Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

Quem sou eu

Minha foto
Santo André, São Paulo, Brazil

Seguidores

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

DGABC: bela história é sinônimo de nota 10?

(TEXTO PUBLICADO DIA 31 DE JULHO DE 2015 E CONTESTADO PELOS JORNALISTAS ADEMIR MEDICI E SERGIO VIEIRA) 

Há pelo menos 15 dias estou engasgado pra comentar um detalhe que encarei como piada de mau gosto.

Respeito a opinião dos jornalistas entrevistados no programa Diálogo Aberto, do companheiro Daniel Lima, mas discordo frontalmente.

Questionados sobre que nota histórica dariam ao jornal Diário do Grande ABC, o diretor de Redação Sérgio Vieira e o  excepcional jornalista e memorialista Ademir Medici, meu amigo, não tiveram qualquer dúvida.

Como numa apuração de desfiles carnavalescos, "nota... déeeez". Só faltou a ênfase do locutor oficial. Torcedores paulistas da Gaviões da Fiel e cariocas da Beija-Flor lotariam a arquibancada e iriam ao delírio.

Porém, aqui, num cantinho reservado à imprensa (independente) eu estaria a vaiar. Trabalhei na editoria de Esportes do DGABC por quase 15 anos e fico muito a vontade pra discordar.

Minha nota pode até ser contestada, mas  é a mesma do sempre rígido, polêmico responsável e competente Daniel. Nada mais do que um cinco.

História do Diário merece ser enaltecida e  respeitada por todos nós, cidadãos do Grande ABC. Afinal, são 57 anos de muita dedicação  diária às coisas de uma região com quase três milhões de habitantes.

Só que, nota 10 é demais pra minha cabeça. Afinal, como todos, o Diário de ontem, de hoje e de amanhã vai acertar e errar.  Qual o problema? Vai questionar e ser questionado. Seu compromisso é com o leitor.  Por isso a credibilidade não pode oscilar tanto em quase seis décadas.

No quesito jornalismo, já cansou de fazer besteira. A começar por uma linha editorial que só agora -- gostem ou não, com as intervenções cirúrgicas do Daniel Lima e a correspondência da equipe --  volta a assumir uma postura de comprometimento  verdadeiro com o Grande ABC.

Tempos atrás, talvez mais de uma década, lançou o slogan definindo-se como braço direito do Grande ABC. Pois é... esqueceram do esquerdo. Por isso andaram fazendo tudo pela metade.

Por isso campeava o compadrio. Por isso brotavam acertos escusos e subterrâneos com o Poder Público. Ao sabor dos ventos e da coloração partidária. Ai de quem não rezasse pela cartilha da Catequese. Pau nele!

Por isso a falta de profissionalismo responsável.  Por  isso a ausência de linha editorial de fato. Por isso derrapagens aos borbotões. Por isso, em alguns períodos, um trem de incompetências a prestar desserviço ao cidadão do Grande ABC.

Por isso a bela história, alternando momentos de jornaleco com posturas de um grande jornal regional, não merece mais do que o cinco da imparcialidade. Com todo respeito, nota 10 é agrado de sonhadores.

Só pra completar: se o importante DGABC deixar de existir nosso mundinho será ainda pior. Já foi ruim com ele, quase exclusivo porque dominador. Pior sem ele,

Que os novos trilhos o conduzam por muitos anos. Sem mentiras. Sem omissões. Sem protecionismo. Sem parcialidade. Sem brincar com a  nobre arte de informar, analisar, questionar e transformar a sociedade.

Uma bela história nem sempre é sinônimo de nota 10.




RESPOSTAS DOS JORNALISTAS CITADOS

Sérgio Vieira





Caro Donizeti,

 

Primeiro lugar, permita-me me apresentar. Meu nome é Sérgio Vieira, sou jornalista formado a duras penas, com imensa dificuldade - financeira, digo - em 1998 na Universidade Santa Cecília, em Santos. Tenho a honra de fazer parte desta fantástica instituição há pouco mais de 10 anos. E, a imensa alegria de comandar este time, com muita humildade mas com muita segurança em buscar fazer o melhor todos os dias, desde dezembro de 2011. Erramos e acertamos. Mas não temos medo de sair do lugar comum, de buscar o melhor para os nossos leitoresSei da responsabilidade e da honra em, aos 38 anos, comandar um dos veículos de comunicação mais importantes do País e por usar a cadeira que já foi do Dr. Fausto Polesi e do grande profissional Daniel Lima, entre tantos outros colegas jornalistas que já dirigiram este jornal. E, justamente por isso, chego aqui todos os dias com o desejo de sempre trazer a verdade e buscar o melhor de nossa equipe para oferecer ao leitor todas as informações, com todas as visões possíveis. A Carta do Grande ABC, escrita por mim mas concebida a partir de análises e conversas com dirigentes do Diário, e a importantíssima contribuição do Daniel, mostram o nosso respeito por essa empresa e pela nossa busca constante em mostrar que podemos, e devemos, ser protagonistas das ações deste Grande ABC e propor soluções para o desenvolvimento de nossas sete cidades. Daí o motivo por termos incluído o item 'Desindustrialização' entre os 10 tópicos que passaram a nortear as ações de nossos profissionais, oficialmente, desde o último 11 de maio.
 
Infelizmente não tenho o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas estou à inteira disposição, quando quiser vir aqui, tomar um café comigo e visitar o 3º andar do prédio na Rua Catequese, 562. Talvez assim você consiga compreender o motivo de tanto eu quanto o seu Ademir, uma referência para mim no jornalismo e que aproveito para fazer minha suas palavras do texto abaixo, termos dado ao Diário nota 10 - também acrescento o 'com louvor' - e entenda que aqui nós não fazemos 'piada de mau gosto'. Nós trabalhamos. Com muita paixão. Pelo jornalismo, pelo Diário e pelo Grande ABC.
 
