Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Seleções do Brasileiro 2015 sem surpresas

Fim de campeonato é sinônimo de seleção. E com o Brasileiro conquistado com amplos méritos pelo Corinthians não seria diferente. Boas  e coerentes opções. Nada de parcialidade nem surpresas contestáveis.

Uma das escolhas foi da CBF em parceria com a Rede Globo. Votaram 5 mil jornalistas, capitães e técnicos da Série A, além da Comissão Técnica da Seleção Brasileira e dos convocados para os jogos diante da Argentina e Peru, pelas eliminatórias da Copa de 2018.

São cinco campeões do Corinthians, além do técnico Tite e do gol mais bonito, de Lucca, no passeio diante do São Paulo. Cássio, Gil, Elias, Jadson e  Renato Augusto, também o craque do campeonato, são os premiados.

Do Atlético Mineiro foram quatro:  o zagueiro Jemerson,  os laterais Marcos Rocha e  Douglas Santos e o volante Rafael Carioca. Luan, do Grêmio, e Ricardo Oliveira, do Santos, são os atacantes.

O artilheiro Ricardo Oliveira ficou com a Chuteira de Ouro, enquanto que Gabriel Jesus, do Palmeiras, ganhou como revelação. Nenê, do rebaixado Vasco, foi o craque da galera.

Outra  premiação importante foi a Bola de Prata, da revista Placar em conjunto com a ESPN. Foram quatro jogadores de Corinthians ( Gil, Jadson, Elias e Renato Augusto) e Grêmio ( Marcelo Grohe, Rafael Galhardo, Geromel e Luan), e mais três do vice-campeão, o Atlético Mineiro (Douglas Santos, Rafael Carioca e Lucas Pratto).

Renato Augusto voltou a ganhar como melhor do campeonato e recebeu a cobiçada Bola de Ouro.  Ricardo Oliveira  ganhou como artilheiro, com 20 gols. A revelação foi Gabriel, outro matador do Santos.

Sou corintiano, mas não escolheria Cássio como melhor goleiro do Brasileirão. Vou optar pelo desempenho individual e coletivo, não pelo nome e pelo esquema tático.

Goleiros renomados e  excepcionais não nos faltam, mas eu ficaria com Weverton, do Atlético Paranaense, com menções honrosas para Danilo Fernandes, do Sport,  Alex Muralha, do Figueirense, e Fernando Prass, do Palmeiras.

Meus laterais seriam  Lucas, do Palmeiras, pela direita,  e o jovem Jorge, do Flamengo,  pela esquerda, com lembranças para Rodinei (Ponte Preta),  Marcos Rocha e Douglas Santos, do Galo, e Zeca, do Santos.

Meus zagueiros internos seriam mesmo Gil e Jemerson, com destaques também para Felipe, que melhorou muito,  Cleberson,  do Atlético Paranaense,  e o "artilheiro" Fred, que cansou de fazer gols de faltas pelo rebaixado Goiás.

Meio-campo da seleção deste caipira teria dois volantes velozes, que marcam como muitos cabeças-de-área e saem pro jogo como poucos: Otávio, do Atlético Paranaense, e Rafael Carioca. Wallace, do Grêmio, e Elias também foram bem. Tanto quanto Fernando Bob, da Ponte Preta.

Os dois meias, com obrigação de marcar, armar, lançar, encostar no centroavante e ainda fazer gol -- ufa! --, seriam Renato Augusto e Lucas Lima (Santos).   Outros  que fizeram bom campeonato: Jadson, Nenê, Robinho (Palmeiras), Valdívia (Inter), Dátolo (Galo) e Diego Souza (Sport).

Considerando um time no  mais tradicional 4-2-2-2, bem diferente do campeão (4-1-4-1), os dois homens de frente seriam o  Ricardo Oliveira --  veterano com cheiro de gol, não pode ficar de fora -- e o jovem Gabriel, do Gabigol, do Santos. Outros com bom rendimento individual: Luan (Grêmio), Fred ( Fluminense), Lucas Pratto, Alexandre Pato (São Paulo) e Erik (Goiás).

Com oito corpos de vantagem sobre os segundos colocados (Roger e Levir Culpe), Tite nadou de braçadas como treinador do melhor time. Craque do campeonato foi mesmo Renato Augusto, enquanto que Gabriel Jesus é a melhor promessa. Tem potencial para melhorar.

No resumo, foi um bom campeonato, com alto nível técnico e significativa presença de público. O melhor, mais regular, foi premiado.

