Finalmente, o São Bernardo decidiu emprestar o atacante Danielzinho. Cotado para jogar no Marítimo de Portugal, o artilheiro do Tigre na campanha do acesso à elite estadual vai ficar no São Caetano até o final do ano.
Daniel Tiago Duarte nasceu em São Bernardo, a 21 de fevereiro de 1988. Foi revelado pelo próprio São Bernardo, tem 1,79m e pesa 70kg. Característica principal: individualismo; para o bem e para o mal.
Danielzinho é o tipo do jogador útil, mas ainda joga menos do que pensa. Ou seus empresários pensam! Apesar de um dos maiores artilheiros da curta história do clube fundado em dezembro de 2004, o jovem exercita bem mais o individualismo do que o coletivismo.
Veloz mas sem visão periférica porque teima em jogar de cabeça baixa, ele costuma oscilar muito. É oito ou oitenta! Faz jogos brilhantes quando decide por meio da fome de gols e partidas bizonhas quando exagera no egoismo, mata ataques promissores ou perde gols imperdíveis no profissionalismo.
Danielzinho gosta de jogar mais ou menos ao estilo de Neymar, partindo da direita ou da esquerda em diagonal. Ad vezes, pensa ser Neymar, mas está muito longe do craque santista. Falha excessivamente na conclusão, talvez em função de não se ter esmerado nos treinos de fundamentos ainda nas categorias de base.
Se vai dar certo no Azulão? Posso até queimar a língua, mas não apostaria nem metade das minhas fichas. Já decepcionou no Sport e no Avaí (?). Chega no São Caetano como segundo atacante, provavelmente como opção para substituir o titular Geovane.
Se tiver humildade e se aplicar nos treinamentos técnicos, táticos e físicos, Danielzinho pode aprender muito sob o comando do exigente Sérgio Guedes. Treinador não é de atitudes excessivamente paternalistas.
E os dirigentes do São Caetano também não podem tratar o jogador como xodozinho, o bom menino que virou ídolo na cidade natal. Paparico é coisa de torcedor e fim de papo.
Eterna promessa? Por enquanto, só promessa! Tem bela oportunidade de mostrar que seus críticos estão equivocados. Na maioria das entrevistas, mesmo com certa ingenuidade, procura dar indiretas para jornalistas, dirigentes e alguns torcedores que o criticam.
Porém, no campeonato da Segundona (A-2), só acordou e voltou a jogar bem quando exigido com maior intensidade. Mesmo assim, apesar de aparecer bem e sempre livre para finalizar, perde gols em demasia e ignora companheiros com maiores possibilidades de concluir com sucesso. É fominha!
Se for mesmo exigido, monitorado com rigor e incentivado, talvez possa responder de forma positiva e seguir carreira até em clubes maiores. Só que ali, onde a visibilidade é proporcional à cobrança, pode virar vilão num piscar de olhos e levar um pé na bunda.
Se o jovem achar que é o bom, vai dar com os burros n'água, voltar ao Tigre e ser emprestado a clubes secundários. Não é craque, mas pode ser útil. O tempo dirá se o Azulão fez bom negócio ou entrou numa roubada.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Camisas 1, 10 e 11 da Seleção
Na bela goleada sobre os Estados Unidos, a Seleção Brasileira teve méritos e foi convincente. Além dos 4 a 1, o grupo de Mano Menezes desfilou virtudes individuais e coletivas nos três setores.
A começar pelo camisa 12, que tem condições indiscutíveis de ser camisa 1 nos Jogos Olímpicos de Londres. Pode parecer precipitação de um jogo só, mas não é! O jovem Rafael matou a pau!
Estreia do goleiro do Santos foi de encher os olhos. Não se assustou! Não tremeu! Isso é ótimo! Rafael teve personalidade de jogador maduro. Foram pelo menos quatro defesas de vulto. Passou firmeza de veterano, de gente grande!
Na zaga, o lateral Danilo, mais preso, talvez para liberar Marcelo, ainda não convenceu. O capitão Thiago Silva mostrou por que é o sonho de 10 entre 10 maiores clubes do mundo.
Seu companheiro, o jovem Juan ainda alterna altos e baixos, mas joga firme. David Luiz ainda é superior. Quando não exagera no preciosismo e entrega o ouro! Jogo aéreo da zaga interna deve melhorar quando o treinador acertar o posicionamento.
Na esquerda, Marcelo foi muito bem tanto na defesa quanto no ataque. Se dá bem com Neymar. Marrento, só precisa controlar o pavio curto para não acabar expulso como um mero juvenil.
Os volantes, Sandro e Rômulo, apareceram pouco, mas marcam com desenvoltura. Falham pouco por falta de entrosamento. Normal! Não sacrificam o trabalho dos zagueiros e facilitam a performance do armador, como no caso de ontem.
Armador de aproximação, vertical, cortante, que me fez repensar no que escrevi em março do ano passado (Neymar, Ganso, Lucas + 8). Oscar, revelado no São Paulo e hoje no Inter, foi brilhante e garantiu vaga para Londres.
Dinâmico, combativo, inteligente e ousado, Oscar deve ter deixado Ganso com a pulga atrás da orelha e Mano Menezes com um sorriso de orelha a orelha. Se quiser, treinador pode até escalar um mais pela direita e outro pela esquerda, saindo um atacante.
O armador do Santos é diferenciado, mas, constantemente lesionado, corre o risco de não estar inteiro até julho. Mesmo que se recupere da artroscopia, vai ter de jogar muito mais para recuperar a posição.
Se ficar limitado a uma faixa do campo, duas enfiadas de bola e uma conclusão por jogo, vai dançar. Pouco pra quem é definido como craque. O camisa 10 de Londres será o menino de personalidade que ontem encheu os olhos de quem gosta de futebol.