Saudações cordiais, 

Sergio Vieira
 
 

RESPOSTA DE ADEMIR MEDICI



É sempre bom esperar alguns dias - no caso do Raddi "pelo menos 15 dias" - para desengasgar. No nosso caso, meu e do Sérgio Vieira, a pergunta do Daniel foi na lata e a resposta também - porque, em TV, o tempo urge. Pensando bem, "pelo menos 15 dias" depois, reformulo minha nota ao Diário do Grande ABC: dou 10 com louvor, e não vão me entender isso como "piada de mau gosto".
1 - Dez com louvor porque o Diário do Grande ABC construiu uma História, resistiu ao tempo, tocou sua vida no tempo das vacas gordas e não ficou pelo caminho como aconteceu com grandes jornais do nosso tempo, entre os quais o intocável Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, o criativo Jornal da Tarde - nosso preferido no tempo da Cásper Líbero, das grandes reportagens, o popularesco Notícias Populares, o Correio Paulistano dos tempos imperiais e que atravessou duas repúblicas para sucumbir no tempo da ditadura militar, o antigo Diário Popular, os antigos Diário da Noite e Diário de São Paulo, sem falar em revistas como Realidade, Manchete e outras mais.
2 - Dez com louvor porque acompanhou a tecnologia, investiu em equipamentos, sem se descuidar da formação humana e na revelação de talentos como o próprio Donizete Raddi.
     3 – Dez com louvor porque sempre teve posições – discutíveis ou não – mas não deixou esse povo que faz política deitar e rolar ao bel prazer.
     4 – Dez com louvor porque sempre teve nos seus quadros profissionais de diferentes posições políticas, num arco que vai da esquerda para a direita (e vice-versa). Profissionais que – por seu próprio mérito – conseguiram traduzir pensamentos, hoje registrados para sempre nas coleções guardadas pelo Banco de Dados.
     5 – Dez com louvor porque sempre teve bons mestres. A Escolinha do Daniel marcou época. É citada sempre por ele, mas também pelos antigos alunos que passaram pela sala de vidro da Redação. Mas antes e depois da Escolinha do Daniel houve outros mestres que passaram conhecimentos e formaram, entre os quais o saudoso Dr. Fausto Polesi com seu lápis azul, temível. E profissionais como José Louzeiro, Hermano Pini Filho e tantos outros representados nas figuras dos editores de ontem e de hoje.
     Paro em cinco pontos porque tenho que fechar a Memória de amanhã, terminando com outro 10 com louvor, que me fala pessoalmente tão próximo: porque o Diário do Grande ABC sempre abriu espaço à História e Memória e não nos faltou em lutas voltadas à importância histórica da Vila de Paranapiacaba e à importância ambiental de uma Serra do Mar.
     Refletindo “pelo menos 15 dias depois”, caríssimo Raddi, respeito a sua nota 5, mas jamais daria ao Diário do Grande ABC o 3 virgula alguma coisa que na mesma entrevista dei às entidades regionais que gravitam em torno dos poderosos. Desta nota você esqueceu de falar, mesmo com os "pelo menos 15 dias" depois.
Saudações alvinegras.

Ademir Medici


MINHAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Antes de mais nada, é bom ressaltar que reconheço a importância do DGABC e de seus profissionais. Especialmente aqueles -- poucos, por sinal -- que pulam miudinho no intenso dia-a-dia da redação. Basta ler o texto acima com atenção e isenção. Mesmo que alguns demorem "15 dias" pra entender.

Porém, considerando-se os elogios rasgados -- concordo com boa parte deles -- e o "10 com louvor" dos caros jornalistas, especialmente do amigo e excelente profissional Ademir Medici, com quem trabalhei por bom tempo,  sou obrigado a contestar a postura.

Até parece que o Diário a que os companheiros de profissão servem é o suprassumo da ética e do jornalismo perfeito, da empresa nota 10. Principalmente se observarmos apenas um lado da moeda. O que interessa ser revelado e enaltecido.  É possível avaliar  as duas faces?

Por isso, ratifico: respeito mas discordo; dar nota 10 para a bela mas nem sempre exemplar história do mais importante meio de comunicação do Grande ABC é um direito indiscutível, mas soa, sim, como precipitação e piada de mau gosto.

Como ex-profissional do Diário por cerca de 15 anos e leitor por quatro décadas, fico muito à vontade para questionar, criticar e elogiar com imparcialidade. Gostar ou não, concordar ou não,  é um direito de quem está do outro lado.

Aqui não se escreve pensando em agradar ou desagradar poderes ou patrões. Em caso de dúvida, que tal usar o DGABC Pesquisas para ir às ruas e saber do leitor que nota ele daria à publicação levando-se em conta 57 anos de erros e acertos?  Outros profissionais de Imprensa também deveriam opinar. Inclusive quem  está ou  já passou pela redação. Fica o desafio.

Ora, ora, caríssimo Ademir, você é macaco velho.  E dos bons. Como  escritor e memorialista, conhece o Diario, e seus subterrâneos, como poucos.

Nossa (sua) página Memória sim, merece nota bem próxima da máxima. É uma ilha, uma exceção.  Por isso mantenho o cinco pro oscilante Diário como um todo. Sem louvor. Mas com muito respeito e acreditando em dias melhores nas mãos de profissionais idôneos e comprometidos como você.

Se quiser justificativas -- sem ironias -- para a nota cinco vou precisar de muito mais que cinco itens. Nem todos inseridos no banco de dados. Os mesmos que comprovam as limitações da nossas entidades regionais que gravitam no entorno dos poderosos.  Seu " três vírgula alguma coisa" está de bom tamanho. Independentemente de o amigo gostar ou não de "textos aleatórios".

Fique com um abraço tão sincero e autêntico quanto um 10, um cinco, um três ou um zero.