Notas destoantes ficam por conta da juizada, comandada pela Comissão de Arbitragem da CBF -- falta de critérios em lances de bola na mão e mão na bola é flagrante -- e da direção do Corinthians, que não apoiou o Bom Senso no manifesto pela renuncia do indiciado Marco Polo del Nero, o senhor ostentação, da presidência da CBF.

Também gostei da terceira queda do Vasco em oito anos. Não suporto o cinismo e a prepotência de  Eurico Miranda, o dono do clube. Jogadores não mereciam, até se esforçaram, mas o presidente é insuportável.

 





domingo, 6 de dezembro de 2015

Handebol: meninas de ouro empatam no sufoco

Caramba! Que sufoco! Nossa estréia no Mundial de Handebol, ontem na Dinamarca, foi um deus-nos-acuda. A igualdade de 24 a 24 soou como vitória.

O empate das nossas campeãs mundiais  diante das sul-coreanas aconteceu no último segundo. A bola  da  ponta Alexandra  entrou no único centímetro possível. O ângulo era mínimo. A chance, ínfima. Principalmente porque jogávamos com duas atletas a menos.

Por isso a comemoração  pós-jogo dava a impressão de que acabavam de conquistar o título de  bicampeãs. Festa também pareceu  representar o alívio de quem não brilhou. De verdade, nossas meninas não jogaram nem 70% do que podem.

Diante de asiáticas  que já foram primeiras do mundo na década de 90, mas, embora mereçam respeito, hoje não botam medo em ninguém, as brasileiras deixaram a desejar.

A começar pelo sistema de jogo ( 6-0), com defesa baixa, marcando atrás,  e seis jogadoras acompanhando a última linha. Diante de um 3-3 aparentemente aberto e suicida, o Brasil se deu mal.

O jogo não encaixou. O contra-ataque não saiu. A velocidade sem freios, a afobação e o excesso de individualismo parecem ter atropelado a consistência da transição.

Como a  Coréia privilegia a rapidez e tem alto índice de aproveitamento nos chutes, quando se dá espaço o erro pode ser fatal na defesa. E, como consequência, no ataque.  

Tanto que, além de falhar nos arremates,  só não tomamos  mais gols porque a goleira Babi foi brilhante. Tanto no primeiro tempo, quando perdemos de 12 a 10, quanto no segundo, quando nossas meninas correram feito loucas atrás da igualdade.

Apesar das falhas, há necessidade de considerarmos dois pontos. Primeiro: hoje temos status de campeãs do mundo e o respeito faz com que o adversário se aplique ainda mais. 

Segundo:  a ansiedade de estréia é inevitável. Serve como atenuante.  Imagine com o peso de quem tem obrigação de ganhar por ser campeã do mundo diante de quem não ostenta favoritismo?

Amanhã, diante da República do Congo, teoricamente a seleção mais fraca do grupo, os nervos de nossas  meninas de ouro estarão sob controle. Basta não se esquecerem de que a superioridade só se confirma dentro de quadra.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sarney, Del Nero e cia, leite da mesma vaca

Fernando José Macieira Ferreira Araújo da Costa... Sarney. Nome grande né? Tão grande quanto sua riqueza e  sua folha corrida. Pena que talvez não chegue aos pés de um dos inúmeros, e simples, José Aparecido da Silva quando o quesito é decência.

Além de político e engenheiro civil, o filho do ex-presidente José Sarney é empresário graúdo no ramo de comunicação. Assim como todo o clã que se adonou, domina e faz do Maranhão um dos estados mais pobres do Brasil.

Vice-presidente da CBF para a região Norte ( embora Maranhão seja Nordeste) e homem forte da bancada da bola em defesa ferrenha de dirigentes na CPI da entidade, Fernando Sarney é um espanto, um "homem de confiança" que  já-já pode chegar à presidência da Confederação dos Bandidos do Futebol. 

Folha corrida  extrafutebol não deixa de citar lavagem de dinheiro, fraude,  corrupção, propina, falsidade ideológica, extorsão,  gordas contas no Exterior e até censura à Imprensa. No caso, o jornal O Estado de São Paulo.

Isso sim é currículo! Cai como uma luva para ocupar cargos na CBF e na FIFA. Pois é ... não é que o cara acaba de ser indicado como substituto de Marco Polo del Nero como membro do comitê executivo da FIFA? Vai receber da FIFA cerca de R$ 750 mil por ano. Fora  o que ganhará da sul-americana Conmebol e da própria CBF. Mais um canal de TV para a família.