Como o Brasil jogou no 4-2-1-3, Hulk abriu pela direita, Neymar pela esquerda e Leandro Damião ficou como referência. Hulk extrapola a idade e pode ser preterido na titularidade por mais um armador.
Ou mesmo o mais ofensivo Lucas, que, estranha e erroneamente, brilha na direita sãopaulina mas na Seleção tem entrado na esquerda. Ali, a luz se apanha.
A camisa 9 parece mesmo entre Leandro Damião e Alexandre Pato. Se Pato se concentrar mais no futebol e não continuar refém de lesões sequenciais, terá alguma chance.
Leandro Damião alterna jogadas de craque e de cabeça-de-bagre, mas agrada como referencial e ainda se aplica para ajudar a marcar a saída de bola, sistemática incorporada com louvor pela Seleção.
Já a camisa 11 tem dono há algum tempo. O infernal Neymar nem precisou fazer diabruras. Como craque global, agora ficou ainda mais visado e tem cada vez menos espaço. É o preço da fama! Sobra buraco para os companheiros.
Embora sujeito a discordâncias dos mais exigentes, entendo que, pela produtividade, Neymar foi um dos melhores em campo ao lado de Rafael, Thiago Silva, Marcelo e Oscar.
Marcou de pênalti, bateu o escanteio que originou o gol de cabeça de Thiago Silva e -- após enfiada milimétrica de Oscar -- foi ao fundo para servir Marcelo de bandeja no terceiro. Precisa mais? Seleção não é Santos, não!
Quanto à seleção americana, não é uma Espanha,uma Alemanha, mas está longe de ser rotulada como o saco de pancadas de outrora. Falha muito defensivamente, mas sabe jogar do meio pra frente. Tanto que fez o nome de Rafael.
A começar pelo camisa 12, que tem condições indiscutíveis de ser camisa 1 nos Jogos Olímpicos de Londres. Pode parecer precipitação de um jogo só, mas não é! O jovem Rafael matou a pau!
Estreia do goleiro do Santos foi de encher os olhos. Não se assustou! Não tremeu! Isso é ótimo! Rafael teve personalidade de jogador maduro. Foram pelo menos quatro defesas de vulto. Passou firmeza de veterano, de gente grande!
Na zaga, o lateral Danilo, mais preso, talvez para liberar Marcelo, ainda não convenceu. O capitão Thiago Silva mostrou por que é o sonho de 10 entre 10 maiores clubes do mundo.
Seu companheiro, o jovem Juan ainda alterna altos e baixos, mas joga firme. David Luiz ainda é superior. Quando não exagera no preciosismo e entrega o ouro! Jogo aéreo da zaga interna deve melhorar quando o treinador acertar o posicionamento.
Na esquerda, Marcelo foi muito bem tanto na defesa quanto no ataque. Se dá bem com Neymar. Marrento, só precisa controlar o pavio curto para não acabar expulso como um mero juvenil.
Os volantes, Sandro e Rômulo, apareceram pouco, mas marcam com desenvoltura. Falham pouco por falta de entrosamento. Normal! Não sacrificam o trabalho dos zagueiros e facilitam a performance do armador, como no caso de ontem.
Armador de aproximação, vertical, cortante, que me fez repensar no que escrevi em março do ano passado (Neymar, Ganso, Lucas + 8). Oscar, revelado no São Paulo e hoje no Inter, foi brilhante e garantiu vaga para Londres.
Dinâmico, combativo, inteligente e ousado, Oscar deve ter deixado Ganso com a pulga atrás da orelha e Mano Menezes com um sorriso de orelha a orelha. Se quiser, treinador pode até escalar um mais pela direita e outro pela esquerda, saindo um atacante.
O armador do Santos é diferenciado, mas, constantemente lesionado, corre o risco de não estar inteiro até julho. Mesmo que se recupere da artroscopia, vai ter de jogar muito mais para recuperar a posição.
Se ficar limitado a uma faixa do campo, duas enfiadas de bola e uma conclusão por jogo, vai dançar. Pouco pra quem é definido como craque. O camisa 10 de Londres será o menino de personalidade que ontem encheu os olhos de quem gosta de futebol.
Como o Brasil jogou no 4-2-1-3, Hulk abriu pela direita, Neymar pela esquerda e Leandro Damião ficou como referência. Hulk extrapola a idade e pode ser preterido na titularidade por mais um armador.
Ou mesmo o mais ofensivo Lucas, que, estranha e erroneamente, brilha na direita sãopaulina mas na Seleção tem entrado na esquerda. Ali, a luz se apanha.
A camisa 9 parece mesmo entre Leandro Damião e Alexandre Pato. Se Pato se concentrar mais no futebol e não continuar refém de lesões sequenciais, terá alguma chance.
Leandro Damião alterna jogadas de craque e de cabeça-de-bagre, mas agrada como referencial e ainda se aplica para ajudar a marcar a saída de bola, sistemática incorporada com louvor pela Seleção.
Já a camisa 11 tem dono há algum tempo. O infernal Neymar nem precisou fazer diabruras. Como craque global, agora ficou ainda mais visado e tem cada vez menos espaço. É o preço da fama! Sobra buraco para os companheiros.
Embora sujeito a discordâncias dos mais exigentes, entendo que, pela produtividade, Neymar foi um dos melhores em campo ao lado de Rafael, Thiago Silva, Marcelo e Oscar.
Marcou de pênalti, bateu o escanteio que originou o gol de cabeça de Thiago Silva e -- após enfiada milimétrica de Oscar -- foi ao fundo para servir Marcelo de bandeja no terceiro. Precisa mais? Seleção não é Santos, não!
