Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ramalhão embala; Azulão e Tigre empacam

O Santo André voltou a vencer  -- 3 a 2 em Osasco -- e embalou de vez rumo à zona classificatória da Segundona.

Ainda não há motivos para festas  ou endeusamento de dirigentes, técnico e jogadores, mas não deixa de ser um alento pra quem cansou de ser saco de pancadas em 2012.   

Em contraposição, na última rodada da elite estadual o São Bernardo arrancou bom empate com a forte Ponte Preta, em Campinas, mas continua na zona de rebaixamento.

Mesma situação do São Caetano, que voltou a jogar mal e perdeu em Mirassol. Pior do que a derrota é o fato de permanecer na lanterna do campeonato e não mosstrar evolução consistente.

Mais uma vez, o sistema defensivo do Azulão bateu cabeças e falhou em lances individuais. Principalmente o miolo de zaga, um dos destaques na Série B do Brasileiro de 2012.

Gabriel tem mostrado falha de posicionamento, lentidão na cobertura e até mesmo certa má vontade. Vágner voltou de cirurgia no joelho e comprometeu. Escalar alguém fora de forma é sinônimo de precipitação ou burrrice.

Por isso a contratação de Bruno Aguiar parece escolha correta. Tanto quanto a chegada de Fabinho,  ex-volante do Corinthians.

Sábado, em casa, contra o Botafogo, o time de Geninho não pode nem pensar em resultado diferente de vitória. Pior é que seu melhor atacante, Danielzinho, cumpre suspensão pelo terceiro cartão amarelo.

Já o São Bernardo se aguentou o quanto pode depois de fazer 1 a 0 diante da Ponte. Mas, pressionado e acuado, cedeu o empate.

Tigre até marcou com desenvoltura. Tanto que a Ponte teve volume e domínio mas as oportunidades foram raras.

Técnico Wagner Lopes falhou ao abdicar do direito de atacar e chamou a Ponte ainda mais pra cima.  Aplicar um 4-6-0 está mais pra covardia do que pra cuidados defensivos de quem joga fora e está na frente no  placar.

Vencer o Ituano, no Primeiro de Maio, também é obrigação do Tigre. Só não pode partir pra cima e falhar no sistema defensivo.

Se São Caetano e São Bernardo  perderem, é bom começar a pensar seriamente em apenas fugir do rebaixamento.   Afinal, já estamos na metade do campeonato e ambos empacaram. Parecem dois jegues.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Seis gols, incompetência defensiva e nova derrota

O São Caetano foi ousado e encarou o São Paulo de igual pra igual, mas perdeu de 4 a 2 e continua na zona de rebaixamento do Campeonato Paulista.

O primeiro tempo do bom jogo de agora há pouco no Anacleto Campanella foi uma aula de passes errados e incompetência defensiva.

São Caetano e São Paulo abusaram do repertório de lambanças. Melhor para os sistemas ofensivos. Daí a uma noite de emoções e seis gols foi um pulinho.

Nervoso,acuado,  mal posicionado (  4-3-1-2 parecia ilusório, apesar dos três volantes e um meia armador) e errando passes e coberturas simples, o Azulão não demorou para levar o primeiro gol.

São Paulo atacou pela esquerda,  a cobertura falhou -- especialmente com Marcone e o pesado Bustamente -- e Luís Fabiano fez 1 a 0.

Empate do São Caetano não tardou e também começou pela esquerda, com Jobson às costas de Douglas.

O elétrico Danielzinho, que pouco antes sofrera pênalti de Rogério Ceni  não assinalado pela arbitragem, bateu no canto direito do goleiro.

Pouco depois, de novo em jogada em rapidez diante de  um miolo de zaga  pesado, desprotegido e mal posicionado, o Azulão fez  2 a 1.

Lançamento longo veio da lateral-direita, com Samuel Xavier, e encontrou  Jobson livre para tocar na saída de Rogério Ceni,  que saiu como goleiro de handebol, saltando em xis.

Como a marcação continuava amiga  e complacente de lado a lado, o São Paulo ( 4-4-2) não encontrou dificuldades para empatar no final do primeiro tempo.

Justamente quando o Azulão  estava melhor  e a bola já não parecia tão inimiga, aconteceu a igualdade Maicon recebeu de Osvaldo após falha de Samuel Xavier  e contou com o desvio da zaga para deixar tudo igual.