Pra quem não sabe, Del Nero, o senhor ostentação, agora presidente  fujão e licenciado da CBF,  é investigado pelo comitê de Ética da FIFA e acaba de ser indiciado pelo FBI- - justiça americana --, assim como Ricardo Teixeira,   sob a acusação de suborno e  de receber  propina de empresas de marketing e comunicação ligadas à Copa do Brasil, Copa América e Libertadores.

Alguma semelhança entre João Havelange,  Ricardo Teixeira, José Maria Marin e cia?. Tudo farinha do mesmo saco, leite da mesma vaca. Se assumir a presidência da CBF, como se comenta,  assim como outros apaniguados, não vai mudar nada. Absolutamente nada!

Repito, com todas as letras:  currículo invejável, indispensável pra quem tem a quadrilha como principal meta. FIFA, Conmebol, Concacaf, CBF e cia são os objetivos.

Porém, não podemos deixar de lembrar que os nobres senhores da CBF são eleitos pelos  súditos das federações e pelos  não menos subservientes e interesseiros presidentes de clubes.

Então, todo mundo tem culpa no Cartório. Tanto quanto em outras modalidades, cujos mandatários são bem semelhantes. Um absurdo! Depois, só falamos de políticos...

Salvo raríssimas exceções, nossos dirigentes de clubes e federações formam um bando de cordeirinhos, interessados no poder e nos cifrões que dele escoam com a  sujeira e a volúpia da lama letal de Mariana.

O boi Del Nero é fujão e dono de um ego incomparável. A vaca é gorda e  bem tratada. As tetas, embora sujas, são  enormes e sempre cheias. Quem vai dizer não? O boi? Ninguém!

Quase todos querem mamar deitados, como leitão folgado. São frouxos mas espertos! Depois, como fazem parte da camarilha,  viram dirigentes vitalícios. Se protegem e se eternizam no poder. E nas  tetas enlameadas.

Tomara, mesmo, que, na Suíça, nos Estados Unidos ou no Brasil, todos  os culpados, sem exceção e sem protecionismo,  terminem atrás das grades. Pra tudo há um limite. Inclusive para o imperador e seus súditos.

Imperador e súditos que não têm caráter; não têm vergonha na cara. Por isso devemos exterminar as ratazanas do esporte. E da vida!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A bela memória dos cinquentões

Calma,  pessoal! Não vou comentar nada sobre a  falta de memória que afeta cinquentões e sessentões mundo afora. Como eu, trator 6.0  já com certo barulho no motor.

Uso este espaço, mais uma vez, para reforçar minha admiração e meu respeito pelo amigo Ademir Medici, jornalista, escritor e memorialista nota 10.

Opa! Falha nossa. Melhor dar 9,5, pra alguém bem perto da perfeição. Como profissional e como homem. Nota 10 já deu ruído desagradável.

Se há, no Diário do Grande ABC, uma página imperdível, que não deixo de ler quase que diariamente, é exatamente a assinada por esse corintiano de quatro costados.

As demais, na maioria, embora tenham melhorado nos últimos tempos,  ficam a desejar a leitores mais exigentes porque têm recaídas perigosas e comprometedoras.

Ultimamente, com a licença da Editoria de Esportes --  hoje sem espaço e sem pessoal para a mesma empreitada  semanal dos anos 70, 80 e 90  -- o pessoal da Memória nos tem brindado com  textos  gratificantes de cinquentões apaixonados por futebol. Um resgate elogiável. Sem preocupação com o lado ruim.

A cobertura do Campeonato Municipal de Santo André -- Categoria Star, acima dos 50 anos -- tem sido um colírio, um massageador de corações fincados na várzea de tantas estórias, de tanta determinação, de tantos causos e romantismo.

A várzea é um poço de esperanças que teima em sobreviver. É um canto inesquecível de marmanjos ali forjados quando moleques de rua, de periferia. Descalços, a chutar qualquer coisa que lembrasse uma bola em direção a quaisquer pedras que simulassem um gol.

Em todos os grotões, daqui e do Brasil inteiro, o futebol amador é um teimoso. Um sobrevivente. Mesmo entre veteranos como os elogiáveis, notáveis, vovôs de Santo André. Cada um tem sua estória. Todos são "craques". Muitos já foram profissionais. Meia-boca ou destacados, como Arnaldinho e Bona, ex-Santo André.

Por isso fico tão feliz ao ler os textos leves -- críticas, só de leve -- e envolventes do Ademir. Que, lógico, devem estar a provocar uma ciumeira danada no pessoal de São Bernardo, São Caetano e cia.