Quanto à seleção americana, não é uma Espanha,uma Alemanha, mas está longe de ser rotulada como o saco de pancadas de outrora. Falha muito defensivamente, mas sabe jogar do meio pra frente. Tanto que fez o nome de Rafael.
Meninas do handebol vão para o G-8 em Londres
Senhoras e senhores, fãs do handebol,façam suas apostas! Desta vez, sem medo!
Handebol feminino do Brasil oscilou muito e não foi bem nos Jogos Olímpicos de Pequim, quatro anos atrás. Mas em Londres as meninas vão ficar entre as quatro melhores do grupo na primeira fase e passar para o G-8 do bem. Pode apostar!
Se o lado psicológico não estiver tão fragilizado quanto em 2008, quando a maionese desandou principalmente por falta de competência emocional, e não técnica, nossas feras vão, sim, garantir vaga para as quartas-de-final. Dobro qualquer aposta!
Grupos anunciados ontem não significam obstáculos intransponíveis para as belas do dinamarquês Morten Soubak. Sem essa de bicho-papão! Dá pra passar! Vai passar! Veja por que a possibilidade beira os 80%.
O Grupo A tem Brasil, Rússia, Croácia, Montenegro, Grã-Bretanha e Angola. Em Pequim, o Brasil venceu a Coréia do Sul (medalha de bronze), empatou com a forte Hungria e perdeu de Alemanha, Rússia e Suécia.
Embora não tenha passado das oitavas-de-final em Pequim, as brasileiras evoluíram. Tanto que mostraram handebol convincente e chegaram em quinto no Mundial de 2011 em São Paulo, ao vencer exatamente a Rússia, vice-campeã olímpica.
No Mundial a Croácia ficou em sétimo ao superar as angolanas. Montenegro não deve pagar placê e a Grã-Bretanha é a seleção mais fraca do primeiro páreo. Favoritismo da Rússia.Outras vagas devem ficar com Brasil, Croácia e Angola.
No Grupo B estão Noruega, Espanha, Dinamarca, França, Suécia e Coréia do Sul. Campeã olímpica e mundial, a Noruega é pule de 10 para passar. Isso se ninguém atropelar por fora. Outras três vagas devem ser disputadíssimas, decididas cabeça a cabeça.
A França é vice mundial e quinta nas Olimpíadas; a Espanha foi bronze no Mundial; a Coréia do Sul foi bronze e a Suécia oitava em Pequim, enquanto que a Dinamarca ficou em quarto no Mundial. Definição, só mesmo no cruzar do disco final.
Das 17 brasileiras convocadas, apenas a central Débora Hannak (Metodista) e a ponta Jéssica (Blumenau) jogam aqui, onde o time de São Bernardo ganha quase tudo há muito tempo.
As demais integram importantes equipes na Europa. O intercâmbio tem sido fundamental para as meninas amadurecerem e aprenderem a competir contra potências do handebol mundial. Só não vale pipocar e ficar com medo de perder.
Com os nervos no lugar, e no embalo de vitórias motivadoras, podemos até chegar ao podium pela primeira vez. Quanto a quebrar a hegemonia das europeias, está mais para utopia. Um sonho distante.
Handebol feminino do Brasil oscilou muito e não foi bem nos Jogos Olímpicos de Pequim, quatro anos atrás. Mas em Londres as meninas vão ficar entre as quatro melhores do grupo na primeira fase e passar para o G-8 do bem. Pode apostar!
Se o lado psicológico não estiver tão fragilizado quanto em 2008, quando a maionese desandou principalmente por falta de competência emocional, e não técnica, nossas feras vão, sim, garantir vaga para as quartas-de-final. Dobro qualquer aposta!
Grupos anunciados ontem não significam obstáculos intransponíveis para as belas do dinamarquês Morten Soubak. Sem essa de bicho-papão! Dá pra passar! Vai passar! Veja por que a possibilidade beira os 80%.
O Grupo A tem Brasil, Rússia, Croácia, Montenegro, Grã-Bretanha e Angola. Em Pequim, o Brasil venceu a Coréia do Sul (medalha de bronze), empatou com a forte Hungria e perdeu de Alemanha, Rússia e Suécia.
Embora não tenha passado das oitavas-de-final em Pequim, as brasileiras evoluíram. Tanto que mostraram handebol convincente e chegaram em quinto no Mundial de 2011 em São Paulo, ao vencer exatamente a Rússia, vice-campeã olímpica.
No Mundial a Croácia ficou em sétimo ao superar as angolanas. Montenegro não deve pagar placê e a Grã-Bretanha é a seleção mais fraca do primeiro páreo. Favoritismo da Rússia.Outras vagas devem ficar com Brasil, Croácia e Angola.
No Grupo B estão Noruega, Espanha, Dinamarca, França, Suécia e Coréia do Sul. Campeã olímpica e mundial, a Noruega é pule de 10 para passar. Isso se ninguém atropelar por fora. Outras três vagas devem ser disputadíssimas, decididas cabeça a cabeça.
A França é vice mundial e quinta nas Olimpíadas; a Espanha foi bronze no Mundial; a Coréia do Sul foi bronze e a Suécia oitava em Pequim, enquanto que a Dinamarca ficou em quarto no Mundial. Definição, só mesmo no cruzar do disco final.
Das 17 brasileiras convocadas, apenas a central Débora Hannak (Metodista) e a ponta Jéssica (Blumenau) jogam aqui, onde o time de São Bernardo ganha quase tudo há muito tempo.
As demais integram importantes equipes na Europa. O intercâmbio tem sido fundamental para as meninas amadurecerem e aprenderem a competir contra potências do handebol mundial. Só não vale pipocar e ficar com medo de perder.
