Donizeti Raddi, 71 anos, corintiano, jornalista e professor de Educação Física aposentado. Hoje, trilheiro, montanhista amador, aventureiro e blogueiro ocasional.

Quem sou eu

Minha foto
Santo André, São Paulo, Brazil

Seguidores

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

São Caetano vencedor e maduro

Ficar invicto por 15 jogos, com nove vitórias e seis empates (+ duas derrotas no início) em 17 rodadas, não é tarefa para qualquer time. Só um time de verdade apresenta performance tão invejável num campeonato tão difícil e nivelado por cima.

Um time como o São Caetano, agora liderado por um conhecedor da matéria como Sérgio Guedes. Um time sem excesso de vaidades, que privilegia o coletivo sem desprezar a individualidade; que hoje exercita a combatividade contínua e cuidadosa, mas já não abre mão da ofensividade.

Um time agora mais equilibrado nos três setores e com o melhor sistema defensivo do campeonato. Mesmo ainda longe do ideal, até o ataque melhorou um pouco. Quando laterais e meias encostam, referência e velocidade brilham e mostram competência pontual.

Vitória de 3 a 1, ontem à noite na mineira Varginha, apresentou, acima de tudo, um grupo maduro. Levou susto no início do primeiro tempo e tomou o gol no início do segundo, mas não se abalou. Também foi favorecido pela expulsão de Serginho.

Os dois gols de Leandrão no primeiro tempo e o de Geovane no finalzinho do segundo aconteceram, como se diz, na hora certa. Se bem que, gol a favor é sempre bom, independente da hora.

O primeiro ( aos 16 minutos) numa lambança em atrasada de bola longa e suicida; o segundo (aos 33) num vacilo infantil do lateral improvisado e esperteza de Marcelo Costa para olhar, cruzar e encontrar Leandrão livre. O terceiro também contou com a inteligência do meia, ontem mais dinâmico e participativo do começo ao fim.

Vitória merecida e pontos recuperados após o empate-derrota diante do Criciúma. Vitória da personalidade, da maturidade, de quem se impõe. Resultado que recoloca o Azulão entre os quatro clubes que sobem para a elite nacional em 2013.

Adversário deste sábado, fora de casa, é o tradicional Goiás, que está apenas um ponto atrás. Jogo é tão difícil quanto o de ontem na segunda etapa. Só que o time goiano não só luta pela mesma vaga como é mais forte.

Briga de cachorro grande! Grande, vencedor e maduro. Mas sujeito a recaídas por não ser perfeito. Todo cuidado é pouco!


SEM POLITICAGEM COM O REI ARTHUR

Arthur Zanetti, o rei de ouro sem espada, acaba de conquistar medalha olímpica inédita em Londres e ganhar todos os holofotes do mundo esportivo.

É bom, é prudente, que, agora, políticos de hoje e de amanhã, todos como hienas de plantão, não queiram se locupletar às custas da glória do campeão.

Que prefeito e candidatos à disputadíssima cadeira de honra do Executivo de São Caetano se limitem a homenagens mais do que merecidas. E que se olhe a ginástica artística com tanto respeito quanto as demais valências do esporte.

Quem não se lembra de que, há pouco tempo, várias modalidades foram vítimas de corte de verba discutível, e o esporte foi prejudicado pela troca do competente secretário Mauro Chekin, apeado do cargo para, naquele momento, dar lugar a um político de muitos votos.

Que novidade! Quando interessa ao poder, política e esporte também sabem andar de mãos dadas. Políticos adoram fazer política em cima do esporte. Pelo menos a maioria. Tanto quanto ignoram a necessidade de uma política esportiva de verdade.

Que a São Caetano esportiva não caia na arapuca do desrespeito! Que a coroa do Rei Arthur não seja vilipendiada por abutres bem visíveis aos olhos dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Que a medalha de ouro de Arthur Zanetti sirva como partícula de resposta a todos que teimam em menosprezar, a ignorar o esporte. Como na Santo André de Aidan Ravin, o "prefeito inimigo do esporte".