O ideal seria que todos tivessem seu espaço  nobre, mas não dá. A cobertura em Santo André soa como homenagem aos vizinhos. Assim deve ser encarada. O Ademir  tem alma boa, mas não  faz milagre. É um cara do bem.

Porém, bem que a Editoria de Esportes poderia pensar com carinho e reservar algumas linhas esporádicas  para todas as categorias do amadorismo. Mesmo que hoje nem todos joguem por amor. No principal a grana rola em muitos times. Sim, amadorismo marrom.

Pelo menos as semifinais e finais -- no Brunão, no Primeiro de Maio ou no Anacleto Campanella, entre outros --  poderiam ganhar alguma visibilidade no principal meio de comunicação do Grande ABC.

Desde que as ligas, que recebem verbas irrisórias do Poder Público,   fossem minimamente organizadas e transparentes nos seus gastos. O que nem sempre acontece.

Editoria de Esportes -- alô Ângelo! -- também poderia voltar a enquadrar o Poder Público. Especialmente o de Santo André, que pouco faz para deixar os mais de 40 campos distritais em condições minimamente decentes.

O DGABC já falou sobre o assunto muitas vezes durante as últimas quatro décadas.  Sim, 40 anos. Mas pouco muda. As promessas de campanha são as mesmas. Campos  malcuidados e subaproveitados pelo cidadão comum, pela população do entorno.

Muitos dos distritais são   entregues a interesseiros apadrinhados por políticos de ocasião em troca de votos. Campos, muitos deles dominados e/ou temperados por tráfico de drogas, bebedeiras, jogatinas, prostituição, bandidagem e pseudocuidadores,  que deles se adonaram.

Há quem more nos vestiários e  até fature com o boteco de segunda-feira a domingo, Há, também, quem alugue não só o campo para terceiros como o espaço de estacionamento para carretas. Há mais de 15 anos. É só conferir!  Se tiver tempo, coragem, competência e profissional comprometido.

Deitam e rolam exatamente porque a Prefeitura de Santo André  quase sempre    -- independentemente da época e  da coloração político-partidária -- deu as costas para o futebol amador. Não toma conta do que lhe pertence. Melhor: pertence a todos nós, cidadãos comuns, mas a Municipalidade não cuida.

Ficam  a sugestão  de matéria para o Angelo Verotti e os agradecimentos dos veteranos da bola ao Ademir Medici. Com flâmulas e figurinhas fica ainda melhor. Gol do DGABC. Desta vez a favor.



   

sábado, 28 de novembro de 2015

Jogos Abertos: quem te viu, quem te vê, ABC!

A que ponto o esporte estadual chegou! Bem próximo do fundo do poço. Incluindo do Grande ABC.  Última pá de cal pode ter sido jogada dias atrás, quando apenas São Bernardo confirmou presença na já em curso 79ª edição dos Jogos Abertos do Interior.

Cidade-sede  inicialmente seria São José dos Campos, depois Ribeirão Preto. Quase foi em São Bernardo mas vai acontecer em Barretos, apesar dos protestos dos meios estudantis, já que as escolas cedidas como alojamentos  não terão aulas.

Olimpíada Caipira já foi glamorosa. E o ABC bicho-papão.  Já mereceu respeito e revelou inúmeros talentos, ali forjados para chegar até mesmo a Jogos Olímpicos.  E o ABC sempre teve participação destacada. Chegou a significar 30% do contingente de atletas. E hoje? Uma draga. Gatos pingados.

Tanto que, em 78 edições -- a primeira, em 1936, em Monte Alto, foi vencida pela mineira Uberlândia -- a Região ganhou nada menos que expressivos 30 títulos.

A então exemplar Santo André teve seus momentos de glória nos anos 70 e 80. Ganhou 12 títulos. Hoje, sem verba, sem vontade política, sem competência e sem prestígio, amarga participações pífias.

Nossos últimos prefeitos, gestores públicos de terceira  categoria, Aidan Ravin  e Carlos Grana  dão as costas para o Esporte. Cuidado, caro leitor! Um pode voltar, o outro pode ficar. Tudo leite da mesma vaca.

Ambos são dissimulados, fingidos, especialistas em promessas de campanha. Usam o esporte apenas como moeda de troca política. E faz tempo. Ex-ícone do basquete nacional, com méritos indiscutíveis, diga-se,  a secretária Marta Sobral é uma piada como responsável pela área.