Com os nervos no lugar, e no embalo de vitórias motivadoras, podemos até chegar ao podium pela primeira vez. Quanto a quebrar a hegemonia das europeias, está mais para utopia. Um sonho distante.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Azulão convence. Que não seja fogo de palha!
A se julgar pelo jogo encerrado agora há pouco no Anacleto Campanella, o São Caetano de Sérgio Guedes será bem diferente do comandado pelo recém-demitido Márcio Araújo.
Não apenas pela boa vitória de 2 a 0 sobre o Bragantino, depois de perder de 1 a 0 para ASA e Avaí nas duas primeiras rodadas do Brasileiro da Série B.
Pelo menos hoje, o time do ex-goleiro do Santos venceu e convenceu. Que não seja apenas fogo de palha! Foi menos burocrático, mais determinado, dinâmico, organizado e agressivo.
Defensivamente, o Azulão deu pouquíssimas oportunidades ao time de Marcelo Veiga, ex-lateral do Santos e do Santo André. Especialmente pelo posicionamento e pela combatividade incessante de Moradei e Augusto Recife, que apareceu até no ataque.
Está certo que sem o bom ala Vitor Ferraz e o rápido atacante Romarinho, negociado com o Corinthians, o Bragantino ficou capenga e disperso. Seu 3-5-2 estava desfigurado. Por isso defendeu mal e contra-atacou sem a contundência de outros tempos.
O 4-4-2 o São Caetano foi bem mais produtivo e consistente. Até mesmo quando variou para o 4-3-1-2, com Éder ajudando pela esquerda e Marcelo Costa chegando no ataque. Ou para o 4-2-1-3, com o mesmo Éder ficando mais aberto na esquerda.
No primeiro tempo o São Caetano fez dois gols (Geovane aos 28 e Éder aos 36 minutos) com a participação do produtivo pivô Leandrão, que também provocou a expulsão do zagueiro Cris no final do primeiro tempo.
Na segunda etapa, com um homem a mais e preferindo não correr riscos desnecessários, o Azulão puxou o freio, procurou administrar o resultado sem sofrer tantos sobressaltos (apenas numa conclusão ridícula do isolado centroavante Lincom). Mesmo assim, ainda chegou com perigo em dois contragolpes e duas jogadas mais trabalhadas.
O então titular Pedro Carmona, ex-Palmeiras, entrou no lugar do cansado Éder e no final Luciano Mandi, de volta do São Bernardo, substituiu Geovane. Com pouco tempo, quase nada conseguiram de prático. Não precisou. Apesar de aplicado, o Bragantino já estava morto.
Reestréia de Sérgio Guedes com vitória serve de alento. Se não foi perfeito, pelo menos o São Caetano trocou a passividade de uma falsa e ameaçadora zona de conforto por um conjunto de atitudes dignas de quem tem responsabilidades e ganha pra jogar.
Contra o ABC, sábado, em Natal, o Azulão tem mais uma oportunidade de mostrar que a vontade de hoje não é fogo de palha. Que não é enganação passageira de quem se apresenta disposto ao novo treinador mas logo depois se acomoda.
Sem mídia a cobrar com mais rigor e grande torcida a fungar no cangote dos folgados, o jogador do São Caetano precisa, antes de tudo, independente de cobrança e visibilidade, se dar ao respeito como profissional da bola. Simples assim!
Não apenas pela boa vitória de 2 a 0 sobre o Bragantino, depois de perder de 1 a 0 para ASA e Avaí nas duas primeiras rodadas do Brasileiro da Série B.
Pelo menos hoje, o time do ex-goleiro do Santos venceu e convenceu. Que não seja apenas fogo de palha! Foi menos burocrático, mais determinado, dinâmico, organizado e agressivo.
Defensivamente, o Azulão deu pouquíssimas oportunidades ao time de Marcelo Veiga, ex-lateral do Santos e do Santo André. Especialmente pelo posicionamento e pela combatividade incessante de Moradei e Augusto Recife, que apareceu até no ataque.
Está certo que sem o bom ala Vitor Ferraz e o rápido atacante Romarinho, negociado com o Corinthians, o Bragantino ficou capenga e disperso. Seu 3-5-2 estava desfigurado. Por isso defendeu mal e contra-atacou sem a contundência de outros tempos.
O 4-4-2 o São Caetano foi bem mais produtivo e consistente. Até mesmo quando variou para o 4-3-1-2, com Éder ajudando pela esquerda e Marcelo Costa chegando no ataque. Ou para o 4-2-1-3, com o mesmo Éder ficando mais aberto na esquerda.
No primeiro tempo o São Caetano fez dois gols (Geovane aos 28 e Éder aos 36 minutos) com a participação do produtivo pivô Leandrão, que também provocou a expulsão do zagueiro Cris no final do primeiro tempo.
Na segunda etapa, com um homem a mais e preferindo não correr riscos desnecessários, o Azulão puxou o freio, procurou administrar o resultado sem sofrer tantos sobressaltos (apenas numa conclusão ridícula do isolado centroavante Lincom). Mesmo assim, ainda chegou com perigo em dois contragolpes e duas jogadas mais trabalhadas.
O então titular Pedro Carmona, ex-Palmeiras, entrou no lugar do cansado Éder e no final Luciano Mandi, de volta do São Bernardo, substituiu Geovane. Com pouco tempo, quase nada conseguiram de prático. Não precisou. Apesar de aplicado, o Bragantino já estava morto.
Reestréia de Sérgio Guedes com vitória serve de alento. Se não foi perfeito, pelo menos o São Caetano trocou a passividade de uma falsa e ameaçadora zona de conforto por um conjunto de atitudes dignas de quem tem responsabilidades e ganha pra jogar.
