Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Adivinhe quem é o responsável pelo fracasso do ex-Ramalhão!

 

DANIEL LIMA - 29/10/2012

Compreende-se a omissão do Diário do Grande ABC em apontar nome e sobrenome da síntese do fracasso do ex-Ramalhão, transformado em Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva), rebaixado pela quinta fez em sete competições nas quais o empresário Ronan Maria Pinto comandou a terceirização do futebol da cidade. Dono do Diário do Grande ABC e temido por gregos e troianos na Província do Grande ABC, Ronan Maria Pinto constrange a equipe de jornalistas do jornal que ele adquiriu há oito anos. Mais que omitir a identidade do mais desastrado dirigente esportivo que a região já conheceu, os jornalistas do Diário do Grande ABC, nas entrelinhas próprias da inexatidão, procuram estender responsabilidades a ex-dirigentes ou mesmo ao prefeito Aidan Ravin. Pura idiotice.
 
A verdade irretocável é que Ronan Maria Pinto recebeu uma agremiação em dificuldades, é verdade, mas teve tudo para, fosse democrático e mais inteligente que supostamente esperto, liderar um grupo de força coletiva extraordinária. Mas o ego de quem imagina conhecer tudo, saber de tudo, sempre falou mais alto.

Desafio os leitores a encontrar uma matéria sequer em que me deixei levar pelo encanto verbal de Ronan Maria Pinto quando se trata do futebol de Santo André. Nos arquivos desta revista digital há um total de 199 textos relacionados a Ronan Maria Pinto. O penta-rebaixamento do Saged (insisto em suprimir o nome de Ramalhão, porque Ramalhão é outra coisa) era questão de tempo. Tão natural e compulsório quanto uma eleição depois da outra em regimes democráticos.

Sim, o Saged chegou ao penta-rebaixamento. Coloco nessa conta o descenso de fato (embora de direito tenha sido salvo pelo Brasil de Pelotas, que escalou um jogador em condições irregulares e caiu fora de campo) à Série C do ano passado.

Desvirtuamentos manjadíssimos

É sempre possível que alguém interprete as intervenções deste jornalista sob ângulo de desavença particular, porque é esse o recado que Ronan Maria Pinto transmite a interlocutores quando é analisado neste espaço. Pura bobagem. Escrevo publicamente que ele me prestou um favor ao romper o contrato que formulamos em 2004 para retirar o Diário do Grande ABC da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro de Imprensa. Fiquei nove meses naquele endereço, a tempo de salvar minha saúde, porque aquela é uma casa de loucos. Não coloco minha honra profissional entre o saldo daquela contratação, porque jamais a submeti a risco. Não tenho vocação à marionete; tampouco a capacho; muito menos a pau mandado.

Não é à toa que o Diário do Grande ABC ocupa galhardamente já faz tempo a Quarta Divisão do Campeonato Brasileiro de Imprensa. Tudo a ver, como se vê, entre futebol e comunicação, áreas nas quais Ronan Maria Pinto sempre acreditou navegar com a destreza dos campeões. Falta-lhe humildade para reconhecer-se despreparado. Coisa típica de ignorante. Ronan Maria Pinto subestima a realidade de que todos somos ignorantes em muitas atividades. A inteligência está na capacidade de reconhecer-se ignorante e fugir das raias que nos possam causar estragos. Sou um cantor de meia tigela, um desenhista indecifrável, um ex-atleta sem brilho técnico. Por isso sempre me lancei de corpo e alma no jornalismo. Meu velho pai, grande pai, também como Ronan, era um homem de poucas letras. Mas jamais se meteu no jornalismo. E se se metesse, saberia ouvir os melhores e se recolheria a funções não contaminadoras do conteúdo.

