Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ronan resiste, compartilha ou larga de vez o Ramalhão?

 

DANIEL LIMA - 5/11/2012

Há três alternativas excludentes a projetar o futuro do futebol de Santo André, durante quatro décadas sob a responsabilidade do Esporte Clube Santo André e há cinco anos cravejado de derrotas sob a denominação de Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva). Desde 2007, quando de fato e de direito migrou do modelo socioesportivo para o esquadrinhamento supostamente empresarial, o Ramalhão caiu pelas tabelas. São seis rebaixamentos em 12 campeonatos disputados, situação que colocou a agremiação na Série B do Campeonato Paulista (safou-se da Série C na última rodada este ano) e na Série D do Campeonato Brasileiro (à qual foi rebaixada dentro de campo já no ano passado, mas foi salva pelo tapetão).

Diante do estado de insolvência institucional, técnica, estrutural, financeira e econômica, parece não haver mesmo no horizonte de curto prazo quem seja capaz de sustentar algo minimamente confortável. A disputa da Série B Paulista no começo do ano que está chegando ganha a forma de ameaça, porque o elenco foi praticamente desfeito após a queda à Série D do Brasileiro, há 15 dias. Um time reverenciado até pouco tempo atrás como símbolo de competência nas páginas do Diário do Grande ABC, jornal de propriedade de Ronan Maria Pinto, mandachuva do Saged, foi completamente aniquilado na última semana. Sobraram poucos jogadores. E mesmo assim a maioria de qualidade duvidosa.

O que vai acontecer com o futebol de Santo André nos próximos tempos? Traçamos três cenários diferentes com base não apenas nas circunstâncias mas também em fatores históricos:

1. Ronan Maria Pinto segue dirigindo o Saged de forma autocrática e devastadora, na tentativa de provar o improvável: que entende de futebol e de gestão esportiva.

2. Ronan Maria Pinto cede parte do controle do Saged a indicados do prefeito petista Carlos Grana, em troca de suporte publicitário da Administração Pública e do governo federal petista à publicação que dirige e também de patrocínios à equipe.

3. Ronan Maria Pinto sente-se completamente isolado e devolve o ex-Ramalhão à direção do Esporte Clube Santo André.

Destrinchando as alternativas

O detalhamento dessas possibilidades é mais que necessário para compreender o que se avizinha a uma agremiação que terá enormes dificuldades para recompor-se entre as forças de médio porte do futebol brasileiro. Uma agremiação que chegou ao estágio mais desolador em quase meio século de existência, sempre considerando como parte integrante da história os cinco tenebrosos anos sob a administração do Saged.

Primeira alternativa – Ronan Maria Pinto segue dirigindo o futebol da cidade. A experiência desanimadora de cinco anos de autocracia, de dívidas estratosféricas, de desmonte da estrutura de formação de jogadores deixada pelo Esporte Clube Santo André quando da transposição do modelo socioesportivo para o empresarial, tudo isso parece não ter impressionado o dirigente. Ronan Maria Pinto estaria decidido a não entregar a rapadura nem mesmo ante o estouro de novo escândalo a envolvê-lo, conforme denúncia da revista Veja. A possibilidade de enormes contratempos que um dos principais operadores do mensalão, o publicitário Marcos Valério de Souza, lhe imporia, colocou Ronan Maria Pinto na defensiva, mas não a ponto de levá-lo a jogar a toalha esportivamente. Ronan Maria Pinto é denunciado por Marcos Valério no Ministério Público Federal por suposta chantagem ao então presidente Lula da Silva e ao então ministro Gilberto Carvalho por irregularidades na gestão de Celso Daniel na Prefeitura de Santo André. Há tempestade à vista. A oposição mobiliza-se para levar adiante investigações lastreadas no depoimento de Marcos Valério.

Segunda alternativa – Não está descartada a possibilidade de, mesmo sob o fogo cruzado de Marcos Valério, Ronan Maria Pinto continuar a comandar o Saged, agora com a companhia de representantes do PT da Província do Grande ABC. Haveria interesse da direção do São Bernardo Futebol Clube, especialmente do presidente Luiz Fernando Teixeira, em estender o domínio do futebol vinculado ao partido também a Santo André. O São Bernardo Futebol Clube tem estreitas ligações com o prefeito Luiz Marinho. Haveria uma aproximação com o prefeito eleito Carlos Grana. A perspectiva de que Ronan Maria Pinto poderia, como Edinho Montemor, em São Bernardo, virar presidente de honra, acabou abalada mas não afastada. O problema todo gira em torno não só das denúncias de Marcos Valério, mas também das dívidas do Saged, cujos valores são mantidos a sete chaves. Haveria viabilidade de criar-se nova empresa para acomodar os dirigentes do São Bernardo. Ronan Maria Pinto sairia de cena oficialmente, mas teria voz ativa nos bastidores.

