que não mostrou, o G-8 já será lucro.

Donos das piores médias de público da Série B, talvez Santo André e São Caetano não estejam fazendo por merecer melhor sorte. Pior para o futebol do Grande ABC.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E o palhaço me deixou triste

Exatamente à meia-noite de ontem, domingo, senti uma pitada de tristeza. Nada de derrota do Corinthians ou perda na família. Tampouco de um grande amor. Coisa aparentemente boba.

Paradoxalmente, quem me fez tão triste foi um palhaço. Pois é... que sina... um palhaço. Exatamente aquele que nasceu para nos fazer sorrir. Morrer de rir.

Como nos tempos de São José do Rio Pardo. Circo Garcia, Circo Mexicano ou Stankovich. A vida não era fácil. Assim como no futebol do Rio Pardo, quando às vezes era preciso entrar na marra, embocar, pra ver Ari Tessari e cia na Terceira Divisão de Profissionais. A grana era curta. Não dava pro amendoim.

Juro que muitas vezes eu saia do circo com as calças -- curtas -- molhadas. Cara, chegava a fazer xixi nas calças de tanto rir. Quando dava tempo, pulava do puleiro/arquibancada e fazia ali mesmo, no cantinho.

Os palhaços mais conhecidos eram , Pimentinha, Lolô e Mixirica. A molecada delirava. Tanto quanto a atração era o "perigoso" globo da morte, com motocicletas potentes e barulhentas.

Voltemos ao corpo. Quando o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a votação do humorista Tiririca, fiquei pasmo. Mais de um milhão 350 mil votos num palhaço despreparado, semi-analfabeto.

"Pior do que tá, não fica". O slogan pegou, mas não é verdadeiro. Fica sim, caro senhor. Basta olhar para a composição do Congresso. Caro palhaço, você sabe o que é Congresso? O que faz um deputado federal?.

A fantástica votação de Tiririca é o retrato fiel da política nacional. Protesto ou ignorância, não importa. E a reforma política não sai do papel. Talvez não interessa pra muita gente. É melhor ficar como está, com Tiriricas e cia.

Ignorantes e analfabetos são mais interessantes como vítimas em potencial de políticos profissionais, o que não falta nos palácios do poder. Tiririca vai ser mais um boneco, uma marionete.

Tudo por culpa nossa. Elegemos mas não cobramos nada de prefeitos, vereadores, governadores, deputados e senadores. Do presidente, então, não se pode falar nada.
O senhor Lula está acima de tudo. O cara de Obama virou deus. Tem lá suas virtudes, mas não aceita o contraditório. É o rei do marketing, da ironia e da incoerência.

Quer saber? Não confio no presidente. Compraria um carro velho do palhaço, mas não do deus, todo-poderoso. Tiririca vai se dar bem com ele. Pra quê seriedade num país que não é sério? As urnas só comprovaram.