Em tempo: pra não soar deselegante com o diretor de Redação Sérgio Vieira, agradeço o convite para visitar a redação. Também  fica claro que nossa discordância se refere à nota "10 com louvor".  Sei que  não gostou do termo, tem todo o direito, mas o exagero da benevolência sugere, sim,  piada de mau gosto. Simples assim. Já o trabalho do DGABC jamais foi definido como piada. Pelo contrário; é de suma importância. Mesmo com uma credibilidade ao sabor dos ventos de ontem e de hoje. A Carta do Grande ABC é um belo exemplo. Desde que seguida à risca.  Quanto  à dedicação, ao currículo e às conquistas profissionais do jovem  -- e, tomara, promissor -- diretor, merecem total respeito deste veterano metido a besta. Afinal, são  10 anos de casa. Tempo suficiente para conhecer uma história de seis décadas. Espero que o diretor a conheça, de fato.   
     
    
 



 
-- 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A laje, a panela e o socador de caipirinha

Menos de um minuto depois do discursos rocambolescos de Lula, Dilma e Rui Falcão e da encenação do ator José de Abreu -- o mesmo que defende o nobre Zé Dirceu -- meu telefone fixo toca sem parar.

Até  achei que fosse alguma menina educada da Abril a sugerir que eu antecipasse a renovação da assinatura da Veja. Também poderia ser alguém da GVT ou da NET oferecendo serviços de telefonia padrão FIFA.

Nada disso! A surpreendente ligação era do primo do  Zorro, amigo antigo que sempre fala do nosso Santo André, hoje esquecido no implacável  baú do futebol profissional.

Sem máscara, o Zoinho foi direto ao assunto:

-- Alô! É o Raddi? Aqui é o Zoinho, primo do Zorro. Já assisti jogo do Santo André com vocês. Lembra de mim?

-- Falaí Zoinho! Lembro sim. Naquela tarde, com o Bruno Daniel lotado, Corinthians e Ramalhão empataram de 0 a 0 na despedida do guerreiro Zé Maria, um dos maiores laterais da história corintiana. Foi na década de 80. Mais precisamente em 83, com mais de 21 mil pagantes. Éramos jovens.

-- Isso mesmo! Então... tô ligando aqui do meu apartamento  aqui na Agenor de Camargo, vizinho da tua casa. Só que o assunto não é futebol.

-- Peraí... Se for pra  arrumar emprego pra parente, ser avalista ou emprestar dinheiro, tô fora hein!

-- Nada disso! É que, aqui do alto, da sacada,  acabei de te ver você aí no seu terraço...

-- Terraço uma pinóia! Você deveria dizer a laje mais cobiçada da província. Não troco por nenhuma varanda gourmet no bairro Jardim.

-- Que seja! Afinal, estranho quando você não aparece aí de sábado e domingo na hora do almoço. Caipirinha, cervejinha com os amigos. Vidão hein?

-- Ei, você ligou pra falar da minha caipirinha? Quer de jabuticaba, de lichia ou de melancia?

-- Não,  liguei pra falar da sua panela. Não consegui gravar mas vi que durante a fala dos suprassumos da honestidade, da ética e da competência você estava fazendo um barulho danado. Cara, o que era aquilo?  Tinha mais som do que as buzinas.

-- Ah! Nem te falo. Aqui em casa vai dar problema. Panela de arroz da patroa não é das mais novas; tampouco resistente. Daí que deformou. Um calombo com cara de ovo de tanto eu bater contra o estado de insolvência em que os quadrilheiros de plantão colocaram o País.

-- Mas era muito alto Raddi! Cê tava batendo com quê? Ninguém ouvia o meu apito.

-- Socador de caipirinha! Eis o segredo. Tem de ser de madeira boa, firme; daquelas de cajado de peregrino de verdade. Meti o socador com vontade. Tenho um reserva, de metal. Com ele a panela iria abrir o bico de vez.

-- Por que tanta raiva? Tire esse ódio do coração. Eles são legais; são bonzinhos. Você não ouviu o que eles falaram do FIES, do Minha Casa Minha Vida, do Bolsa Família, do Pronatec?

-- Nem precisa. O discurso não muda. Crise? Velá! Nossa economia sempre foi uma fortaleza indestrutível. O BNDES é a salvação da lavoura,  cubana. A Petrobras é a pérola da coroa, venezuelana. Todos os "picaretas" do Congresso são exemplos de dignidade, de transparência ( Noruega 7 a 1), de comprometimento. Não existiu mensalão. Não existe petrolão. Nem desemprego. Olha o Grande ABC, palácio das montadoras e berço do sindicalismo selvagem. Já o  aposentado recebe uma fortuna. A saúde só não está na UTI por falta de vagas. A segurança do cidadão comum é nota 10. Eles brincam com a nossa paciência, menosprezam nossa inteligência.

--  Raddi, posso falar?

-- Me desculpe; ainda não terminei. E a nossa "pátria educadora". Que piada! Nossa educação é risível em comparação com o mundo desenvolvido. Finlândia 7 a 1.  É muita cara-de-pau.  Cinismo, arrogância, ironia, empáfia, deboche puro... Credibilidade no fundo do poço,  e ainda insistem em  tripudiar e desqualificar ou fazer ouvidos de mercador às acusações de corrupção e outras de sem-vergonhices. Doações legais, dentro da lei! Forjadas! Kkk! Me engana que eu gosto. Fico indignado mesmo. Só conversa fiada para boi dormir. Tô de saco cheio! Por isso esse grito doído, do fundo da alma, mas com cheiro de liberdade. E daí? Quem tem moral  pra me impedir?

-- Poxa! Nossa! Você desembuchou quase tudo que eu queria falar. Não deu folga. Foi num fôlego só.  Mas fica a sugestão: já que não temos um navio com fundo falso em zona de tubarões, que tal enfiar todos os exemplares de mau-caratismo na coqueteleira e socar, triturar, amassar? Melhor com pinga; o omi gosta duma branquinha. Se bem que hoje ele também é daselite. Bota banca com uísque importado.