Terceira alternativa – Ronan Maria Pinto estaria encalacrado de tal forma que não lhe restaria saída imediata senão acertar a toque de caixa a devolução do futebol ao Esporte Clube Santo André. Sabe-se que há resistência do clube que por 40 anos administrou o futebol com relativo sucesso. O que se pretende entregar é uma agremiação devastada tecnicamente, sem lastro econômico e financeiro, desmanchada na organização de divisões de base e com a imagem institucional completamente arrasada. Provavelmente só haveria um encontro de águas se a Administração Pública der total suporte ao futebol. Como nos tempos do prefeito Celso Daniel. E que Ronan Maria Pinto, de alguma forma sustentavelmente legal, assumisse todo o passivo do Saged. Um passivo que deixa brechas enormes a complicações para o Esporte Clube Santo André, porque oficialmente é o clube que representa o futebol da cidade nas instâncias esportivas e, em última instância, também nas áreas previdenciárias e trabalhistas. Sabe-se que passa de R$ 2,5 milhões o buraco atual de obrigações financeiros que o Saged está transferindo para o Esporte Clube Santo André em forma de impostos atrasados e sentenças trabalhistas e previdenciárias. Mas outras ações estão a caminho. O buraco pode multiplicar-se porque tem o formato de saco sem fundos.

É a terceira alternativa?

Se tivesse de apostar alguma coisa numa das alternativas, ficaria com a terceira. E mesmo assim com enormes dificuldades de consumação. Tudo vai depender da disposição do presidente do Esporte Clube Santo André, Celso Luiz de Almeida, e do ex-presidente Jairo Livolis, apeados do Saged por decisão de Ronan Maria Pinto. O afastamento dos dois dirigentes, em setembro de 2007, deixou um rastro de mágoa que o tempo pode ter apagado ou reduzido, mas provavelmente lhes ensinou uma lição que Ronan Maria Pinto subestimou: o voluntarismo com que o Esporte Clube Santo André foi conduzido ao longo dos anos não cabe mais no figurino do futebol destes tempos e não poderia ser reproduzido nem mesmo em situação emergencial. Tanto Jairo Livolis quanto Celso Luiz de Almeida dominavam essa percepção naquele 2007. Principalmente Jairo Livolis, autor intelectual da terceirização do futebol do Ramalhão. Tudo bem esquematizado. Só esqueceu de combinar com Ronan Maria Pinto.

Qualquer outra vertente que venha a se configurar resolutiva para o futebol do Esporte Clube Santo André derivará desses cenários. Não há outra estrada a percorrer. Transferir o futebol de Santo André a um grupo de investidores é utopia após o desastre do Saged. Dúvidas sobre o passivo financeiro impediriam avanços nas negociações. Sem contar que as seguidas quedas da equipe na hierarquia estadual e, principalmente, nacional, são uma ducha de água fria para quem vê futebol muito além das quatro linhas.

O Saged deste final de 2012 encurtou o horizonte já dúbio que o Esporte Clube Santo André reconhecia naquele começo de 2007, quando Jairo Livolis levou adiante a proposta de adotar modelo empresarial. Os acionistas do Saged não formaram um braço de suporte diretivo em vários departamentos porque Ronan Maria Pinto jamais levou a sério algo que aproximasse minimamente o futebol de métodos administrativos modernos. Restaurar a credibilidade do futebol de Santo André é uma tarefa árdua e demorada. Dentro e fora de campo. O prefeito eleito Carlos Grana sabe que seu prestígio está em jogo. Se não conseguir organizar e amarrar um pacote de soluções, tomará o lugar do antecessor Aidan Ravin, transformado em bode expiatório de uma derrocada que tem apenas um responsável – o homem agora sob a mira de Marcos Valério e do Ministério Público.

São Caetano volta à briga direta pelo acesso

Rodada de ontem foi uma bênção para as pretensões do São Caetano na Série B. Além da importantíssima vitória de  2 a 0 em Criciúma, o Azulão contou com o empate de 1 a 1 do Atlético Paranaense com o América de Natal.

Por isso, a apenas três rodadas do final do campeonato,  o representante do Grande ABC volta a entrar diretamente na briga por uma das vagas à Série A do Brasileiro em 2013.

O Goiás empatou de  2 a 2 com o Boa Esporte, lidera com 71 pontos e está virtualmente classificado. O segundo colocado é o Vitória, que, em casa, derrotou o América Mineiro por 5 a 3 e chegou a 69.

Com 68 pontos, se vencesse o Criciúma estaria classificado, mas perdeu mais uma em casa e caiu para terceiro. Mesmo com o empate em casa, o Atlético Paranaense manteve o quarto lugar com 66 pontos e 20 vitórias.

Com dois pontos e duas vitórias a menos, o São Caetano ainda sonha com a vaga. Joga duas vezes em casa e uma fora. Nesta sexta-feira, recebe o Boa Esporte e na próxima rodada, também no Anacleto Campanela, pega  o líder Goiás.  Na última rodada, vai a Campinas encarar o Guarani.

Já o Atlético Paranaense viaja para enfrentar o ASA e o Criciúma. Na rodada final, faz o clássico contra o Paraná. Teoricamente, ao contrário do que se vislumbrava três rodadas atrás, agora a sequência de jogos do Furacão sugere maiores dificuldades.

Vitória e Criciúma, que pareciam praticamente classificados, se complicaram nas últimas rodadas. Por isso, tudo pode acontecer daqui até o final. Cinco pontos separam o segundo do quinto colocado.

