Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Milagre em cinco batalhas?

Particularmente, não acredito. Mas a possibilidade existe. Sim, o Santo André pode ser premiado com o milagre da salvação. E deve acreditar até o último momento.

Se jogadores, técnico e dirigentes não alimentarem a esperança, quem o fará? Depois da boa vitória de 3 a 0 sobre o ASA, o Ramalhão ainda mantém possibilidades de fugir do rebaixamento à Série C do Brasileiro.

Só que, para o milagre se concretizar é preciso jogar bem mais nas últimas batalhas. São cinco. Os dois jogos em casa são contra adversários diretos -- Ipatinga e Náutico, que perderam na última rodada. Pode acontecer de tudo.

As três partidas fora do Bruno Daniel significam ossos duríssimos de roer. O Bragantino ainda precisa de três pontos pra se livrar, enquanto que o forte Sport quer ocupar uma das quatro vagas do acesso e o tradicional Bahia quer o título. Moleza, né?

A rodada de ontem poderia ter sido melhor, não fossem as vitórias magras de Vila Nova e Brasiliense sobre América de Natal e Guaratinguetá, respectivamente.

Ipatinga e Naútico, ameaçadíssimos, perderam. Até mesmo o rival São Caetano ajudou o Ramalhão ao empatar com o Icasa. Ainda acho que um dos problemas do Santo André vai serr o número de vitórias -- nove, contra 10 do Ipatinga e do Guaratinguetá, 11 do Náutico e do Icasa, e 12 do Vila Nova.

São cinco batalhas à procura de um milagre. O time de Jair Picerni vai ter de jogar tudo o que não jogou nas 33 rodadas anteriores. Assim, quem sabe?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As palavras da presidenta

Já disse que não votei em Dilma. Tampouco votaria na empáfia e na arrogância sem freios do presidente Lula. Também já disse que jamais compraria um carro usado do senhor Luís Inácio.A figura me incomoda sobremaneira. Não confio!

No entanto, nada disso me impede de torcer muito para que a mineira -- e atleticana -- Dilma Rousseff faça pelo Brasil boa parte do que todos os brasileiros esperam. A começar por um governo para todos.

Sem essa de privilégios para a companheirada de ontem ou de hoje. Tampouco para raças, religiões, banqueiros ou camadas sociais mais ou menos favorecidas.

Gostei das primeiras palavras de Dilma como presidenta. Ou presidente, tanto faz.
Confio mais nela do que naquele que a colocou na garupa e fez dela a mais alta mandatária do País.

Só que não dá pra ficar agradecendo eternamente. Nem batendo na porta do padrinho. A fila anda. Que governe como Dilma. Sem prepotência, sem nepotismo, sem politicagem barata, sem revanchismo e sem compadrios.

Competência, trabalho e ética são fundamentais em todos os segmentos. Sem se esquecer da importância do esporte como ferramenta indispensável para a inserção social e para o desenvolvimento dos cidadãos.

Que a presidenta não se limite a pensar em esporte como megaeventos. Tipo Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Pensar grande é encarar o esporte como um todo. É imprenscindível pensar no esporte como ação social, no esporte educacional, nos eventos, no alto rendimento e no lazer.

O exercício da massificação, pra colher a longo prazo, é, há muito tempo, o pulo-do-gato. Pensar no esporte a curto prazo é um tiro no pé. Ninguém vai colher nada se o objetivo se limitar a medalhas de ouro nas Olimpíadas e ao título da Copa. Cuidado com a roubalheira nas obras!

É preciso plantar com paciência em todas as curvas de nível.Sem pressa para a colheita. É preciso entender que a atividade física, independente de considerada ou não esporte, é fundamental para a saúde.

E atividade física sem a orientação de professor de Educação Física não é o ideal. Daí a necessidade de se olhar o profissional da EF como alguém tão importante quanto o médico, o engenheiro, o advogado ou a nutricionista.

Também é necessário pensar na infra-estrutura para que os homens do esporte não tenham do que reclamar. Nem todas as escolas têm uma simples quadra coberta para que se dê uma aula decente. Por que não virar obrigatoriedade de todos os governantes federais, estaduais e municipais? Custa?

Que Dilma olhe para o esporte, para a educação e para a saúde -- todos se entrelaçam -- com extremo respeito. Gastar com esse trinômio é sinônimo de investimento inteligente. E Dilma não é burra.