-- Zoinho, a idéia do navio não é novidade, mas atende melhor aos interesses do povo. E dos tubarões.  Mesmo porque, minha coqueteleira é pequena e  ficaria contaminada; meus amigos sentiriam nojo, asco.

--  E o socador, não descascou? Não quebrou? Caramba!

-- Não! É forte! Comprei lá no Salim. No caso, simboliza decência e uma dose de esperança. Simboliza contestação; clama por justiça. Simboliza o nosso direito de cidadão. É um sonoro não aos aloprados. É bom ressaltar que aloprados não são privilégio da cor vermelha. Tudo quanto é partido tem.  E tomara que o panelaço contestatório signifique um futuro melhor pra nossos filhos e netos. Por isso você ainda vai ouvir muito barulho na laje mais cobiçada da província. Por sinal, província comandada, com raríssimas exceções,  pelos mesmos imbecis juramentados. Eles precisam ser cobrados. Afinal, não são donos do corguinho que passa no fundo de casa.

-- Corguinho? Valeu Raddi ! Nos falamos quando o Santo André voltar a campo. Tamu juntu! Boa noite!

-- Valeu, Zoinho! Dá um abraço no Osório.

-- Onório?

-- Eu disse Osório, Osório, o técnico do seu time. Aquele das canetinhas. Quer apostar quanto? Empate é seu. Quer saber? Dou dois de lambuja.

-- Tô fora! O seu Corinthians se garante na estabilidade. Já o meu time é muito instável. Não passa firmeza.  Mas clássico e clássico, né? Deixe de ser garganta. Posso te ligar domingo depois da seis hein!

-- Certo Zoinho. Simples brincadeira após  tanta baboseira em cadeia nacional. Só pra terminar: tem falado com o seu tio petroleiro? Dá um abraço de tamanduá nele; enforca o camarada, se possível, e faz o espertão devolver a grana que roubou em conluio com políticos picaretas. Com o perdão da redundância.

-- Cara, você não ficou sabendo? Titio Cerveró tá no xilindró. Vai pegar uma cana braba. Nada de abraço. Nem escreva que é meu tio. Tchau!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Zero, a faixa e o avesso

Zero é um amigo antigo. Professor de Educação Física aposentado. Como eu. Como não tem muito o que fazer além de viajar, caminhar e se exercitar na academia do Primeiro de Maio, sobra tempo até para ler o blogdoraddi.

Porém, não nos vemos com frequência. Pelo menos comigo, o Zero sempre foi bem autêntico. Reclama, cutuca, elogia, sugere, critica e lamenta quando fico muito tempo sem escrever. Normalmente porque estou no aconchego de alguma montanha/ trilha.  Ou curtindo os netos.

E não é que hoje cedo, correndo no Parque Central, o Zero me pregou um susto:

-- E aí meu amigo... tá ficando  véio e vagabundo hein! Não escreve mais por que? Montanha, caminho, preguiça ou falta de tempo?

-- Grande Zero! Tudo bem, meu amigo? O Parque Central não é  tua praia; seu lugar é lá no Duque, hoje Celso Daniel.

-- Vim aqui só pra te cobrar. Entro no blog todo santo dia e não vejo nada de novo. Você não escreve mais? Perdeu a embocadura ou não tem mais saco pra contestar as mesmas coisas?

--  Pode ser, Zero. Tudo é muito igual. Repara que nossas reclamações são sempre as mesmas? E os caras não mudam, não reagem. Só pioram. Só roubam. Prometem mas não fazem nada. Menosprezam inteligência e testa nossa paciência

-- Então ... Tenho uma sugestão de texto: vi ali em cima, na entrada do campo, uma faixa pelo menos interessante.

-- Diz o quê?

-- Mais ou menos isso: "Nós, jogadores do Independente (?),  agradecemos o prefeito Carlos Grana e o Irineu pela manutenção do nosso campo".

-- E daí?

-- Para pra pensar cara-pálida. Parece um jacu. Você não é tão burro. Embora aposentado, cadê aquele faro jornalístico? Cadê o senso crítico?

--  Vamos por partes. Se eu me perder, recorro à prateleira, aquela tática tão desprezada pelas mulheres já elas conseguem falar sobre tudo ao mesmo tempo.

-- Essa é boa! Mulher é foda né? Nunca vi. A sua é que nem a minha? Consegue falar de tudo sem misturar, sem se perder?

-- Mais ou menos. Mas nosso assunto é o campo do parque, a faixa de agradecimento. Primeiro que o pessoal do Independência não tem de agradecer  prefeito nenhum. É obrigação do Poder Público cuidar dos campos distritais. Só entendo que a coisa anda tão preta e o caixa tão raso, no volume morto,  que todos os clubes que  têm a permissão de uso dos campos deveriam ser parceiros de fato. Colaborar com a Prefeitura não vai matar ninguém. Afinal, muitos deles pagam  até "bicho" para jogadores. Não é mesmo?

-- Raddi, sabe que você tem razão. Sei de vários times amadores de Santo André que "contratam" e pagam jogadores de Diadema, São Bernardo, São Vicente, Osasco, Guarulhos... Então, vamos ajudar os caras. Já que usam. A não ser que tudo isso tenha como compensação o velho voto de cabresto. O time usa o campo e vota no cara certo. Quase sempre errado. Que merda né?

-- Zero, há outro detalhe na faixa né. "Nosso campo". Como nosso campo? O Independência, como todos os outros, tem apenas a permissão de uso. Ninguém é dono de nada. Quer dizer, o campo é de todo cidadão andreense e deveria ser melhor utilizado por todos, inclusive o Poder Público e pela população. Deveríamos tem escolinhas de futebol e outras modalidades, como atletismo, em todos os distritais.