INTELIGÊNCIA E APLICAÇÃO X TRANSTORNO EMOCIONAL

No encontro de um São Caetano aplicado, técnico, inteligente e com as rédeas das emoções contra um Criciúma desorganizado, apavorado e vítima de transtorno emocional doméstico, vitória do visitante mais indigesto do Série B.

Inicialmente impulsionado pela torcida e pelo sonho de antecipar o acesso com uma simples vitória sobre o quinto colocado, no primeiro tempo o   Criciuma  foi um pouco superior.

Montado num 4-3-1-2 aparentemente cauteloso para proteger uma defesa limitada, o Tigre teve mais posse de bola e quatro bons momentos de gol, contra apenas dois de um  Azulão formatado num ousado 4-2-1-3, sem Marcelo Costa.

Seguro, com boa movimentação, sincronismo dos três setores, sério no sistema defensivo e sem liberar tanto os laterais, o São Caetano tinha dois volantes e em Pedro Carmona o único meia para armar e municiar um ataque que  também ajudava no fechamento de espaços.

O gol contra de França, aos 28 minutos, quando o anfitrião estava melhor,  começou com o escanteio cobrado pelo armador. Na segunda oportunidade do Azulão, 10 minutos depois, com Danielzinho, enfiada de bola também foi de Pedro Carmona. Danielzinho passou pelo goleiro Douglas Leite mas falhou na conclusão.

O segundo tempo começou o Criciúma mais ofensivo. Com o objetivo de buscar o empate, trocou o volante Elias pelo atacante Gilmar e o 4-3-1-2 virou 4-2-1-3.

Em contraposição, o técnico Ailton Silva tentou se fechar e substituiu o inoperante atacante Geovane por mais um volante. O 4-2-1-3 virou 4-3-1-2. Só que Marcone saiu machucado logo aos seis minutos e deu lugar ao meia Éder.

Moral da história: com dois meias, o São Caetano adotou o 4-2-2-2. Com inteligência e maturidade, apostou em contragolpes rápidos, como no primeiro tempo, e na marcação incessante e quase perfeita do sistema defensivo.

Desesperado, com os nervos à flor da pele e sem poder de organização, penetração e conclusão, o Criciúma virou refém de uma infinidade de erros primários. Tanto que só ameaçou uma vez com Gilmar e poderia ter tomado o segundo gol aos 11 minutos, quando Danielzinho voltou a falhar na finalização.

Cinco minutos depois, o árbitro Leandro Vuaden deixou de dar pênalti claro do zagueiro Matheus Ferraz sobre Danielzinho. Aos 19 foi a vez de o zagueiro Wagner cabecear com perigo.

Aos 22 minutos o auxiliar técnico substituto do falso líder Émerson Leão trocou corretamente o atacante Danielzinho ( não gostou!) pelo zagueiro Bustamante com o objetivo de garantir o resultado. E aos 27 Leandrão matou o jogo ao aproveitar rebote do goleiro após chute de Éder.

Daí até o final o Criciúma apostou na correria inconsequente e ficou ainda mais pilhado. Pior, ficou órfão porque a torcida passou a torcer contra, vaiar, gritar "vergonha"  e "olé". Como se o Tigre ainda não estivesse no páreo. Tudo o quê o Azulão queria para manter as esperanças de voltar à elite nacional. 
        

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Muitos são os responsáveis pelo fracasso do Ramalhão!

"Adivinhe quem é o responsável pelo fracasso do ex-Ramalhão". Título da coluna do amigo Daniel Lima no CapitalSocial e aqui transcrito (colado, né?) é ao mesmo tempo desafiador e conclusivo.

Inigualavelmente direto e corajoso, Daniel indaga, exclama e conclui, sem meias palavras.  Riqueza de detalhes e solidez de argumentos. Por isso, bem diferente do DGABC, no CapitalSocial o  boi berra, baba, tem chifres, nome e sobrenome marcados a ferro quente.

Ronan Maria Pinto, coincidentemente, o dono do Diario do Grande ABC e do futebol profissional que um dia foi de tantos e agora é só do Saged/RMP. Paradoxalmente, o boi dominador comanda um bando de cordeirinhos travestidos de investidores.

Lógico que poucas pessoas ousam contestar a conclusão e enxergar que, nas entrelinhas do texto, responsáveis secundários são poupados, mas não esquecidos. Os argumentos são irrefutáveis, irrebatíveis. Ao menos para quem tem bom senso e não tem  rabo preso.

Confesso, no entanto, que, mesmo sem querer mitigar culpabilidade tão cristalina,  não a vejo como solitária. Sinceramente, eu não daria 100% dos votos ao todo-poderoso homem de comunicação. O mesmo que, indiretamente, lógico,  outro dia definiu uma manchete absurda e pessoal ao citar o nome de Klinger de Oliveira. Vergonhoso para o verdadeiro jornalismo!!!

Não quer dizer que o empresário, também capitão do Saged,  gestão antiempresarial, não seja o principal responsável pelos erros/omissões de terceiros. Com incompetência e isolacionismo ímpares, o D de Desportiva há muito é de Desastrosa.

Se dividíssemos hipotético universo eleitoral em 100 urnas, o nobre senhor ganharia por unanimidade em pelo menos 80%.  Se dependesse deste caipira, os outros 20% dos votos ficariam, sim,  com vários segmentos, todos com influenciáveis pelo chefão de fala mansa e perigo nos olhos.