De fato, o sexto rebaixamento

Acompanhei atentamente a transposição do Esporte Clube Santo André para o Saged muito antes da formalidade legal. Tanto que o rebaixamento do então Ramalhão à Série B do Campeonato Paulista, no primeiro semestre de 2007, se deu por força de intervenção externa de Ronan Maria Pinto, que, ao inventar um candidato de oposição a Celso Luiz de Almeida, indicado por Jairo Livolis, retirou o foco de equipe e, com isso, desorganizou o planejamento e a execução. Tudo para conseguir o controle do então Ramalhão através da Saged, algo que se deu no segundo semestre daquele ano, quando Jairo Livolis e Celso Luiz de Almeida foram excluídos não sob uma saraivada de ataques, mas com os punhos de renda de quem tem malicia e sabe jogar nos bastidores.

Por isso, na ponta do lápis, contando com o rebaixamento de fato embora não de direito na Série C do Brasileiro do ano passado, o Saged supera o próprio recorde de penta-rebaixamento, para chegar ao hexa.

Testemunho aos leitores, no sentido de destruir qualquer ilação que dê sentido à bobagem de que faltou ao Saged a colaboração e o apoio do Esporte Clube Santo André, que ninguém é mais responsável, solitariamente responsável, pelo fracasso do futebol do Santo André senão Ronan Maria Pinto. Autoritário, autossuficiente, debochado, Ronan Maria Pinto eliminou de qualquer possibilidade de participação efetiva todos aqueles que julgava incômodos por não pensarem exatamente como ele. Ronan Maria Pinto é um ditador adocicado, o pior dos ditadores, porque comete injustiças sem que as vítimas se deem conta da gravidade dos abusos. Foi assim no ex-Ramalhão quando se lançou na empreitada de destruir qualquer vestígio dos dirigentes que atuaram durante anos no Ramalhão.

Compartilhar não é um conceito ao qual Ronan Maria Pinto dê a menor prioridade quando, evidentemente, entende que prescinde de companhia. Dirigir o ex-Ramalhão é uma responsabilidade coletiva da qual Ronan Maria Pinto abriu mão por livre e espontânea vontade, uma vontade gestada na personalidade individualista de quem simplifica tudo ao acreditar que basta colocar dinheiro para que o resto aconteça. Deve ter descoberto que a democracia do futebol, de transparência senão absoluta mas saudável, não tem parentesco algum com a esperteza dos bastidores de outras atividades menos sujeitas às verdades da competitividade dos gramados.

Quando perder é vencer

Confesso publicamente que já se foi o tempo em que perdia cabelos torcendo pelo antigo Ramalhão. Aliás, há muito tempo não sinto o menor interesse pessoal pela agremiação. Algo que me espanta, porque não foram poucas as situações em que me penalizava na eterna luta para conter sentimento clubístico por conta da função social que exerço há quase meio século. Ou vou mentir que não comemorei feito um louco a conquista da Copa do Brasil em 2004, ou do memorável acesso à Primeira Divisão Paulista em 1981, entre tantos outros feitos? Confesso também publicamente que não foram poucas as vezes em que torci para o Saged perder, porque sabia que havia um conto de vigário implicitamente incubado e assanhado em cada vitória, uma espécie de caderneta de poupança reversa, cujos rendimentos cediam lugar a penalizações.

Ronan Maria Pinto é o nome e o sobrenome da hecatombe que domina o futebol de Santo André. A única lógica entre o futebol e o jornal que dirige é mesmo a Quarta Divisão. Ronan Maria Pinto não é de nenhum desses ramos, bem sabe disso. Até mesmo a breve passagem pela Série A do Campeonato Brasileiro fundamenta essa constatação, porque estava na cara que a agremiação empresarial não contava com estrutura econômica, física, técnica e institucional para frequentar o clube fechado das maiores agremiações do País. Quando forçou a barra para chegar lá, como forçou a barra para ganhar a Série A do Campeonato Paulista, ao montar um dos melhores times da história do ex-Ramalhão, Ronan Maria Pinto patrocinou uma corrida maluca, uma roleta russa, um anabolizante cujos custos não tardariam a vir. E vieram dolorosamente.