-- Mas o problema de tomar conta e não manter é antigo né Raddi?.

-- Certo, amigo. Há mais de três décadas dirigentes de clubes amadores se adonaram dos espaços por conta da omissão e da incompetência dos homens públicos. Poder Público que raramente faz intervenções consistentes. E agora recebem agradecimentos porque passaram a máquina pra nivelar o terrão.  O  quarentão Independência está na dele.

-- Mas quase todos os campos da cidade apresentam os mesmos problemas. Ouvi falar que  alguns ainda têm famílias morando nos vestiários. Quando não abrem um boteco ou usam para prostituição e consumo de drogas. Também alugam o que é do povo pra escolinhas de futebol privadas, de nome.

-- Zero! Zero! Me lembrei de um campo ali perto do Bruno Daniel. Acho que ainda é dividido pelos tradicionais Vasquinho e Portuguesinha. Há mais de cinco anos vejo carretas e outros veículos estacionados no espaço. Também há  propagandas em outdoors e nos muros, provavelmente sem que o destino seja o Fundo de Apoio ao Esporte Amador, se é que  ainda existe na Prefeitura inimiga do Esporte.  Será que alguém está levando por fora?

-- Como assim, professor? Tá sonhando, delirando?

--  Em terra de mensalão, petróleo, semasão e ladrão padrão FIFA, por que não distritão clubista?  Além de usar o campo, alguém deve estar a faturar uma grana nas costas de um espaço público, o que é ilegal.

-- Cara, eu não tinha pensado nisso!

-- Eu entendo; você se aposentou como professor de Educação Física. Além disso, já passou dos 60.

-- Depois dessa é melhor eu ir embora. Lá no Duque ninguém me ofende.

-- Calma Zero. É brincadeira. Afinal, não somos velhos amigos? E não é mais Duque de Caxias; é Celso Daniel.

-- Pois é, como diz a Lelê, intimidade é uma merda. Vou contar pra tua mulher que você me ofendeu. Melhor  mesmo quando você está na montanha ou naquele Caminho do Mé. Assim não te encontro.

-- Cê tá loco? Caminho da Fé! Não é do mé!

-- Tá bom! É mais fácil você subir em Agulhas Negras pra conversar com Deus do que rezar na basílica de Aparecida. Toda vez você e seus amigos tomam cerveja, mé. Não são peregrinos; são perevejas, perebrahmas, perechaças. Tudo, menos peregrino!

-- Por hoje deu. Tchau!

-- Raddi, peraí. Dá um abraço no Daniel. Por falar nele, você também vai voltar pro Diário?

-- Tá maluco? Só se for pra escrever o Confidencial acima de dois mil e quinhentos metros de altitude. Cê tá de brincadeira! Tchau!

-- Chiiii! Tô atrasado pro almoço. Minha mulher vai me fritar. Fui! Tchau!

-- Zé! Zé!

-- Fala!

-- Tua camiseta tá do avesso!

Em tempo: só hoje (12 de agosto), percebi que o agradecimento é dos jogadores do "Independente". Mais uma gafe imperdoável.  Lógico que os jogadores não têm nada a ver com a faixa. Sabem que jogam no Independência. Independência!!! Deve ser mais algum puxa-saco de um prefeito que não está nem aí para o esporte da cidade.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Nota 10 pro DGABC é piada! Cinco é o limite

Há pelo menos 15 dias estou engasgado pra comentar um detalhe que encarei como piada de mau gosto.

Respeito a opinião dos jornalistas entrevistados no programa Diálogo Aberto, do companheiro Daniel Lima, mas discordo frontalmente.

Questionados sobre que nota histórica dariam ao jornal Diário do Grande ABC, o diretor de Redação Sérgio Vieira e o  excepcional jornalista e memorialista Ademir Medici, meu amigo, não tiveram qualquer dúvida.

Como numa apuração de desfiles carnavalescos, "nota... déeeez". Só faltou a ênfase do locutor oficial. Torcedores paulistas da Gaviões da Fiel e cariocas da Beija-Flor lotariam a arquibancada e iriam ao delírio.

Porém, aqui, num cantinho reservado à imprensa (independente) eu estaria a vaiar. Trabalhei na editoria de Esportes do DGABC por quase 15 anos e fico muito a vontade pra discordar.

Minha nota pode até ser contestada, mas  é a mesma do sempre rígido, polêmico responsável e competente Daniel. Nada mais do que um cinco.

História do Diário merece ser enaltecida e  respeitada por todos nós, cidadãos do Grande ABC. Afinal, são 57 anos de muita dedicação  diária às coisas de uma região com quase três milhões de habitantes.

Só que, nota 10 é demais pra minha cabeça. Afinal, como todos, o Diário de ontem, de hoje e de amanhã vai acertar e errar.  Qual o problema? Vai questionar e ser questionado. Seu compromisso é com o leitor.  Por isso a credibilidade não pode oscilar tanto em quase seis décadas.

No quesito jornalismo, já cansou de fazer besteira. A começar por uma linha editorial que só agora -- gostem ou não, com as intervenções cirúrgicas do Daniel Lima e a correspondência da equipe --  volta a assumir uma postura de comprometimento  verdadeiro com o Grande ABC.

Tempos atrás, talvez mais de uma década, lançou o slogan definindo-se como braço direito do Grande ABC. Pois é... esqueceram do esquerdo. Por isso andaram fazendo tudo pela metade.

Por isso campeava o compadrio. Por isso brotavam acertos escusos e subterrâneos com o Poder Público. Ao sabor dos ventos e da coloração partidária. Ai de quem não rezasse pela cartilha da Catequese. Pau nele!

Por isso a falta de profissionalismo responsável.  Por  isso a ausência de linha editorial de fato. Por isso derrapagens aos borbotões. Por isso, em alguns períodos, um trem de incompetências a prestar desserviço ao cidadão do Grande ABC.