Dizem que Marta Sobral quer ser vereadora. Se depender do que fez pelo Esporte andreense como dirigente, não merece o voto nem da própria família.

Orçamento andreense  -- cerca de R$ 2 bilhões e 400 mil para 2016 --  de novo dá as costas para o Esporte. Menosprezo lamentável.  Fico indignado. Setor  faz milagres com migalhas porque lá ainda existem alguns professores competentes e  abnegados. Pouco para nossa grandeza.

Já São Caetano -- hoje sem tantos comprometimentos financeiros, ao contrário da vizinha quebrada, que não tem dinheiro nem pra comprar papel higiênico e pagar fornecedores --  deitou e rolou nos anos 90 e na primeira década do novo século.

Como sobrava grana, São Caetano ganhou visibilidade esportiva porque investiu muito alto. Foi campeã em 15 oportunidades. Agora, em tempos de vacas magras, ou menos gordas, não paga placê.

São Bernardo, nossa única representante em Barretos, ganhou apenas três títulos gerais. Como seus cortes de investimentos no esporte foram menores, pode até voltar com outro primeiro lugar, como em 1973, 2011 e 2013.

Jogos Abertos perderam o glamour e o ABC perdeu a mão. Vamos torcer, como sempre, mas sem tantas esperanças. Que pena! Quem te viu, quem te vê, ABC!

Quer saber? Ganhar ou perder nos Jogos Abertos também não vai mudar nada na vida do esportista regional. Hoje em dia não se ganha nem mesmo notoriedade. Poucos estão preocupados com o futuro de mais de 10 mil atletas. Nem mesmo a mídia.

Por isso, ao contrário de antigamente, nossas cidades -- exceção a São Bernardo --  ficam até felizes e aliviadas quando podem dar  ou se escudar numa desculpa qualquer para não participar dos Jogos Abertos.  


O outro lado do desprezado Caminho do Sal

E aí pessoal? Tudo bem? Sei que alguns estão com saudade. Eu também. Tô de volta. Andei meio preguiçoso.

Também um tanto quanto preocupado com uma  surpreendente TVP (Trombose Venosa Profunda) sem causa aparente. Nada que uma investigação genética não esclareça possível alteração no fator de coagulação sanguínea .

Afinal, tão já  não pretendo abrir mão das minhas trilhas, das escalaminhadas pelas montanhas da vida, das corridas no Parque Central, do inesquecível Caminho da Fé, do futebol com os amigos do Primeiro de Maio e do bate-bola com o neto Victor.

Inicialmente, como leitor do DGABC "nota 10", tomo a liberdade de comentar matéria do repórter Daniel Tossato. Texto  discorre sobre o "reinaugurado" Caminho do Sal (cerca de 50 quilômetros entre a Estrada Velha/Caminho do Mar e Taiaçupeba, distrito de Mogi das Cruzes, passando por Paranapiacaba, distrito de Santo André.

Rota para caminhantes e ciclistas foi o tema -- "Caminho do Sal: rota da história no Grande ABC. Sobre a parte histórica, posso afirmar, sem medo de errar,  tratar-se de texto quase perfeito,  recheado de informações pertinentes. Uma pequena aula.

Só que existe o outro lado da moeda, conforme lembrei dias atrás em conversa telefônica com o jornalista. Sei que não gostou muito de ser questionado. Mas, salvo raríssimas exceções,  faz parte da profissão. Está no DNA da maioria. Adoram elogios.

Como  na essência da resposta o repórter  do Diário Online garantiu que o objetivo da matéria era mostrar mais uma opção da lazer ao cidadão do Grande ABC, não tive dúvidas e fiz o questionamento.

Por que  então em apenas um parágrafo, discretamente,  o autor fala da  sinalização inadequada do caminho patrocinado pelas prefeituras da São Bernardo, Santo André e Mogi das Cruzes?

Citações históricas são  muito importantes para o leitor -- aprendi muito -- , mas cadê informações sobre segurança, riscos,  manutenção permanente da rota, placas indicativas, altimetria, tipo do terreno,  tempo de percurso, atrações extras, locais de alimentação e hospedagem, além de outros detalhes complementares?

Faltou avaliar o percurso com rigidez. Faltou orientar o leitor. Faltou entrevistar e criticar, se preciso,  autoridades que adoram fazer festa na "lançamento" mas depois abandonam o "filho". Alegam falta de verba quando falta vontade.