Do futuro do ex-Ramalhão voltaremos a escrever, embora não faltem textos nesta revista digital que tornam este novo trabalho apenas um fragmento de atualização clamorosamente coerente, cristalizadas na essência do jornalismo independente.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uma dupla derrota para Santo André, na política e no futebol

 

Texto de DANIEL LIMA
 
Seja qual for o resultado da disputa eleitoral deste domingo entre o prefeito Aidan Ravin e o oposicionista Carlos Grana, a certeza é de que Santo André perderá. Seja qual for a combinação de resultados da última rodada da fase classificatória da Série C do Campeonato Brasileiro, o Saged, ex-Ramalhão, já perdeu. A confluência desanimadora entre o futebol e a Administração Pública de Santo André não é peça do acaso. Santo André chegou ao estágio de profundeza máxima em quesitos que dizem respeito à cidadania e à autoestima.


No jogo eleitoral a derrota está expressa na fuga dos candidatos finalistas à responsabilidade de atuar com transparência. No jogo esportivo a derrota é explicitada no estado falimentar do modelo terceirizado do futebol do Ramalhão, danosamente concentrado num empresário do mundo da comunicação que há muito levou o jornal que dirige à Quarta Divisão do Campeonato Brasileiro de Imprensa, depois de adquiri-lo, a bem da verdade, já na Terceira Divisão.


Na política, fosse o eleitorado de Santo André mais politizado e menos bovino, a quantidade de votos nulos e brancos deveria ser estrondosa. Magnificamente estrondosa. As campanhas de Aidan Ravin e de Carlos Grana não têm nestas alturas do campeonato requisitos éticos e morais para exigir nada senão a desconfiança dos eleitores. As duas candidaturas simplesmente passaram por cima dos escândalos que marcaram a atual gestão e também a anterior. Preferiram tergiversar ao desfilarem ao longo da campanha propostas em conteúdo e qualificação muito aquém da abundância de ofensas.


As agremiações representadas por Aidan Ravin e Carlos Grana estão comprometidas com safadezas entrecruzadas do presente e do passado não muito remoto. São tantos os percalços que os dois grupos patrocinaram ou não fizeram a menor questão de apurar que é praticamente impossível conferir-lhes seriedade como opções restauradoras do processo de transformações de que Santo André tanto carece.


A minha dúvida é se votarei em branco ou anularei o voto. Como os leitores sabem, voto em todos os municípios da região, porque sou um regionalista empedernido. É impossível ir à urna eletrônica e esquecer o que a memória registrou ao longo dos anos.


Distanciamento que pesa


Carlos Grana é um bom moço, tem história de atuação comunitária na região mas também apresenta vácuo imenso a partir do momento em que, sindicalista de valor que é, meteu-se na direção dos metalúrgicos do Estado e se afastou desse território. Erraram aqueles que o acusaram de morar em Ribeirão Pires como pecadilho imperdoável. Não é o fato de morar durante bom tempo em outro endereço senão em Santo André que torna um candidato mais ou menos competente.


O deslize de Carlos Grana é que, independentemente de onde tenha morado, distanciou-se da região durante muito tempo. Voltou a Santo André escolhido a dedo pelo ex-presidente Lula da Silva. Sem quadros para comandar uma Santo André que, goste-se ou não, sempre terá o fantasma de Celso Daniel como referência, Carlos Grana procura tapar buracos de última hora, depois de um ajuntamento pragmático com forças até então antagônicas.


Carlos Grana tem a seu lado o que é de mais conservador da sociedade de Santo André. Gente que pouco produziu ao longo de décadas senão a especulação permanente e que, algozes do PT no passado, correram em direção ao candidato da agremiação porque tiveram, em larga parte, as portas fechadas pelo atual prefeito. Não há nada basicamente de magnânimo na frente partidária conservadora que se entregou ao PT de Santo André. A política de resultados, versão do sindicalismo de resultados tão criticado pelos petistas no passado, é a síntese da operação.