Por isso a bela história, alternando momentos de jornaleco com posturas de um grande jornal regional, não merece mais do que o cinco da imparcialidade. Com todo respeito, nota 10 é agrado de sonhadores.

Só pra completar: se o importante DGABC deixar de existir nosso mundinho será ainda pior. Já foi ruim com ele, quase exclusivo porque dominador. Pior sem ele,

Que os novos trilhos o conduzam por muitos anos. Sem mentiras. Sem omissões. Sem protecionismo. Sem parcialidade. Sem brincar com a  nobre arte de informar, analisar, questionar e transformar a sociedade.

Uma bela história nem sempre é sinônimo de nota 10.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Mais 110km nas montanhas e vales da Mantiqueira

Adoro  trilhas, caminhos, montanhas, vales, rios... O que não é novidade pra quem dispõe de seu tempo precioso para ler o Blogdoraddi.

Por isso, e para exercitar o direito de ser livre,  na semana passada, ao lado do amigo- irmão Nivaldo, o Cal, voltei aos lindos e por vezes  desafiadores morros da Serra da Mantiqueira. Montanhas e vales verdes de fé, companheirismo e liberdade.

Desta vez, a quarta,  foram cerca de 110 quilômetros de desafios, de Paraisópolis a Aparecida. Mais de 150 mil passos em quatro dias. Caminho mais democrático, impossível.

Como aquecimento, no domingo, eu e o Bruno, filho do Cal,  subimos a Pedra do Forno, em Gonçalves-MG. Céu azul e visão de 360º. Imperdível!

Companheiros de viagem e de vida, eu e o Cal dormimos em Paraisópolis. Por sorte em quartos separados, porque ele ronca muito.

Pousada da Praça, comandada com maestria pela Jandira, sempre nos recebe de braços abertos. Tudo sem restrições, inclusive o belo café da manhã, por R$ 66. Custo benefício ideal.


                                                              ARROZ E FEIJÃO NOTA 10 

Saímos às 6h30min para enfrentar 28km até a pousada da dona Ines e do seu José, quatro quilômetros depois de Luminosa, distrito de Brasópolis-MG.

Após subir a serra,  antes do meio-dia aportamos momentaneamente no Cantagalo, na  pousada da Vó Maria. Como sempre, fomos muito bem recebidos e atendidos pelo Rodrigo Jucemar e pela dona Elza, autora do melhor arroz com feijão caipira da face da terra.

Gastamos R$ 40, os dois, incluindo almoço com filé de frango, abóbora, chuchu com ovo, salada, mais ovo frito, suco de mexerica, uma pinguinha da casa e quatro latinhas de Itaipava. Juro que pagaria quarentão só pelo arroz com feijão e pelo dom de receber que todos por ali demonstram.

Barriga cheia, respiramos fundo e pé na estrada. Subida leve, descida pesada até Luminosa e aclive médio até a dona Inês, onde chegamos às 16h30. No primeiro dia foram 28km, com ascendentes próximas de 400m de altimetria. Não é pouco!  Precisa ter caixa e perna!

Gastamos R$ 52 cada um -- jantar simples, mais quatro Itaipavas, uma pinguinha daquela escondida sob a pia, pouso e café servido às cinco e meia da manhã. Quarto amplo, com quatro beliches e duas camas de solteiro,  pra dez pessoas. Graças a Deus, só nós dois. E bem distantes! Kkk...

                                                              "QUEBRA-PERNA"

Às seis da matina, ainda no escuro e com direito a nevoeiro e uma vista inesquecível de Luminosa, lá embaixo, saímos para cumprir a segunda perna da jornada de quatro. Previsão de 32km tendo o desafiador "quebra-perna", um dos carmas dos peregrinos,   como obstáculo maior.

Encaramos no peito, na garra! Por volta das 11h já estávamos  no ponto de maior altitude do Caminho da Fé, já no asfalto, ali perto da entrada para a Pedra do Baú. Em seguida, já pregados e com dores nas panturrilhas, começamos a descer e passamos pela pousada Barão Montês,  onde comemos e  pernoitamos na empreitada anterior.

"Mergulhamos" com diferença de altimetria de 400m, até Campista, bairro de Campos do Jordão-SP, na divisa com Minas. Dali até Campos do Jordão foi um parto, muito difícil.

Foram mais de 15km, com bastante sombra das matas e predominância de ascendentes -- mais 400m -- até chegar ao asfalto. Chegamos ao hostel Campos do Jordão extenuados, já  às cinco e meia, próximo do anoitecer. Com assaduras glúteas e de mau humor!

No total do dia, um absurdo; caminhamos perto de 34km. Um excesso, reconheço. Ficamos no aconchego da Minda, em quarto com banheiro privativo, e gastamos R$ 80 cada um.

Pernoite mais café da manhã no capricho, antes das 6h. Um  doce achado, em se tratando da sempre inflacionada Campos do Jordão em alta temporada.

Fica a sugestão: hostel Campos do Jordão, ali na Abernéssia, pertinho da estação, é alternativa bem interessante também aos turistas tradicionais e aos  peregrinos de todos os caminhos de fé. Vale a pena conhecer.

Às 6h30 do dia seguinte, já sem assaduras -- hipoglos resolveu mesmo --   ali bem próximo,  pegamos o ônibus até o Horto Florestal. A pé é muito arriscado em asfalto recheado de curvas fechadas e sem acostamento.

Optamos pela estrada de Pedrinhas, em detrimento da tradicional Caminho da Fé, que desce pelos trilhos da antiga linha férrea em direção a Pindamonhangaba. .

                                          PEDRAS NO MEIO DO CAMINHO

Dispostos, renovados e motivados para enfrentar mais 28km, até a pousada do seu Agenor e da dona Maria, já no distrito de Pedrinhas, saímos do horto exatamente às 7h10min. 