Sobre Lula e Felipão

Nunca achei Luiz Felipe Scolari um grande treinador. Já defendi, inclusive, sua volta ao comando da Seleção Brasileira, mas jamais o coloquei no patamar mais alto do podium e do ranking de treinadores de futebol.

Felipão teve méritos como campeão no Grêmio de Porto Alegre e no Palmeiras. O Grêmio tinha um time de razoável pra bom, marcava muito e tinha duas ou três jogadas ofensivas mortais. Já o Palmeiras tinha um timaço. Os títulos foram consequência. Bom técnico e bom time quase sempre significam conquistas.

Depois o ex-zagueiro do Caxias chegou ao topo, ao comando da Seleção Brasileira de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e cia de craques extraordinários. Foi campeão do mundo em 2002 e virou herói nacional.

Como técnico da seleção portuguesa, perdeu da Grécia na final da Eurocopa. Na Copa do Mundo, sua estrela não brilhou. Ameaçou, mas não brilhou.

Daí em diante, Felipão passeiou por divisões secundárias do futebol mundial. Até voltar ao Parque Antártica para dirigir um Palmeiras sem tantos figurões e sem personalidade de campeão.

Como sempre, chegou chorando além da conta. Também chegou com ironia, com sinismo, com desculpas esfarrapadas, com agressividade à Imprensa e se colocando acima dee vitórias e derrotas. Deu de ombros até mesmo quando o Palmeiras estava mal no Brasileiro.

As gotas d'água que fizeram transbordar a paciência até mesmo de alguns de seus velhos amiguinhos bajuladores da Imprensa aconteceram nos últimos 10 dias. Primeiro desandou a proferir palavras inadequadas na coletiva de imprensa quando questionado sobre o estranho estado clínico e físico de Valdívia. Depois, generalizou ao acusar os jornalistas e qualificá-los como "palhaços".

Felipão tem personalidade forte e é bom profissional, mas jamais foi bom moço. Só que anda passando do limite. Não precisava usar batina, mas bem que poderia maneirar. Intolerante, o gauchão não aceita se contestado, não permite que alguém ouse pensar diferente dele. Aboliu o contraditório do dicionário e ponto final.

Desconfio, até, que Felipão andou fazendo algum curso intensivo com o presidente Lula. Ambos se julgam acima de bem e do mal. Ambos são donos da palavra final. Ambos se julgam deuses, acham que podem tudo. Todos os outros são reles coadjuvantes num mundo reservado para protagonistas escolhidos a dedo.

Que a Imprensa imparcial e não bajuladora tenha ao menos coragem de bater de frente quando Felipão passar dos limites. Que receba críticas e elogios na medida exata de seus méritos. Sem meias verdades.

Que a Imprensa também tenha a grandeza de reconhecer que usa e abusa do direito de errar, de pecar por atos irresponsáveis e nada profissionais. E que tudo não termine com o manifesto do nariz de palhaço. Talvez sirva, ao menos, para Felipão repensar seus conceitos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Não dá mais!

Com 100% das urnas apuradas, Dilma Rousseff acaba de ser eleita como primeira mulher a presidir o Brasil. Dilma, mais conhecida como Lula, um corintiano que se julga acima de Deus, obteve cerca de 56% dos votos, contra aproximadamente 44% de José Serra, um palmeirense derrotado pela opção do povo e pela máquina pública.

Opa! Me esqueci de que, mais uma vez, ia escrever sobre o ameaçadíssimo Santo André. Voltemos, portanto, ao esporte bretão.

Embora ainda exista um fio de esperança, não dá mais. Que jogadores, técnico e dirigentes acreditem, ainda vá lá, mas a frieza dos números nos mostra um Santo André inexoravelmente rebaixado à Série C.

No início da semana o Ramalhão caiu de quatro diante do América Mineiro. No final de semana, não precisou nem jogar para permanecer de quatro e entre os quatro fadados à degola.

Brasiliense e Ipatinga ganharam e nos deixaram na penúltima colocação, à frente apenas do América de Natal. O único resultado positivo foi a derrota do Náutico, em casa, para o itinerante Guaratinguetá, que vai virar Americana.

Com míseros 33,3% de aproveitamento, o Ramalhão depende de um milagre para se salvar. Conquistou 32 pontos e apenas oito vitórias.