O prefeito Aidan Ravin seguramente está acima de todos os demais prefeitos que se deram mal no comando de Santo André, caso, por exemplo, do petista João Avamileno, herdeiro acidental do trono de Celso Daniel. Formam aqueles seis anos somados aos quatro de Aidan Ravin uma década de desperdícios, descontroles e desídias administrativas. Santo André é uma nau sem rumo econômico e social. O atual prefeito perdeu uma grande oportunidade de lambuzar-se de votos, de perpetuar-se na memória da população, portador que é de algo fantástico à abertura de portas, janelas e o diabo, ou seja, de carisma arrebatador que, se independe de poder, imagine-se então com poder, como ainda o tem.


Saged em decomposição


Já o Saged, que me recuso a chamar de Esporte Clube Santo André ou de Ramalhão, por motivos expostos e arquivados nesta revista digital, não precisa ser despachado à Quarta Divisão do futebol brasileiro, como tudo indica que será neste domingo, porque o que apresenta à sociedade é um estado de decomposição incontrolável. Depois do Saged será muito difícil o futebol de Santo André reerguer-se.


Uma pena, porque o presidente Ronan Maria Pinto é o condutor da equipe que mais condições dispôs para encetar uma grande reviravolta na história da agremiação a partir da terceirização, há cinco anos. Infelizmente, o dirigente pôs tudo a perder porque seu ego é muito maior que o preparo técnico, embora tente transmitir uma humildade que não passa de embalagem para boi dormir. Ronan Maria Pinto é docemente autoritário, educadamente concentrador e encantadoramente desastrado como dirigente de associação esportiva.


Pobre Santo André esportiva e pobre Santo André política que neste domingo vão se ver para valer no inferno. Quem sabe o enredo esportivo e o enredo político não se escreverão com linhas tortas?


Talvez seja preciso mesmo exorcizar todos os maus espíritos que dominam os gramados onde o antigo Ramalhão bota as chuteiras e os gabinetes administrativos onde as autoridades municipais tomam as mais importantes decisões para o futuro do Município.


Do caos poderemos, quem sabe, chegar ao consenso corajoso de que é preciso muito mais que simplesmente torcer e votar. Está na hora de Santo André tomar atitudes, mas quem o fará se um grupelho de aproveitadores domina todos os espaços de uma cidade fragilizada economicamente ao longo de décadas de desindustrialização, local onde os abutres posam de benfeitores?


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Matemática é contra o São Caetano

Se futebol fosse ciência exata,  matemática, a frieza dos números indicaria que a quarta vaga de acesso à elite do futebol brasileiro está mais perto do Atlético Paranaense do que do São Caetano.

A começar pela classificação, o Azulão continua em desvantagem depois dos surpreendentes empates de ambos na rodada de ontem. Em Curitiba, à tarde, o Atlético Paranaense ficou no 1a 1 com o ameaçado Guarani.

À noite, no Anacleto Campanella, o São Caetano era favorito, criou inúmeras oportunidades mas não teve competência para fazer mais gols. Por isso não passou da igualdade, também de 1 a 1, com o lanterna Ipatinga.

São Caetano é o quinto colocado com 58 pontos ganhos, 16 vitórias, 16 gols de saldo e aproveitamento de 60,4%. O time de Curitiba está em quarto com um ponto, duas vitórias e seis gols a mais de saldo, além de aproveitamento de 61,5%.

Como se não bastasse, ao menos na teoria, o Atlético vai ser favorecido pela sequência das seis rodadas restantes ( 18 pontos em disputa). Pega, pela ordem: Guaratinguetá (16º colocado, em casa), São Caetano (5º, fora), América de Natal (8º, C), ASA (12º, F), Criciúma (3º, F) e Paraná (11º, clássico, em casa).