Muitas vezes sobra incompetência. Tanto  quanto menosprezo. Como macaco-velho quando o assunto são trilhas, caminhos e montanhas,  sugeri que a matéria pudesse ter mostrado o outro lado.

Resposta pouco convincente do repórter: " Olha, cara, não vou entrar em detalhes, mas tenho o contato de todos os responsáveis. De São Bernardo, Santo André e Mogi. Mas apenas o pessoal da Comunicação de Santo André, com quem fiz o percurso  -- incompleto, diga-se -- me retornou".

Respeito, mas discordo.  É aí que a roda pega e merece questionamento. Se o  autor fez o percurso com atenção, deveria ter enumerado várias falhas e emparedado os homens públicos, os responsáveis dos três municípios.

Como já fiz o percurso completo por três vezes e já escrevi sobre o assunto aqui no blog, mantenho a sugestão  de uma segunda matéria, mais explicativa e interpretativa -- Caminho do Sal: o desprezo do Poder Público.

Volto a dizer que o contexto histórico do texto está muito bom. E me coloco à disposição do jornalista para acompanhá-lo no percurso inteiro. Só não vou de bike nem de moto

Prefiro a pé. Se for de 4x4,  exceção é a trilha malcuidada logo após o pesqueiro Pedrinhas. Mato, lamaçal e desova de carros roubados e incendiados. Com certeza o repórter não passou por lá. Nem chegou ao distrito de Quatinga. Então fica o convite.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O adeus do sábio Acylino. Sem a última cerveja

Tudo aconteceu na última segunda-feira, a apenas 100 metros de casa, mas só fiquei sabendo ontem de manhã.

Um AVC tirou do nosso convívio uma das figuras mais inteligentes e carismáticas da província de Santo André.

Lá se foi o professor Acylino Bellisomi. Lá se foi o sorriso matreiro de um senhor de 85 anos com cara de  moleque gozador.

Pra falar a verdade, jamais vi no  também jornalista Acylino o intelectual de proa que tanto pregam. Sempre foi um sábio. Um sábio discreto e gozador. No ritmo das palavras, no significado dos conselhos, no sarcasmo da piada.

Uma sabedoria sem a pompa de intelectuais de meia-tigela,  sempre empinados, metidos a dr. sabe-tudo. Daqueles que não se misturam com o povo. Nada disso, o pequeno grande homem desfilava cultura por todos os cantos da cidade.

Voz mansa, pausada; olhar atento e muito jogo de cintura. Não importa se como professor/proprietário do tradicional Colégio Gradual, vereador ou mesmo secretario de Cultura, Esporte e Lazer nas gestões de Celso Daniel e João Avamileno.

Como diretor assistente do Departamento de Esporte, foi nesse período que o conheci um pouco mais. Com ele aprendi muito. Com ele jamais precisei fazer de conta pra agradar políticos inescrupulosos.

Com o dinâmico e sempre ativo  Acylino meus olhos e ouvidos ficaram mais atentos; minha boca, mais fechada. Meu humor mais afiado. Meus sonhos mais adubados. Tivemos algumas discordâncias, sempre respeitadas mutuamente.

Especialista em vinhos, o professor também gostava de provar uma  pinguinha da boa. Com ele tomei muita cerveja. Na rua Andaraí, no mercado municipal ou no primeiro largo da Vila Assunção, o que importava era a companhia sempre agradável.

Só não tomamos a última cerveja.  Que pena! Combinamos há mais ou menos 10/15 dias num dos encontros casuais  na frente do Extrinha -- aqui na João Ramalho -- ou a caminho da casa do Márcio, seu filho, ali perto do sacolão.

Era minha vez de pagar a conta. E eu o faria, como sempre, com enorme satisfação. Mas não deu, caro amigo, eterno professor.

Detalhe: ontem, quando contei pro meu neto de oito anos, o Victor -- palmeirense como o Acylino -- , ele ficou triste e se lembrou de quando os apresentei, num bar ali perto do colégio Celso Gama.

-- Poxa, vô! Que chato hein! Aquele senhor velhinho, pequenininho. Gostei dele. Era seu amigo e brincou comigo aquele dia no bar. Você tá triste né?

-- Sim, filho. Muito triste. Um velhinho sábio, coisa rara hoje em dia. Pequeno no tamanho, grande nas ações. Que  gostava de estar no meio do povo. Que gostava da simplicidade. Vai fazer falta.

Espero, sinceramente, que a Prefeitura  preste uma homenagem digna  ao  professor Acylino. Quem sabe seu nome num dos nossos espaços culturais. Fica a sugestão.