Pelo menos 13% dos sufrágios ficariam com o Poder Público comandado por Aidan Ravin, o Prefeito Inimigo do Esporte. Como a bola pune, o prefeitão derrubou o Estádio Bruno Daniel e o troco veio na urnas. 

Mesmo em número cada vez menor, o torcedor-cidadão foi desrespeitado pela Prefeitura com uma interdição interminável devido ao não cumprimento de um TAC ( Termo de Ajustamento de Conduta) assumido há mais de dois anos junto ao Ministério Público.

Como o prefeitão ( para dar respaldo ao diretor Esportes que assumiu mas não cumpriu) entrou em rota de colizão com o dono do DGABC e do Saged, sobrou para o pobre e apaixonado torcedor. Aquele que assistiu aos jogos sobre árvores e muros.

Retaliação seria endereçada a RMP -- pelo autoritarismo, também merecidamente escanteado por outros empresários --, mas o prefeitão perdedor enxergou pouco além do nariz ( ou da barriga avantajada?) e menosprezou o cidadão andreeense. Empurrou com a barriga ( de novo, não foi difícil!) e foi levando em banho-maria, até que o Ramalhão encarasse outro rebaixamento. Merecido, por sinal!

Como coadjuvante do desastre, Aidan Ravin não está sozinho.  Os outros 7% dos votos válidos que levaram um ex-campeão a nocaute também passam, entre outros, pela omissão dos verdadeiros dirigentes do ECSA, ainda responsável jurídico por todas as dívidas e ações desastrosas da gestão. Presidente Celso Luiz de Almeida usa a prudência, a polidez, para evitar o confronto direto. Não concordo, mas respeito o amigo.

Afinal, é o nome do clube do Jaçatuba que está, por exemplo, nas ações de cobrança. Ninguém tem coragem de peitar e cobrar transparência de RMP?  Dívidas trabalhistas são altas, especialmente com o INSS. É só checar! Posso provar porque também fui vítima.

Porcentuais restantes também se dividem entre cotistas-cordeirinhos manipulados pelo senhor dos anéis e com o diretor de Futebol, aquele que, ao contrário do boi fujão, RMP, dá a cara para baterem.

Afinal, foi nosso colega Sérgio do Prado quem escolheu o técnico Claudemir Peixoto e ajudou a formar o elenco no início do campeonato. Também foi opção de Serginho jogar no gramado conhecido, mas sem torcida, em vez de aceitar o convite para jogar em São Bernardo, com o apoio dos torcedores. Poucos, é verdade, mas torcedores com alma.

Técnico Itamar Schulle acabou de chegar e não poderia fazer milagre após o desfilar de lambanças. Por isso deve permanecer. Bem diferente da maioria dos jogadores, que, como perdedores e rebaixados, já pegaram o caminho da roça e vão dar lugar a juniores sonhadores e menos onerosos. Se bem que os investimentos já eram limitados.

É bom frisar que, direta ou inderetamente, todos os segmentos citados estão controlados pelas rédeas da prepotência ronaniana. E se alguém acha que o homem vai  pedir o boné, pode tirar o cavalinho da chuva. Erroneamente, ele acha que a eleição de Grana significa garantia plena de  novos tempos. Pode perder o pasto já ralo.

Lógico que o Brunão vai passar por algumas reformas -- é o mínimo que se espera --, mas o momento não permite sonhar com arena multiuso para amanhã. Está no programa de governo petista, mas só vai sair do papel se aparecer uma parceria público-privada nos próximos quatro anos. Agora, nem pensar! Não é prioridade.

Porém, não tenha dúvidas, caro leitor: se Ronan abandonar o barco, Jairo Livólis, do ECSA, pega o leme correndo. Mesmo sabendo que o time está na Segunda Divisão estadual e na Quarta nacional e que há dívidas físicas e morais significativas.

Pra não parecer corporativista, também entendo que os editores do jornalzinho parcial( O DGABC já foi considerado o maior e melhor jornal regional do País),  por motivos óbvios, também são cúmplices do fracasso.

Por determinação superior, o Diário sempre tratou o Santo André com a suspeita competência de uma assessoria de Imprensa. Talvez, se menos parcial/omisso e mais comprometido profissionalmente, pudesse mostrar trabalho mais digno. Ah, o chefão não deixaria, né? Paciência!   Então, que cubram o Ramalhão na Quarta Divisão.

Como se vê, não se pode dizer que o Daniel exagera. O mandonismo estende seus tentáculos para todos os lados. E os cordeirinhos da Província, como define meu amigo do peito, de verdade, se encolhem de medo.

Com o perdão da palavra, um bando de cagões. Incapazes de dizer que o Santo André não é um feudo, um império sob o jugo de um rei nu. É da cidade, de todos nós! Ou não? 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Adivinhe quem é o responsável pelo fracasso do ex-Ramalhão!