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Time de ouro; medalha de prata

Medalha de prata, principalmente em Jogos Olímpicos, é motivo de orgulho, mas para muitos tem o amargo sabor de derrota. Diferente da de bronze, normalmente conquistada com vitória.

O vôlei do Brasil disputou as três últimas finais olímpicas. Ganhou ouro em Atenas, prata em Pequim e... e ficou bem perto da medalha de ouro agora, em Londres.

Um time de ouro; uma medalha de prata. Uma geração de ouro, que ganhou todos os títulos possíveis no voleibol mundial. Uma geração que não pode ser execrada apenas porque ganhava de 2 a 0 e levou a virada dos russos.

Não jogamos para não ganhar, mas precisamos aprender a perder. Precisamos assimilar as derrotas, aprender com as derrotas. Precisamos entender que não jogamos contra o vento. Respeito é bom, e os russos mereceram, souberam ganhar.

Assim como jamais deixarão de merecer admiração e respeito Giba, Rodrigão, Serginho, Ricardinho e Dante, que devem ter dado adeus à Seleção Brasileira. Adeus, mas não sem antes nos encherem de orgulho com vitórias e títulos inesquecíveis ( incluindo três mundiais) sob o comando de Bernardinho.

Bernardinho que volta a ser questionado porque "só" ganhou a medalha de prata. Que absurdo! Parem com isso! Passionalismo exacerbado, no futebol, já é inadmissível. No vôlei, então, nem pensar.

O técnico da Seleção Brasileira não precisa provar mais nada, pra ninguém. Não precisa ganhar nada; já ganhou tudo que podia. Vítima de imbecis virtuais, que não sabem nada de esporte, Bernardinho merece, isto sim, uma estátua.

Será que esses escribas mal-educados e desinformados se lembram que Bernardinho ganhou medalha de prata como levantador da Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Los Angeles, em 84? Era reserva do nosso eterno capitão William.

Será que esses dependentes químicos do ouro sabem que o cara foi medalha de bronze dirigindo as meninas em Atlanta-96 e Sidney-2000? Sim, as nossas meninas.

Será que esses babacas de plantão têm memória tão curta que não se lembram do ouro em Atenas-2004 e da prata em Pequim-2008, em jornadas memoráveis?

Deu pra contar? São seis medalhas olímpicas. Seis!!! Assim como o tricampeão olímpico Zé Roberto Guimarães, técnico das meninas (bi) de ouro, Bernardinho merece sem respeitado e lembrado eternamente pelo torcedor brasileiro. E ninguém é melhor que ninguém.

Nosso vôlei tem um time de ouro, que deve se orgulhar da medalha de prata. Bernardinho (e Vera Mossa) tem um filho de ouro. Bruninho deve se orgulhar de um pai/treinador como poucos, de ouro, muitos ouros.

Como pai e avô, tenho certeza de que Bernardinho sofreu em dobro quando viu seu filho, no pódio, com os olhos marejados. As lágrimas de Bruninho são café pequeno se comparadas à dor de um pai.

Alguém dúvida de que Bernardinho trocaria todas as suas conquistas olímpicas pelo prazer de ver uma medalha de ouro no peito do filho? Se você duvida, me desculpe, mas você não sabe o que é ser pai.

Um time de ouro, um técnico de ouro, uma geração de ouro, um vôlei de ouro. Simples assim! Por isso, mais respeito com os nossos ídolos!

Ramalhão e Azulão, o sobe-e-desce dos invictos

O Santo André está invicto há sete jogos; empatou muito, mas ainda não perdeu no Campeonato Brasileiro da Série C.

O São Caetano está invicto há 14 jogos; sob o comando de Sérgio Guedes, ainda não perdeu na Série B do Brasileiro.

O Santo André tem a melhor defesa e o pior ataque do Grupo B; tomou e marcou apenas seis gols, menos de um, em média, por jogo.