Diferença de altimetria foi brutal: 550m ascendentes e 1250m de descendentes. Ledo engano afirmar que na descida todo santo ajuda. Com todo respeito, Nossa Senhora Aparecida precisou dar uma forcinha.

Afinal, lá em cima encontraríamos o Caminho de Aparecida. Subidas até a pousada Santa Maria da Serra, onde já fiquei ao lado de outro amigo-irmão, o Zé Luiz, na caminhada anterior, ano passado, foram brabas. Felizmente, tempo encoberto e bastante sombra foram companheiros.

Almoçamos, e bem, lá na Sandra, que comanda a pousada enquanto o marido, João Alves de Souza, o Passarinho, administra a extensa fazenda Lavrinhas.  Gastamos, os dois,  apenas R$ 50, incluindo água e duas cervejinhas.

Sandra e Passarinho foram atletas de elite do SESI de Santo André, na época de Elói Schleder, Adauto e cia, quando nosso atletismo dava as cartas no cenário nacional. Bons tempos. Hoje estamos numa draga danada, à mercê de um Poder Público que dá as costas ao esporte.

Formada em Educação Física, Sandra Ferreira deu aulas na Prefeitura andreense. Já Passarinho ganhou inúmeras provas internacionais,  em três oportunidades fez pódio na tradicional São Silvestre e virou técnico. Conversamos rapidamente.

Estômagos forrados com fartura, é hora de descer, descer e descer,  até Pedrinhas. Saímos por volta do meio-dia e  na primeira curva vislumbramos inúmeras cidades do Vale do Paraíba. Chegamos no seu Agenor pouco depois das quatro da tarde.

Ícone da nossa literatura, com certeza Carlos Drumond de Andrade se cansaria de tantas pedras no meio do caminho. Ou estaria fazendo poesia até agora! Afinal, como "recitou" o poeta, "tem uma pedra no meio do caminho; no meio do caminho tem uma pedra". Pior: ladeira a baixo

Poesia e pedras a parte -- risco de torções aumentou -- , vencemos mais uma batalha. Com direito a um visual deslumbrante do bairro do Gomeral. Um vale verde a perder de vista. Uma paisagem sensacional! Mesmo que vista pela quarta vez. Mais uma dádiva da natureza.

Fomos bem recebidos pelo casal, seu Agenor e dona Maria. Como sempre. Tudo na simplicidade, mas a contento. Jantar bom, pernoite e café da manhã bem simples por apenas R$ 50 cada um.  

Seu Agenor é daquelas figuras folclóricas. Solta uma piada atrás da outra. Anda às voltas com a próstata e com o  diabetes. Também com as vacas, com "evangélicos que gritam muito" e com a picadeira de cana que nos acordou antes das quatro da manhã.

Exemplo: assim que chegamos o Cal cismou de perguntar se ali pegava celular. "Pega, pega sim. Na mão. Cê num tá com ele na mão?" . Dizer o quê? Melhor dar risada sem dó, pedir uma pinguinha e preparar a goela pra cerveja.

Aí eu pedi uma. Encostei no balcão e o gozador me serviu um copo (daqueles comuns, de cerveja) cheio. Cheio! Pinga da região, com  lascas de sassafrás. Deliciosa!

Até levarmos um susto ao ler no recipiente: Castrol. Isso mesmo! Ninguém acha que a marvada se chama Castrol ou tem algum parentesco com a Petrobras né? Num galão de Castrol...É brincadeira!!!

                                                          CAMARÃO DE ÁGUA DOCE

 Apesar do somatório de cansaço, nosso último dia seria café-pequeno diante dos anteriores. Entre 21 e 22km -- diferente dos 19 restantes anunciados na placa em frente à pousada do seu Agenor -- até Aparecida.

Sem subidas nem descidas, e com direito a um belo nascer do sol, saímos às seis da manhã e chegamos à basílica de Nossa Senhora Aparecida pouco depois das 11.

Sem subidas nem descidas; caminhamos no plaino, entre pastagens, fazendas de gado leiteiro e garrotes de corte.  Até o nosso Caminho de Aparecida -- originário de Alfenas-MG -- reencontrar o da Fé em seu novo trajeto de chegada.

Triste mesmo foi passar novamente por Potim, que  há mais de 20 anos virou cidade após se emancipar de Guaratinguetá. Lamento a impressão, mas uma cidade feia, suja, com calçadas estreitas,  muitas casas amontoadas e arborização quase zero. 

Potim -- em tupi, significa camarão de água doce, antes abundante num riacho local -- tem cerca de 20 mil habitantes. Por onde passamos, presença do Poder Público parece utopia, miragem.

Mais tarde, na imponente basílica -- em contraste com a própria cidade --, preces feitas, agradecimentos externados, esperamos o Bruno e da dona Cacilda, mãe do Cal, e pegamos carona até Santo André.

Mais uma vez, valeu a pena. Caminhar à sombra  de um amigo tão leal me faz sentir um ser privilegiado. Fico feliz  e eternamente grato ao ser conduzido pelas mãos de Deus.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Nada muda no Parque Central

O tempo passa e pouco, ou quase nada,  muda no nosso belo Parque Central. Fazer o quê, além de reclamar e alertar as autoridades competentes (?).

É bem possível que o pessoal da Secretaria de Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos, comandada por Paulinho Serra, e o prefeito Carlos Grana continuem à espera da verba do PAC prometida pelo Governo Federal.

Kkk! Kkk! É o que dá acreditar na cigana. Ela é analfabeta mas garante ser especialista em leitura de mãos descuidadas e inocentes. Fiquem felizes porque não são vítimas solitárias. Quem sabe nas próximas eleições...

Lagos do nosso sonhado Ibirapuera  continuam assoreados, imundos, matando nossos peixes. Especialmente os lagos menores, praticamente fora do alcance de quem usa o acesso principal e anda pouco pelo parque. Uma vergonha!