Contra o ABC, sábado, em Natal, o Azulão tem mais uma oportunidade de mostrar que a vontade de hoje não é fogo de palha. Que não é enganação passageira de quem se apresenta disposto ao novo treinador mas logo depois se acomoda.
Sem mídia a cobrar com mais rigor e grande torcida a fungar no cangote dos folgados, o jogador do São Caetano precisa, antes de tudo, independente de cobrança e visibilidade, se dar ao respeito como profissional da bola. Simples assim!
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Santos, antes e depois de Léo, o incendiário
O Santos não eliminou o Velez Sarsfield por causa das diabruras do craque Neymar. Tampouco fez 1 a 0 no tempo normal e 4 a 2 nos pênaltis porque os toques mágicos de Ganso desequilibraram.
O Santos só vai enfrentar o Corinthians nas semifinais da Libertadores porque Muricy Ramalho colocou em campo, aos 30 minutos do segundo tempo, um lateral-esquerdo de 37 anos de idade.
Sim, o grande e favorito Santos só chegou à vitória dramática porque o veterano mas sempre utilíssimo Léo colocou fogo num jogo que até então era sinônimo de nervosismo, tensão e angústia, dentro e fora do campo.
Um duelo em que preponderavam a incrível dedicação defensiva do bom Velez (com um jogador a menos) e a paciência barcelonesa do Santos, que tocava e tocava bola de um lado para o outro, mas não conseguia penetrar e/ou concluir com a contundência de quem só sobreviveria se vencesse.
Mas tudo mudou no gramado e nas arquibancadas quando o pequenino Léo entrou ligadíssimo, tocando nas mãos dos companheiros, falando forte e incentivando seus companheiros a acreditar na vitória. Literalmente, pôs fogo no jogo. Um incendiário do bem!
Rápido, confiante e agressivo, não demorou para o "menino" brilhar. Aos 33 minutos, Léo tocou da esquerda para o lesionado Ganso e partiu em diagonal, pra dentro dos zagueiros; recebeu enfiada perfeita já na área, e, mesmo dividindo, tocou para Alan Kardec, que acabara de perder gol feito, concluir de pé esquerdo, no canto esquerdo.
Gol feito, Léo festejado e o Santos totalmente motivado para tentar a vitória. A Vila Belmiro foi à loucura, virou um caldeirão de emoções. O Santos tentou o segundo gol, mas não deu no tempo regulamentar; ficou para os pênaltis.
Estava 3 a 2 para o Santos quando Léo, que não é de bater pênalti mas não fugiu da raia ao ser consultado por Muricy, partiu para fazer o gol da classificação. Goleiro saiu para a direita e o menino de 37 anos bateu de pé esquerdo, com extrema categoria, no canto esquerdo. Indefensável!
Outra festa para Léo. Estava escolhido o homem do jogo, o herói da suada mas merecida vitória santista. Um prêmio para alguém que pode estar próximo de encerrar carreira mas superou inúmeros problemas particulares e colocou muitos jovens prepotentes e preguiçosos no chinelo.
Mais uma vez o torcedor santista se curvou à identificação e à dedicação exemplar de um operário sem a arte e a plasticidade técnica de Neymar e Ganso. Simplesmente, um guerreiro com brilho nos olhos e coração valente a pulsar na frequência máxima.
Assim se fazem um homem e um time campeão! Assim foi o Santos, antes e depois de Léo, o Grande. Que venha o Corinthians! Briga de cachorro grande! Lógico que sem favorito.
O Santos só vai enfrentar o Corinthians nas semifinais da Libertadores porque Muricy Ramalho colocou em campo, aos 30 minutos do segundo tempo, um lateral-esquerdo de 37 anos de idade.
Sim, o grande e favorito Santos só chegou à vitória dramática porque o veterano mas sempre utilíssimo Léo colocou fogo num jogo que até então era sinônimo de nervosismo, tensão e angústia, dentro e fora do campo.
Um duelo em que preponderavam a incrível dedicação defensiva do bom Velez (com um jogador a menos) e a paciência barcelonesa do Santos, que tocava e tocava bola de um lado para o outro, mas não conseguia penetrar e/ou concluir com a contundência de quem só sobreviveria se vencesse.
Mas tudo mudou no gramado e nas arquibancadas quando o pequenino Léo entrou ligadíssimo, tocando nas mãos dos companheiros, falando forte e incentivando seus companheiros a acreditar na vitória. Literalmente, pôs fogo no jogo. Um incendiário do bem!
Rápido, confiante e agressivo, não demorou para o "menino" brilhar. Aos 33 minutos, Léo tocou da esquerda para o lesionado Ganso e partiu em diagonal, pra dentro dos zagueiros; recebeu enfiada perfeita já na área, e, mesmo dividindo, tocou para Alan Kardec, que acabara de perder gol feito, concluir de pé esquerdo, no canto esquerdo.
Gol feito, Léo festejado e o Santos totalmente motivado para tentar a vitória. A Vila Belmiro foi à loucura, virou um caldeirão de emoções. O Santos tentou o segundo gol, mas não deu no tempo regulamentar; ficou para os pênaltis.
Estava 3 a 2 para o Santos quando Léo, que não é de bater pênalti mas não fugiu da raia ao ser consultado por Muricy, partiu para fazer o gol da classificação. Goleiro saiu para a direita e o menino de 37 anos bateu de pé esquerdo, com extrema categoria, no canto esquerdo. Indefensável!
Outra festa para Léo. Estava escolhido o homem do jogo, o herói da suada mas merecida vitória santista. Um prêmio para alguém que pode estar próximo de encerrar carreira mas superou inúmeros problemas particulares e colocou muitos jovens prepotentes e preguiçosos no chinelo.