O São Caetano tem a melhor defesa e o décimo ataque da difícil Série B; tomou apenas 12 gols e fez apenas 21. Pouco para quem sonha com o acesso.

No final de semana o Ramalhão ganhou do Caxias de 2 a 1 no Bruno Daniel, ainda sem a presença do torcedor, e assumiu o quinto lugar no Grupo B.

Agora, com duas vitórias e cinco empates, time de Claudemir Peixoto e Sérgio do Prado está bem perto do G-4 que leva à próxima fase.

No final de semana, também em casa, mas com apoio da limitada torcida, o forte e regular Azulão foi bem, mas deu sopa para o azar; perdeu inúmeras ocasiões para matar o jogo, mas, em falha de marcação, tomou o empate ( 1 a 1 com o líder Criciúma) nos acréscimos.

Com oito vitórias, seis empates e apenas duas derrotas, o São Caetano ampliou a invencibilidade para 14 jogos, mas caiu o quinto lugar; ficaria fora dos quatro clubes que voltam à elite do futebol nacional.

No sobe-e-desce dos invictos, os dois jogam fora na próxima rodada: amanhã, o Azulão vai até Varginha, no Sul de Minas, para pegar o Boa Esporte; neste final de semana o Ramalhão joga em Duque de Caxias.

Adversários não são fortes, mas isso não significa que o Grande ABC não corra riscos. É bom não facilitar. Jogos assim são perigosos. Mesmo para quem ostenta invencibilidades.

sábado, 11 de agosto de 2012

Um homem de aço e 12 meninas de ouro

José Roberto Lages Guimarães nasceu a 31 de julho de 1954 em Quintana, interior de São Paulo. Mas se criou mesmo, para o esporte, aqui em Santo André.

Foi aluno do tradicional Américo Brasiliense e enveredou pelo vôlei pelas mãos do saudoso professor Valderbi Romani, técnico da Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Munique, em 72.

Os pais queriam que o menino fizesse Medicina ou Engenharia, mas o gosto pelo esporte, e pela arte de ensinar, o levaram a cursar Educação Física. Na nossa Fefisa.

São-paulino ( não poderia ser perfeito), o estudioso e meticuloso Zé Roberto sempre adorou esportes, especialmente o futebol, mas optou definitivamente pelo vôlei que fez história em Santo André. Ja antevia um futuro de sucesso.

Como levantador, dos bons, passou pelo inesquecível Randi, Aramaçan e Metalúrgica São Justo (ECSA), o time do presidente Acyr de Souza Lopes que acabara de encampar o futebol profissional, agora como Esporte Clube Santo André.

Sem contar a Pirelli de Moreno e William, dois ícones do vôlei mundial. Encerrou carreira na Itália, em 81, não sem antes, em 76, ser um dos levantadores da Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Montreal.

Como treinador, um sem-número de títulos. Destaques para as medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 92, em Barcelona, dirigindo o masculino, e em 2008 (Pequim) comandando as meninas.

Para coroar uma carreira fantástica, agora há pouco, em Londres, Zé Roberto se consagrou como único brasileiro a conquistar três ouros olímpicos.

Seu livro preferido é o Poderoso Chefão. Exatamente o que Zé Roberto não é. É líder por excelência, por isso tantas conquistas. Um líder que comanda como líder; cobrando com conhecimento de causa e mostrando o caminho de vitórias que parecem impossíveis.

Pra ser sincero, na última Liga Mundial não senti a mão firme desse líder amigo. Havia algo de estranho, em certo desânimo. Talvez algum problema particular ou mesmo a percepção do fim de um ciclo invejável.

Na fase classificatória, também não observei uma postura positiva, participativa. O velho Zé, de tantas batalhas, não inspirava nem passava confiança.

As meninas, então bem próximas do precipício, da vala comum reservada a perdedores sem luta, pouco importando se seis delas haviam conquistado a medalha de ouro em Pequim, estavam meio que sem norte.