Conversa dos técnicos nos dois vestiários parece que teve efeito. Por isso, no segundo tempo, a marcação não foi tão comtemplativa e os erros de passes não foram tão juvenis.

Ofensivamente, a velocidade do Azulão continuava fazendo estragos. Especialmente de Danielzinho sobre Rafael Tolói. Tomou um vareio.

Aos 18 minutos, o veterano Rivaldo deu lugar para o centroavante Eduardo. Ousadia de Geninho ao colocar no time no 4-3-3, estranhamente sem armador.

 Por outro lado, o São Paulo trocou Maicon  por Wellington para melhorar a marcação. E continuou com Jadson brilhando e Ganso apenas passeando, se escondendo do jogo.

Douglas parou em Fábio aos 21 minutos e o quinto gol do jogo só aconteceu aos 27, de novo com Luís Fabiano. Bustamante  foi mole  pra cobertura e o artilheiro não perdoou ao bater cruzado, no canto direito baixo de Fábio.

Jobson ameaçou de longe, aos 31 minutos, e por pouco Rogério não aceitou. Aberto, o Azulão dava espaços para o contragolpe tricolor.

Geninho tirou o volante Moradei, colocou um meia (Éder) e passou a jogar no 4-2-1-3. Em seguida Nei Franco perdeu a paciência com Ganso e colocou Aluísio no ataque ( também 4-2-1-3).

Nos 10 minutos finais o São Paulo ameaçou com Osvaldo e Luís Fabiano antes de fazer 4 a 2 aos 47 minutos, com Aluísio concluindo de cabeça o cruzamento de Carleto.

São Caetano só levou perigo aos 45 com Jobson. Pouco pra quem teve ousadia mas pecou por desatenção em momentos cruciais. Pouco pra quem precisava vencer par deixar o rebolo.

Com certeza, o torcedor gostou do jogo. Com certeza, Geninho (mais) e Nei Franco não gostaram nada, nada.




terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Só o Ramalhão reagiu. É pouco!

Mesmo sob o comando de novos treinadores, o futebol profissional do Grande ABC continua mal das pernas.

No final de semana, apenas o Santo André reagiu. São Bernardo e São Caetano voltaram a decepcionar.

Pela Segundona, o Ramalhão  do novato Arnaldo Lira foi a Catanduva a ganhou de 3 a 1, deixando a zona de rebaixamento.

Conquista fora de casa pode servir de alento e motivação para novas conquistas. Até mesmo o torcedor deve se reaproximar aos poucos. Especialmente  aposentados e profissionais liberais.

Pela elite, uma derrota e um empate, ambos resultados ruins, em casa. O São Caetano foi melhor mas perdeu do Bragantino de 2 a 1.

Atirou-se ao ataque, o que é normal, mas não teve competência para transformar as oportunidades em gol. Defensivamente, o time de Geninho voltou a falhar. Principalmente à frente da zaga e entre a quarta-zaga e a lateral-esquerda.

Além de fazer gol, Rivaldo foi bem; Jobson ainda não disse por que veio. Danielzinho tem sido muito mais útil. Fábio Costa  é experiente mas ainda está fora de forma.

Em São Bernardo, o Tigre do estreante Wagner Lopes não convenceu. Teve domínio e cuidados defensivos, mas pecou na criação e na última  bola. 

Também faltaram velocidade consciente,  intensidade e volume de jogo diante de um Paulista conservador e limitado. Por isso ninguém marcou.

Ex-ídolo no futebol japonês, Wagner Lopes deve ter percebido que Luciano Mandi não é o cara. Meio-campo parece jogar sem uma das pernas.

São Caetano e Azulão têm elencos para reagir. Não quer dizer que vão reagir a tempo. Um pouco mais de vontade talvez ajude.  

O gol, o castigo, o cavalo e a Ferrari

Há algumas décadas, quando se amarrava cachorro com linguiça e o presidente da República ainda sabia de alguma coisa, um dito popular era muito recorrente. O castigo vem a cavalo, diziam nossos pais e avós.

Pois é, hoje não é bem assim. Agora, o castigo, quando não chega em velocidade meteórica,  vem montado numa Ferrari comandada por Fernando Alonso. E no futebol não é diferente.

Veja a sina dos nossos goleiros de Seleção Brasileira.