 

DANIEL LIMA - 29/10/2012

Compreende-se a omissão do Diário do Grande ABC em apontar nome e sobrenome da síntese do fracasso do ex-Ramalhão, transformado em Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva), rebaixado pela quinta fez em sete competições nas quais o empresário Ronan Maria Pinto comandou a terceirização do futebol da cidade. Dono do Diário do Grande ABC e temido por gregos e troianos na Província do Grande ABC, Ronan Maria Pinto constrange a equipe de jornalistas do jornal que ele adquiriu há oito anos. Mais que omitir a identidade do mais desastrado dirigente esportivo que a região já conheceu, os jornalistas do Diário do Grande ABC, nas entrelinhas próprias da inexatidão, procuram estender responsabilidades a ex-dirigentes ou mesmo ao prefeito Aidan Ravin. Pura idiotice.
 
A verdade irretocável é que Ronan Maria Pinto recebeu uma agremiação em dificuldades, é verdade, mas teve tudo para, fosse democrático e mais inteligente que supostamente esperto, liderar um grupo de força coletiva extraordinária. Mas o ego de quem imagina conhecer tudo, saber de tudo, sempre falou mais alto.

Desafio os leitores a encontrar uma matéria sequer em que me deixei levar pelo encanto verbal de Ronan Maria Pinto quando se trata do futebol de Santo André. Nos arquivos desta revista digital há um total de 199 textos relacionados a Ronan Maria Pinto. O penta-rebaixamento do Saged (insisto em suprimir o nome de Ramalhão, porque Ramalhão é outra coisa) era questão de tempo. Tão natural e compulsório quanto uma eleição depois da outra em regimes democráticos.

Sim, o Saged chegou ao penta-rebaixamento. Coloco nessa conta o descenso de fato (embora de direito tenha sido salvo pelo Brasil de Pelotas, que escalou um jogador em condições irregulares e caiu fora de campo) à Série C do ano passado.

Desvirtuamentos manjadíssimos

É sempre possível que alguém interprete as intervenções deste jornalista sob ângulo de desavença particular, porque é esse o recado que Ronan Maria Pinto transmite a interlocutores quando é analisado neste espaço. Pura bobagem. Escrevo publicamente que ele me prestou um favor ao romper o contrato que formulamos em 2004 para retirar o Diário do Grande ABC da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro de Imprensa. Fiquei nove meses naquele endereço, a tempo de salvar minha saúde, porque aquela é uma casa de loucos. Não coloco minha honra profissional entre o saldo daquela contratação, porque jamais a submeti a risco. Não tenho vocação à marionete; tampouco a capacho; muito menos a pau mandado.

Não é à toa que o Diário do Grande ABC ocupa galhardamente já faz tempo a Quarta Divisão do Campeonato Brasileiro de Imprensa. Tudo a ver, como se vê, entre futebol e comunicação, áreas nas quais Ronan Maria Pinto sempre acreditou navegar com a destreza dos campeões. Falta-lhe humildade para reconhecer-se despreparado. Coisa típica de ignorante. Ronan Maria Pinto subestima a realidade de que todos somos ignorantes em muitas atividades. A inteligência está na capacidade de reconhecer-se ignorante e fugir das raias que nos possam causar estragos. Sou um cantor de meia tigela, um desenhista indecifrável, um ex-atleta sem brilho técnico. Por isso sempre me lancei de corpo e alma no jornalismo. Meu velho pai, grande pai, também como Ronan, era um homem de poucas letras. Mas jamais se meteu no jornalismo. E se se metesse, saberia ouvir os melhores e se recolheria a funções não contaminadoras do conteúdo.

De fato, o sexto rebaixamento

Acompanhei atentamente a transposição do Esporte Clube Santo André para o Saged muito antes da formalidade legal. Tanto que o rebaixamento do então Ramalhão à Série B do Campeonato Paulista, no primeiro semestre de 2007, se deu por força de intervenção externa de Ronan Maria Pinto, que, ao inventar um candidato de oposição a Celso Luiz de Almeida, indicado por Jairo Livolis, retirou o foco de equipe e, com isso, desorganizou o planejamento e a execução. Tudo para conseguir o controle do então Ramalhão através da Saged, algo que se deu no segundo semestre daquele ano, quando Jairo Livolis e Celso Luiz de Almeida foram excluídos não sob uma saraivada de ataques, mas com os punhos de renda de quem tem malicia e sabe jogar nos bastidores.

Por isso, na ponta do lápis, contando com o rebaixamento de fato embora não de direito na Série C do Brasileiro do ano passado, o Saged supera o próprio recorde de penta-rebaixamento, para chegar ao hexa.

Testemunho aos leitores, no sentido de destruir qualquer ilação que dê sentido à bobagem de que faltou ao Saged a colaboração e o apoio do Esporte Clube Santo André, que ninguém é mais responsável, solitariamente responsável, pelo fracasso do futebol do Santo André senão Ronan Maria Pinto. Autoritário, autossuficiente, debochado, Ronan Maria Pinto eliminou de qualquer possibilidade de participação efetiva todos aqueles que julgava incômodos por não pensarem exatamente como ele. Ronan Maria Pinto é um ditador adocicado, o pior dos ditadores, porque comete injustiças sem que as vítimas se deem conta da gravidade dos abusos. Foi assim no ex-Ramalhão quando se lançou na empreitada de destruir qualquer vestígio dos dirigentes que atuaram durante anos no Ramalhão.