Primeiro dos ameaçados fora da zona de rebaixamento, o Náutico tem 38 pontos e 11 vitórias, o que pode ser determinante no fechamento das contas. Aproveitamento é de 39,6%. Bem próximo do décimo-quinto colocado, Vila Nova, com 39 pontos, 11 vitórias e 40,6% de pontos conquistados.

Tabela mostra que o Ramalhão não encontrará facilidades nos seis jogos restantes. Precisa ganhar pelo menos 13/14 dos 18 pontos a serem disputados. Pela ordem, pega o ASA em casa, Bragantino, fora, Ipatinga (C), Sport (F), Bahia (F) e Náutico no Bruno Daniel.

Difícil é encontrar no Santo André subsídios consistentes para nos fazer acreditar no milagre da salvação. Nem mesmo os pouquíssimos torcedores que comparecem ao Brunão têm motivos para otimismo.

Talvez uma das raríssimas exceções fique por conta do diretor-presidente do Diario do Grande ABC. Coincidentemente, Ronan Maria Pinto também é o dono do Santo André. Portanto, o maior responsável por tudo de bom e de ruim que acontece com o futebol profissional -- ainda -- da cidade.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Políticos, comadres e verdades

Juro que não queria, mas na semana passada resolvi prestar um pouco mais de atenção na propaganda política. Não tenho mais estômago, mas até que foi interessante desviar olhos e ouvidos do futebol e do esporte como um todo.

Fiquei com a certeza de que preciso mesmo acreditar nos dois (?) candidatos à presidência do Brasil. Está aí o pulo do gato. Todos devemos confiar nas palavras de Lula, Dilma, Serra e cia bela.

A cada flash, uma novidade (?). Quantos subsídios! Quantas propostas mirabolantes!Quantas coisas que eu não sabia da Dilma! Quantas informações fresquinhas sobre as lambanças de Serra.

Cara, quantas acusações!Como aprendi a acreditar nos dois, sou obrigado a concluir que nem Serra, nem Dilma -- muito menos o dono do mundo, mais conhecido como Lula -- merecem meu voto.

Pelo que disseram um do outro, ou não prestam, ou são experts na arte de mentir. Se são corruptos, promessões, inexperientes, incompetentes e coisas do gênero, por que escolher um dos dois para comandar a nação?

Estou convicto de que político é mesmo um bicho estranho, exótico, até. Pena que não estão em extinção. Também fiquei com a certeza de que um velho ditado caipira, repetido pelo interior afora, está mais atualizado do que nunca. " Em briga de comadres é que aparecem as verdades".

Foi inevitável me lembrar da infância, lá na Fazenda Boa Esperança. Sá Maria e Sá Bina se davam bem, mas quando brigavam, e quase saíam na mão, sobrava acusação pra todo lado.

E eram comadres em dose dupla. Sá Maria e a seu Albino batizaram o Jair, filho mais velho do Nestor e da Sá Bina, que eram padrinhos do Zé Arthur, primogênito dos compadres italianos.

Pois é... sobravam verdades de corar o mais bobo dos meninos escondidos atrás do tronco da mangueira para ver o pau comer. As vezes eu não entendi direito, pois se xingavam como autênticos carcamanos.

Infelizmente, somos induzidos a acreditar no compadre Serra e na comadre Dilma. Tanto quanto no compadre Lula, na comadre Marta, no compadre Collor, na comadre Marina, no compadre FHC, na comadre Roseane Sarney -- filha do coronel Sarney.

Acreditemos, pois, nas duras verdades de compadres e comadres. Pena que eu não possa votar num boi chamado Gostosão ou numa mula de nome Trepadeira. Que pena! Pelo menos nunca ouvi alguém falar mal dos dois lá pelos grotões da Boa Esperança. Pena mesmo!

sábado, 23 de outubro de 2010

Ramalhão mandou bem

Está certo que o "se" não entra em campo, não faz gol e não defende pênalti. Mas se o Santo André do campeonato fosse 70% do de ontem à noite diante da Ponte Preta, não estaria com a corda no pescoço.

Prestes a cair para a Série C do Brasileiro, o time de Jair Picerni venceu -- 2 a 0 -- e convenceu. Foi um exemplo de aplicação, de doação individual e coletiva, do começo ao fim. Está certo que a equipe campineira facilitou tudo ao se deixar dominar por um marasmo inconcebível para uma camisa de tamanha tradição.