Hoje, porém, assim como depois do jogo épico contra as russas, foi diferente. Assisti à volta, a presença, a atitude forte, nada contemplativa, do verdadeiro líder, do homem de aço, que acredita no sonho.

O campeão voltou!!! Por isso as campeãs voltaram. Por isso o Brasil enfiou 3 a 1 nos Estados Unidos, devolveu na mesma moeda a derrota da primeira fase e conquistou o bi olímpico.

Primeiro set das meninas de ouro foi ridículo. Levamos incríveis 25 a 11, sem ver a cor da bola. Os demais foram excepcionais ( 25 a 17, 25 a 20 e 25 a 17), com muita vibração, igual determinação em todos os fundamentos.

Sem contar a grande atuação de Jaqueline, que defendeu com o brilhantismo de sempre e atacou como nunca. Tanto que fez 18 pontos e foi a melhor da decisão. Também porque obedeceu o líder e foi pra cima do paredão americano ("Bate no meio do bloqueio", dizia Zé Roberto).

O filme preferido de Zé Roberto? Em algum lugar do passado. Exatamente onde o treinador deve ter buscado inspiração para dar a volta por cima, se superar e conquistar uma medalha ( no caso, a terceira) só reservada a quem não desiste; jamais.

Assim são os líderes de verdade. Assim foi o nosso homem de aço no comando de 12 meninas de ouro.

Prata! CBF poderia doar os R$ 4 milhões

Como em Los Angeles-84 e Seul-88, o futebol do Brasil é medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres.

No Estádio de Wembley, diante de mais de 86 mil pessoas, o Brasil perdeu do México de 2 a 1 e, mais uma vez, o inédito ouro olímpico não passou de um sonho.

Como cada um dos 18 jogadores receberia R$ 180 mil em caso de título, a rica Confederação Brasileira de Futebol acaba de economizar mais de R$ 4 milhões, considerando-se a Comissão Técnica.

Resultado é decepcionante para quem queria a medalha dourada, mas não pode significar imediata caça às bruxas, como se tudo estivesse errado e todos fossem culpados.

A começar pelo técnico Mano Menezes, que não é unanimidade e não tem a confiança irrestrita do presidente da CBF, José Maria Marin. Mas não pode ser o bode expiatório de todos os pecados da Seleção.

Mano é culpado pela contusão que tirou o titular Rafael dos Jogos? Ficamos sem goleiro de confiança. Agora, pós derrota, fica fácil dizer que um dos três jogadores acima dos 23 anos deveria ser um goleiro experiente.

Mano é culpado pela incrível presepada do lateral-direito Rafael, logo aos 28 segundos da decisão? O gol de Peralta foi o mais rápido da história olímpica e abalou drasticamente a postura dos nossos jogadores.

Só nos refizemos do susto depois dos 15 minutos e só passamos a jogar como Brasil depois dos 30, quando, em desvantagem, o treinador, trocou o 4-2-2-2 pelo 4-2-1-3 ao fazer entrar o atacante Hulk no lugar do meia improvisado Alecsandro.

Mais ofensivo e determinado, o Brasil chegou três vezes com perigo. Por que não entrou assim? Aí o treinador errou. Não fez a leitura correta nos jogos anteriores.

Mano é culpado por Neymar ter sido presa fácil da marcação no primeiro tempo? Treinador sempre alertou que o jogador do Santos precisava se reinventar para fugir da marcação forte e dobrada. Muricy também!

Embora falho nas conclusões, Neymar se reinventou no segundo tempo, quando não se restringiu ao setor esquerdo e encontrou algum espaço para fazer o que sabe: jogar futebol como poucos. Mas a bola não entrou.

Mano é culpado exclusivo pelas admissíveis atuações irregulares do jovem quarto-zagueiro Juan? Talvez pudesse escalar Bruno Uvini, mas não mudaria muito.

Mano é culpado pela ansiedade e pelas boas oportunidades perdidas no segundo tempo com Neymar, Hulk e Oscar? Claro que não!