Já o time de Émerson Leão enfrenta  Vitória ( 2º colocado/fora), Atlético Paranaense (4º/em casa), Criciúma (3º/F), Boa Esporte (13º/C), Goiás (1º/C) e Guarani (14º/F).

Teoricamente, a tarefa do São Caetano é bem mais complicada. Embora se deva ressaltar o crescimento dos clubes ameaçados de descenso na reta final. Além do fator emocional, que não ajuda o Azulão.

Juntos, os seis adversários do time de Curitiba somaram 283 pontos, enquanto que o Azulão tem oponentes que totalizaram 333 pontos. Portanto, rendimento de quem pega o Atlético foi   inferior em 50 pontos. Muita coisa, que, na prática, pode não favorecer em nada.

Porcentagem de produtividade dos adversários de cada um também (é óbvio!) favorece o Atlético. Na média, seus "obstáculos" atingem 49,1% de aproveitamento, contra 54,5% dos que pegam o São Caetano.

Site Chance de Gol também aponta, exageradamente, ampla vantagem paranaense: 81% contra 21,2% e apenas 1,5% do Joinville, com 52 pontos ganhos. Goiás(67), Vitória (66) e Criciúma (65) estão virtualmente na Série A de 2013.

Se não melhorar urgentemente, o São Caetano vai ser vítima da matemática.

Mordaça para o torcedor? É o fim!

Procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Paulo Schimit, ameaça denunciar o Atlético Mineiro pelos protestos da torcida do Galo na bela vitória de 3 a 2 (grande jogo!) sobre o Fluminense, provável campeão brasileiro.

Autoridade do STJD diz que está apenas cumprindo a lei ao fazer a denúncia devido às manifestações contra as  arbitragens no Campeonato Brasileiro, inclusive a de Jailson Macedo Freitas.

Razões elencadas pelo digníssimo procurador: nariz de palhaço, cartaz contra  arbitragem e mosaico com a cores do Fluminense e as siglas CBF de cabeça para baixo, a sugerir protecionismo ao clube carioca.

Torcida também gritou "vergonha" quando o árbitro baiano anulou o gol de Ronaldinho Gaúcho alegando falta do zagueiro Leonardo Silva na barreira.

Agora, todas as torcidas deveriam gritar "vergonha" diante da casa do procurador, que parece se julgar dono do futebol brasileiro. Ele manda prender e manda soltar. Até quando?

Respeita-se a intenção de evitar o pior,  de coibir possíveis atitudes extremas e suas consequências, mas  não há como concordar. Absurdo! Abuso de "otoridade". É anticonstitucional! Que país é esse?

Tudo bem parecido com o que aconteceu no jogo do Náutico contra o Atlético Goianiense, quando a torcida pernambucana estampou faixa com os dizeres: "Não vão nos derrubar no apito". No jogo anterior, contra o mesmo Flu, juizão deixou de dar pênalti claro a favor do Náutico.

Procurador pode até alegar desrespeito à lei, mas onde estão caracterizados, com clareza,  incitamento à violência, difamação, calúnia e outros quetais?

Definição de qualquer bom dicionário (?) é clara sobre liberdade de expressão. É o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos.

Tudo isso são conceitos básicos das democracias modernas. O povo pode se exprimir aberta e publicamente, de forma oral ou escrita. Está na Constituição!

Portanto, que mal há nos protestos pacíficos e bem-humorados dos torcedores de futebol? Ou queremos voltar aos tempos da ditadura e do golpe militar de 64, quando, em 68, o presidente Costa e Silva ganhou plenos poderes, extraordinários, e suspendeu várias garantias constitucionais por meio do famoso AI-5, o quinto de uma série de atos abusivos.

Lei da Mordaça, caro procurador? Censura, nobre procurador? Com certeza, o senhor tem mais o que fazer. Se não tiver, aproveite para elencar as restrições ao cidadão que vai ao estádio de futebol exercitar o seu direito de torcer, nada mais.