Mais uma vez o torcedor santista se curvou à identificação e à dedicação exemplar de um operário sem a arte e a plasticidade técnica de Neymar e Ganso. Simplesmente, um guerreiro com brilho nos olhos e coração valente a pulsar na frequência máxima.
Assim se fazem um homem e um time campeão! Assim foi o Santos, antes e depois de Léo, o Grande. Que venha o Corinthians! Briga de cachorro grande! Lógico que sem favorito.
Deu a lógica e o rio-pardense dançou!
Conforme previsto, meu conterrâneo, Márcio Araújo, dançou! Não dirige mais um São Caetano que há muito tempo tem pautado por oscilações dignas de rebaixamento.
O moço de São José do Rio Pardo não suportou o início claudicante na Série B do Campeonato Brasileiro e já foi substituído por Sérgio Guedes. Derrotas para ASA e Avaí foram a gota d'água que fez transbordar a paciência de quem comanda o Azulão.
Admiro a pessoa do Márcio, gente boníssima, mas seu trabalho não atingiu a consistência que se exige para quem quer voltar à elite nacional e não dar vexame no Estadual.
Nos últimos meses, nas mãos de Márcio Araújo, em pouquíssimos momentos o vôo do Azulão não passou por turbulências de assustar até pilotos experientes.
Embora respeite o currículo do rio-pardense como ex-meio-campista do São Paulo ( o menino que barrou o ídolo Falcão nos tempos do técnico Cilinho) e como treinador, jamais deixei de discordar e até criticar algumas de suas atitudes. Ou a falta de.
Não sei se ele tinha ou não o time na mão. E se a educação exemplar era sinônimo de paternalismo excessivo. Só sei que, apesar dos constantes desfalques, havia opções individuais capazes de formar um conjunto mais homogêneo, com cara de time.
O Azulão só voou tão baixo, sem ganhar altura de acesso, porque abusou do direito de ser burocrático na hora de atacar e pouco competitivo na hora de se defender com mais dedicação. Não teve equilíbrio nas ações defensivas, criativas e ofensivas.
Márcio também teve condutas discutíveis -- porém legítimas e respeitáveis -- no momento de escolher e/ou mudar jogadores e esquemas. Com ou sem matador? Três ou quatro zagueiros? Três ou dois volantes? 3-5-2, 4-3-1-2, 4-4-2 ou 4-2-3-1?
Embora tenha ajudado a salvar o Azulão do descenso, aqui Márcio Araújo não deu certo. Mas é um bom treinador. Pode dar a volta por cima.
Tomara que o retorno de Sérgio Guedes signifique um São Caetano diferente, capaz de trocar a passividade irritante por uma competitividade envolvente. Como o fez diante dos grandes e, por extensão, dos holofotes da mídia.
Ex-goleiro do Santos, Sérgio Guedes é competente mas vai precisar da mesma paciência -- talvez até demais -- que os dirigentes do Azulão tiveram antes de demitir Márcio Araújo, que não é o único culpado.
SANTO ANDRÉ NA C, MAS SEM JOGO
A pedido da CBF, a FIFA resolveu punir o Brasil de Pelotas e o Treze de Campina Grande por terem entrado na Justiça Comum. E a CBF optou por acatar o pedido do Santo André para só iniciar os Brasileiros das Séries C e D quando as pendências judiciais estiverem solucionadas.
Por isso, até segunda ordem, o Santo André continua na Série C, mas o início dos campeonatos está adiado. Em vez de enfrentar a Chapecoense, em Araras, amanhã de manhã, no Bruno Daniel, o Ramalhão faz jogo treino contra o Mogi-Mirim, campeão do Interior.
O técnico Claudemir Peixoto vai ter mais tempo para montar uma equipe capaz de evitar a repetição dos últimos vexames, que quase sempre redundaram em rebaixamentos.
O moço de São José do Rio Pardo não suportou o início claudicante na Série B do Campeonato Brasileiro e já foi substituído por Sérgio Guedes. Derrotas para ASA e Avaí foram a gota d'água que fez transbordar a paciência de quem comanda o Azulão.
Admiro a pessoa do Márcio, gente boníssima, mas seu trabalho não atingiu a consistência que se exige para quem quer voltar à elite nacional e não dar vexame no Estadual.
Nos últimos meses, nas mãos de Márcio Araújo, em pouquíssimos momentos o vôo do Azulão não passou por turbulências de assustar até pilotos experientes.
Embora respeite o currículo do rio-pardense como ex-meio-campista do São Paulo ( o menino que barrou o ídolo Falcão nos tempos do técnico Cilinho) e como treinador, jamais deixei de discordar e até criticar algumas de suas atitudes. Ou a falta de.
Não sei se ele tinha ou não o time na mão. E se a educação exemplar era sinônimo de paternalismo excessivo. Só sei que, apesar dos constantes desfalques, havia opções individuais capazes de formar um conjunto mais homogêneo, com cara de time.
O Azulão só voou tão baixo, sem ganhar altura de acesso, porque abusou do direito de ser burocrático na hora de atacar e pouco competitivo na hora de se defender com mais dedicação. Não teve equilíbrio nas ações defensivas, criativas e ofensivas.
Márcio também teve condutas discutíveis -- porém legítimas e respeitáveis -- no momento de escolher e/ou mudar jogadores e esquemas. Com ou sem matador? Três ou quatro zagueiros? Três ou dois volantes? 3-5-2, 4-3-1-2, 4-4-2 ou 4-2-3-1?
Embora tenha ajudado a salvar o Azulão do descenso, aqui Márcio Araújo não deu certo. Mas é um bom treinador. Pode dar a volta por cima.
Tomara que o retorno de Sérgio Guedes signifique um São Caetano diferente, capaz de trocar a passividade irritante por uma competitividade envolvente. Como o fez diante dos grandes e, por extensão, dos holofotes da mídia.