Mano é culpado pelos espaços dados aos mexicanos depois dos 15/20 minutos do segundo tempo? Talvez, mas não sozinho. Era preciso ousar para tentar chegar ao empate. Daí as trocas de volante, meia e lateral por atacantes de ofício.

Talvez um exagero, porque número de atacantes não é sinônimo de espaços, criatividade, inteligência e competência para botar a bola pra dentro. O México era um exemplo de determinação na marcação e jogava no 9-1-0. Havia muita gente naquela metade do campo.

Mano é culpado pela falha da arbitragem ao inventar falta absurda de Marcelo, lá na lateral-esquerda e que originou o segundo gol dos mexicanos? Lógico que não!

Mano é culpado pela falha infantil de marcação nesse mesmo gol? Peralta estava próximo de Hulk, mas se desgarrou para aparecer sozinho à frente dos zagueiros e concluir de cabeça, de forma indefensável para Gabriel, que pouco antes já vira o bom Fabian perder duas oportunidades.

No gol, o ideal seria algum zagueiro interno ter colado no atacante mais alto do México; ou mesmo alguém mas acostumado com tal situação e que não se limitasse a acompanhar a trajetória da bola. Falha foi conjunta e não do treinador.

Mano é o único culpado pela irregularidade, pela oscilação da nossa seleção? Claro que não! Abalada no início, melhor no final do primeiro tempo, no início e no final do segundo, mesmo sem ser brilhante, a Seleção só viu o México encontrar espaços generosos e perigosos entre 15 e 30 minutos da segunda etapa.

Foi o suficiente. Dominamos! Pressionamos mas não tivemos competência para fazer o gol! Ninguém pode dizer que não faltou vontade e que a seleção pipocou. É preciso valorizar a conquista dos mexicanos.

Mano é culpado pela bola de Oscar não ter entrado nos acréscimos, três minutos depois de Hulk ter diminuído o placar e dado esperanças ao torcedor brasileiro? Também não!

Mano não é perfeito, também errou, mas não é único responsável pela derrota. Só que a cultura brasileira só valoriza os vencedores. No caso do futebol, prata é lata. Por isso, infelizmente, Mano Menezes está com os dias contados. Ou seriam horas?

Só pra completar: já que é tão rica, bem que a CBF poderia doar aqueles R$ 4 milhões a entidades assistenciais que tanto necessitam para cuidar de crianças, idosos, indigentes e pessoas com deficiência.

Sei que é pedir demais, mas, já que o espírito olímpico parece passar ao largo quando se oferece dinheiro para ganhar, que se tenha ao menos grandeza de espírito.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Placas BRA-2521. Como campeões!

Mais uma vez, o vôlei brasileiro encantou. Mais uma vez, a torcida cantou. Não sei se o campeão voltou; só sei que o campeão voltou... a jogar como campeão.

Os meninos do Brasil simplesmente atropelaram a Itália. Os meninos do Brasil me fizeram voltar no tempo e lembrar da nossa Pirelli imbatível e das nossas seleções douradas.

Ainda bem que um dia tivemos os exemplos de Moreno, Mané, Negrelli, Décio, Emerson, Zé Roberto, Cica, Flavio, Ronaldo e William, nosso eterno capitão e um dos melhores levantadores do mundo.

Que bom ter visto jogarem Montanaro, Xandó, Amaury, Renan, Bernard, Pampa, Bernardinho, Marcelo Negrão, Geovanni, Carlão, Paulão, Xande, Douglas, Giba, Maurício, Gustavo, Nalbert e tantos outros campeões.

Hoje, no encontro dos melhores e maiores campeões das últimas décadas, nosso vôlei parecia enfrentar a Tanzânia, e não a Itália que acabara de eliminar os Estados Unidos, os campeões de Pequim.

Para uma semifinal olímpica, a Itália foi um fiasco. Insegura, perdida taticamente, eivada de erros técnicos e sem poder de reação, a melhor escola do vôlei mundial nos anos 90 foi humilhada, atropelada.