Diante do Atlético Mineiro, o bom veterano Rogério Ceni foi juvenil e desatento ao dar água para Ronaldinho Gaúcho e mostrou reflexo tardio ao tentar alertar seus quatro zagueiros, em linha, sobre a posição do atacante. Desatenção plena!

Como se não bastasse, no sábado o goleiro aceitou um frango histórico diante do Ituano. Como corintiano, adorei as duas lambanças.

Outros, mais fanáticos, não tiveram dúvidas: " Chupa, mascarado. Bem-feito".

No dia seguinte, no entanto, veio o castigo. A cavalo? Nada disso! Ferrari turbinada!

Heroi corintiano na final do Mundial Interclubes, o grandalhão Cassio falhou feio no segundo gol do Palmeiras. Saiu caçando borboletas. Foi tão ridículo quanto Ceni.

Lotado, o Pacaembu, respeitosamente,  não teve coragem de vaiar. Só cochichou às escondidas!

Merecidamente, papai-do-céu me puniu. Torcedor do São Paulo deve ter adorado.

Pra completar, diante da Ponte Preta, outro goleiro de Seleção, o jovem Rafael,  saiu mal, entregou a rapadura e facilitou a vida do bom Alemão, que fez 3 a 1.

Portanto, senhores, nada melhor do que um dia após o outro. Aqui se faz, aqui se paga. A bola pune até quem não faz nem toma gol.

Talvez não precisasse ser tão rápida. Não deu tempo nem de curtir a desgraça alheia. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Esporte do Grande ABC clama por reação

Esporte coletivo do Grande ABC não passa por boa fase.

A começar pelo futebol profissional.

Santo André, São Bernardo e São Caetano estão na zona de rebaixamento dos seus respectivos campeonatos.

O São Bernardo/PT virou saco de pancadas ao desprezar a humildade e é o penúltimo colocado da elite estadual. Uma vitória ( a goleada enganosa sobre o São Caetano), um empate e quatro derrotas.

De técnico novo,  o São Caetano de Geninho continua ladeira a baixo e está em décimo oitavo lugar, também com apenas quatro pontos ganhos em cinco jogos.

Está certo que é começo de campeonato, mas se a reação demorar a coisa vai ficar preta pra quem sonhava ficar entre os oito classificados.

Já o Santo André, mesmo sem as mazelas do finado Sagedd, está em 17º lugar na Segundona.  Se não melhorar, vai cair de novo. Como atenuante, é um time em formação. Merece paciência da torcida. Sem deixar de cobrar jogadores e dirigentes.

Nos outros esportes também andamos sem brilho. Exceção ao handebol feminino de São Bernardo, onde o vôlei feminino tem dado tanto vexame quanto o de São Caetano.

Mesmo assim, não entregam a rapadura como o de Santo André, que um dia ganhou o mundo com a Pirelli e agora está fadado a morrer vítima de incompetência e inanição.

Apesar do esgoto malcheiroso do Semasa, basquete feminino de Laís e Arilza  ainda respira oxigênio puro diante de um universo minúsculo. Tanto quanto as meninas guerreiras de um handebol de investimento limitado.

Pouco pra três cidades que têm tudo para ser a Capital Nacional do Esporte. Tomara que reunião dos novos secretários e diretores de Esportes  não tenha sido conversa molo pra boi dormir.

Falar em Copa do Mundo e Jogos Olímpicos é interessante, mas soa como utopia ou cortina de fumaça pra problemas caseiros. Especialmente em Santo André.

Nossa realidade está aqui e muito pode ser feito em conjunto. Sem desprezar a rivalidade saudável e respeitosa.    

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Por um cálice de atenção...

Ainda é Natal! Me desculpem, por favor, e tentem compreender o desabafo. Minha sensibilidade está à flor da pele. Do nada, brota uma lágrima, outra e mais outra. O velho sorriso já é escasso.

Depressão? Não! Melancolia? Saudade dos pais que se foram? Do filho que não apareceu? Dos irmãos distantes? Sei lá! Só sei que machuca! Corta como navalha!

O importante, a boia salvadora, é que, no silêncio da cidade grande e sob o testemunho da lua cheia,  recebo o carinho incomparável, porque sincero, da filha, Maira, e dos netos, Victor e Júlia. Paixões doentias, vulcânicas. Simplesmente, a-va-ssa-la-do-ras.