O senhor já teve ter rascunhado o Ato Institucional do Futebol, a ser publicado nos jornais oficiais de amanhã, 25 de outubro de 2012,  34 anos e 13 dias após a extinção do AI-5.

Se ainda não o fez, lá vão algumas sugestões. A começar pelo indispensável "
sob as penas da lei, fica proibido":

1) contestar a arbitragem, mesmo em caso de atuação eivada de erros crassos;
2) questionar determinações da toda poderosa CBF e do STJD;
3) levar faixas, cartazes, bandeiras e similares que signifiquem afronta ao poder soberano;
4) olhar feio ou franzir a testa para qualquer um dos componentes da arbitragem; é melhor sorrir para as lentes.
5) fazer qualquer sinal com braços, mãos e dedos (principalmente) que possa parecer afronta aos homens do apito;
6) falar palavrão direcionado à torcida adversária ou jogadores;
7) dirigir ofensas morais a árbitro, assistentes e dirigentes da onipotente CBF;
8) gritar gol, vaiar, pedir substituiçao, gritar olé, fazer ola e gritar "é campeão".
9) entrar em campo sem bater continência ou prestar reverência, curvando-se diante das "otoridades" constituídas;
10) criticar árbitros, dirigentes e jogadores, mesmo no banheiro malcheiroso do estádio;
11) sob pena de prisão e confisco de bens, não se deixe flagrar por ao menos uma das 78 câmeras a cochichar com o vizinho contra as determinações do poder; se piscar, feche o olho direito.

Caro procurador, talvez ajude a "melhorar" o futebol brasileiro. Assim, nos estádios ninguém vai dar trabalho e motivo para o senhor exercer o poder com mão de ferro inadequada. Eles estarão vazios. Sem graça! Sem alma!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Élcio e a Seleção Brasileira

Pedi para o amigo Élcio, volante do Santo André nos anos 80 e hoje no futebol japonês, avaliar nossa seleção.  Demorou um pouquinho, mas está aí, abaixo, sua opinião sempre balizada.

Hoje, domingo, fizemos nosso terceiro jogo na semana . Ganhamos  de 2 a1.
Estamos fazendo uma campanha muito boa no segundo turno do campeonato. Somos o segundo lugar, contando apenas a pontuacão do segundo turno. Estamos em 9º no total. Faltam três jogos. São 22 times.

Entre nesse site www.j-league.or.jp. Meu time chama Matsumoto Yamaga FC.
Estou como preparador físico e auxiliar do técnico japonês ( foi meu jogador e já trabalhamos juntos em três clubes) e foi técnico da penúltima seleção olímpica, na China .

Sobre o ECSA, estou torcendo para que se mantenha na Série C, mas tá difícil mesmo...

Sobre o amistoso Brasil x Japão, acho que o time do Brasil, jogando com esses dois volantes, está no caminho certo. Individualmente, não se discute a qualidade do brasileiro em todas as posições; é superior. Estão todos, a meu ver, conscientes de que precisam ajudar na marcação e no ataque. Havendo espaço, é impossível ganhar do Brasil.

Aí é que acho que o técnico italiano, do Japão, foi mal no planejamento do jogo. Colocou o time muito na frente e por isso perdeu.
 
Criticando a preparação do time do Brasil para a Copa, vejo o mesmo problema ainda presente,  que é a concentração apenas em quem tá bem, quem deve ser convocado e quem deve ser titular... Escolher o melhor no Brasil é difícil, são tantos.
 
Precisa, além disso, definir o trabalho tático de quem ocupar aquela posição porque  se alguém, de repente, se contunde ou cai de produção, tudo volta à estaca zero . Outro problema nosso é quando o adversário tira nosso espaço para criar, para atacar.
 
E aí entra nosso estado emocional, que tem nos traído em tantas copas. Outro ponto que também tem nos tirado de tantas copas é a situação defensiva em bolas paradas. Eles não treinam aí... nada, nada. Vejo muita qualidade individual, mas acho que precisa ter evolução tática nos sistemas defensivo e ofensivo.