Talvez nenhum italiano tenha conseguido anotar as placas da carreta que despencou ladeira a baixo. As placas começavam com as letras BRA. Os dois primeiros números eram 25, com certeza.

Quanto ao complemento, melhor ajudar nossos respeitáveis irmãos atordoados: 21. Sim, melhor ficarmos com o 21 do primeiro e do terceiro set. Pra quê lembrar o vexatório 25 a 12 (isso mesmo, doze) do segundo set.

Então, ficamos assim: pilotada com segurança e maestria pelo jovem levantador Bruninho, a carreta verde e amarela, de Santo André, placas BRA-2521, passou por cima de um time limitado a bons saques, mas sem forças para encarar o desafio.

O valoroso conteúdo da carroceria carregada de tática, confiança, personalidade, vibração (e respeito à história) tinha um complemento insuperável: competência para aliar força, determinação e inteligência em todos os fundamentos técnicos.

Decisão da medalha de ouro vai ser domingo, contra os russos. Só que não são os mesmos russos da primeira fase. Aqueles, derrotados por nós por 3 a 0, já deram a volta por cima. Agora, o momento já é outro.

É a mesma história das nossas meninas, que decepcionaram na classificatória e amanhã defendem o título olímpico diante das americanas, para quem perdemos por 3 a 1 e ainda fomos ajudados.

Afinal, elas venceram a Turquia e nos deram a oportunidade de chegar às quartas-de-final, quando fizemos um jogo histórico, emocionante,quase perfeito, na vitória diante das favoritas russas. Se as americanas perdessem (entregassem o jogo pensando no futuro), estaríamos eliminados.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Cutucado, o vôlei dá a volta por cima

Pra ser sincero, eu não botava muita fé no vôlei olímpico do Brasil. Por motivos diferentes, e justificáveis, tanto no masculino quanto no feminino, o desempenho nos últimos tempos não era de campeões.

Pois é, mas a fila anda, o vento muda e o sonho de medalhas está mais vivo do que nunca. No feminino, sem passar pelo sufoco das quartas-de-final contra a Rússia, o Brasil eliminou o Japão em apenas 83 minutos.

Um 3 a 0 tranquilo até demais. Técnica e taticamente perfeito, o time de José Roberto Guimarães nem se incomodou com a fama de defesa quase impenetrável das japonesas.

Defendemos e sacamos com eficiência incomum; e atacamos e contra-atacamos com a mesma alta produtividade dos últimos jogos. Especialmente com Sheilla e Thaísa, sempre municiadas com precisão pela levantadora Dani Lins.

Surpreendentemente, o Brasil da superação teve paciência para administrar cada ponto. Ao contrário, o Japão se perdeu em todos os fundamentos. Até mesmo no controle emocional, que não é fundamento técnico mas é fundamental para quem quer vencer um advrsário em evolução.

Decisão diante dos Estados Unidos ( 3 a 0 na Coréia do Sul) será sábado e vai repetir a final olímpica de Pequim, quando ganhamos de 3 a 1. Aparentemente, o momento americano é melhor. Mas momento não é sinônimo de ouro na véspera.

No masculino, que também retomou a confiança, a volta por cima está prestes a se concretizar. Semifinal de amanhã diante dos italianos está com cheiro de novo passeio. Como foi contra nossos irmãos argentinos.

No vôlei de praia masculino, juro que não dava nada para a dupla alemã. Mas perdemos e ficamos com a medalha de prata. Como franco-atiradores, diante dos teoricamente favoritos Emanuel e Alisson, os alemães venceram por 2 a 1.

No feminino, ontem, Juliana e Larissa, que também sonharam como o ouro, ficaram com a também importante medalha de bronze ao superar a dupla da Coréia do Sul.

Na praia ou na quadra, o nosso vôlei está onde merece. Não deu ouro na areia, mas fora dela parece mesmo que o campeão voltou, como cantou a torcida após o atropelamento das nossas meninas sobre as japonesas.

Quem mandou cutucar a onça com vara curta?