Ex-goleiro do Santos, Sérgio Guedes é competente mas vai precisar da mesma paciência -- talvez até demais -- que os dirigentes do Azulão tiveram antes de demitir Márcio Araújo, que não é o único culpado.
SANTO ANDRÉ NA C, MAS SEM JOGO
A pedido da CBF, a FIFA resolveu punir o Brasil de Pelotas e o Treze de Campina Grande por terem entrado na Justiça Comum. E a CBF optou por acatar o pedido do Santo André para só iniciar os Brasileiros das Séries C e D quando as pendências judiciais estiverem solucionadas.
Por isso, até segunda ordem, o Santo André continua na Série C, mas o início dos campeonatos está adiado. Em vez de enfrentar a Chapecoense, em Araras, amanhã de manhã, no Bruno Daniel, o Ramalhão faz jogo treino contra o Mogi-Mirim, campeão do Interior.
O técnico Claudemir Peixoto vai ter mais tempo para montar uma equipe capaz de evitar a repetição dos últimos vexames, que quase sempre redundaram em rebaixamentos.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Um cachorro no meio do caminho
Se você estiver pensando em se dirigir ao 1º Distrito Policial de Santo André, ali na Xavier de Toledo, centro, para fazer um simples Boletim de Ocorrência, pense bem. Pode dar com os burros n'água! Como eu, você pode perder tempo e sair indignado.
Ontem à tarde, fiquei lá por cerca de duas horas e meia e não consegui passar nem pela estranha "triagem de ocorrências". Um rio de perguntas repetitivas e um córrego de respostas evasivas, inconsistentes.
Expliquei pelo menos seis vezes por que queria fazer um BO. No guichê, pelos buraquinhos do vidro, o distinto "investigador" Luiz, educado mas aparentemente meio enrolado, parecia não entender.
Contei o que acontece há pelo menos um ano e ele me pediu pra desenhar e emprestar as fotos. Sou péssimo em desenho (e matemática), mas fiz um esboço da minha rua e das três casas envolvidas numa maldita passagem de servidão à qual também tenho direito, por escritura datada de, pasmem, 1947.
Pelo menos seis vezes, o "investigador" foi lá dentro e voltou sem que alguém, delegado ou escrivão -- talvez um detento? --, conseguisse classificar meu assunto como merecedor de uma simples ocorrência a ser investigada.
Mesmo sendo meu direito legal solicitar um BO, possivelmente de "esbulho possessório", o nobre "delegado" Vagner Bordon, ou alguém que falava em seu nome, entendeu que não era o caso. Convenhamos, pura falta de vontade!
Simplesmente, ninguém me recebeu, lá dentro, com o mínimo de educação. Só recados alternados: "O senhor já falou com o inquilino? O cachorro dele é grande? É bravo?". "O senhor já chamou a Zoonose?" "É melhor procurar o pessoal do Forum e entrar com ação".
No último recado, depois de muito insistir para ser recebido pela autoridade policial, alguém mandou a pérola: "Não cabe ocorrência. Seria mais fácil se tivesse lesão corporal, se o cachorro tivesse mordido o senhor" -- disse o moço enrolado que, acho, já estava me enrolando. Mas com educação ímpar! Só essa que me faltava!
Você deve estar curioso. Então, tento explicar sem entrar em detalhes nem desenhar. Desde que você não seja mais um investigador recadista ou um delegado oculto. Afinal, nem sei se o dr. é gordo, magro, alto, baixo, preto ou branco.
Amparado pelo "advogado-procurador" da proprietária do imóvel, o pouco sensato inquilino de uma casas laterais, a 3, plantou um cachorro no corredor de um metro de largura e fez da passagem de servidão comunitária seu quintal. Pode? É muita pretensão!
Um absurdo! Uma insensatez que já dura um ano e não foi resolvida na conversa franca, de quem se julga decente. Depois de mais de meio século sem problemas, de repente, por capricho de quem quer exclusividade, não tenho mais o direito de ir, vir e até alugar, como todos?
Se quiser reclamar do abuso, tenho de pagar para entrar na Justiça ou, conforme sugestão da autoridade, dar mole para o cachorro me morder. Tá de brincadeira, né, "delegado". Me recuso a acreditar!
Pensei que a falta de bom senso, de atitude sensata, fosse só do meu novo vizinho e de quem alugou o imóvel sem as devidas informações e, estranhamente, lhe dá respaldo, possivelmente de olho na área do corredor que deveria ser utilizado de forma igualitária.
Após o último recado/desrespeito, imaginei: pelo jeito, as autoridades competentes --ao menos para intimar os envolvidos a prestarem esclarecimentos -- estão muito ocupadas ou não parecem tão dispostas a trabalhar em caso, para eles, imagino, tão mesquinho. Detalhe: em duas horas e meia, foi feita apenas uma ocorrência.
Se, conforme orientação de especialista, a lei me faculta o direito ao BO -- afinal, não sei o que pode acontecer amanhã -- por que tantos empecilhos sem sequer se dignar a me ouvir sem intermediários? Me indignei, sim! Por isso o desabafo particular.
Fiquei chateado mesmo! Até cogitei procurar a Ouvidoria da Polícia, mas descartei ao concluir que poderia passar por mais um desconforto. Vim embora pra casa nervoso, com a sensação de que aquilo ali, pelo menos a julgar pelas atitudes de ontem, foi feito para dar canseira e não funcionar.
Lamento por não ter tomado uma atitude menos educada assim que o cara enfiou aquele cachorro no meu caminho, no corredor de todos. Perdi o momento e agora sou obrigado a pagar mico na Delegacia por tentar resolver com bom senso, com a mediação de quem ganha para orientar e fazer valer a autoridade; não para se omitir.