Compartilhar não é um conceito ao qual Ronan Maria Pinto dê a menor prioridade quando, evidentemente, entende que prescinde de companhia. Dirigir o ex-Ramalhão é uma responsabilidade coletiva da qual Ronan Maria Pinto abriu mão por livre e espontânea vontade, uma vontade gestada na personalidade individualista de quem simplifica tudo ao acreditar que basta colocar dinheiro para que o resto aconteça. Deve ter descoberto que a democracia do futebol, de transparência senão absoluta mas saudável, não tem parentesco algum com a esperteza dos bastidores de outras atividades menos sujeitas às verdades da competitividade dos gramados.

Quando perder é vencer

Confesso publicamente que já se foi o tempo em que perdia cabelos torcendo pelo antigo Ramalhão. Aliás, há muito tempo não sinto o menor interesse pessoal pela agremiação. Algo que me espanta, porque não foram poucas as situações em que me penalizava na eterna luta para conter sentimento clubístico por conta da função social que exerço há quase meio século. Ou vou mentir que não comemorei feito um louco a conquista da Copa do Brasil em 2004, ou do memorável acesso à Primeira Divisão Paulista em 1981, entre tantos outros feitos? Confesso também publicamente que não foram poucas as vezes em que torci para o Saged perder, porque sabia que havia um conto de vigário implicitamente incubado e assanhado em cada vitória, uma espécie de caderneta de poupança reversa, cujos rendimentos cediam lugar a penalizações.

Ronan Maria Pinto é o nome e o sobrenome da hecatombe que domina o futebol de Santo André. A única lógica entre o futebol e o jornal que dirige é mesmo a Quarta Divisão. Ronan Maria Pinto não é de nenhum desses ramos, bem sabe disso. Até mesmo a breve passagem pela Série A do Campeonato Brasileiro fundamenta essa constatação, porque estava na cara que a agremiação empresarial não contava com estrutura econômica, física, técnica e institucional para frequentar o clube fechado das maiores agremiações do País. Quando forçou a barra para chegar lá, como forçou a barra para ganhar a Série A do Campeonato Paulista, ao montar um dos melhores times da história do ex-Ramalhão, Ronan Maria Pinto patrocinou uma corrida maluca, uma roleta russa, um anabolizante cujos custos não tardariam a vir. E vieram dolorosamente.

Do futuro do ex-Ramalhão voltaremos a escrever, embora não faltem textos nesta revista digital que tornam este novo trabalho apenas um fragmento de atualização clamorosamente coerente, cristalizadas na essência do jornalismo independente.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uma dupla derrota para Santo André, na política e no futebol

 

Texto de DANIEL LIMA
 
Seja qual for o resultado da disputa eleitoral deste domingo entre o prefeito Aidan Ravin e o oposicionista Carlos Grana, a certeza é de que Santo André perderá. Seja qual for a combinação de resultados da última rodada da fase classificatória da Série C do Campeonato Brasileiro, o Saged, ex-Ramalhão, já perdeu. A confluência desanimadora entre o futebol e a Administração Pública de Santo André não é peça do acaso. Santo André chegou ao estágio de profundeza máxima em quesitos que dizem respeito à cidadania e à autoestima.


No jogo eleitoral a derrota está expressa na fuga dos candidatos finalistas à responsabilidade de atuar com transparência. No jogo esportivo a derrota é explicitada no estado falimentar do modelo terceirizado do futebol do Ramalhão, danosamente concentrado num empresário do mundo da comunicação que há muito levou o jornal que dirige à Quarta Divisão do Campeonato Brasileiro de Imprensa, depois de adquiri-lo, a bem da verdade, já na Terceira Divisão.


Na política, fosse o eleitorado de Santo André mais politizado e menos bovino, a quantidade de votos nulos e brancos deveria ser estrondosa. Magnificamente estrondosa. As campanhas de Aidan Ravin e de Carlos Grana não têm nestas alturas do campeonato requisitos éticos e morais para exigir nada senão a desconfiança dos eleitores. As duas candidaturas simplesmente passaram por cima dos escândalos que marcaram a atual gestão e também a anterior. Preferiram tergiversar ao desfilarem ao longo da campanha propostas em conteúdo e qualificação muito aquém da abundância de ofensas.


As agremiações representadas por Aidan Ravin e Carlos Grana estão comprometidas com safadezas entrecruzadas do presente e do passado não muito remoto. São tantos os percalços que os dois grupos patrocinaram ou não fizeram a menor questão de apurar que é praticamente impossível conferir-lhes seriedade como opções restauradoras do processo de transformações de que Santo André tanto carece.


A minha dúvida é se votarei em branco ou anularei o voto. Como os leitores sabem, voto em todos os municípios da região, porque sou um regionalista empedernido. É impossível ir à urna eletrônica e esquecer o que a memória registrou ao longo dos anos.


Distanciamento que pesa


Carlos Grana é um bom moço, tem história de atuação comunitária na região mas também apresenta vácuo imenso a partir do momento em que, sindicalista de valor que é, meteu-se na direção dos metalúrgicos do Estado e se afastou desse território. Erraram aqueles que o acusaram de morar em Ribeirão Pires como pecadilho imperdoável. Não é o fato de morar durante bom tempo em outro endereço senão em Santo André que torna um candidato mais ou menos competente.