Diferente de outros jogos, desta vez o Santo André não oscilou tanto. Desde o primeiro minuto, o indispensável posicionamento ofensivo, saindo sempre em velocidade, foi a tônica.

Especialmente pela direita, por onde o ala Cicinho deitou e rolou. Só o treinador Jorginho, da Ponte, não percebeu o mapa da mina. Se viu, não tomou providências que resultassem ao menos no estreitamento da avenida quase sempre também utilizada pelo rápido atacante Richelli, autor do primeiro gol após outra jogada do ousado Cicinho.

Mal posicionada defensivamente, a Ponte Preta, que ainda sonha com uma vaga no G4, não encontrava forças para conter um time melhor estruturado. O sistema defensivo do Santo André também deu poucas chances para os atacantes ponte-pretanos. Marcação opressiva, até, deu resultado.

Um momento delicado do jogo foi quando o sempre instável zagueiro Douglas deu um ombrada -- pra mim foi pênalti desnecessário -- em Guilherme junto à linha de fundo e o jogador da Ponte acabou escorregando para dentro do túnel de acesso ao vestiário do time visitante.

Não é a primeira vez que isso acontece naquele local. Mais uma vez, sugerem-se providências do Saged e/ou da Prefeitura. Aquilo é um sabão. Com chuteiras, então, vira um caminhão sem freio.

Ao menos ontem, o Ramalhão mostrou atitude, disposição e arrumação tática de um time que ainda pensa em evitar o descenso. Impossível é ter certeza de que, terça-feira, fora de casa, contra o América Mineiro, a equipe finalmente conseguirá a segunda vitória consecutiva.

Momentaneamente -- agora são cinco da tarde -- o Ramalhão ocupa a décima-sétima posição com 32 pontos ganhos. Só que América-RN (29), Ipatinga (30), Brasiliense (31) e Vila Nova (35) ainda vão jogar pela 31ª rodada.

Faltam sete jogos -- 21 pontos em disputa -- para quem quer se salvar. Mesmo com a corda no pescoço, e sem folga mínima, o Ramalhão não está impedido de lutar. Se acredito? Não! Mas o imponderável costuma passear pelos campos da vida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mais atenção aos distritais!

Prefeitura de Santo André "inaugurou" sábado o maior gramado sintético do Grande ABC. Campo de 100x65 metros supera Baetão e Aramaçan.

Revitalização do espaço na rua América do Sul, lá no Parque Novo Oratório, custou cerca de 600 mil reais, segundo os assessores do prefeitão Aidan Ravim. No entanto, há que diga que custou mais de um milhão.

Na verdade, o preço não vem ao caso. Pode ser discutível, mas o mais importante é o custo-benefício, além da utilização regulamentada. A garantia é de que o ex-campo do Nacional vai ser da comunidade, do futebol amador e das escolinhas da Prefeitura.

No papel, uma maravilha. Na prática, pode ser bem diferente. Portanto, cuidado!Nos outros mais de 40 campos distritais de Santo André quem manda, de fato, não é a Prefeitura. Tampouco a comunidade, que raramente aproveita o espaço.

Políticos e dirigentes do nosso judiado futebol amador se adonaram dos campos. Neles até se joga futebol. Porém, a maioria fica ociosa durante a semana. Todos deveriam ter escolinhas públicas.

À tarde, muitos botecos, alguns bem próximos de escolas, ficam abertos. À noite, alguns servem como ponto de bebedeira, jogatina e/ou droga. Até prostituição já foi detectada num campo na divisa com São Paulo. E faz tempo. Também há quem ganhe dinheiro alugando ilegalmente para empresas, empresários do futebol e escolinhas de clubes.

Que o prefeitão fique atento ao novo e a todos os outros distritais. O time não é dono do campo. O espaço é público, não privado, como muitos.

Também é bom que a população preste atenção se o Cidade dos Meninos não se curvará a interesses políticos. E se não será cedido para treinamentos do futebol profissional ou divisões de base do Esporte Clube Santo André.

A intenção é boa, tanto que já se programa mais uma revitalização. No entanto, olhos bem abertos. Por trás da aparente boa intenção sempre há alguém disposto a tirar vantagem.