É triste, viu delegado! É duro ter como argumento um esbulho possessório (perda do direito de posse ou de uso) e sair se sentindo vítima de esbulho "paciensório" ( invenção minha, para a inevitável perda de paciência).
Se coloque no meu lugar (e de outro vizinho prejudicado) como cidadão comum. O cachorro não tem culpa, claro, mas late, morde, cheira mal, faz sujeira e impede a passagem opcional de duas famílias. Afinal, está no meio do caminho.
Se fosse vivo, talvez Carlos Drummond de Andrade pudesse trocar a famosa pedra pelo cachorro. "No meio do caminho tem um cachorro. Tem um cachorro no meio do caminho".
Ontem à tarde, fiquei lá por cerca de duas horas e meia e não consegui passar nem pela estranha "triagem de ocorrências". Um rio de perguntas repetitivas e um córrego de respostas evasivas, inconsistentes.
Expliquei pelo menos seis vezes por que queria fazer um BO. No guichê, pelos buraquinhos do vidro, o distinto "investigador" Luiz, educado mas aparentemente meio enrolado, parecia não entender.
Contei o que acontece há pelo menos um ano e ele me pediu pra desenhar e emprestar as fotos. Sou péssimo em desenho (e matemática), mas fiz um esboço da minha rua e das três casas envolvidas numa maldita passagem de servidão à qual também tenho direito, por escritura datada de, pasmem, 1947.
Pelo menos seis vezes, o "investigador" foi lá dentro e voltou sem que alguém, delegado ou escrivão -- talvez um detento? --, conseguisse classificar meu assunto como merecedor de uma simples ocorrência a ser investigada.
Mesmo sendo meu direito legal solicitar um BO, possivelmente de "esbulho possessório", o nobre "delegado" Vagner Bordon, ou alguém que falava em seu nome, entendeu que não era o caso. Convenhamos, pura falta de vontade!
Simplesmente, ninguém me recebeu, lá dentro, com o mínimo de educação. Só recados alternados: "O senhor já falou com o inquilino? O cachorro dele é grande? É bravo?". "O senhor já chamou a Zoonose?" "É melhor procurar o pessoal do Forum e entrar com ação".
No último recado, depois de muito insistir para ser recebido pela autoridade policial, alguém mandou a pérola: "Não cabe ocorrência. Seria mais fácil se tivesse lesão corporal, se o cachorro tivesse mordido o senhor" -- disse o moço enrolado que, acho, já estava me enrolando. Mas com educação ímpar! Só essa que me faltava!
Você deve estar curioso. Então, tento explicar sem entrar em detalhes nem desenhar. Desde que você não seja mais um investigador recadista ou um delegado oculto. Afinal, nem sei se o dr. é gordo, magro, alto, baixo, preto ou branco.
Amparado pelo "advogado-procurador" da proprietária do imóvel, o pouco sensato inquilino de uma casas laterais, a 3, plantou um cachorro no corredor de um metro de largura e fez da passagem de servidão comunitária seu quintal. Pode? É muita pretensão!
Um absurdo! Uma insensatez que já dura um ano e não foi resolvida na conversa franca, de quem se julga decente. Depois de mais de meio século sem problemas, de repente, por capricho de quem quer exclusividade, não tenho mais o direito de ir, vir e até alugar, como todos?
Se quiser reclamar do abuso, tenho de pagar para entrar na Justiça ou, conforme sugestão da autoridade, dar mole para o cachorro me morder. Tá de brincadeira, né, "delegado". Me recuso a acreditar!
Pensei que a falta de bom senso, de atitude sensata, fosse só do meu novo vizinho e de quem alugou o imóvel sem as devidas informações e, estranhamente, lhe dá respaldo, possivelmente de olho na área do corredor que deveria ser utilizado de forma igualitária.
Após o último recado/desrespeito, imaginei: pelo jeito, as autoridades competentes --ao menos para intimar os envolvidos a prestarem esclarecimentos -- estão muito ocupadas ou não parecem tão dispostas a trabalhar em caso, para eles, imagino, tão mesquinho. Detalhe: em duas horas e meia, foi feita apenas uma ocorrência.
Se, conforme orientação de especialista, a lei me faculta o direito ao BO -- afinal, não sei o que pode acontecer amanhã -- por que tantos empecilhos sem sequer se dignar a me ouvir sem intermediários? Me indignei, sim! Por isso o desabafo particular.
Fiquei chateado mesmo! Até cogitei procurar a Ouvidoria da Polícia, mas descartei ao concluir que poderia passar por mais um desconforto. Vim embora pra casa nervoso, com a sensação de que aquilo ali, pelo menos a julgar pelas atitudes de ontem, foi feito para dar canseira e não funcionar.
Lamento por não ter tomado uma atitude menos educada assim que o cara enfiou aquele cachorro no meu caminho, no corredor de todos. Perdi o momento e agora sou obrigado a pagar mico na Delegacia por tentar resolver com bom senso, com a mediação de quem ganha para orientar e fazer valer a autoridade; não para se omitir.
É triste, viu delegado! É duro ter como argumento um esbulho possessório (perda do direito de posse ou de uso) e sair se sentindo vítima de esbulho "paciensório" ( invenção minha, para a inevitável perda de paciência).
Se coloque no meu lugar (e de outro vizinho prejudicado) como cidadão comum. O cachorro não tem culpa, claro, mas late, morde, cheira mal, faz sujeira e impede a passagem opcional de duas famílias. Afinal, está no meio do caminho.
Se fosse vivo, talvez Carlos Drummond de Andrade pudesse trocar a famosa pedra pelo cachorro. "No meio do caminho tem um cachorro. Tem um cachorro no meio do caminho".
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