O deslize de Carlos Grana é que, independentemente de onde tenha morado, distanciou-se da região durante muito tempo. Voltou a Santo André escolhido a dedo pelo ex-presidente Lula da Silva. Sem quadros para comandar uma Santo André que, goste-se ou não, sempre terá o fantasma de Celso Daniel como referência, Carlos Grana procura tapar buracos de última hora, depois de um ajuntamento pragmático com forças até então antagônicas.


Carlos Grana tem a seu lado o que é de mais conservador da sociedade de Santo André. Gente que pouco produziu ao longo de décadas senão a especulação permanente e que, algozes do PT no passado, correram em direção ao candidato da agremiação porque tiveram, em larga parte, as portas fechadas pelo atual prefeito. Não há nada basicamente de magnânimo na frente partidária conservadora que se entregou ao PT de Santo André. A política de resultados, versão do sindicalismo de resultados tão criticado pelos petistas no passado, é a síntese da operação.


O prefeito Aidan Ravin seguramente está acima de todos os demais prefeitos que se deram mal no comando de Santo André, caso, por exemplo, do petista João Avamileno, herdeiro acidental do trono de Celso Daniel. Formam aqueles seis anos somados aos quatro de Aidan Ravin uma década de desperdícios, descontroles e desídias administrativas. Santo André é uma nau sem rumo econômico e social. O atual prefeito perdeu uma grande oportunidade de lambuzar-se de votos, de perpetuar-se na memória da população, portador que é de algo fantástico à abertura de portas, janelas e o diabo, ou seja, de carisma arrebatador que, se independe de poder, imagine-se então com poder, como ainda o tem.


Saged em decomposição


Já o Saged, que me recuso a chamar de Esporte Clube Santo André ou de Ramalhão, por motivos expostos e arquivados nesta revista digital, não precisa ser despachado à Quarta Divisão do futebol brasileiro, como tudo indica que será neste domingo, porque o que apresenta à sociedade é um estado de decomposição incontrolável. Depois do Saged será muito difícil o futebol de Santo André reerguer-se.


Uma pena, porque o presidente Ronan Maria Pinto é o condutor da equipe que mais condições dispôs para encetar uma grande reviravolta na história da agremiação a partir da terceirização, há cinco anos. Infelizmente, o dirigente pôs tudo a perder porque seu ego é muito maior que o preparo técnico, embora tente transmitir uma humildade que não passa de embalagem para boi dormir. Ronan Maria Pinto é docemente autoritário, educadamente concentrador e encantadoramente desastrado como dirigente de associação esportiva.


Pobre Santo André esportiva e pobre Santo André política que neste domingo vão se ver para valer no inferno. Quem sabe o enredo esportivo e o enredo político não se escreverão com linhas tortas?


Talvez seja preciso mesmo exorcizar todos os maus espíritos que dominam os gramados onde o antigo Ramalhão bota as chuteiras e os gabinetes administrativos onde as autoridades municipais tomam as mais importantes decisões para o futuro do Município.


Do caos poderemos, quem sabe, chegar ao consenso corajoso de que é preciso muito mais que simplesmente torcer e votar. Está na hora de Santo André tomar atitudes, mas quem o fará se um grupelho de aproveitadores domina todos os espaços de uma cidade fragilizada economicamente ao longo de décadas de desindustrialização, local onde os abutres posam de benfeitores?


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Matemática é contra o São Caetano

Se futebol fosse ciência exata,  matemática, a frieza dos números indicaria que a quarta vaga de acesso à elite do futebol brasileiro está mais perto do Atlético Paranaense do que do São Caetano.

A começar pela classificação, o Azulão continua em desvantagem depois dos surpreendentes empates de ambos na rodada de ontem. Em Curitiba, à tarde, o Atlético Paranaense ficou no 1a 1 com o ameaçado Guarani.

À noite, no Anacleto Campanella, o São Caetano era favorito, criou inúmeras oportunidades mas não teve competência para fazer mais gols. Por isso não passou da igualdade, também de 1 a 1, com o lanterna Ipatinga.

São Caetano é o quinto colocado com 58 pontos ganhos, 16 vitórias, 16 gols de saldo e aproveitamento de 60,4%. O time de Curitiba está em quarto com um ponto, duas vitórias e seis gols a mais de saldo, além de aproveitamento de 61,5%.

Como se não bastasse, ao menos na teoria, o Atlético vai ser favorecido pela sequência das seis rodadas restantes ( 18 pontos em disputa). Pega, pela ordem: Guaratinguetá (16º colocado, em casa), São Caetano (5º, fora), América de Natal (8º, C), ASA (12º, F), Criciúma (3º, F) e Paraná (11º, clássico, em casa).

Já o time de Émerson Leão enfrenta  Vitória ( 2º colocado/fora), Atlético Paranaense (4º/em casa), Criciúma (3º/F), Boa Esporte (13º/C), Goiás (1º/C) e Guarani (14º/F).

Teoricamente, a tarefa do São Caetano é bem mais complicada. Embora se deva ressaltar o crescimento dos clubes ameaçados de descenso na reta final. Além do fator emocional, que não ajuda o Azulão.