Porém, não sei por que, e não só hoje, repito, virei um chorão contumaz. Por muito ou por pouco. Pra ser justo, às vezes, até de alegria. Como na maior conquista do time de coração.  Então, talvez seja apenas carência de pai, esperança descabida.

São novos tempos, mais acelerados, sem tempo a perder. É preciso compreender e tocar a vida. Mas fica, sinceramente, uma pitada de amargura, de decepção, ao dar de cara com as agruras da vida e perceber que o tempo, infelizmente, passou.

Sei que erros e acertos fazem parte. Sei que também sou culpado, responsável. Os filhos cresceram. Alguns professores da vida, aos quais eu jamais deixaria de agradecer,  já partiram. Mesmo sem serem perfeitos, deixaram lições de vida eternas.  Daquelas que resistem a tsunamis, tornados, furacões e até desprezo.

Certos momentos passam a ser cortantes. Como o médico irresponsável  -- que novidade, né? -- que falta ao plantão da noite natalina quando poderia salvar a menina, mais uma vítima de bala perdida.

Como o prefeito da cidade vítima das enchentes que tem a cara-de-pau de desviar verba governamentais e doações para contas particulares. Abandona cidadãos desabrigados em benefício do próprio umbigo.

Quando não é isso, os caras, esses políticos inescrupulosos, são capazes de cortar a merenda escolar de pequeninos famintos. Uma farsa, mais uma fraude. Afinal, pra quê comer? É mais vantajoso fazer obras e ganhar  por fora, de construtoras e empreiteiras.

O que dizer, então, de prefeitos, vereadores, deputados, senadores e presidente -- inclusive aquele que não sabe de nada -- que brincam com saúde da população e transformam hospitais em verdadeiros matadouros?

Também me dói no peito ver aquelas crianças, no lixão, dividindo  espaço com  adultos e até urubus e ratos gigantes e fedorentos, à cata de uma sobrinha qualquer que pode significar a salvação. Pra não morrer de fome! É triste, chocante!

Ou os idosos, amontoados em asilos mal-cuidados ou mesmo isolados em casa, sem a companhia de filhos que,  se normais e com um dedinho de gratidão --  poderiam lhes proporcionar um momento de carinho, de atenção. Só serve se tiver dinheiro ou a merreca do INSS.

O que dizer, então, daqueles moradores de rua por absoluta falta de um lar, de um aconchego, de alguém que lhes estenda a mão? Um simples gesto de amor, de compreensão. Afinal, eles precisam voltar a sonhar.

Tanto quanto o dependente químico, que, por opção própria ou imposição da vida -- quase sempre arapucas do destino -- está abandonado. Sua companhia é o cachimbo que  empolga, engana, dilacera e mata. O viciado e a família.

Crianças -- a brutalidade do atirador que assassinou tanta gente nos EUA foi uma monstruosidade --, idosos, dependentes e tantas outras vítimas da sociedade merecem momentos de felicidade. Talvez uma oportunidade de dar a volta por cima.

Quem sabe com um toque mágico, no rosto. Um carinho no cabelos. Um olhar respeitoso. Um pequenino gesto de solidariedade, de amor ao próximo. Talvez um obrigado, sussurrado, bem baixinho, ao pé do ouvido.

Enfim, coisas que se falam ou se fazem com a cumplicidade do coração. Mesmo que seja um pedido de perdão. Um simples piscar de atenção verdadeira, sem interesses.

Obrigado minha filha. Obrigado moleque. Cuidado pra não cair da bike nova.  Obrigado princesa. Não se esqueça de abraçar o ursão.

Obrigado por um cálice de carinho com a força do mar. Um cálice de atenção com a doçura do mel. Um cálice de amor com a intensidade do sol. Com a sinceridade e a inocência de crianças capazes de dizer: vô, te amo.

Amor! Uma palavra mágica. Gratidão! Uma atitude de grandeza. Doação! Um gesto de humildade tão simples quanto belo. Tão raro e difícil para alguns quanto arrebatador! Mais uma vez, obrigado por vocês existirem. Vô Raddi também ama vocês.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Marta: cesta de três ou bandeja desastrosa?

Instado por um amigo corintiano, hoje cedo no Parque Central,  sob chuva e em plena corrida, acabei deixando a resposta (?) para o texto do blog.

Afinal, Marta vai representar uma bela cesta de três pontos ou uma bandeja desastrosa,  desperdiçada quando a marcadora mais próxima estava a dez metros do garrafão?