Mas estamos torcendo sempre para nossos técnicos evoluírem. Eu os acho (técnicos brasileiros ) acomodados; não estudam o futebol  e não contribuem para a  evolução tática dos nossos jogadores.

Abraços a todos.

Élcio 
 

domingo, 21 de outubro de 2012

Caxias mantém Ramalhão vivo. Sob aparelhos

O Santo André ainda não caiu para a última série do Campeonato Brasileiro. Continua à espera de um milagre, na UTI, em estado terminal. Respira com a ajuda de aparelhos e permanente junta médica.

À direita da cama, o prefeitão finge chorar. Lágrimas de crocodilo!  Político... já viu. À esquerda, com um terço entre as mãos, o todo-poderoso presidente do Saged e dono do jornal (DGABC) reza fervorosamente. Mas, discretamente, pisca para o padre, à espera da extrema-unção.

Caixão só não foi encomendado (acho!) graças à vitória do Caxias sobre o Brasiliense, agora há pouco em Caxias do Sul. Os 3 a 0 evitam, momentaneamente, a queda com cheiro de morte, mas a situação do moribundo ainda é delicada. Talvez fosse melhor morrer em casa, ao lado da família.

Com 18 pontos e apenas três vitórias no Grupo B da Série C, contra 20 pontos e seis vitórias do Brasiliense, o Ramalhão só se salva se vencer o Macaé e o time do Distrito Federal perder do Vila Nova-GO. Não é impossível!

Detalhe é que o Santo André precisa ganhar  do líder, e fora de casa, enquanto que o Brasiliense recebe o Vila Nova, sexto colocado com 23 pontos ganhos, sem possibilidades de classificação e sem risco de descenso. Repito: não é impossível!

No Grupo B, Macaé e Oeste de Itápolis já estão classificados. Caxias, Duque de Caxias (jogam entre si) e Chapecoense (recebe o lanterna) brigam pelas outras duas vagas. O Tupi já está rebaixado.

No Grupo A, Fortaleza e Luverdense estão garantidos na próxima fase. Santa Cruz, Icasa, Payssandu, Salgueiro e Águia ainda têm chances de continuar.  O Guarany-CE já caiu.

sábado, 20 de outubro de 2012

São Caetano: vacilo e tabela desfavorável

Vacilo do São Caetano no empate  com o lanterna Grêmio Barueri, ontem à noite em Barueri, pode custar muito mais do que a momentânea saída do G-4 do acesso à elite do futebol brasileiro.

Como hoje o Atlético Paranaense foi a Salvador e  derrotou o forte Vitória por 2 a 0, o Azulão  perdeu a quarta colocação e passa a correr risco maior de não subir.  Tem 57 pontos ganhos e 16 vitórias, contra 58 pontos e 18 vitórias do Atlético.

Principalmente porque faltam apenas sete rodadas ( 21 pontos em disputa) e, teoricamente, a tabela sugere maiores dificuldades para o São Caetano, que nos últimos jogos não tem sido tão convincente.

Além de Ipatinga, Boa Esporte e Guarani, o time de Emerson Leão pega nada menos que os quatro primeiros colocados: Criciúma, Goiás, Vitória e Atlético Paranaense ( este, de seis pontos, dia 3 próximo, no Anacleto Campanella).

Dos principais concorrentes às vagas (Joinville, com 52 pontos, também sonha) o  time de Curitiba pega apenas o Criciúma e o próprio São Caetano. Demais adversários: Guarani, Guaratinguetá, América de Natal, ASA e Paraná.

Terça-feira o São Caetano recebe o  frágil Ipatinga mas precisa jogar mais do que no 2 a 2 de ontem para não ser surpreendido. Já o Atlético Paranaense  recebe o  Guarani, que está na descendente.