Juntos, os seis adversários do time de Curitiba somaram 283 pontos, enquanto que o Azulão tem oponentes que totalizaram 333 pontos. Portanto, rendimento de quem pega o Atlético foi   inferior em 50 pontos. Muita coisa, que, na prática, pode não favorecer em nada.

Porcentagem de produtividade dos adversários de cada um também (é óbvio!) favorece o Atlético. Na média, seus "obstáculos" atingem 49,1% de aproveitamento, contra 54,5% dos que pegam o São Caetano.

Site Chance de Gol também aponta, exageradamente, ampla vantagem paranaense: 81% contra 21,2% e apenas 1,5% do Joinville, com 52 pontos ganhos. Goiás(67), Vitória (66) e Criciúma (65) estão virtualmente na Série A de 2013.

Se não melhorar urgentemente, o São Caetano vai ser vítima da matemática.

Mordaça para o torcedor? É o fim!

Procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Paulo Schimit, ameaça denunciar o Atlético Mineiro pelos protestos da torcida do Galo na bela vitória de 3 a 2 (grande jogo!) sobre o Fluminense, provável campeão brasileiro.

Autoridade do STJD diz que está apenas cumprindo a lei ao fazer a denúncia devido às manifestações contra as  arbitragens no Campeonato Brasileiro, inclusive a de Jailson Macedo Freitas.

Razões elencadas pelo digníssimo procurador: nariz de palhaço, cartaz contra  arbitragem e mosaico com a cores do Fluminense e as siglas CBF de cabeça para baixo, a sugerir protecionismo ao clube carioca.

Torcida também gritou "vergonha" quando o árbitro baiano anulou o gol de Ronaldinho Gaúcho alegando falta do zagueiro Leonardo Silva na barreira.

Agora, todas as torcidas deveriam gritar "vergonha" diante da casa do procurador, que parece se julgar dono do futebol brasileiro. Ele manda prender e manda soltar. Até quando?

Respeita-se a intenção de evitar o pior,  de coibir possíveis atitudes extremas e suas consequências, mas  não há como concordar. Absurdo! Abuso de "otoridade". É anticonstitucional! Que país é esse?

Tudo bem parecido com o que aconteceu no jogo do Náutico contra o Atlético Goianiense, quando a torcida pernambucana estampou faixa com os dizeres: "Não vão nos derrubar no apito". No jogo anterior, contra o mesmo Flu, juizão deixou de dar pênalti claro a favor do Náutico.

Procurador pode até alegar desrespeito à lei, mas onde estão caracterizados, com clareza,  incitamento à violência, difamação, calúnia e outros quetais?

Definição de qualquer bom dicionário (?) é clara sobre liberdade de expressão. É o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos.

Tudo isso são conceitos básicos das democracias modernas. O povo pode se exprimir aberta e publicamente, de forma oral ou escrita. Está na Constituição!

Portanto, que mal há nos protestos pacíficos e bem-humorados dos torcedores de futebol? Ou queremos voltar aos tempos da ditadura e do golpe militar de 64, quando, em 68, o presidente Costa e Silva ganhou plenos poderes, extraordinários, e suspendeu várias garantias constitucionais por meio do famoso AI-5, o quinto de uma série de atos abusivos.

Lei da Mordaça, caro procurador? Censura, nobre procurador? Com certeza, o senhor tem mais o que fazer. Se não tiver, aproveite para elencar as restrições ao cidadão que vai ao estádio de futebol exercitar o seu direito de torcer, nada mais.

O senhor já teve ter rascunhado o Ato Institucional do Futebol, a ser publicado nos jornais oficiais de amanhã, 25 de outubro de 2012,  34 anos e 13 dias após a extinção do AI-5.

Se ainda não o fez, lá vão algumas sugestões. A começar pelo indispensável "
sob as penas da lei, fica proibido":

1) contestar a arbitragem, mesmo em caso de atuação eivada de erros crassos;
2) questionar determinações da toda poderosa CBF e do STJD;
3) levar faixas, cartazes, bandeiras e similares que signifiquem afronta ao poder soberano;
4) olhar feio ou franzir a testa para qualquer um dos componentes da arbitragem; é melhor sorrir para as lentes.
5) fazer qualquer sinal com braços, mãos e dedos (principalmente) que possa parecer afronta aos homens do apito;
6) falar palavrão direcionado à torcida adversária ou jogadores;
7) dirigir ofensas morais a árbitro, assistentes e dirigentes da onipotente CBF;
8) gritar gol, vaiar, pedir substituiçao, gritar olé, fazer ola e gritar "é campeão".
9) entrar em campo sem bater continência ou prestar reverência, curvando-se diante das "otoridades" constituídas;
10) criticar árbitros, dirigentes e jogadores, mesmo no banheiro malcheiroso do estádio;
11) sob pena de prisão e confisco de bens, não se deixe flagrar por ao menos uma das 78 câmeras a cochichar com o vizinho contra as determinações do poder; se piscar, feche o olho direito.

Caro procurador, talvez ajude a "melhorar" o futebol brasileiro. Assim, nos estádios ninguém vai dar trabalho e motivo para o senhor exercer o poder com mão de ferro inadequada. Eles estarão vazios. Sem graça! Sem alma!