Sinceramente, é muito cedo para se projetar sucesso ou decepção de quem foi tão importante para o basquete brasileiro, mas, como dirigente pública, está apenas começando.

Futura Secretaria de Esportes e Lazer de Santo André, a ser criada por decreto e/ou aprovação da Câmara de Vereadores, não é tarefa tão simplória, pra qualquer para-quedista metido a besta.

Indicação da pivô revelada em Santo André, pelas mãos de Laís Elena Aranha e que acabou nos Estados Unidos e na Seleção Brasileira, me pegou de surpresa. Achei que alguém havia confundido com a Janeth. 

Fontes confiáveis garantem que a ex-atleta, ligada ao PC do B, parceiro do PT, apoiou o deputado estadual eleito prefeito e foi recompensada. Por  esse ângulo, nenhuma surpresa. Secretariado de Carlos Grana privilegiou o viés político-sindical e repete vários nomes de administrações anteriores. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Vários nomes eram especulados, menos o de Marta.  Além de Janeth  (basquete), apareciam William Carvalho (vôlei), Celso Luiz de Almeida (presidente do ECSA e ex-diretor de Esportes em Santo André), Carlos Tadeu Costa (secretário de Esportes em São Bernardo e ex-diretor de Lazer em Santo André), Raimundo Salles (político derrotado e advogado) e até mesmo José Eduardo Barbosa( dirigente do Aramaçan).  Por isso a surpresa.

O fato de Marta ser do esporte é bom.  O fato de ser medalhista olímpica e pan-americana ( ouro, prata e bronze) também é interessante.  Pesa no currículo! Tanto quanto a origem na favela  e o fato de trabalhar com crianças e adolescentes carentes ( Projeto Lance Livre) na favela de Heliópolis e no Grande ABC.

Discurso da basqueteira em prol da inserção social e da formação do cidadão por meio de escolinhas de esportes é outro ponto positivo. Na teoria. Assim como a aposta no binômio esporte-educação. Se praticar mesmo tudo isso, Santo André só tem a ganhar.

Mesmo assim, não dá pra garantir que Marta vai acertar o arremesso e converter três pontos decisivos para um esporte  problemático e em franca decadência nos últimos anos. Principalmente como drástica consequência de investimento pífio, competência duvidosa, comprometimento enganoso e excesso de vaidade diretiva.

Também não há como afirmar que a bandeja fácil, até pra juvenil, vai ser desperdiçada de forma ridícula. Marta tem personalidade forte e esbanja confiança, mas a realidade é dura. Pra quem não sabe, só pra começo de conversa, no alto rendimento salário atrasado virou rotina nos últimos tempos. Em São Caetano não foi diferente...

Como resolver esse e outros pepinos? Nossa grande reboteira vai precisar  rebolar muito e provar que merece o cargo, que é capaz de liderar e de gerenciar recursos financeiros e humanos como fazia com a bola de basquete.

Pra tanto, é fundamental que a administração Grana encare o esporte não como prioridade, mas com a atenção e o respeito que não lhe foram dedicados na  gestão por se findar. Se o PT olhar o esporte com o mesmo menosprezo do prefeitão, Marta não vai concretizar nem a bandeja. Repetirá o fiasco atual!

Se a escolha de Grana for mesmo apenas um agrado político e Marta não souber montar equipe competente e comprometida com o esporte -- não só o basquete --, Santo André vai continuar dando vexames nas quadras, nas pistas, nos campos, nas piscinas e onde quer que se pratique esporte.

Marta colecionou vitórias, ganhou medalhas e foi campeã ao lado de feras incomparáveis como Paula e Hortência. Agora, tem a oportunidade de ser protagonista. Sozinha, pode dar com os burros na água. Cercada de assessores de meia tigela e comissionados impostos e vagabundos, vai bater a cabeça no aro.

Então, que a experiência de Marta comece com o pé direito, tomando pé da situação nada confortável e escolhendo profissionais certos para os lugares certos. Sem agrados, sem protecionismo e sem corporativismo nefasto. Inventar pivô no lugar de ala é suicídio. Especialmente pra quem vive a passear à beira do canyon.

Tenho cá minhas dúvidas quanto à desenvoltura gerencial de Marta em quadra minada e desconhecida, com bons e maus profissionais, como em todos os segmentos da sociedade, mas desejo boa sorte! Avaliação virá com o tempo.