Ciclovia também precisa ser tratada com mais atenção. Hoje de manhã, correndo sob chuva e evitando a pista de terra, pude constatar inúmeras rachaduras e saliências que vão provocar acidentes aos ciclistas.

Falta manutenção e sobra abuso de veículos, oficiais ou não. Dentro e fora da ciclovia.  Poucos respeitam limites de velocidade. Isso quando, como hoje, não nos deparamos com caminhões pesados na pista. Um abuso sem fiscalização nem punição!

Quando falo em veículos oficiais incluo viaturas -- nem todas -- da Guarda Civil Municipal. Isso quando se dignam a sair da "casinha", aquela sala na entrada principal. Andar a pé é ousadia de poucos. Talvez de regime.

Por isso nossa segurança fica a desejar. Se alguém for roubado, ninguém  da GCM vai notar. Também não farão nada se os usuários de drogas resolverem "brincar" nos finais de tarde. Um absurdo!

Mesmo porque,  em alguns dias, como ontem,  pelo menos o acesso da Barão de Mauá tem ficado aberto  até bem mais tarde, facilitando a ação de gente de vida tão fácil quanto perigosa.

Com a palavra, o nobre prefeito. Tá esperando o quê pra tomar atitude?

terça-feira, 23 de junho de 2015

Um tratorzão 6.0 no Pico de Agulhas Negras

Pico mais alto do mundo, o sonhado Everest fica na fronteira do Nepal com o Tibet e tem cerca de 8850m. O temido K2, no Paquistão,  vem em segundo lugar com 8611m.

Também no Nepal, fronteira com Sikkim, com 8598m, está o Kanchenjunga. O Lhotse, na face sul do Everest, tem 8501m. Em quinto lugar vem outro vizinho do Everest, o Makalu, 22km a leste, com 8463m.

No Brasil, segundo dados oficiais do IBGE, o campeão de altitude é o Pico da Neblina, com 2993m. Fica no Amazonas, divisa com a Venezuela. Na mesma Serra do Imeri está o 31 de Março, com 2972m.

Nosso terceiro pico mais alto está fincado na Serra do Caparaó, divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo. É o Pico da Bandeira, com 2892m. Em seguida vem a Pedra da Mina, na divisa de Minas com São Paulo. Fica na Serra da Mantiqueira e é nosso próximo desafio.

Com 2791m, o famoso Pico de Agulhas Negras é o quinto colocado em altitude e fica na Serra de Itatiaia, divisa de mineiros e cariocas, dentro do Parque Nacional de Itatiaia, o mais antigo do Brasil.

Pois é... foi que lá que estive no último sábado, na gratificante companhia do meu genro/filho Danilo, do grande amigo e companheiro de viagem, Milton César, e do prestativo guia Val, da Gute Passeios.

Pela terceira vez a sensação de conquista foi emocionante. Uma conquista mútua. Muito mais dela, a montanha,  do que minha. Sim, porque minha amiga sempre me recebe de braços abertos e com brilho nos olhos.

Empatia, identificação e sintonia fina,  sem palavras pra definir. Tudo começou em 2003, se renovou em 2013 e se fortalece agora em 2015, exatamente como planejei, ao completar 60 anos.

Modéstia à parte, de tão motivado, me senti um tratorzão 6.0. Na trilha, na primeira laje escorregadia -- onde se separam os homens dos meninos -- , na segunda; na primeira escalada com corda, nos trepa-pedras sem fim e na assinatura do tradicional Livro do Cume.

Caminhar numa paisagem meio que lunar e chegar ao cume não é pra qualquer um, não! Motivação, superação, confiança, humildade, atenção, coragem, força, resistência, flexibilidade e companheirismo são indispensáveis. É uma lição de vida!

Em Penedo, distrito de Itatiaia, uma sexta-feira de noite e madrugada chuvosas. Operação ascensão corria o risco de ser abortada. Fomos  dormir a uma da manhã pra acordar às cinco e pegar o guia às seis, com km 318 da Dutra.

Tempo ainda estava fechado, com muitas nuvens, também em Engenheiro Passos. Pela estrada asfaltada até a Garganta do Registro -- bar do finado seu Miguel, agora do filho Nelson -- não dava pra ver nada. Garoava.

Pico de Prateleiras, Morro do Couto, Agulhas... nada a vista. Tempo carrancudo, fechado. Na estrada de terra de 13 km que dá acesso à portaria, nem mesmo os mirantes nos permitiam a visão do belo vale ou da Pedra da Mina, do lado oposto, à direita de quem sobe.

No entanto, pouco adiante, ali no Brejo da Lapa, com o termômetro a marcar 5º ( campos de altitude, a 2100m), uma visão tão surpreendente quanto capaz de provocar largos sorrisos de felicidade. Do nada, demos de cara com um céu  todo azul a emoldurar o Sol a despontar.

Nuvens, mais tarde, só lá em cima, depois de superarmos o risco de pedras molhadas. Mas as vimos de cima pra baixo. Do Itatiaia-Açu, um dos ícones do maciço de Agulhas, avistamos um mar de nuvens aos nossos pés. Uma beleza que não me fez sentir qualquer frustração por não poder enxergar as cidades lá embaixo.

Mais uma vez, valeu a pena. Subimos em 3h30min (com descansos estratégicos) e descemos em duas horas, pois as pedras já não estavam tão lisas. A montanha sempre vale a pena. Agulhas sempre vale a pena. Com certeza, lá ainda voltarei com meu neto Victor e meu afilhado Bruno.

Na descida a gente festeja no seu Miguel, com cerveja, chope Kalena, pinga com mel, pastel,  pão com linguiça, queijo mineiro, pinhão, pamonha e muitos, muitos causos. Meninos tomam guaraná Mantiqueira.

Se na via Dutra estiver chovendo canivete não há problema. Os deuses da montanha estarão de plantão. E o astro rei novamente nos acolherá. Com a bênção de Deus!